{"id":2142,"date":"2006-10-09T00:00:00","date_gmt":"2006-10-09T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2142"},"modified":"2006-10-09T00:00:00","modified_gmt":"2006-10-09T00:00:00","slug":"energia-brasil-consumo-eficiente-para-crescer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/america-latina\/energia-brasil-consumo-eficiente-para-crescer\/","title":{"rendered":"Energia-Brasil: Consumo eficiente para crescer"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 09\/10\/2006 &ndash; O consumo de energia no Brasil sempre cresceu a um ritmo mais acelerado do que o produto interno bruto, mas essa tend&ecirc;ncia deve e pode ser invertida em favor de um desenvolvimento sustent&aacute;vel, com grandes benef&iacute;cios, inclusive econ&ocirc;micos, asseguram especialistas. <!--more--> Essa possibilidade foi projetada na Agenda El&eacute;trica Sustent&aacute;vel 2020, um informe patrocinado pela WWF-Brasil (sigla em ingl&ecirc;s do Fundo Mundial para a Natureza) e elaborado por cientistas da Iniciativa Internacional de Energia (IEI) e da Universidade Estadual de Campinas.<\/p>\n<p>O Brasil poderia gerar oito milh&otilde;es de novos empregos, evitar inunda&ccedil;&otilde;es de florestas, economizar o equivalente a US$ 15 bilh&otilde;es e ganhar US$ 2,5 bilh&otilde;es em cr&eacute;ditos de carbono at&eacute; 2020 caso o governo adote uma pol&iacute;tica agressiva de efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica e fontes renov&aacute;veis, sem sacrificar o crescimento econ&ocirc;mico, afirma o documento. Os especialistas estimaram tais resultados comparando o \u201ccen&aacute;rio Tendencial\u201d, baseado nas orienta&ccedil;&otilde;es atuais do governo do presidente Luiz In&aacute;cio Lula da silva nas &aacute;reas de economia e energia, com o \u201ccen&aacute;rio El&eacute;trico Sustent&aacute;vel\u201d, combinando redu&ccedil;&atilde;o do desperd&iacute;cio e amplia&ccedil;&atilde;o de fontes alternativas aos combust&iacute;veis f&oacute;sseis, tudo no per&iacute;odo 2004-2020. Nos dois casos considera-se o crescimento econ&ocirc;mico esperado, de 4,02% ao ano.<\/p>\n<p>Se for mantida a tend&ecirc;ncia atual, a capacidade instalada de gera&ccedil;&atilde;o de eletricidade teria de crescer 5% ao ano, passando de 92 mil megawatts para 204 mil ao final dos 16 anos. Por outro lado, o cen&aacute;rio sustent&aacute;vel exigiria uma expans&atilde;o anual de apenas 2%, alcan&ccedil;ando, assim, 126 mil megawatts em 2020. Desse modo, pode-se evitar a constru&ccedil;&atilde;o de grandes centrais hidrel&eacute;tricas, especialmente na Amaz&ocirc;nia, com represas que destruiriam a biodiversidade com inunda&ccedil;&atilde;o de florestas, e de centrais termoel&eacute;tricas, que queimam combust&iacute;vel f&oacute;ssil emitindo gases causadores do efeito estufa, afirma a pesquisa.<\/p>\n<p>Parte da economia, segundo o plano dos especialistas, deveria ser aplicada em fontes renov&aacute;veis, com a gera&ccedil;&atilde;o de energia e&oacute;lica, solar, de biomassa e de pequenas hidrel&eacute;tricas, o que aumentaria sua participa&ccedil;&atilde;o em 20% da matriz energ&eacute;tica em 2020 e permitiria a cria&ccedil;&atilde;o de oito milh&otilde;es de novos empregos. Evitar a emiss&atilde;o de gases que causam o efeito estufa pode render R$ 5,6 bilh&otilde;es no mercado criado pelo Protocolo de Kyoto sobre mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, que obriga os pa&iacute;ses industrializados a reduzirem suas emiss&otilde;es, permitindo que cumpram parte de suas metas comprando os chamados \u201ccr&eacute;ditos de carbono\u201d de pa&iacute;ses em desenvolvimento.<\/p>\n<p>Mas o Estado discorda. &Eacute; \u201cuma utopia antidesenvolvimento\u201d essa id&eacute;ia de que pode haver crescimento econ&ocirc;mico \u201csem expans&atilde;o da oferta de energia el&eacute;trica\u201d, sem novas usinas geradoras, afirmou Mauricio Tolmasquin, presidente da estatal Empresa de Pesquisa Energ&eacute;tica (EPE) que orienta os planos do Minist&eacute;rio de Minas e Energia. Mais contundentes ainda s&atilde;o alguns l&iacute;deres empresariais e t&eacute;cnicos do setor, que prev&ecirc;em crise energ&eacute;tica dentro de tr&ecirc;s ou quatro anos se n&atilde;o foram constru&iacute;das rapidamente as centrais hidrel&eacute;tricas que est&atilde;o atrasadas por exig&ecirc;ncias ambientais, especialmente na Amaz&ocirc;nia.<\/p>\n<p>Para os ambientalistas, &eacute; um falso dilema a quest&atilde;o entre desenvolvimento e meio ambiente, pois se trata de tornar mais sustent&aacute;vel a pr&oacute;pria economia. Nisso coincidem especialistas como Jayme Buarque de Hollanda, diretor-geral do Instituto Nacional de Efici&ecirc;ncia Energ&eacute;tica (INEE), uma das organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais associadas ao estudo da WWF-Brasil. O informe sobre o Brasil faz parte de uma iniciativa da rede internacional de organiza&ccedil;&otilde;es WWF, que elabora propostas semelhantes em 16 pa&iacute;ses, em sua maioria industrializados, para reduzir as fontes energ&eacute;ticas mais contaminadoras.<\/p>\n<p>O cen&aacute;rio sustent&aacute;vel para o Brasil pode ter \u201calguns exageros\u201d, mas, em termos gerais \u201c&eacute; vi&aacute;vel a longo prazo\u201d, disse Buarque de Hollanda &agrave; IPS. A experi&ecirc;ncia da crise energ&eacute;tica de 2001 comprovou o desperd&iacute;cio e a possibilidade de reduzir muito o consumo, recordou. Em maio de 2001, o d&eacute;ficit de gera&ccedil;&atilde;o el&eacute;trica levou o governo a promover uma esp&eacute;cie de racionamento durante nove meses, pro meio de medidas combinadas de estimulo e puni&ccedil;&atilde;o para quem n&atilde;o cumprisse a meta de reduzir o consumo em 20%. A economia na &aacute;rea residencial superou esse objetivo.<\/p>\n<p>A campanha foi improvisada e seu sucesso se baseou em simples mudan&ccedil;as de h&aacute;bitos, medidas &oacute;bvias de sensatez, com renovar alguns equipamentos de refrigera&ccedil;&atilde;o. Um programa planejado, mais profundo, pode ter resultados melhores, disse o especialista. A respeito das alternativas, somente o melhor aproveitamento do baga&ccedil;o da cana-de-a&ccedil;&uacute;car poderia aumentar entre 10% e 15% a gera&ccedil;&atilde;o el&eacute;trica atual; trata-se de \u201cuma energia abandonada\u201d devido aos erros da pol&iacute;tica governamental sobre fontes renov&aacute;veis, afirmou Buarque de Hollanda.<\/p>\n<p>Outro equ&iacute;voco brasileiro, e tamb&eacute;m da vizinha Argentina, &eacute; o uso de g&aacute;s natural com combust&iacute;vel para autom&oacute;veis, que tem baix&iacute;ssima efici&ecirc;ncia porque s&oacute; aproveita 13% de sua energia total, criticou o especialista. Seu uso industrial em co-gera&ccedil;&atilde;o el&eacute;trica pode atingir 80% de energia &uacute;til, ressaltou. O informe realizado por especialistas em efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica, como os que se juntaram na IEI, &eacute; importante em seu aspecto \u201cprovocador\u201d para promover a discuss&atilde;o e uma reflex&atilde;o sobre esse tema crucial para o desenvolvimento e o clima mundial, afirmou Buarque de Hollanda. A iniciativa busca evitar que o Brasil, \u201cuma referencia nas negocia&ccedil;&otilde;es internacionais\u201d sobre mudan&ccedil;a clim&aacute;tica e no uso de muita \u201cenergia limpa\u201d, acentue a tend&ecirc;ncia de priorizar combust&iacute;veis f&oacute;sseis na diversifica&ccedil;&atilde;o de sua matriz energ&eacute;tica, explicou Denise Hamu, secret&aacute;ria-geral da WWF-Brasil. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 09\/10\/2006 &ndash; O consumo de energia no Brasil sempre cresceu a um ritmo mais acelerado do que o produto interno bruto, mas essa tend&ecirc;ncia deve e pode ser invertida em favor de um desenvolvimento sustent&aacute;vel, com grandes benef&iacute;cios, inclusive econ&ocirc;micos, asseguram especialistas. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/america-latina\/energia-brasil-consumo-eficiente-para-crescer\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":131,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,5,10],"tags":[],"class_list":["post-2142","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-energia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2142","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/131"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2142"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2142\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2142"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2142"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2142"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}