{"id":2139,"date":"2006-10-09T00:00:00","date_gmt":"2006-10-09T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2139"},"modified":"2006-10-09T00:00:00","modified_gmt":"2006-10-09T00:00:00","slug":"direitos-humanos-um-prato-indigesto-para-os-estados-unidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/mundo\/direitos-humanos-um-prato-indigesto-para-os-estados-unidos\/","title":{"rendered":"Direitos Humanos: Um prato indigesto para os Estados Unidos"},"content":{"rendered":"<p>Genebra, 09\/10\/2006 &ndash; O caso da pris&atilde;o norte-americana na base naval de Guant&acirc;namo, em Cuba, constituir&aacute; um prato forte da minuta de que se servir&aacute; o Conselho de Direitos Humanos da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas durante a sess&atilde;o de tr&ecirc;s semanas, que come&ccedil;a nesta segunda-feira. <!--more--> Seu presidente, o mexicano Luis Alfonso de Alba, informou &agrave; IPS sobre o debate a respeito desse assunto que na pr&oacute;xima quarta-feira ser&aacute; mantido pelos representantes dos 47 Esteados que integram o Conselho. A discuss&atilde;o vai girar em torno do informe do grupo de trabalho da ONU sobre deten&ccedil;&otilde;es arbitr&aacute;rias e a rela&ccedil;&atilde;o dos cinco especialistas independentes que n&atilde;o puderam visitar cerca de 500 presos em Guant&acirc;namo, afirmou Alba.<\/p>\n<p>O exame do caso de Guant&acirc;namo no Conselho se converter&aacute; em \u201cum espet&aacute;culo pol&iacute;tico\u201d porque vai interromper a in&eacute;rcia que caracteriza o organismo desde que come&ccedil;ou suas atividades, em junho passado, disse um diplomata latino-americano que pediu reserva sobre seu nome. O Conselho foi criado em mar&ccedil;o deste ano pela Assembl&eacute;ia Geral da ONU para substituir a Comiss&atilde;o de Direitos Humanos que em seus quase 60 anos de exist&ecirc;ncia somou m&uacute;ltiplos acertos na constru&ccedil;&atilde;o do esqueleto jur&iacute;dico dessa especialidade, mas, tamb&eacute;m, erros pela politiza&ccedil;&atilde;o de suas decis&otilde;es. Uma das quest&otilde;es que por essa causa esquivou a hoje desaparecida Comiss&atilde;o foi precisamente a de Guant&acirc;namo, onde os Estados Unidos mant&ecirc;m encerradas, sem direito a julgamento nem defesa, pessoas suspeitas de terrorismo.<\/p>\n<p>Os cinco relatores especiais da ONU pediram aos Estados Unidos, em seu relat&oacute;rio de fevereiro passado, que fechasse imediatamente esse centro de deten&ccedil;&atilde;o e julgasse todos os presos ou, caso contr&aacute;rio, os libertasse. Os especialistas s&atilde;o Leandro Despouy, relator sobre a independ&ecirc;ncia dos juizes e advogados; Manfred Nowak, relator sobre tortura; Asma Jahangir, de liberdade de religi&atilde;o; Leila Zerrougui, de deten&ccedil;&otilde;es arbitr&aacute;rias, e Paul Hunt, de sa&uacute;de f&iacute;sica e mental. Em julho, a Suprema Corte de Justi&ccedil;a dos Estados Unidos rejeitou uma decis&atilde;o de Washington que negava aos suspeites de terrorismo a prote&ccedil;&atilde;o da Conven&ccedil;&atilde;o de Genebra, base do direito internacional humanit&aacute;rio que rege o tratamento para prisioneiros de guerra e a situa&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o civil em situa&ccedil;&otilde;es de conflito armado.<\/p>\n<p>No &uacute;ltimo dia 6, a Casa Branca ordenou &agrave;s For&ccedil;as Armadas tratar todos os presos, incluindo os suspeitos de terrorismo, de acordo com essas Conven&ccedil;&otilde;es. Mas, Washington n&atilde;o abandonou sua id&eacute;ia de submeter os presos a tribunais militares sem as garantias do devido processo. O debate em Genebra, durante a sess&atilde;o vespertina da pr&oacute;xima quarta-feira, ser&aacute; a base de uma condena&ccedil;&atilde;o dos Estados Unidos, previu a fonte diplom&aacute;tica. Para a maioria dos pa&iacute;ses, ser&aacute; muito dif&iacute;cil votar contra uma resolu&ccedil;&atilde;o nesse sentido, \u201csalvo se o texto for muito ofensivo ao governo norte-americano\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>O Conselho reativar&aacute; o funcionamento do mecanismo de apresenta&ccedil;&atilde;o de den&uacute;ncias por meio de comunica&ccedil;&otilde;es confidenciais, conhecido como \u201cprocedimento 1.503\u201d, que encomenda ao Grupo de Trabalho sobre Situa&ccedil;&otilde;es o exame das queixas de particulares ou de grupos que afirmam ser v&iacute;timas de viola&ccedil;&otilde;es dos direitos humanos. Na sess&atilde;o do pr&oacute;ximo dia 25, o Conselho vai examinar o relat&oacute;rio desse grupo de trabalho que cont&eacute;m acusa&ccedil;&otilde;es s&eacute;rias contra Ir&atilde; e Uzbequist&atilde;o, asseguraram &agrave; IPS fontes pr&oacute;ximas &agrave; &aacute;rea de direitos humanos da ONU. A vota&ccedil;&atilde;o sobre as eventuais condena&ccedil;&otilde;es aos dois pa&iacute;ses se resolveria no dia 3 de outubro. Entretanto, Alba vislumbrou a possibilidade de o Conselho evitar nessa sess&atilde;o os debates e as vota&ccedil;&otilde;es sobre temas espec&iacute;ficos ou sobre pa&iacute;ses individualmente. Por outro lado, a mesa do Conselho, presidida pelo diplomata mexicano, tentaria apresentar \u201cresolu&ccedil;&otilde;es compostas\u201d com pronunciamentos sobre diferentes quest&otilde;es condensadas cada uma em alguns poucos par&aacute;grafos.<\/p>\n<p>Dessa forma, o Conselho poderia obter mais facilmente um consenso sobre cada assunto e, ao mesmo tempo, se livraria do estigma de ret&oacute;rica que pesou sobre a extinta comiss&atilde;o por causa do palavr&oacute;rio repetido a cada ano em suas resolu&ccedil;&otilde;es. Quanto aos casos de pa&iacute;ses, a Uni&atilde;o Europ&eacute;ia anunciou na quinta-feira que propor&aacute; o debate dos casos de Estados que n&atilde;o cooperam com o sistema de direitos humanos da ONU. Em particular, os europeus se referiram &agrave; Bielor&uacute;ssia, Cor&eacute;ia do Norte e Birm&acirc;nia. Esses pa&iacute;ses n&atilde;o cooperaram com os relatores especiais designados pelas Na&ccedil;&otilde;es Unidas nem os deixaram entrar em seus territ&oacute;rios em miss&atilde;o de observa&ccedil;&atilde;o. Entretanto, a Uni&atilde;o Europ&eacute;ia somente menciona esses casos porque cabe a especialistas designados em decis&otilde;es promovias por esse bloco regional.<\/p>\n<p>Em outros casos de situa&ccedil;&otilde;es de pa&iacute;ses, o Conselho ouvir&aacute; os informes dos relatores, come&ccedil;ando nesta ter&ccedil;a-feira pelo especialista Adrian Severin, sobre o caso da Bielor&uacute;ssia. Uma semana depois ser&atilde;o apresentados informes de Ghanim Alanajjar, sobre a Som&aacute;lia; de Christine Chanet, sobre Cuba; de Yash Ghai, sobre Camboja: de Louis Joinet, sobre Haiti, e de Vitit Muntarbhorn, sobre a Cor&eacute;ia do Norte. Depois ser&aacute; a vez de Titinga Fr&eacute;d&eacute;ric Pacere, relator sobre a Rep&uacute;blica Democr&aacute;tica do Congo; Paulo S&eacute;rgio Pinheiro, sobre a Birm&acirc;nia; Sima Samar, sobre Sud&atilde;o, e Charlotte Abaka, sobre Lib&eacute;ria.<\/p>\n<p>Durante a sess&atilde;o, que terminar&aacute; em 6 de outubro, o Conselho tamb&eacute;m ter&aacute; a possibilidade de ouvir informes, pelo menos preliminares, dos especialisats enviados nas &uacute;ltimas semanas &agrave; Palestina e ao L&iacute;bano. Os pa&iacute;ses-membros do Conselho que tamb&eacute;m fazem parte da Organiza&ccedil;&atilde;o da Confer&ecirc;ncia Isl&acirc;mica \u201cseguramente v&atilde;o querer ser informados pelo observado pelas miss&otilde;es ao Oriente M&eacute;dio\u201d, disse o diplomata latino-americano. Este assunto originou &aacute;speros debates na antiga comiss&atilde;o, onde dividiu seus 53 Estados-membros em dois bloco que, de maneira geral, representavam os pa&iacute;ses industrializados, favor&aacute;veis &agrave;s posi&ccedil;&otilde;es de Israel, e aos pa&iacute;ses em desenvolvimento, que, em sua maioria, ap&oacute;iam a causa palestina.<\/p>\n<p>O presidente Alba tamb&eacute;m tentar&aacute; concluir estas quest&otilde;es na \u201cresolu&ccedil;&atilde;o compostas\u201d, confiando em um consenso sobre ela, acrescentou a fonte. Por outro lado, o Conselho debate os informes tem&aacute;ticos e de pa&iacute;ses apresentados pelos especialistas independentes, dois grupos de trabalho continuar&atilde;o esbo&ccedil;ando o andamento desse organismo. Um dos grupos cuidar&aacute; precisamente de definir o futuro dos mecanismos especiais, que s&atilde;o esses relatores independentes, bem como dos grupos de trabalho e dos especialistas designados pelo secret&aacute;rio-geral da ONU. Dentro do mesmo tema est&aacute; o debate sobre o &oacute;rg&atilde;o consultor do Conselho, com o mesmo papel que a desaparecida Subcomiss&atilde;o de Promo&ccedil;&atilde;o e Prote&ccedil;&atilde;o dos Direitos Humanos tinha em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; comiss&atilde;o.<\/p>\n<p>O outro grupo de trabalho discute uma f&oacute;rmula para por em pr&aacute;tica o mandato da Assembl&eacute;ia Geral da ONU, que encomendou ao Conselho a realiza&ccedil;&atilde;o a cada tr&ecirc;s anos de um exame universal da vig&ecirc;ncia dos direitos humanos. A id&eacute;ia prev&ecirc; uma revis&atilde;o peri&oacute;dica de todos os Estados-membros da organiza&ccedil;&atilde;o. Dessa maneira, se evitaria o julgamento permanente dos mesmos pa&iacute;ses e se desvirtuaria as acusa&ccedil;&otilde;es de \u201cseletividade\u201d que por esse motivo eram dirigidas &agrave; comiss&atilde;o. O presidente Alba admitiu que as tarefas desses dois grupos avan&ccedil;am muito lentamente, mas, recordou que o Conselho tem prazo at&eacute; junho de 2007, fixado pela Assembl&eacute;ia Geral, para definir sua estrutura de funcionamento. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Genebra, 09\/10\/2006 &ndash; O caso da pris&atilde;o norte-americana na base naval de Guant&acirc;namo, em Cuba, constituir&aacute; um prato forte da minuta de que se servir&aacute; o Conselho de Direitos Humanos da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas durante a sess&atilde;o de tr&ecirc;s semanas, que come&ccedil;a nesta segunda-feira. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/mundo\/direitos-humanos-um-prato-indigesto-para-os-estados-unidos\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":86,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,4,11],"tags":[14],"class_list":["post-2139","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","category-mundo","category-politica","tag-america-do-norte"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2139","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/86"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2139"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2139\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2139"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2139"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2139"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}