{"id":21348,"date":"2016-11-01T15:33:36","date_gmt":"2016-11-01T15:33:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=215658"},"modified":"2016-11-01T15:33:36","modified_gmt":"2016-11-01T15:33:36","slug":"de-crimes-passionais-a-feminicidios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/11\/ultimas-noticias\/de-crimes-passionais-a-feminicidios\/","title":{"rendered":"De \u201ccrimes passionais\u201d a feminic\u00eddios"},"content":{"rendered":"<p><strong><\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_215654\" style=\"width: 583px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/femicidio.jpg\"><img class=\" wp-image-215654\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/femicidio-300x225.jpg\" alt=\"Cartaz chamando para a \u201cparalisa\u00e7\u00e3o\u201d de mulheres, por uma hora, sob o lema \u201cSe meu corpo n\u00e3o importa, produzam sem mim\u201d, na Argentina, no contexto das mobiliza\u00e7\u00f5es contra a viol\u00eancia de g\u00eanero que foram disparadas no m\u00eas passado pelo assassinato de Luc\u00eda P\u00e9rez.\" width=\"573\" height=\"430\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/femicidio-300x225.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/femicidio.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 573px) 100vw, 573px\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Cartaz chamando para a \u201cparalisa\u00e7\u00e3o\u201d de mulheres, por uma hora, sob o lema \u201cSe meu corpo n\u00e3o importa, produzam sem mim\u201d, na Argentina, no contexto das mobiliza\u00e7\u00f5es contra a viol\u00eancia de g\u00eanero que foram disparadas no m\u00eas passado pelo assassinato de Luc\u00eda P\u00e9rez.<\/p><\/div>\n<p>por\u00a0Fabiana Frayssinet, da IPS &#8211;<\/p>\n<p>Buenos Aires, Argentina, 1\/11\/2016 \u2013 Ainda h\u00e1 diferen\u00e7as na tipifica\u00e7\u00e3o dos feminic\u00eddios, mas o conceito come\u00e7a a ganhar for\u00e7a na Argentina. J\u00e1 n\u00e3o se fala de \u201ccrimes passionais\u201d, mas de assassinatos de g\u00eanero. A mudan\u00e7a de linguagem \u00e9 o primeiro dos muitos passos que devem ser dados para erradicar a cultura de viol\u00eancia. As mudan\u00e7as conceituais s\u00e3o o resultado das mobiliza\u00e7\u00f5es feministas, como a de 3 de junho de 2015 e as desse ano, que se traduziram em maci\u00e7as marchas sob o lema Nem Uma a Menos.<\/p>\n<p>Entre elas se destacou a do dia 19 de outubro, ap\u00f3s o brutal assassinato da adolescente Luc\u00eda P\u00e9rez. A jovem de 16 anos, da cidade de Mar del Plata, foi drogada, violentada, e empalada at\u00e9 morrer, um caso que uniu milhares de mulheres e homens, sob o mesmo lema: \u201cchega de feminic\u00eddios\u201d.<\/p>\n<p>\u201cFoi uma mobiliza\u00e7\u00e3o profundamente radical, de irmandade entre mulheres de identidades diversas que fazem da diferen\u00e7a uma fonte de seu poder\u201d, disse \u00e0 IPS a coordenadora do programa Sul-Sul do Conselho Latino-Americano de Ci\u00eancias Sociais (Clacso), Karina Bidaseca, que tamb\u00e9m \u00e9 da Rede de Direitos Humanos do Conselho Nacional de Pesquisas Cient\u00edficas e T\u00e9cnicas (Conicet).<\/p>\n<p>\u201cSe tocam em uma, todas nos movimentamos\u201d, \u201cNos queremos vivas\u201d, foram outros lemas que ultrapassaram as fronteiras nacionais, da Am\u00e9rica Latina at\u00e9 alguns pa\u00edses europeus, como Espanha e Fran\u00e7a, o que \u201cmarca a possibilidade de imaginar e tecer um novo projeto social que questione a cultura patriarcal em todas suas dimens\u00f5es\u201d, acrescentou Bidaseca, autora do livro <em>Escritos nos Corpos Racializados. L\u00ednguas, Mem\u00f3ria e Genealogias (P\u00f3s)-Coloniais do Feminic\u00eddio<\/em>.<\/p>\n<p>A \u00faltima mobiliza\u00e7\u00e3o foi precedida de uma \u201cparalisa\u00e7\u00e3o\u201d de mulheres por uma hora, sob o lema \u201cSe meu corpo n\u00e3o importa, produzam sem mim\u201d. Bidaseca pontuou que \u201cfoi uma paralisa\u00e7\u00e3o de mulheres, fato in\u00e9dito na hist\u00f3ria das mobiliza\u00e7\u00f5es femininas, que mostra por meio desse lema um corpo que se rebela contra o capital, que alerta para o dano que est\u00e1 causando a crueldade na malha simb\u00f3lica e na reprodu\u00e7\u00e3o do capitalismo na divis\u00e3o das riquezas que produzem as mulheres nas casas e fora de nossas casas\u201d.<\/p>\n<p>Desde 25 de novembro de 2014, vigora o primeiro Registro Nacional de Feminic\u00eddios da justi\u00e7a Argentina, que compreende todas as causas por homic\u00eddios de mulheres (meninas, adolescentes e adultas) cometidos por homens por raz\u00f5es associadas ao seu g\u00eanero. Segundo esse informe, em 2015, 235 mulheres foram mortas nessa condi\u00e7\u00e3o. Em 20% dos casos havia den\u00fancias pr\u00e9vias por viol\u00eancia de g\u00eanero e em 70% o assassino era conhecido da v\u00edtima ou em alguma oportunidade ela havia confiado nele. Apenas sete casos tiveram condena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas esse e outros registros considerados indispens\u00e1veis para desenhar pol\u00edticas p\u00fablicas contra a viol\u00eancia de g\u00eanero apresentam diferen\u00e7as com os de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais. Segundo o documento elaborado pela Casa do Encontro a partir de informes da imprensa houve 286 feminic\u00eddios, al\u00e9m de outros 42 \u201cvinculados\u201d de homens e meninos em 2015.<\/p>\n<p>Sob esse conceito se incluem as pessoas assassinadas ao tentarem impedir o feminic\u00eddio ou \u201cque ficam presas na linha de fogo\u201d. Tamb\u00e9m envolve os que t\u00eam v\u00ednculo afetivo ou familiar com a v\u00edtima, ou que foram assassinados pelo feminicida para castigar e destruir psicologicamente quem consideram sua propriedade.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o informe considera \u201cas v\u00edtimas colaterais\u201d. Entre 2008 e 2015, 2.518 filhas e filhos ficaram \u00f3rf\u00e3os, 1.617 deles eram menores de idade. \u201cConsideramos que precisa haver ajustes porque h\u00e1 diferen\u00e7as de conceitos\u201d, disse \u00e0 IPS a presidente da Casa do Encontro, Ada Rico. Por exemplo, os casos enviados ao tribunal n\u00e3o monitoram os de \u201cagressores suicidas\u201d (que se matam ap\u00f3s praticarem o feminic\u00eddio). Tampouco de roubo com assassinato ap\u00f3s um abuso sexual.<\/p>\n<p>\u201cSe um homem rouba e tamb\u00e9m estupra e assassina a v\u00edtima mulher \u00e9 um feminicida em todos os sentidos\u201d, ressaltou Rico. Segundo sua organiza\u00e7\u00e3o, 50% dos feminic\u00eddios incluem abuso sexual seguido de morte, e os restantes 50% ocorrem no contexto de rela\u00e7\u00f5es de casa, antes conhecidos como \u201ccrimes passionais\u201d.<\/p>\n<p>De acordo com Rico, \u201choje h\u00e1 muito mais visibilidade nos meios de comunica\u00e7\u00e3o dos casos de feminic\u00eddio e tamb\u00e9m outro tratamento. Quando come\u00e7amos, em 2008, se falava de crimes passionais, uma forma de justificar a conduta do agressor. Hoje se fala de viol\u00eancia de g\u00eanero e feminic\u00eddios\u201d.<\/p>\n<p>Para a ativista, o movimento Nem Uma a Menos, que contribuiu para a mudan\u00e7a conceitual, \u00e9 um reflexo da \u201csociedade que se manifesta abertamente contra a tem\u00e1tica da viol\u00eancia de g\u00eanero\u201d e impulsiona muitas fam\u00edlias e v\u00edtimas a denunciarem. Depois de cada marcha, na Casa do Encontro \u201ctriplicam os pedidos de informa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 de v\u00edtimas, mas tamb\u00e9m de familiares, perguntando quais s\u00e3o as ferramentas para ajudar a v\u00edtima\u201d, contou Rico.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, a mobiliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o incide na redu\u00e7\u00e3o de casos. Segundo o observat\u00f3rio da organiza\u00e7\u00e3o Mulheres da Matria Latino-Americana (MuMaL\u00e1), 226 mulheres foram assassinadas por sua condi\u00e7\u00e3o de g\u00eanero, de janeiro a outubro de 2016. \u201cOs feminic\u00eddios n\u00e3o aumentaram, mas n\u00e3o diminu\u00edram. H\u00e1 cada 30 horas uma mulher \u00e9 assassinada em nosso pa\u00eds\u201d, afirmou Rico, embora, observou, atualmente haja maior visibilidade dos casos na m\u00eddia e uma \u201csociedade mais atenta\u201d.<\/p>\n<p>Para Mabel Bianco, presidente da Funda\u00e7\u00e3o para Estudo e Pesquisa da Mulher (Feim), o lema Nem Uma a Menos ajudou a que \u201ca sociedade argentina, sem diferen\u00e7as de nenhum tipo, pe\u00e7a n\u00e3o s\u00f3 pol\u00edticas mas uma mudan\u00e7a cultural em toda a sociedade\u201d. Ela declarou \u00e0 IPS que \u201cos feminic\u00eddios n\u00e3o v\u00e3o desaparecer de um dia para outro, por uma marcha ou uma lei ou um plano do governo. Isso exige muito mais tempo e um trabalho em diferentes planos\u201d.<\/p>\n<p>Mas, segundo Bianco, \u201c\u00e9 chave, por exemplo, que a m\u00eddia mude suas mensagens sexistas que continuam mantendo a discrimina\u00e7\u00e3o das mulheres ou sua menor valoriza\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos homens, com programas que continuam mostrando as mulheres como meros corpos e n\u00e3o como trabalhadoras do lar\u201d.<\/p>\n<p>O Conselho Nacional das Mulheres (CNM) apresentou o Plano Nacional de a\u00e7\u00e3o para a Preven\u00e7\u00e3o, Assist\u00eancia e Erradica\u00e7\u00e3o da Viol\u00eancia Contra as Mulheres 2017-2019, que inclui demandas da Nem Uma a Menos, como lares integrais para as que est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia com equipes interdisciplinares e programas de capacita\u00e7\u00e3o sobre g\u00eanero para a pol\u00edcia.<\/p>\n<p>Enquanto isso, \u201cest\u00e3o sendo feitas algumas coisas como o uso da tornozeleira em algumas prov\u00edncias, refor\u00e7o e atualiza\u00e7\u00e3o da linha telef\u00f4nica 144 de den\u00fancias, t\u00e9rmino dos abrigos iniciados h\u00e1 dois anos pelo governo anterior\u201d, mas isso tamb\u00e9m implica que as prov\u00edncias avancem e ampliem seus or\u00e7amentos, enfatizou Bianco. No entanto, ela questionou o enfraquecimento de programas como o da Educa\u00e7\u00e3o Sexual Integral nas escolas, que \u201cinclui revis\u00e3o e mudan\u00e7a de pap\u00e9is estereotipados de g\u00eanero que mant\u00e9m a desigualdade das mulheres\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 no plano internacional, Bidaseca se preocupa pelo \u201cgiro \u00e0 direita\u201d que define o movimento de mulheres como uma \u201cideologia de g\u00eanero\u201d. \u201cTrata-se de um roteiro fundamentalista de grupos reacion\u00e1rios que pretendem acabar com as conquistas obtidas pelo movimento de mulheres ao longo de sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria\u201d, concluiu. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/1-1-canais\/ips-rede\/de-crimes-passionais-feminicidios\/\">De \u201ccrimes passionais\u201d a feminic\u00eddios<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/\">Envolverde<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por&nbsp;Fabiana Frayssinet, da IPS &ndash; Buenos Aires, Argentina, 1\/11\/2016 &ndash; Ainda h&aacute; diferen&ccedil;as na tipifica&ccedil;&atilde;o dos feminic&iacute;dios, mas o conceito come&ccedil;a a ganhar for&ccedil;a na Argentina. J&aacute; n&atilde;o se fala de &ldquo;crimes passionais&rdquo;, mas de assassinatos de g&ecirc;nero. 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