{"id":21410,"date":"2016-11-23T12:01:38","date_gmt":"2016-11-23T12:01:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=216527"},"modified":"2016-11-23T12:01:38","modified_gmt":"2016-11-23T12:01:38","slug":"financiar-camponeses-evitaria-milhoes-de-famintos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/11\/ultimas-noticias\/financiar-camponeses-evitaria-milhoes-de-famintos\/","title":{"rendered":"Financiar camponeses evitaria milh\u00f5es de famintos"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Por\u00a0Fab\u00edola Ortiz, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Marrakesh, Marrocos, 23\/11\/2016 \u2013 Como o aquecimento global \u00e9 uma grande amea\u00e7a para os pequenos agricultores, muitos especialistas em agricultura e seguran\u00e7a alimentar destacam que mais do que nunca \u00e9 preciso implantar solu\u00e7\u00f5es locais para ajud\u00e1-los na adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 grande variabilidade clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>A maioria dos pa\u00edses tem a agricultura entre suas prioridades para manter abaixo de dois graus Celsius o aumento da temperatura global. No contexto do Acordo de Paris sobre mudan\u00e7a clim\u00e1tica, 95% dos Estados inclu\u00edram essa atividade em suas Contribui\u00e7\u00f5es Previstas e Determinadas em N\u00edvel Nacional.<\/p>\n<div id=\"attachment_216529\" style=\"width: 570px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img class=\"wp-image-216529\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/agricultura-629x472-1.jpg\" alt=\"A regi\u00e3o \u00e1rida de Settat, 200 quil\u00f4metros a nordeste de Marrakesh, no Marrocos. Foto: Fab\u00edola Ortiz\/IPS\" width=\"560\" height=\"420\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/agricultura-629x472-1.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/agricultura-629x472-1-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 560px) 100vw, 560px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">A regi\u00e3o \u00e1rida de Settat, 200 quil\u00f4metros a nordeste de Marrakesh, no Marrocos. Foto: Fab\u00edola Ortiz\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cO clima varia. N\u00e3o temos as chuvas de antes. Na d\u00e9cada passada, tivemos dois anos consecutivos de intensa seca e perdemos toda a produ\u00e7\u00e3o. Os animais morreram por falta de \u00e1gua\u201d, lamentou \u00e0 IPS Ahme Jiat, agricultor de 68 anos da comunidade marroquina de Souaka.<\/p>\n<p>Origin\u00e1rio de uma fam\u00edlia de agricultores, Jiat nasceu e se criou na regi\u00e3o \u00e1rida de Settat, 200 quil\u00f4metros a nordeste de Marrakesh, e toda sua vida cultivou milho, lentilha e verduras, al\u00e9m de criar cabras. Mas nenhum de seus nove filhos e filhas continuou a tradi\u00e7\u00e3o, todos preferiram emigrar para as cidades em busca de trabalho.<\/p>\n<p>Antes, os camponeses podiam obter 90% de sua renda com agricultura, agora s\u00f3 conseguem a metade. \u201cJ\u00e1 n\u00e3o trabalham no campo\u201d, contou Jiat, se referindo aos seus filhos. \u201cO trabalho aqui \u00e9 sazonal. Prefiro que tenham um emprego fixo na cidade\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A agricultura \u00e9 uma atividade importante da economia marroquina, que concentra 15% do produto interno bruto e 23% das exporta\u00e7\u00f5es. Aproximadamente 45% da popula\u00e7\u00e3o do Marrocos vive em \u00e1reas rurais e sua renda prov\u00e9m das atividades campestres, segundo o economista Mohamed Bughala, do Instituto Nacional de Pesquisa Agr\u00edcola (Inra), consultado pela IPS.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, 70% da popula\u00e7\u00e3o rural \u00e9 pobre, a maioria dos jovens est\u00e1 desempregada e cerca de 80% dos camponeses s\u00e3o analfabetos. Jiat, por exemplo, disse que n\u00e3o sabe soletrar seu nome.<\/p>\n<p>As consequ\u00eancias da mudan\u00e7a clim\u00e1tica j\u00e1 s\u00e3o vis\u00edveis no Marrocos, segundo Bughala. Os anos de seca quadruplicaram, com redu\u00e7\u00e3o de 35% da \u00e1gua superficial. A mudan\u00e7a clim\u00e1tica afeta particularmente os pequenos produtores, que contam com poucos insumos e dependem da chuva para a irriga\u00e7\u00e3o, como ocorre em Settat.<\/p>\n<p>\u201cOs estudos que fizemos na zona indicam que perdemos 100 mililitros de chuvas por ano\u201d, explicou Bughala. \u201cEm 2015, essa regi\u00e3o s\u00f3 recebeu 400 mililitros de chuva, e em 2016 apenas 330. Se mostrarmos que h\u00e1 tecnologia capaz de melhorar suas colheitas, reduzir os riscos e os custos de produ\u00e7\u00e3o, poderemos melhorar a vida dos pequenos agricultores\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Em 2015, as fam\u00edlias que usaram os m\u00e9todos tradicionais de cultivo n\u00e3o colheram nada. Mas os que aplicaram a \u201csemeadura direta\u201d registraram aumento de 30%. Trata-se de um m\u00e9todo de cultivo de cereais que n\u00e3o perturba o solo com o arado, ou seja, n\u00e3o faz sulcos.<\/p>\n<div id=\"attachment_216530\" style=\"width: 394px\" class=\"wp-caption alignright\"><img class=\"size-full wp-image-216530\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/ahmed.png\" alt=\"O agricultor marroquino Ahmed Jiat teve v\u00e1rios problemas por causa da seca, mas pode se beneficiar de um programa de plantio direto que promove a resili\u00eancia \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Foto: Fab\u00edola Ortiz\/IPS\" width=\"384\" height=\"288\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/ahmed.png 384w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/ahmed-300x225.png 300w\" sizes=\"(max-width: 384px) 100vw, 384px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">O agricultor marroquino Ahmed Jiat teve v\u00e1rios problemas por causa da seca, mas pode se beneficiar de um programa de plantio direto que promove a resili\u00eancia \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Foto: Fab\u00edola Ortiz\/IPS<\/p><\/div>\n<p>A t\u00e9cnica permite que o solo absorva a \u00e1gua de chuva, a que fica retida nas ra\u00edzes, e melhora a produ\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 semeadura tradicional, pois diminui a eros\u00e3o e os custos de arar.O Inra testou a semeadura direta no Marrocos como forma de melhorar a resili\u00eancia \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>Este pa\u00eds recebeu US$ 4,3 milh\u00f5es do Fundo Especial para a Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica do Fundo Mundial para o Meio Ambiente (GEF), dedicado a fortalecer as capacidades das institui\u00e7\u00f5es e dos agricultores para incluir medidas de adapta\u00e7\u00e3o ao aquecimento global nos projetos implantados no contexto do Plano Marrocos Verde.<\/p>\n<p>Jiat foi um dos 2.500 pequenos produtores beneficiados pela semeadura direta de cereais em 2011. Institui\u00e7\u00f5es como o GEF ou o Fundo Verde para o Clima s\u00e3o fundamentais para que os agricultores africanos tenham acesso a recursos que lhes permitam enfrentar o aquecimento global.<\/p>\n<p>Mas o continente africano, onde vive 25% da popula\u00e7\u00e3o mundial dos pa\u00edses em desenvolvimento, s\u00f3 recebe 5% dos fundos p\u00fablicos privados. E, apesar de emitir uma baixa propor\u00e7\u00e3o de gases contaminantes que aquecem a atmosfera, a \u00c1frica \u00e9 o continente mais vulner\u00e1vel \u00e0s consequ\u00eancias da mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>A necessidade de proteger a agricultura africana foi um dos temas tratados na 22\u00aa Confer\u00eancia das Partes (COP 22) da Conven\u00e7\u00e3o Marco das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica, realizada entre os dias 7 e 18 deste m\u00eas, em Marrakesh, no Marrocos. Nesse contexto, a Agenda Global para a A\u00e7\u00e3o Clim\u00e1tica, \u00e0 qual foi dedicado o dia 17, procurou reunir esfor\u00e7os para reduzir as emiss\u00f5es contaminantes, ajudar as na\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis e construir um futuro sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u201cPrecisamos encontrar novas fontes de financiamento para os agricultores\u201d, enfatizou Jos\u00e9 Graziano da Silva, diretor-geral da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO). \u201cA mudan\u00e7a clim\u00e1tica traz novamente a incerteza da inseguran\u00e7a alimentar. Projetamos que logo haver\u00e1 um bilh\u00e3o de pessoas com fome no mundo se n\u00e3o tomarmos medidas fortes para enfrentar a mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Na COP 22 vimos como a agricultura recuperou a import\u00e2ncia necess\u00e1ria\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>As solu\u00e7\u00f5es devem ser desenhadas e implementadas em escala local, destacou o oficial de recursos naturais da unidade de mitiga\u00e7\u00e3o da mudan\u00e7a clim\u00e1tica da FAO, Martial Bernoux. \u201cNosso principal objetivo \u00e9 conseguir a seguran\u00e7a alimentar e lutar contra a pobreza\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>\u201cO mais perturbador para os pequenos agricultores \u00e9 a escassez de \u00e1gua e o ciclo inst\u00e1vel que muda o regime de chuvas. Aumentoua frequ\u00eancia de eventos clim\u00e1ticos extremos e os produtores n\u00e3o t\u00eam tempo para se tornarem resilientes, nem a capacidade para se adaptar. \u00c9 preciso trabalhar com mecanismos de microcr\u00e9dito para ajud\u00e1-los\u201d, pontuou Bernoux. \u201cQuando a mudan\u00e7a clim\u00e1tica se somar \u00e0 equa\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a alimentar, as solu\u00e7\u00f5es locais se tornar\u00e3o mais complexas\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Segundo Bernoux, \u201cnecessitamos ouvir as reclama\u00e7\u00f5es das comunidades, suas car\u00eancias e suas possibilidades para melhorar, por exemplo, com a cria\u00e7\u00e3o de um sistema de alerta para que saibam com alguns dias de anteced\u00eancia quando chover\u00e1 e poderem preparar a terra. Se essa oportunidade for perdida, pode ser fatal para sua produ\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a agricultura \u00e9 uma atividade que atravessa quase todos os Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS), como garantir a seguran\u00e7a alimentar, erradicar a pobreza, construir resili\u00eancia e adapta\u00e7\u00e3o, ressaltou Bernoux. \u201cPrecisamos encontrar solu\u00e7\u00f5es para que as pessoas possam viver melhor e aumentar sua renda, para promover um trabalho decente e construir resili\u00eancia. Trabalhar com a agricultura conecta todos os outros ODS\u201d, acrescentou. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/1-1-canais\/financiar-camponeses-evitaria-milhoes-de-famintos\/\">Financiar camponeses evitaria milh\u00f5es de famintos<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/\">Envolverde<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Fab&iacute;ola Ortiz, da IPS &ndash;&nbsp; Marrakesh, Marrocos, 23\/11\/2016 &ndash; Como o aquecimento global &eacute; uma grande amea&ccedil;a para os pequenos agricultores, muitos especialistas em agricultura e seguran&ccedil;a alimentar destacam que mais do que nunca &eacute; preciso implantar solu&ccedil;&otilde;es locais para ajud&aacute;-los na adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; grande variabilidade clim&aacute;tica. 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