{"id":2133,"date":"2006-10-09T00:00:00","date_gmt":"2006-10-09T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2133"},"modified":"2006-10-09T00:00:00","modified_gmt":"2006-10-09T00:00:00","slug":"ndia-terras-frteis-em-troca-de-fbricas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/economia\/ndia-terras-frteis-em-troca-de-fbricas\/","title":{"rendered":"&Iacute;ndia: Terras f&eacute;rteis em troca de f&aacute;bricas"},"content":{"rendered":"<p>Kolkata, &Iacute;ndia, 09\/10\/2006 &ndash; Camponeses da prov&iacute;ncia indiana de Bengala Ocidental rejeitam a decis&atilde;o do governo comunista local de entregar terras de cultivo para que seja constru&iacute;da uma f&aacute;brica de autom&oacute;veis do grupo Tata, um s&iacute;mbolo do capitalismo neste pa&iacute;s. <!--more--> \u201cSomente nos tirar&atilde;o a terra passando por cima de nossos cad&aacute;veres, seja a Tata ou o governo estadual\u201d, disse Bikas Das, um agricultor da aldeia Khaserveri, no distrito Hooghly, consciente de que se coloca contra a Frente de Esquerda de Bengala Ocidental, no governo provincial desde 1977.<\/p>\n<p>\u201cN&atilde;o cederemos nem um cent&iacute;metro sem lutar\u201d, disseram Das e seus vizinhos da aldeia, irritados com o reformista ministro-chefe de Bengala Ocidental, Buddhadeb Bhattacharya, e a Tata Motors, a empresa que escolheu 410 hectares de terra locais para um projeto de fabrica&ccedil;&atilde;o de motores para carros. Mais de 15 mil moradores da &aacute;rea rural e suas fam&iacute;lias, incluindo mini-propriet&aacute;rios, pe&otilde;es, trabalhadores informais, tempor&aacute;rios por safra da ind&uacute;stria do algod&atilde;o e pequenos empres&aacute;rios em Singur agora vivem sob a amea&ccedil;a de ter de deixar suas terras e perda de seus meios de vida, em troca de um pequeno pacote de compensa&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>A poucos quil&ocirc;metros dali, na aldeia Bankura, cuja popula&ccedil;&atilde;o &eacute; de maioria mu&ccedil;ulmana, no distrito Howrah, Mehboob Ali Halder olha para sua terra contra um c&eacute;u crepuscular recortado pela silhueta de grandes m&aacute;quinas que trabalham na constru&ccedil;&atilde;o de uma cidade por parte do grupo Salem, da Indon&eacute;sia. Diante de sues olhos, as aspira&ccedil;&otilde;es de grandes capitais ganham v&ocirc;o em cerca de 160 hectares de terra escolhida pelo grupo Salem para construir a \u201cCidade Internacional Kolkata Ocidente\u201d, um munic&iacute;pio internacional que simboliza a estrat&eacute;gia do governo da Frente de Esquerda em busca de investimento estrangeiro direto.<\/p>\n<p>Mas, nesta atividade h&aacute; pouco para Halder, um dos milhares de agricultores v&iacute;timas da aquisi&ccedil;&atilde;o de terras para a cidade-sat&eacute;lite de Kolkata, que ter&aacute; 6.100 moradias individuais, quatro torres residenciais, tr&ecirc;s parques ecol&oacute;gicos, um clube com cinco hectares, um hospital com 200 leitos, duas escolas, centros comerciais e zonas de lazer. Halder negou-se a abandonar seu pequeno estabelecimento agr&iacute;cola e abriu um processo contra a medida do governo provincial. \u201cTive um sonho que agora est&aacute; destru&iacute;do. Minha fam&iacute;lia estava no neg&oacute;cio de aq&uuml;icultura e eu tamb&eacute;m plantava v&aacute;rias &aacute;rvores em minhas terras, para realizar uma agricultura combinada. Penso que serei incapaz de manter minha batalha legal e terei de abandon&aacute;-la\u201d, afirmou Halder &agrave; IPS.<\/p>\n<p>As linhas de luta de cultivadores contra o governo de Bengala Ocidental, liderado por Bhattacharya, j&aacute; est&atilde;o tra&ccedil;adas. &Eacute; ir&ocirc;nico que esta mudan&ccedil;a seja feita pelos comunistas, que ap&oacute;s chegarem ao governo em 1977 lan&ccedil;aram um movimento de reforma agr&aacute;ria que lhes deu popularidade suficiente para permanecer quase tr&ecirc;s d&eacute;cadas no comando da prov&iacute;ncia. \u201cOs comunistas, que se orgulham de realizar reformas da terra em seu Estado, agora tentam se apoderar de nossas terras f&eacute;rties\u2019, disse Dudhkumar Dhara, de Singur, que representa o grupo pol&iacute;tico r&iacute;val Congresso de Trinamool, no \u201cpanchayat\u201d, &oacute;rg&atilde;o de governo da aldeia.<\/p>\n<p>Pelo menos 72% dos 68 milh&otilde;es de habitantes de Bengala Ocidental vivem em &aacute;reas rurais e a maioria depende de atividades agr&iacute;colas para ganhar a vida. Mas, Bhattacharya quer mudar tudo isso e industrializar a regi&atilde;o. \u201cQuerem que morramos pelo bem da ind&uacute;stria. Nenhuma quantia de dinheiro pode nos compensar por nossa terra, que esperamos que seja cultivada por nossas futuras gera&ccedil;&otilde;es. As pessoas sem qualifica&ccedil;&atilde;o, como n&oacute;s, n&atilde;o t&ecirc;m nada o que fazer em um projeto da Tata Motors\u201d, disseram os alde&otilde;es. Os protestos s&atilde;o rejeitados por Bhattacharya, uma ins&iacute;gnia dos pol&iacute;ticos por seus esfor&ccedil;os para rejuvenescer a ind&uacute;stria em um Estado antes conhecido por seu sindicalismo militante, que resultou em um v&ocirc;o da capital para outras partes da &Iacute;ndia.<\/p>\n<p>\u201cO problema &eacute; que os l&iacute;deres da oposi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o t&ecirc;m mais nada a fazer. &Eacute; por isto que est&atilde;o desesperados para fazerem algo por sua exist&ecirc;ncia pol&iacute;tica\u201d, disse Bhattacharya, que pede urg&ecirc;ncia aos agricultores para passarem da agricultura para a ind&uacute;stria. \u201cN&atilde;o podem nos impedir de estabelecermos a ind&uacute;stria no Estado. Deixem que gritem tudo o que podem; faremos o que temos de fazer\u201d, afirmou. Mas, ap&oacute;s ter dominado a dissens&atilde;o dentro da Frente de Esquerda, agora Bhattacharya &eacute; um alvo f&aacute;cil para seus oponentes pol&iacute;ticos. O governo alega que a terra necess&aacute;ria para o projeto da Tata Motors est&aacute; dedicada ao monocultivo.<\/p>\n<p>Entretanto, as pegadas que sulcam a terra contam uma hist&oacute;ria diferente: a maioria dos minif&uacute;ndios produz uma variedade de cultivos durante o ano, como arroz, batata e outros vegetais. Em Singur, membros da sociedade civil que ap&oacute;iam o Partido Comunista-Marxista da &Iacute;ndia, de Bhattacharya, que lidera a coaliz&atilde;o da Frente de Esquerda, manifestam seu protesto em un&iacute;ssono com o opositor Congresso de Trinamool, que lidera o movimento contra a f&aacute;brica. <\/p>\n<p>O Comit&ecirc; Krishijami Raksha de Singur (Comit&ecirc; para Proteger as Terras Cultiv&aacute;veis de Singur) se formou com subcomit&ecirc;s, e agora os protestos e as ocupa&ccedil;&otilde;es est&atilde;o na ordem do dia. Algums membros do Partido Comunista das aldeias em Singur, que se uniram ao f&oacute;rum que se autodefine apartid&aacute;rio, disseram que nem mesmo foram informados sobre as medidas do governo por parte da dire&ccedil;&atilde;o da agrupa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica. \u201cOs m&aacute;ximos l&iacute;deres se beneficiaram desses acordos\u201d, afirmou Bikas Das. \u201cSe voc&ecirc;s pagam entre US$ 13 mil e US$ 19,5 mil, em m&eacute;dia, o hectare, n&oacute;s n&atilde;o nos beneficiaremos a longo prazo. Para um agricultor, a terra &eacute; tudo\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>O medo &eacute; que os camponeses estejam em perigo ainda maior de serem privados de seus meios de vida. Se os minipropriet&aacute;rios s&atilde;o indenizados, os oper&aacute;rios agr&iacute;colas n&atilde;o se beneficiar&atilde;o. Embora a Tata prometa milhares de postos de trabalho para os desempregados, h&aacute; pouqu&iacute;ssima confian&ccedil;a entre os alde&otilde;es. \u201cN&atilde;o h&aacute; raz&atilde;o para adquirir terra cultiv&aacute;vel f&eacute;rtil em Singur quando h&aacute; zonas dispon&iacute;veis na prov&iacute;ncia. N&atilde;o estamos contra a industrializa&ccedil;&atilde;o, mas n&atilde;o deveria ocorrer &agrave;s custas da terra f&eacute;rtil dos agricultores\u201d, disse Paroma Ukil, da Fian (sigla da Rede de Informa&ccedil;&atilde;o e A&ccedil;&atilde;o Alimento Primeiro), uma ONG com sede na Alemanha.<\/p>\n<p>A Fian, que apresentou uma demanda na Suprema Corte de Justi&ccedil;a de Kolkata contra o pedido de terras e que levou uma delega&ccedil;&atilde;o internacional a Singur, acusa o governo de tentar fazer passar a agricultura local como se fosse de monocultivo, quando h&aacute; muito tempo a &aacute;rea &eacute; conhecida por seguir modelo de multicultivo. \u201cAt&eacute; agora o governo n&atilde;o nos deu informa&ccedil;&atilde;o. Estamos nos movendo atrav&eacute;s da via legal\u201d, assegurou Ukil. Segundo a Fian, como parte do Pacto Internacional de Direitos Econ&ocirc;micos, Sociais e Culturais, a &Iacute;ndia (e, portanto, a prov&iacute;ncia de Bengala Ocidental) est&aacute; obrigada pelas leis internacionais a respeitar e proteger o direito a alimentos adequados.<\/p>\n<p>&Eacute; necess&aacute;ria uma a&ccedil;&atilde;o internacional imediata para proteger os direitos dos agricultores, disse um porta-voz da Fian, pedindo urg&ecirc;ncia ao governo para identificar a terra que n&atilde;o serve para a agricultura e destin&aacute;-la &agrave; f&aacute;brica de ve&iacute;culos da Tata. Para o governo de Bengala Ocidental, o primeiro sobressalto chegou quando os alde&otilde;es n&atilde;o se preocuparam em participar das audi&ecirc;ncias sobre a aquisi&ccedil;&atilde;o de terras e, por outro lado, realizaram protestos contra a medida. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Kolkata, &Iacute;ndia, 09\/10\/2006 &ndash; Camponeses da prov&iacute;ncia indiana de Bengala Ocidental rejeitam a decis&atilde;o do governo comunista local de entregar terras de cultivo para que seja constru&iacute;da uma f&aacute;brica de autom&oacute;veis do grupo Tata, um s&iacute;mbolo do capitalismo neste pa&iacute;s. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/economia\/ndia-terras-frteis-em-troca-de-fbricas\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":197,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,6,5,11],"tags":[17],"class_list":["post-2133","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento","category-direitos-humanos","category-economia","category-politica","tag-asia-e-pacifico"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2133","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/197"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2133"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2133\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2133"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2133"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2133"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}