{"id":21392,"date":"2016-11-16T14:02:19","date_gmt":"2016-11-16T14:02:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=216201"},"modified":"2016-11-16T14:02:19","modified_gmt":"2016-11-16T14:02:19","slug":"metro-em-centro-historico-gera-polemica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/11\/ultimas-noticias\/metro-em-centro-historico-gera-polemica\/","title":{"rendered":"Metr\u00f4 em centro hist\u00f3rico gera pol\u00eamica"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_216195\" style=\"width: 626px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/25330315809_d8e454bbba_z-629x472.jpg\"><img class=\" wp-image-216195\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/25330315809_d8e454bbba_z-629x472-300x225.jpg\" alt=\"Pra\u00e7a San Francisco, onde fica a igreja e o convento de mesmo nome, ocupada h\u00e1 meses por tapumes que escondem as obras do metr\u00f4 de Quito, paralisadas enquanto se investiga o valor de vest\u00edgios arqueol\u00f3gicos encontrados. Esse conjunto monumental \u00e9 o maior de um centro hist\u00f3rico da Am\u00e9rica Latina. Foto: Mario Osava\/IPS\" width=\"616\" height=\"462\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/25330315809_d8e454bbba_z-629x472-300x225.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/25330315809_d8e454bbba_z-629x472.jpg 629w\" sizes=\"(max-width: 616px) 100vw, 616px\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Pra\u00e7a San Francisco, onde fica a igreja e o convento de mesmo nome, ocupada h\u00e1 meses por tapumes que escondem as obras do metr\u00f4 de Quito, paralisadas enquanto se investiga o valor de vest\u00edgios arqueol\u00f3gicos encontrados. Esse conjunto monumental \u00e9 o maior de um centro hist\u00f3rico da Am\u00e9rica Latina. Foto: Mario Osava\/IPS<\/p><\/div>\n<p>por\u00a0Mario Osava, da IPS &#8211;<\/p>\n<p>Quito, Equador, 16\/11\/2016 &#8211; \u00c0s vezes o sucesso mata, quando se trata de cidades. Barcelona, na Espanha, j\u00e1 enfrenta problemas pelo excesso de turistas que atrai e, no Equador, o Centro Hist\u00f3rico de Quito, uma joia arquitet\u00f4nica especialmente preservada, sofre a fuga de sua popula\u00e7\u00e3o. O paradoxo \u00e9 apontado por Fernando Carri\u00f3n, presidente da Organiza\u00e7\u00e3o Latino-Americana e do Caribe de Centros Hist\u00f3ricos e professor da Faculdade Latino-Americana de Ci\u00eancias Sociais (Flacso) no Equador.<\/p>\n<p>\u201cO centro hist\u00f3rico de Quito perdeu 42% de seus habitantes nos \u00faltimos 15 anos, per\u00edodo em que ganhou melhores monumentos, mais ilumina\u00e7\u00e3o e limpeza\u201d, lamentou Carri\u00f3n. Os n\u00fameros oficiais dos censos apontaram 58.300 habitantes em 1990, 50.982 em 2001 e 40.587 em 2010, ou seja, uma queda abrupta. Segundo o professor, a revitaliza\u00e7\u00e3o da \u00e1rea foi realizada \u201cpor meio de uma pol\u00edtica monumentalista\u201d, de restaura\u00e7\u00e3o de igrejas e pr\u00e9dios, que elevou os pre\u00e7os da moradia e promoveu o uso comercial dos im\u00f3veis, excluindo os pobres. \u201cTemo que o metr\u00f4 expulse mais pessoas\u201d, agravando a tend\u00eancia, opinou.<\/p>\n<p>A primeira linha do metr\u00f4 de Quito come\u00e7ou suas obras em 2013, com a constru\u00e7\u00e3o de duas esta\u00e7\u00f5es pela empresa espanhola Acciona. A Fase 2, ou constru\u00e7\u00e3o do t\u00fanel de 22 quil\u00f4metros e outras 13 esta\u00e7\u00f5es, come\u00e7ou em janeiro de 2016 e dever\u00e1 estar conclu\u00edda em julho de 2019. Para a execu\u00e7\u00e3o foi contratada, por licita\u00e7\u00e3o, um cons\u00f3rcio formado pela Acciona e pela construtora brasileira Odebrecht, que construiu linhas de metr\u00f4 em v\u00e1rios pa\u00edses latino-americanos.<\/p>\n<p>S\u00f3 uma esta\u00e7\u00e3o, a da pra\u00e7a San Francisco, ficar\u00e1 no centro hist\u00f3rico. \u201cAs proje\u00e7\u00f5es de demanda estimam que por ali circular\u00e3o 42 mil passageiros por dia\u201d. Isso significa que, \u201ccom o metr\u00f4, chegar\u00e3o as mesmas pessoas por vias distintas\u201d, apontou \u00e0 IPS o gerente-geral da Empresa P\u00fablica Metropolitana Metr\u00f4 de Quito (EPMMQ), Mauricio Anderson. O transporte subterr\u00e2neo \u201cevitar\u00e1 o congestionamento de ve\u00edculos, a vibra\u00e7\u00e3o e a contamina\u00e7\u00e3o que existem hoje\u201d, ao substituir autom\u00f3veis e \u00f4nibus que deixar\u00e3o de entrar na \u00e1rea, destacou.<\/p>\n<p>O objetivo do novo meio de transporte de massa \u00e9 melhorar a qualidade de vida dos habitantes de Quito, com menos tempo de deslocamento, inclus\u00e3o econ\u00f4mica da periferia, economia de combust\u00edveis, redu\u00e7\u00e3o de acidentes e ambiente menos contaminado, segundo a EPMMQ. \u201cDiariamente, 400 mil moradores de Quito utilizar\u00e3o esse sistema, otimizando outros servi\u00e7os e aumentando a velocidade atual de deslocamento na cidade, que na superf\u00edcie \u00e9 de 13 quil\u00f4metros por hora e no metr\u00f4 ser\u00e1 de 37\u201d, afirmou Anderson.<\/p>\n<div id=\"attachment_216197\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/30966606885_36a383b854_z.jpg\"><img class=\" wp-image-216197\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/30966606885_36a383b854_z-300x225.jpg\" alt=\"Tr\u00f3lebus do sistema de corredor especial e uma de suas esta\u00e7\u00f5es, na capital do Equador. Os cr\u00edticos do projeto do metr\u00f4 na cidade consideram melhor para a cidade estender e melhorar esse transporte de superf\u00edcie. Foto: Mario Osava\/IPS\" width=\"540\" height=\"405\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/30966606885_36a383b854_z-300x225.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/30966606885_36a383b854_z.jpg 640w\" sizes=\"(max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Tr\u00f3lebus do sistema de corredor especial e uma de suas esta\u00e7\u00f5es, na capital do Equador. Os cr\u00edticos do projeto do metr\u00f4 na cidade consideram melhor para a cidade estender e melhorar esse transporte de superf\u00edcie. Foto: Mario Osava\/IPS<\/p><\/div>\n<p>Como a capital equatoriana \u00e9 uma cidade longitudinal, alargada ao norte e ao sul a partir do centro, a linha de 22 quil\u00f4metros e 15 esta\u00e7\u00f5es permitir\u00e1 que quase toda a popula\u00e7\u00e3o urbana disponha de transporte p\u00fablico, a menos de quatro quarteir\u00f5es de suas resid\u00eancias ou locais de trabalho, segundo estudos que orientaram o desenho do metr\u00f4. Ser\u00e1 um meio de mobilidade que, com trens que receber\u00e3o at\u00e9 1.500 passageiros cada um, \u201carticular\u00e1 todo o sistema integrado de mobilidade\u201d.<\/p>\n<p>Em 2014, estat\u00edsticas indicavam que o sistema de transporte p\u00fablico do Distrito Metropolitano de Quito atendia 2,8 milh\u00f5es de viagens di\u00e1rias, a grande maioria por \u00f4nibus convencionais e um sistema de transporte r\u00e1pido (BRT) com corredores especiais. Os opositores ao metr\u00f4 argumentam que a otimiza\u00e7\u00e3o dos BRT, que atendem as mesmas rotas norte-sul, poderia aumentar o n\u00famero de passageiros transportados em quantidade superior ao trem subterr\u00e2neo, com investimentos bem menores.<\/p>\n<p>Mas \u201ca superf\u00edcie de Quito est\u00e1 saturada, n\u00e3o h\u00e1 verdadeiros corredores exclusivos e o invent\u00e1rio vi\u00e1rio \u00e9 muito estreito\u201d, pontuou Anderson, insistindo na maior rapidez e efici\u00eancia do metr\u00f4, com benef\u00edcios para passageiros e ambiente. O custo da implanta\u00e7\u00e3o do metr\u00f4 ser\u00e1 de US$ 2,09 bilh\u00f5es, \u201cisto \u00e9, US$ 89 milh\u00f5es por quil\u00f4metro, cifra que est\u00e1 abaixo da m\u00e9dia da regi\u00e3o\u201d, ressaltou o gerente do Metr\u00f4 Quito.<\/p>\n<p>O projeto em execu\u00e7\u00e3o foi elaborado pela empresa p\u00fablica Metr\u00f4 de Madri. Uma passagem de US$ 0,45 cobrir\u00e1 os custos de opera\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o da primeira linha, segundo a empresa. \u201cCustar\u00e1 muito mais\u201d, duvida Ricardo Buitr\u00f3n, ativista da organiza\u00e7\u00e3o A\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica, argumentando que construir um metr\u00f4 em Quito \u00e9 complexo e n\u00e3o poderia ser muito mais barato do que no Panam\u00e1, por exemplo, onde cada quil\u00f4metro custou US$ 128 milh\u00f5es.<\/p>\n<div id=\"attachment_216196\" style=\"width: 574px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/30665156730_4867cbfafa_z.jpg\"><img class=\" wp-image-216196\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/30665156730_4867cbfafa_z-300x225.jpg\" alt=\"Morro do Panecillo, que divide o norte e o sul da capital do Equador, visto do Museu da Cidade, em pleno Centro Hist\u00f3rico. A acidentada topografia \u00e9 um obst\u00e1culo para a mobilidade em Quito. Foto: Mario Osava\/IPS\" width=\"564\" height=\"423\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/30665156730_4867cbfafa_z-300x225.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/30665156730_4867cbfafa_z.jpg 640w\" sizes=\"(max-width: 564px) 100vw, 564px\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Morro do Panecillo, que divide o norte e o sul da capital do Equador, visto do Museu da Cidade, em pleno Centro Hist\u00f3rico. A acidentada topografia \u00e9 um obst\u00e1culo para a mobilidade em Quito. Foto: Mario Osava\/IPS<\/p><\/div>\n<p>Al\u00e9m disso, com os investimentos no metr\u00f4, \u201cse poderia construir 260 quil\u00f4metros de corredores exclusivos para \u00f4nibus el\u00e9tricos, mais 40 quil\u00f4metros de linhas de bonde, como est\u00e1 sendo implantado em Cuenca\u201d, cidade do sul do Equador, indicou Buitr\u00f3n \u00e0 IPS. A passagem a US$ 0,45 exigir\u00e1 subs\u00eddios de US$ 100 milh\u00f5es ao ano, estimou. Em outros pa\u00edses, o custo de opera\u00e7\u00e3o por passageiro passa de US$ 1,59, detalhou.<\/p>\n<p>\u201cOs subs\u00eddios s\u00e3o inevit\u00e1veis no transporte p\u00fablico, mas deveriam contribuir para melhorar o sistema\u201d, afirmou o ativista. Em Quito, por exemplo, poderiam estimular o uso de \u00f4nibus el\u00e9tricos, corrigindo um \u201cretrocesso\u201d que foi a substitui\u00e7\u00e3o de \u00f4nibus articulados el\u00e9tricos por outros movidos a diesel, mais baratos. O diesel equatoriano \u00e9 de m\u00e1 qualidade e contamina muito, o que pode ser visto pela fuma\u00e7a negra que emitem, acrescentou.<\/p>\n<p>\u201cO metr\u00f4 \u00e9 uma boa solu\u00e7\u00e3o, que reduzir\u00e1 o uso de \u00f4nibus contaminantes e solucionar\u00e1 o congestionamento do tr\u00e2nsito em uma cidade em que tudo passa pelo eixo norte-sul\u201d, detalhou Julio Echeverr\u00eda, diretor executivo do Instituto da Cidade e ex-professor de pol\u00edtica em v\u00e1rias universidades do Equador e da It\u00e1lia. Mas Quito passa pelas consequ\u00eancias de um desenvolvimento urbano \u201clinear, longitudinal\u201d, que j\u00e1 passou. Agora a cidade \u00e9 \u201cdispersa, fragmentada, se estende para os vales e outras \u00e1reas com voca\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, com grande biodiversidade\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Quito, com estimados 2,5 milh\u00f5es de habitantes em seu Distrito Metropolitano, conta com o maior e menos alterado centro hist\u00f3rico da Am\u00e9rica Latina, que em 1978 foi declarado patrim\u00f4nio cultural da humanidade pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura (Unesco). Fundada em 1534 em uma longa e estreita escadaria nas ladeiras orientais de um maci\u00e7o andino, onde fica o vulc\u00e3o Pichincha, a cerca de 2.800 metros de altitude, a capital do Equador mant\u00e9m preservado seu centro, com mais de 50 igrejas, capelas e monast\u00e9rios, al\u00e9m de dezenas de pra\u00e7as.<\/p>\n<p>A transfer\u00eancia negociada de aproximadamente sete mil vendedores de rua para centros comerciais formais, em 2003, e um programa para deixar o centro hist\u00f3rico para os pedestres levaram artes \u00e0s pra\u00e7as e ruas todos os domingos, durante quase toda a primeira d\u00e9cada deste s\u00e9culo, ajudando a atrair moradores de Quito e um crescente turismo para a cidade.<\/p>\n<p>A grande interven\u00e7\u00e3o que significa construir o metr\u00f4 cruzando esse centro preocupa muitas pessoas. \u201cO metr\u00f4 n\u00e3o \u00e9 bom para os pobres, \u00e9 mais r\u00e1pido do que o tr\u00f3lebus, mas \u00e9 mais caro\u201d, enfatizou Manuel Quispe, de 52 anos, que ganha a vida como engraxate na Pra\u00e7a San Francisco. Seu colega Jorge C\u00f3rdoba, de mesma idade, reconhece as vantagens da velocidade, mas acredita que o \u201cmetr\u00f4 n\u00e3o sair\u00e1\u201d, porque \u201cQuito est\u00e1 sobre um subsolo que torna dif\u00edcil abrir t\u00faneis\u201d. Ele se queixou, como Quispe, dos muitos meses de obra parada, inutilizando metade da pra\u00e7a e reduzindo suas rendas que j\u00e1 s\u00e3o baixas. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/1-1-canais\/ips-rede\/metro-em-centro-historico-gera-polemica\/\">Metr\u00f4 em centro hist\u00f3rico gera pol\u00eamica<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/\">Envolverde<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por&nbsp;Mario Osava, da IPS &ndash; Quito, Equador, 16\/11\/2016 &ndash; &Agrave;s vezes o sucesso mata, quando se trata de cidades. 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