{"id":21383,"date":"2016-11-11T18:26:10","date_gmt":"2016-11-11T18:26:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=216088"},"modified":"2016-11-11T18:26:10","modified_gmt":"2016-11-11T18:26:10","slug":"rumo-a-um-manejo-agroecologico-dos-cafezais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/11\/ultimas-noticias\/rumo-a-um-manejo-agroecologico-dos-cafezais\/","title":{"rendered":"Rumo a um manejo agroecol\u00f3gico dos cafezais"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_216082\" style=\"width: 552px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/cafe-1-629x420.jpg\"><img class=\" wp-image-216082\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/cafe-1-629x420-300x200.jpg\" alt=\"A pr\u00e1tica de manejo e podas cresce entre os cafeicultores guatemaltecos, como parte das medidas para melhorar a qualidade do gr\u00e3o no pa\u00eds. Foto: FAO Guatemala\" width=\"542\" height=\"361\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/cafe-1-629x420-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/cafe-1-629x420-272x182.jpg 272w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/cafe-1-629x420.jpg 629w\" sizes=\"(max-width: 542px) 100vw, 542px\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">A pr\u00e1tica de manejo e podas cresce entre os cafeicultores guatemaltecos, como parte das medidas para melhorar a qualidade do gr\u00e3o no pa\u00eds. Foto: FAO Guatemala<\/p><\/div>\n<p>por\u00a0Jorge Rodr\u00edguez, da IPS &#8211;<\/p>\n<p>Cidade da Guatemala, Guatemala, 10\/11\/2016 \u2013 O caf\u00e9 \u00e9, para a grande maioria do mundo, um catalisador social por excel\u00eancia da sociedade moderna, j\u00e1 que nos permite criar e fortalecer la\u00e7os em quase todos os n\u00edveis nos quais nos desenvolvemos. Mas, como muitas das coisas que integram nosso cotidiano, pouco sabemos sobre a origem e a produ\u00e7\u00e3o desse gr\u00e3o, que, em 2012, gerou ganhos de US$ 1 bilh\u00e3o somente na Guatemala.<\/p>\n<p>Nesse pa\u00eds h\u00e1 cerca de 125 mil produtores de caf\u00e9, concentrados em 204 munic\u00edpios de departamentos como Huehuetenango, Alta Verapaz, Sacatep\u00e9quez, Suchitep\u00e9quez, Retalhuleu, Solol\u00e1, Chiquimula, Jalapa, Santa Rosa, Guatemala, San Marcos, Quich\u00e9, Quetzaltenango, Chimaltenango, onde est\u00e3o localizadas oito regi\u00f5es que produzem os tipos regionais de caf\u00e9 Acatenango Valley, Rainforest Coban, Fraijanes Plateau ou New Oriente, Highlands Huehue, Antigua Coffee, Traditional Atitlan e Volcanic San Marcos.<\/p>\n<p>O caf\u00e9 guatemalteco \u00e9 um dos mais valorizados em n\u00edvel mundial. Em uma lista liderada pelo Brasil, a Guatemala \u00e9 o d\u00e9cimo produtor de caf\u00e9 e exporta 3,6 milh\u00f5es de sacas (de 60 quilos) por ano, segundo informe de 2012 da Associa\u00e7\u00e3o Nacional do Caf\u00e9 (Anacafe). Embora os indicadores internacionais marquem uma tend\u00eancia \u00e0 alta na produ\u00e7\u00e3o (cerca de 0,05% ao ano), o certo \u00e9 que a situa\u00e7\u00e3o desse gr\u00e3o \u2013 segunda mat\u00e9ria-prima comercializada no mundo, atr\u00e1s do petr\u00f3leo \u2013 vive momentos cr\u00edticos e afeta principalmente os quase 25 milh\u00f5es\u00a0 de pequenos produtores no mundo.<\/p>\n<p>As pr\u00e1ticas modernas de cultivo est\u00e3o baseadas na maci\u00e7a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, com uso de insumos qu\u00edmicos, sem levar em conta fatores ambientais e de preserva\u00e7\u00e3o dos recursos naturais. Para reverter isso a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO), com apoio do Minist\u00e9rio de Agricultura, Pecu\u00e1ria e Alimenta\u00e7\u00e3o (Maga), organiza\u00e7\u00f5es de cafeicultores, organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais e coopera\u00e7\u00e3o internacional, promove capacita\u00e7\u00e3o e assist\u00eancia t\u00e9cnica em elabora\u00e7\u00e3o e utiliza\u00e7\u00e3o de produtos org\u00e2nicos para produtores de pequena escala em 16 munic\u00edpios cafeeiros do departamento de Huehuetenango.<\/p>\n<p>\u201cPrimeiro come\u00e7amos a preparar t\u00e9cnicos e promotores e depois escolhemos 928 cafeicultores da \u00e1rea da Regi\u00e3o Huista em Huehuetenango\u201d, contou Julio Mart\u00ednez, t\u00e9cnico da FAO. As capacita\u00e7\u00f5es consistem em melhorar, com produtos org\u00e2nicos, t\u00e9cnicas de manejo, poda, nutri\u00e7\u00e3o, controle e preven\u00e7\u00e3o da ferrugem. Al\u00e9m de reduzir custos, os produtos org\u00e2nicos ajudam na ativa\u00e7\u00e3o da microflora e microfauna no sistema cafeeiro, que s\u00e3o, em ess\u00eancia, os melhores aliados contra enfermidades e ajudam a melhorar a qualidade do solo e, por fim, das colheitas.<\/p>\n<p>\u201cQueremos reduzir de maneira gradual o uso de agroqu\u00edmicos. Tamb\u00e9m mostramos que plantar com um enfoque agroecol\u00f3gico n\u00e3o s\u00f3 permite melhores colheitas e reduz o impacto no bolso como tamb\u00e9m deixa um legado melhor para as futuras gera\u00e7\u00f5es de agricultores\u201d, afirmou Israel Cifuentes, diretor do Projeto de Fortalecimento na zona de Huehuetenango, executado pela FAO com apoio da Ag\u00eancia Espanhola de Coopera\u00e7\u00e3o para o Desenvolvimento (Aecid).<\/p>\n<p>Desde janeiro de 2016, foram capacitados cerca de 1.200 cafeicultores em 16 munic\u00edpios de Huehuetenango e a meta \u00e9 chegar a tr\u00eas mil produtores. Tamb\u00e9m se estuda incluir residentes em 11 munic\u00edpios de San Marcos, dois de Jalapa e tr\u00eas de Chiquimula. \u201cEspera-se alcan\u00e7ar, at\u00e9 2017, cerca de nove mil pequenos produtores\u201d, indicou Cifuentes.<\/p>\n<div id=\"attachment_216083\" style=\"width: 573px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/cafe-agroecologia.jpg\"><img class=\"wp-image-216083 \" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/cafe-agroecologia-300x200.jpg\" alt=\"cafe-agroecologia\" width=\"563\" height=\"375\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/cafe-agroecologia-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/cafe-agroecologia-272x182.jpg 272w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/cafe-agroecologia.jpg 640w\" sizes=\"(max-width: 563px) 100vw, 563px\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">O manejo agroecol\u00f3gico mant\u00e9m a biodiversidade dos ecossistemas nativos das \u00e1reas de produ\u00e7\u00e3o. Essa riqueza n\u00e3o ocorre quando s\u00e3o usados produtos qu\u00edmicos para fumigar ou fertilizar os cafezais. Foto: FAO Guatemala<\/p><\/div>\n<p>Em 2013, a Guatemala informou que 193 mil hectares de caf\u00e9 (70%), dos 276 mil cultivados em todo o territ\u00f3rio, estavam afetados pela ferrugem. Essa porcentagem se manteve at\u00e9 2015 e causou perda de empregos diretos e indiretos no setor, afetando particularmente um em cada cinco trabalhadores cafeeiros dos 125 mil existentes no pa\u00eds. Para combater esses problemas, em comunidades como Guant\u00e1n, Triunfo, Chanj\u00f3n e Huehuetenango, os camponeses h\u00e1 meses elaboram e aplicam seus pr\u00f3prios fungicidas e fertilizantes org\u00e2nicos, com a esperan\u00e7a de reduzir o impacto de enfermidades e da mudan\u00e7a clim\u00e1tica no cultivo do caf\u00e9.<\/p>\n<p>\u201cSubimos a montanha em busca de micro-organismos sadios que s\u00e3o a chave para o processo de elabora\u00e7\u00e3o de nossos produtos\u201d, destacou Rosendo P\u00e9rez, um benefici\u00e1rio do projeto. A partir desse material org\u00e2nico, se faz uma mistura de cascas e mela\u00e7o para armazenar em recipientes de pl\u00e1stico selado durante 30 dias. Essa \u00e9 a base para a prepara\u00e7\u00e3o de at\u00e9 cinco diferentes produtos org\u00e2nicos que s\u00e3o aplicados nos cultivos dependendo do estado em que estejam.<\/p>\n<p>\u201cAs medidas de cada ingrediente (cal, enxofre, cinza) varia segundo a idade do cafezal. Um produto \u00e9 para a flora\u00e7\u00e3o, outro para quando est\u00e1 com frutos e folhagem, e outro para a ferrugem\u201d, expplicou Wilmar Santos, outro benefici\u00e1rio do programa. Cada um destes produtos org\u00e2nicos \u00e9 elaborado em 20 biof\u00e1bricas situadas em diferentes partes das comunidades envolvidas no projeto. \u201cEsperamos criar mais 38 a 40 biof\u00e1bricas em 2017, com apoio das Ag\u00eancias Municipais de Extens\u00e3o Agr\u00edcola do Maga, detalhou Mart\u00ednez.<\/p>\n<p>Um dos contratempos das organiza\u00e7\u00f5es que fomentam o uso de produtos org\u00e2nicos \u00e9 a paci\u00eancia dos pr\u00f3prios camponeses, j\u00e1 que sua elabora\u00e7\u00e3o demanda tempo e maior trabalho, ao contr\u00e1rio dos produtos industrializados que est\u00e3o dispon\u00edveis nas lojas. \u201cEmbora a deser\u00e7\u00e3o seja pouca, algumas pessoas consideram que todo esse trabalho n\u00e3o representa vantagem para eles como agricultores. Mas, apesar de em termos econ\u00f4micos n\u00e3o haver maiores ganhos, o beneficio se traduz na sa\u00fade da natureza e do ambiente\u201d, pontuou Santos.<\/p>\n<p>O mudan\u00e7a de uma produ\u00e7\u00e3o tradicional para uma org\u00e2nica deve ocorrer paulatinamente, \u201cpara n\u00e3o haver o risco de perda de cultivos\u201d, apontou o produtor Rafael Granados. Durante o tempo que esses produtores ficam no programa, os insumos org\u00e2nicos s\u00e3o aplicados em pequenas parcelas de suas terras e j\u00e1 se manifestaram diferen\u00e7as not\u00e1veis. \u201cEm 2015, investimos cerca de US$ 920 na compra de fertilizantes, fungicidas e herbicidas\u201d, disse Jes\u00fas L\u00f3pez Su\u00e1rez. As vers\u00f5es agroecol\u00f3gicas desses insumos custam seis vezes menos.<\/p>\n<p>A grande maioria das pessoas consultadas concordaram que a m\u00e9dia de economia gira em torno de 40%, em compara\u00e7\u00e3o com os tempos em que usavam apenas agroqu\u00edmicos. Al\u00e9m desse impacto positivo em seus bolsos, outro fator que a FAO e seus aliados celebram \u00e9 o cuidado dos recursos naturais e do ambiente. Durante esse tempo, os cafezais mostram melhor resist\u00eancia a \u00e9pocas prolongadas de seca, bem como maior macrobiodiversidade (microflora e microfauna) e melhor sa\u00fade do ecossistema que os rodeia.<\/p>\n<p>\u201cVimos que a sa\u00fade das plantas, do solo e de seus micro-organismos \u00e9 muito melhor do que com o uso de outros produtos\u201d, observou Granados. Durante o ver\u00e3o, quando chove muito pouco, ele notou que as folhas e a flora\u00e7\u00e3o s\u00e3o de melhor qualidade. \u201cO produto org\u00e2nico reativa a vida\u201d, acrescentou. Com isso se busca criar uma cultura que considere a harmonia entre o cultivo e a natureza, que se traduz em cultivos de melhor qualidade, sem aditivos qu\u00edmicos nem riscos para a sa\u00fade dos consumidores.<\/p>\n<p>\u201cTamb\u00e9m notamos uma redu\u00e7\u00e3o no consumo de rem\u00e9dios\u201d, contou a produtora Leticia M\u00e9rida, afirmando que ela e sua fam\u00edlia j\u00e1 n\u00e3o sentem enjoos nem dores de cabe\u00e7a depois que come\u00e7ou a aplica\u00e7\u00e3o dos fungicidas org\u00e2nicos. A tecnologia tamb\u00e9m \u00e9 parte fundamental desse processo e, por essa raz\u00e3o, acontece com o apoio de aplicativos m\u00f3veis do Sistema de Alerta, conhecido como Satcafe, que ajuda a monitorar a ferrugem e a broca do caf\u00e9, para depois gerar medidas de manejo e controle para essas pragas em toda a regi\u00e3o da Am\u00e9rica Central e do Caribe.<\/p>\n<p>\u201cMostramos aos agricultores que \u00e9 bom diversificar mediante o uso de diferentes variedades de caf\u00e9, dando \u00eanfase \u00e0s tradicionais\u201d, ressaltou Cifuentes. Os cafezais tamb\u00e9m podem ser aproveitados para plantar feij\u00e3o, milho, banana e abacate, entre outros, que servem de sustento para as fam\u00edlias dos pequenos produtores. Byron Chales coloca em pr\u00e1tica todos os conhecimentos que a FAO passou e, junto com seu pai, cuida de planta\u00e7\u00f5es de feij\u00e3o e milho junto com as de caf\u00e9. \u201cCom isso dou de comer \u00e0 minha fam\u00edlia\u201d, contou, enquanto mostrava algumas t\u00e9cnicas de manejo que o ajudam a melhorar seus cultivos.<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o de hortas, produ\u00e7\u00e3o de sementes e de outros insumos n\u00e3o tradicionais permitem gerar renda extra para os pequenos cafeicultores. \u201c\u00c9 necess\u00e1rio pelo menos um ano de capacita\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de dois ou tr\u00eas anos de transi\u00e7\u00e3o dos produtos qu\u00edmicos para os org\u00e2nicos. A ideia \u00e9 sempre melhorar tudo o que \u00e9 poss\u00edvel, mas, para isso, \u00e9 essencial a participa\u00e7\u00e3o e vontade de outros atores da sociedade\u201d, enfatizou Cifuentes.<\/p>\n<p>No total, espera-se que em 2017 tr\u00eas mil cafeicultores de Huehuetenango, quatro mil de San Marcos e dois mil em Jutiapa e Chiquimula possam fazer parte desse programa. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><em>* Para maior informa\u00e7\u00e3o sobre a experi\u00eancia, <\/em><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=7ZvBKcUy1j4\"><em>veja este v\u00eddeo<\/em><\/a><em>.<\/em><\/p>\n<p><em>* Este artigo foi publicado originalmente pelo escrit\u00f3rio da FAO na Guatemala. A IPS o distribui por acordo especial com o escrit\u00f3rio regional da FAO para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/1-1-canais\/ips-rede\/rumo-um-manejo-agroecologico-dos-cafezais\/\">Rumo a um manejo agroecol\u00f3gico dos cafezais<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/\">Envolverde<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por&nbsp;Jorge Rodr&iacute;guez, da IPS &ndash; Cidade da Guatemala, Guatemala, 10\/11\/2016 &ndash; O caf&eacute; &eacute;, para a grande maioria do mundo, um catalisador social por excel&ecirc;ncia da sociedade moderna, j&aacute; que nos permite criar e fortalecer la&ccedil;os em quase todos os n&iacute;veis nos quais nos desenvolvemos. 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