{"id":21398,"date":"2016-11-17T11:50:15","date_gmt":"2016-11-17T11:50:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=216249"},"modified":"2016-11-17T11:50:15","modified_gmt":"2016-11-17T11:50:15","slug":"risco-de-investir-na-africa-deve-ser-reduzido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/11\/ultimas-noticias\/risco-de-investir-na-africa-deve-ser-reduzido\/","title":{"rendered":"Risco de investir na \u00c1frica deve ser reduzido"},"content":{"rendered":"<p><em>Por\u00a0Friday Phiri, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Marrakesh, Marrocos, 17\/11\/2016 \u2013 A chave para promover um desenvolvimento capaz de suportar a variabilidade clim\u00e1tica \u00e9 reduzir o risco de investimento nos pa\u00edses africanos, segundo especialistas presentes \u00e0 22\u00aa Confer\u00eancia das Partes (COP 22) da Conven\u00e7\u00e3o Marco das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica, que acontece nesta cidade do Marrocos.<\/p>\n<p>O presidente da Ag\u00eancia Marroquina de Energia Solar (Masen), Mustapha Bakkoury, destacou que a revolu\u00e7\u00e3o dessa fonte alternativa n\u00e3o teria sido poss\u00edvel sem a participa\u00e7\u00e3o de s\u00f3cios multilaterais, como o Banco de Desenvolvimento Africano(BDA), que atuaram como garantidores de um projeto considerado \u00fanico na \u00c1frica.O multimilion\u00e1rio complexo de energia solar, localizado na regi\u00e3o de Souss-Massa-Dr\u00e2a, na prov\u00edncia marroquina de Ouarzazate, produzir\u00e1 580 megawatts (MW) quando estiver terminado, e poder\u00e1 ser um modelo para outros pa\u00edses africanos.<\/p>\n<p>\u201cA \u00c1frica necessita de energias leg\u00edtimas, e o desenvolvimento do continente ser\u00e1 poss\u00edvel mediante a mobiliza\u00e7\u00e3o de recursos energ\u00e9ticos\u201d, ressaltou Bakkoury \u00e0 IPS, ao final de uma mesa-redonda sobre a elimina\u00e7\u00e3o de riscos de investimento mediante inovadores projetos de energia renov\u00e1vel, no contexto da COP 22, que acontece entre os dias 7 e 18 deste m\u00eas.<\/p>\n<p>O diretor da Masen considera poss\u00edvel a \u00c1frica desenvolver o setor energ\u00e9tico ao mesmo tempo em que protege o ambiente.\u201cO que dizemos \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 fatalidade entre os recursos energ\u00e9ticos e o respeito ao ambiente, e a \u00c1frica tem abundantes recursos para fazer isso com a participa\u00e7\u00e3o de seu principal s\u00f3cio, o BDA\u201d, acrescentou, destacando o papel fundamental desse \u00f3rg\u00e3o financeiro no desenvolvimento de energias renov\u00e1veis no continente.<\/p>\n<p>Ao reafirmar seu compromisso permanente de que a \u00c1frica goze de um acesso universal a energia, Alex Rugamba, diretor de Energia, Meio Ambiente e Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica do BDA, informou \u00e0 IPS que \u201co compromisso mudou de marcha, porque agora tem uma vice-presid\u00eancia inteira\u201d dedicada a esses temas, bem como ao desenvolvimento verde.O banco aprendeu importantes li\u00e7\u00f5es com as diferentes iniciativas que apoiou e sabe o que \u00e9 preciso fazer para avan\u00e7ar sem muitas complica\u00e7\u00f5es, destacou.<\/p>\n<div id=\"attachment_216250\" style=\"width: 570px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img class=\"wp-image-216250\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/cop22-629x420.jpg\" alt=\"Exposi\u00e7\u00e3o de Mustapha Bakkoury, presidente da Ag\u00eancia Marroquina para a Energia Solar (Masen), na COP 22, em Marrakesh 2016. Foto: Friday Phiri\/IPS\" width=\"560\" height=\"374\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/cop22-629x420.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/cop22-629x420-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/cop22-629x420-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 560px) 100vw, 560px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Exposi\u00e7\u00e3o de Mustapha Bakkoury, presidente da Ag\u00eancia Marroquina para a Energia Solar (Masen), na COP 22, em Marrakesh 2016. Foto: Friday Phiri\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As energias renov\u00e1veis s\u00e3o importantes para impulsionar as perspectivas de crescimento econ\u00f4mico desse continente, mas requer investimentos multimilion\u00e1rios, que n\u00e3o podem ser realizados apenas com fundos p\u00fablicos. A participa\u00e7\u00e3o do setor privado deve avan\u00e7ar a agenda, apontou a vice-presidente do Banco Mundial para desenvolvimento sustent\u00e1vel, Laura Tuck. \u201cN\u00e3o se pode ignorar o setor privado, porque o dinheiro que este possui \u00e9 muito maior do que o dos cofres p\u00fablicos\u201d, opinou.<\/p>\n<p>Mas considera-se que o risco \u00e9 muito alto para que os investidores privados destinem seu capital \u00e0s energias renov\u00e1veis da \u00c1frica, uma carteira relativamente nova e com grandes incertezas. De fato, o secret\u00e1rio de Estado parlamentar alem\u00e3o, Thomas Silberhorn, pontuou que o maior risco no continente s\u00e3o os problemas pol\u00edticos.\u201cN\u00e3o \u00e9 apenas um risco econ\u00f4mico, mas pol\u00edtico. N\u00e3o \u00e9 preciso convencer os investidores alem\u00e3es sobre a\u00a0 import\u00e2ncia da energia solar porque j\u00e1 sabem que funciona. O que necessitam \u00e9 confiar no ambiente pol\u00edtico e na sustentabilidade de seus investimentos\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Silberhorn citou o exemplo de um projeto multimilion\u00e1rio no Qu\u00eania, que agora est\u00e1 parado por quest\u00f5es pol\u00edticas. Tamb\u00e9m apontou a necessidade de se desenhar uma forma de reduzir os riscos pol\u00edticos na \u00c1frica para que o continente se beneficie do investimento privado dispon\u00edvel para as energias renov\u00e1veis.Mas, mesmo com todos os riscos, Tuck observou que h\u00e1 esperan\u00e7as para a \u00c1frica, e deu como exemplo que o custo da energia solar em Z\u00e2mbia alcan\u00e7ou um m\u00ednimo hist\u00f3rico.<\/p>\n<p>\u201cMediante uma competitiva licita\u00e7\u00e3o, dentro do programa Scaling Solar do Banco Mundial, em Z\u00e2mbia se registrou o pre\u00e7o mais baixo, de US$ 0,602 por quilowatt\u201d, afirmou Tuck, elogiando-o como um modelo a seguir para eliminar o risco de investimento relacionado com quest\u00f5es clim\u00e1ticas e impulsionar o crescimento da \u00c1frica.Para cumprir o objetivo de conseguir energia universal, os especialistas destacam a necessidade de se garantir que os usu\u00e1rios finais n\u00e3o ser\u00e3o explorados em favor dos investidores.<\/p>\n<p>\u201cO Estado n\u00e3o deve interferir nesse modelo de neg\u00f3cio para que funcione, mas deve instrumentar algumas modalidades para garantir que as pessoas que necessitam da energia possam pag\u00e1-la, do contr\u00e1rio o projeto n\u00e3o serve\u201d, observou Bakkoury. Por esse aspecto fundamental e para responder \u00e0 quest\u00e3o do risco pol\u00edtico, Simon Ngure, do Ken Gen Kenia, prop\u00f4s um princ\u00edpio para minimizar a interfer\u00eancia pol\u00edtica: a participa\u00e7\u00e3o das comunidades locais.<\/p>\n<p>\u201cSe as comunidades locais forem envolvidas desde o principio, independente da mudan\u00e7a de governo, os projetos ser\u00e3o concretizados porque as pessoas j\u00e1 ter\u00e3o visto os benef\u00edcios\u201d, destacou Ngure, ressaltando a import\u00e2ncia das reformas pol\u00edticas para reduzir o risco nos investimentos clim\u00e1ticos.<\/p>\n<p>As pequenas subven\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m s\u00e3o outro elemento importante que, segundo a Ag\u00eancia de Implanta\u00e7\u00e3o, da Comiss\u00e3o da Uni\u00e3o Africana, a Nova Alian\u00e7a para o Desenvolvimento da \u00c1frica (Nepad) poder\u00e1 destravar a dificuldade desse continente para acessar fundos para o clima. A diretora de programa da Nepad, Estherine Fotabong, enfatizou \u00e0 IPS que foi por essa raz\u00e3o que a ag\u00eancia criou o Fundo para a Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica da Nepad, a fim de contribuir para o fortalecimento da resili\u00eancia dos pa\u00edses africanos mediante a constru\u00e7\u00e3o de capacidades nacionais, regionais e continentais.<\/p>\n<p>\u201cUm dos objetivos do fundo \u00e9 apoiar a\u00e7\u00f5es concretas para as comunidades locais, por\u00e9m, mais importante ainda \u00e9 ajudar a constru\u00e7\u00e3o das capacidades dos Estados membro para poderem aproveitar fundos de complicados regimes de financiamento clim\u00e1tico\u201d, explicou Fotabong. A dirigente tamb\u00e9m disse que a Comunidade Econ\u00f4mica dos Estados da \u00c1frica Ocidental (Ecowas) usou os fundos para promover a distribui\u00e7\u00e3o de recursos do Fundo Verde para o Clima, um dos regimes financeiros da CMNUCC. <em>Envolverde\/IPS<\/em><\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/1-1-canais\/risco-de-investir-na-africa-deve-ser-reduzido\/\">Risco de investir na \u00c1frica deve ser reduzido<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/\">Envolverde<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Friday Phiri, da IPS &ndash;&nbsp; Marrakesh, Marrocos, 17\/11\/2016 &ndash; A chave para promover um desenvolvimento capaz de suportar a variabilidade clim&aacute;tica &eacute; reduzir o risco de investimento nos pa&iacute;ses africanos, segundo especialistas presentes &agrave; 22&ordf; Confer&ecirc;ncia das Partes (COP 22) da Conven&ccedil;&atilde;o Marco das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Mudan&ccedil;a Clim&aacute;tica, que acontece nesta cidade do Marrocos. 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