{"id":21361,"date":"2016-11-07T19:44:36","date_gmt":"2016-11-07T19:44:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=215888"},"modified":"2016-11-07T19:44:36","modified_gmt":"2016-11-07T19:44:36","slug":"clareza-para-descarbonizar-economias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/11\/ultimas-noticias\/clareza-para-descarbonizar-economias\/","title":{"rendered":"Clareza para descarbonizar economias"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_215889\" style=\"width: 628px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/chica-tiquicia-629x419-629x419.jpg\"><img class=\" wp-image-215889\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/chica-tiquicia-629x419-629x419-300x200.jpg\" alt=\"Na Costa Rica, 7% da gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica j\u00e1 prov\u00eam de fonte e\u00f3lica, gra\u00e7as a campos como o das montanhas de La Paz e Casamata, a 50 quil\u00f4metros de S\u00e3o Jos\u00e9. A descarboniza\u00e7\u00e3o das fontes de energia \u00e9 um compromisso clim\u00e1tico da maioria dos pa\u00edses latino-americanos. Foto: Diego Arguedas Ortiz\/IPS\" width=\"618\" height=\"412\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/chica-tiquicia-629x419-629x419-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/chica-tiquicia-629x419-629x419-272x182.jpg 272w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/chica-tiquicia-629x419-629x419.jpg 629w\" sizes=\"(max-width: 618px) 100vw, 618px\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Na Costa Rica, 7% da gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica j\u00e1 prov\u00eam de fonte e\u00f3lica, gra\u00e7as a campos como o das montanhas de La Paz e Casamata, a 50 quil\u00f4metros de S\u00e3o Jos\u00e9. A descarboniza\u00e7\u00e3o das fontes de energia \u00e9 um compromisso clim\u00e1tico da maioria dos pa\u00edses latino-americanos. Foto: Diego Arguedas Ortiz\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>por\u00a0Diego Arguedas Ortiz, da IPS &#8211;<\/p>\n<p>S\u00e3o Jos\u00e9, Costa Rica, 7\/11\/2016 \u2013 Com a ratifica\u00e7\u00e3o e a consequente entrada em vigor do Acordo de Paris ainda fresca, os pa\u00edses latino-americanos chegam \u00e0 c\u00fapula clim\u00e1tica de Marrakesh em busca de regras claras que lhes permitam descarbonizar suas economias e assim mitigar o aquecimento global. Aprovado em 12 de dezembro de 2015 na 21\u00aa Confer\u00eancia das Partes (COP 21) da Conven\u00e7\u00e3o Marco das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica, na capital francesa, o hist\u00f3rico acordo para conter a eleva\u00e7\u00e3o da temperatura do planeta, apenas assentou as bases da arquitetura global e agora requer uma minuciosa tarefa para definir os detalhes.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 um processo que levar\u00e1 anos, segundo especialistas e negociadores consultados pela IPS, mas a Am\u00e9rica Latina pode empurrar em tr\u00eas campos que ser\u00e3o essenciais para transformar as economias da regi\u00e3o: tecnologia, capacidades t\u00e9cnicas e financiamento. \u201cTodos esses instrumentos da coopera\u00e7\u00e3o internacional t\u00eam que trabalhar de forma diferente a partir de agora\u201d, destacou a costarriquenha Andrea Meza, diretora de Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica do Minist\u00e9rio de Ambiente e Energia.<\/p>\n<p>Entre os dias 7 e 18 deste m\u00eas, negociadores de 195 Estados parte se reunir\u00e3o na COP 22, na cidade marroquina de Marrakesh, para tentar afinar o processo acordado para conter o aquecimento global e seus efeitos no clima do planeta. O Acordo de Paris entrou em vigor em tempo recorde, no dia 4, depois de, no dia 5 de outubro, ter sido completado o tr\u00e2mite de ratifica\u00e7\u00e3o por mais da metade dos pa\u00edses respons\u00e1veis por mais de 55% das emiss\u00f5es de gases-estufa. At\u00e9 agora 97 Estados ratificaram o documento.<\/p>\n<p>Seu texto estabelece que o aumento global da temperatura se mantenha pelo menos abaixo dos dois graus Celsius, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 era pr\u00e9-industrial, e a realiza\u00e7\u00e3o de esfor\u00e7os para \u201climitar o aumento da temperatura a 1,5 grau\u201d neste s\u00e9culo. Para isso, cada na\u00e7\u00e3o dever\u00e1 transformar suas economias, at\u00e9 agora dependentes dos combust\u00edveis f\u00f3sseis (petr\u00f3leo, g\u00e1s natural e carv\u00e3o).<\/p>\n<p>Essa evolu\u00e7\u00e3o sup\u00f5e perguntas profundas: como essas mudan\u00e7as ser\u00e3o pagas em pa\u00edses de baixa renda? Quais especialistas chegar\u00e3o a implant\u00e1-las em cada pa\u00eds? Quem cobrar\u00e1 as patentes tecnol\u00f3gicas pelos novos pain\u00e9is solares e autom\u00f3veis el\u00e9tricos?<\/p>\n<p>Em mat\u00e9ria de mudan\u00e7a clim\u00e1tica, os pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina est\u00e3o em uma posi\u00e7\u00e3o particular: com economias relativamente est\u00e1veis e somente um pa\u00eds na lista dos menos adiantados (Haiti), a economia internacional para cumprir seus compromissos \u00e9 necess\u00e1ria, mas adquire outro perfil. Como outras regi\u00f5es do Sul em desenvolvimento, os latino-americanos necessitam de apoio financeiro acompanhado por outros dos chamados \u201cmeios de implanta\u00e7\u00e3o\u201d: a transfer\u00eancia tecnol\u00f3gica e a cria\u00e7\u00e3o de capacidades.<\/p>\n<div id=\"attachment_215890\" style=\"width: 650px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/19937600149_4bfbc2f0d6_z-629x472.jpg\"><img class=\" wp-image-215890\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/19937600149_4bfbc2f0d6_z-629x472-300x225.jpg\" alt=\"A Am\u00e9rica Latina produz 23% da carne bovina do mundo, mas esse pr\u00f3spero setor tem alta responsabilidade nas emiss\u00f5es de gases contaminantes da regi\u00e3o. Na foto, um pequeno rebanho busca abrigo em torno da \u00fanica \u00e1rvore da pastagem, nos pampas argentinos. Foto: Fabiana Frayssinet\/IPS\" width=\"640\" height=\"480\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/19937600149_4bfbc2f0d6_z-629x472-300x225.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/19937600149_4bfbc2f0d6_z-629x472.jpg 629w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">A Am\u00e9rica Latina produz 23% da carne bovina do mundo, mas esse pr\u00f3spero setor tem alta responsabilidade nas emiss\u00f5es de gases contaminantes da regi\u00e3o. Na foto, um pequeno rebanho busca abrigo em torno da \u00fanica \u00e1rvore da pastagem, nos pampas argentinos. Foto: Fabiana Frayssinet\/IPS<\/p><\/div>\n<p>Esses elementos existem na din\u00e2mica internacional, mas \u00e9 preciso se renovar. \u201cCom a assist\u00eancia t\u00e9cnica que temos, os pa\u00edses n\u00e3o conseguir\u00e3o ter processos transformadores\u201d, opinou Meza, negociadora nacional no processo das COPs desde 2015. A Costa Rica lidera este ano a Associa\u00e7\u00e3o Independente da Am\u00e9rica Latina e do Caribe, que tamb\u00e9m agrupa Guatemala, Honduras, Panam\u00e1, Col\u00f4mbia, Peru, Chile e Uruguai. Meza explicou que em conjunto defender\u00e3o o esclarecimento e avan\u00e7o dessa agenda<\/p>\n<p>A Am\u00e9rica Latina enfrenta o duplo desafio de dobrar sua oferta energ\u00e9tica at\u00e9 2050, mas a partir de fontes limpas e sem emiss\u00f5es de gases-estufa. Ao mesmo tempo, a regi\u00e3o precisa transformar sua economia altamente dependente de atividades intensivas de solo, como pecu\u00e1ria e agricultura em grande escala, que junto com o transporte e a gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica constituem as grandes d\u00edvidas clim\u00e1ticas latino-americanas.<\/p>\n<p>Um elemento central dessa discuss\u00e3o na COP 22 ser\u00e3o os US$ 100 bilh\u00f5es anuais que os pa\u00edses desenvolvidos prometeram para as economias do Sul a partir de 2020, destinados a promover a\u00e7\u00e3o contra a mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Embora a promessa tenha sido feita h\u00e1 seis anos, na COP 16, realizada no balne\u00e1rio mexicano de Canc\u00fan, ainda h\u00e1 pouca clareza sobre como se tornar\u00e1 realidade.<\/p>\n<p>\u201cExiste uma expectativa em Marrakesh de que tenhamos mais sinais positivos de como o financiamento clim\u00e1tico acontecer\u00e1. No momento, \u00e9 mais do mesmo\u201d, apontou \u00e0 IPS a economista brasileira Natalie Unterstell. A especialista explicou que essas decis\u00f5es financeiras ajudar\u00e3o a acelerar a transforma\u00e7\u00e3o regional. Por que? Porque quando apresentaram suas contribui\u00e7\u00f5es previstas e determinadas em n\u00edvel nacional (INDC), uma parte importante dos pa\u00edses incluiu a\u00e7\u00f5es \u201ccondicionais\u201d que somente com apoio financeiro podem se concretizar.<\/p>\n<p>E mais: alguns pa\u00edses latino-americanos viram mudan\u00e7as profundas em sua situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ou econ\u00f4mica, pontuou Unterstell, membro do Grupo de Financiamento Clim\u00e1tico para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe, um coletivo regional de organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil. Ela d\u00e1 como exemplo o Brasil, \u201cque passa por uma crise econ\u00f4mica e fiscal muito importante, ent\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 novos recursos\u201d.<\/p>\n<p>A dire\u00e7\u00e3o financeira j\u00e1 foi definida no Acordo de Paris, que reconhece US$ 100 bilh\u00f5es anuais, mas novamente faltam os detalhes cruciais de como converter o compromisso em realidade. O que surgir em Marrakesh poder\u00e1 incentivar fundos de empresas e de organiza\u00e7\u00f5es internacionais. \u201cTemos que trabalhar muito com o setor privado e este necessita de sinais claros para saber onde investir\u201d, afirmou Unterstell.<\/p>\n<p>Por seu potencial renov\u00e1vel e suas condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e sociais, a regi\u00e3o agora \u00e9 atraente para os investidores. O informe Climatescope, do Bloomberg New Energy Finance, publicado em novembro de 2015, coloca quatro pa\u00edses latino-americanos (Brasil, Chile, M\u00e9xico, Uruguai) entre os dez melhores destinos para investir em energia limpa. Em conjunto, a regi\u00e3o recebeu US$ 23 bilh\u00f5es de capitais nesse setor em 2014, segundo o informe, ou 49% a mais do que no ano anterior.<\/p>\n<p>\u201cApesar da desacelera\u00e7\u00e3o generalizada, a Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina (Cepal) diz que o investimento em energia renov\u00e1vel \u00e9 um dos setores mais din\u00e2micos na regi\u00e3o\u201d, afirmou \u00e0 IPS o pesquisador Guy Edwards, especialista em Am\u00e9rica Latina no Centro de Estudos Ambientais, da Universidade de Brown, nos Estados Unidos. Existe dinheiro, mas n\u00e3o suficiente para lidar com os impactos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica, uma \u00e1rea mais prec\u00e1ria e com alt\u00edssimas necessidades financeiras.<\/p>\n<p>Um informe da Cepal de 2014 diz que a mudan\u00e7a clim\u00e1tica poderia custar entre 1,5% e 5% do produto interno bruto regional em meados deste s\u00e9culo. Para lidar com esse impacto, dizem os especialistas consultados e muitos outros, \u00e9 preciso n\u00e3o s\u00f3 dinheiro, mas assist\u00eancia t\u00e9cnica e transfer\u00eancia de tecnologia, e no Marrocos se decidir\u00e1 como distribuir isso.<\/p>\n<p>\u201cA Am\u00e9rica Latina sempre tem problemas em seus pa\u00edses, por n\u00e3o estarem entre os mais pobres: n\u00e3o se encontram na primeira fila para receber apoio\u201d, disse Edwards. Isso poder\u00e1 se complicar ainda mais em Marrakesh.<\/p>\n<p>Os negociadores latino-americanos vigiam uma iniciativa do bloco africano para colocar seus pa\u00edses na lista dos \u201cmais vulner\u00e1veis\u201d, uma iniciativa que lhes daria prioridade no acesso aos recursos junto com os pequenos Estados insulares e as na\u00e7\u00f5es menos adiantadas. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/1-1-canais\/ips-rede\/clareza-para-descarbonizar-economias\/\">Clareza para descarbonizar economias<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/\">Envolverde<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; por&nbsp;Diego Arguedas Ortiz, da IPS &ndash; S&atilde;o Jos&eacute;, Costa Rica, 7\/11\/2016 &ndash; Com a ratifica&ccedil;&atilde;o e a consequente entrada em vigor do Acordo de Paris ainda fresca, os pa&iacute;ses latino-americanos chegam &agrave; c&uacute;pula clim&aacute;tica de Marrakesh em busca de regras claras que lhes permitam descarbonizar suas economias e assim mitigar o aquecimento global. 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