{"id":21431,"date":"2016-12-01T12:58:45","date_gmt":"2016-12-01T12:58:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=216794"},"modified":"2016-12-01T12:58:45","modified_gmt":"2016-12-01T12:58:45","slug":"fidel-castro-lider-num-tempo-de-guerras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/12\/ultimas-noticias\/fidel-castro-lider-num-tempo-de-guerras\/","title":{"rendered":"Fidel Castro, l\u00edder num tempo de guerras"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Por\u00a0Mario Osava, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Rio de Janeiro, Brasil, 1\/12\/2016 \u2013 Entre os muitos l\u00edderes que fizeram hist\u00f3ria no s\u00e9culo 20, Fidel Castro, falecido no dia 25 de novembro aos 90 anos, se destacou por levar Cuba a um protagonismo mundial inesperado para um pequeno pa\u00eds em uma era em que as armas eram chamadas para dirimir disputas nacionais e internacionais.<\/p>\n<p>A Guerra Fria impunha op\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e suas consequ\u00eancias b\u00e9licas. Ao escolher o comunismo como seu caminho, em 1961, dois anos depois do triunfo da revolu\u00e7\u00e3o, Cuba se converteu em um pe\u00e3o infiltrado no tabuleiro inimigo, com todos os riscos dessa posi\u00e7\u00e3o amea\u00e7adora e vulner\u00e1vel.<\/p>\n<p>Na Am\u00e9rica Latina, a op\u00e7\u00e3o generalizada pelo lado \u201cocidental e crist\u00e3o\u201d degenerou em ditaduras militares, quase todas anticomunistas e diretamente ligadas aos Estados Unidos, com algumas exce\u00e7\u00f5es, com a do governo progressista do general Juan Velasco Alvarado, no Peru (1968-1975).<\/p>\n<p>Proliferaram, no lado oposto, as guerrilhas apoiadas ou mesmo promovidas por Cuba, como a incurs\u00e3o comandada por Ernesto Che Guevara na Bol\u00edvia (1966-1967). A derrota militar desses movimentos foi a regra, embora n\u00e3o absoluta. Houve o triunfo dos sandinistas na Nicar\u00e1gua, em 1979, e na Col\u00f4mbia o conflito se prolongou at\u00e9 este ano, quando foi assinado um acordo de paz com a maior dessas guerrilhas, as For\u00e7as Armadas Revolucion\u00e1rias da Col\u00f4mbia (Farc).<\/p>\n<p>A conflagra\u00e7\u00e3o n\u00e3o se limitou a pa\u00edses latino-americanos. A guerra do Vietn\u00e3, com interven\u00e7\u00e3o norte-americana de 1964 a 1975, sacudiu o mundo. O triunfo dos comunistas evitou que outro pa\u00eds se mantivesse dividido entre Norte e Sul, como ocorreu com a Coreia, ou entre Leste e Oeste, no caso da Alemanha.<\/p>\n<p>Na \u00c1frica, a descoloniza\u00e7\u00e3o de alguns pa\u00edses custou rios de sangue. A Arg\u00e9lia, por exemplo, ficou independente da Fran\u00e7a em 1962 ap\u00f3s uma guerra que deixou 1,5 milh\u00e3o de mortos, segundo os argelinos, e pouco mais de um ter\u00e7o desse valor, segundo os franceses.<\/p>\n<p>Nesse contexto, Castro liderou uma gest\u00e3o que fez de Cuba um fen\u00f4meno de proje\u00e7\u00e3o e influ\u00eancia internacionais desproporcionais em rela\u00e7\u00e3o ao pa\u00eds de menos de dez milh\u00f5es de habitantes at\u00e9 1980, e de 11,2 milh\u00f5es atualmente.<\/p>\n<p>Fomentou e treinou guerrilhas que desafiaram governos e for\u00e7as armadas em v\u00e1rios pa\u00edses latino-americanos n\u00e3o apenas materialmente. Foi para muitos uma alternativa de comunismo mais aut\u00eantico, em contraposi\u00e7\u00e3o ao sovi\u00e9tico, considerado burocr\u00e1tico, baseado na repress\u00e3o inclusive de outros povos e j\u00e1 sem combust\u00edvel revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>A defesa do est\u00edmulo moral, a igualdade social, a prioridade absoluta \u00e0 inf\u00e2ncia, os avan\u00e7os em educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade, e na solidariedade com os povos oprimidos ou golpeados por trag\u00e9dias em qualquer parte do mundo, s\u00e3o componentes sedutores do comunismo \u00e0 cubana, apesar de sua natureza ditatorial. N\u00e3o era democracia, um valor n\u00e3o muito respeitado d\u00e9cadas atr\u00e1s, nem mesmo pelos propagandistas da liberdade no Ocidente, que tamb\u00e9m disseminaram ou se associaram a ditaduras.<\/p>\n<p>Os militares e m\u00e9dicos cubanos se multiplicaram em pa\u00edses africanos e latino-americanos, em campanhas de apoio e assist\u00eancia, e inclusive, em algumas ocasi\u00f5es, de a\u00e7\u00e3o protagonista. A a\u00e7\u00e3o externa de maior impacto ocorreu em Angola, onde a ajuda militar cubana foi decisiva para garantir a independ\u00eancia desse pa\u00eds africano, ao bloquear o avan\u00e7o das for\u00e7as sul-africanas, que chegaram muito perto de Luanda na tentativa de impedir o nascimento da nova na\u00e7\u00e3o, no dia 11 de novembro de 1975.<\/p>\n<p>Durante d\u00e9cadas, militares cubanos estiveram naquele pa\u00eds capacitando colegas angolanos e refor\u00e7ando a defesa nacional, bem como com m\u00e9dicos e professores que formaram uma nova gera\u00e7\u00e3o de estudantes locais. A opera\u00e7\u00e3o em Angola comprova que Cuba foi mais do que um simples pe\u00e3o da hoje extinta Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica.<\/p>\n<p>No dia 17 de maio de 1977, aconteceu uma tentativa de golpe de Estado por uma fra\u00e7\u00e3o do governante Movimento Popular de Liberta\u00e7\u00e3o de Angola, liderada por Nito Alves. Leais ao ent\u00e3o presidente Agostinho Neto, os cubanos ajudaram a frustrar o golpe e recuperaram para o governo a principal emissora de r\u00e1dio do pa\u00eds, em Luanda, ocupada pelos rebeldes. P\u00f4de-se ouvir uma voz cubana comunicando o sucesso da a\u00e7\u00e3o, pelo microfone da pr\u00f3pria r\u00e1dio.<\/p>\n<p>Os sovi\u00e9ticos estavam ao lado dos golpistas, segundo os governantes angolanos daquela \u00e9poca. Diplomatas de Moscou foram expulsos do pa\u00eds, bem como militares vinculados ao Partido Comunista Portugu\u00eas. Pior sorte tiveram os chamados \u201cfracionistas\u201d, acusados de participarem da rebeli\u00e3o, que foram fuzilados em uma quantidade at\u00e9 hoje ignorada.<\/p>\n<p>Ultimamente, s\u00e3o milhares de m\u00e9dicos que divulgam uma imagem humana de Cuba na Am\u00e9rica Latina, depois de se fazerem presentes em muitos pa\u00edses africanos. Dezenas de milhares deles passaram pela Venezuela bolivariana. No Brasil, h\u00e1 mais de 11 mil m\u00e9dicos cubanos, distribu\u00eddos pelo interior do pa\u00eds desde 2013.<\/p>\n<div id=\"attachment_216795\" style=\"width: 570px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img class=\"wp-image-216795\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Cuba-2.jpg\" alt=\" Centenas de milhares de cubanos participaram, na noite do dia 29, na Pra\u00e7a da Revolu\u00e7\u00e3o, em Havana, do grande ato oficial das honras f\u00fanebres em homenagem a Fidel Castro, com participa\u00e7\u00e3o de governantes de pa\u00edses de todos os continentes. Foto: Jorge Luis Ba\u00f1os\/IPS\" width=\"560\" height=\"374\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Cuba-2.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Cuba-2-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Cuba-2-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 560px) 100vw, 560px\" \/><p class=\"wp-caption-text\"><br \/> Centenas de milhares de cubanos participaram, na noite do dia 29, na Pra\u00e7a da Revolu\u00e7\u00e3o, em Havana, do grande ato oficial das honras f\u00fanebres em homenagem a Fidel Castro, com participa\u00e7\u00e3o de governantes de pa\u00edses de todos os continentes. Foto: Jorge Luis Ba\u00f1os\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o cubana e suas fa\u00e7anhas se confundem com a figura de Fidel Castro, cuja lideran\u00e7a era t\u00e3o dominadora que provavelmente n\u00e3o necessitaria das regras de seu regime pol\u00edtico para afirmar permanentemente seu poder e sua autoridade sobre todas as atividades em Cuba. \u201cPara que elei\u00e7\u00f5es?\u201d, costumavam perguntar muitos cubanos em forma de argumento, em resposta \u00e0s frequentes cr\u00edticas \u00e0 dura\u00e7\u00e3o excessiva do governo castrista, sem passar pelo crivo eleitoral.<\/p>\n<p>A impress\u00e3o \u00e9 que sua lideran\u00e7a era excessiva, ultrapassava os limites da ilha. A capacidade de a\u00e7\u00e3o se refletia nas reuni\u00f5es de trabalho feitas durante a madrugada, bem como em di\u00e1logos com visitantes. Seus discursos, que duravam muitas horas, ele levou ao exterior, quando visitou pa\u00edses governados por amigos, como o Chile presidido em 1971 pelo socialista Salvador Allende (1970-1973), e Angola, de Agostinho Neto, em 1977.<\/p>\n<p>\u201cEles n\u00e3o t\u00eam um Fidel\u201d, diziam os cubanos em Angola para criticar e justificar erros do governo local, lamentando a falta de um l\u00edder t\u00e3o infal\u00edvel como o seu no pa\u00eds cujo desenvolvimento tentavam apoiar. Como produto e sujeito de um tempo marcado pela Guerra Fria, Castro parece destinado \u00e0 controv\u00e9rsia, como figura hist\u00f3rica louvada por uns e condenada como d\u00e9spota por outros. Mas seu legado pol\u00edtico tende a se dissipar se o comunismo n\u00e3o se conciliar com a democracia. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/opiniao\/fidel-castro-lider-num-tempo-de-guerras\/\">Fidel Castro, l\u00edder num tempo de guerras<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/\">Envolverde<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Mario Osava, da IPS &ndash;&nbsp; Rio de Janeiro, Brasil, 1\/12\/2016 &ndash; Entre os muitos l&iacute;deres que fizeram hist&oacute;ria no s&eacute;culo 20, Fidel Castro, falecido no dia 25 de novembro aos 90 anos, se destacou por levar Cuba a um protagonismo mundial inesperado para um pequeno pa&iacute;s em uma era em que as armas eram chamadas [&hellip;]<\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/opiniao\/fidel-castro-lider-num-tempo-de-guerras\/\">Fidel Castro, l&iacute;der num tempo de guerras<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/\">Envolverde<\/a>.<\/p>\n<p> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/12\/ultimas-noticias\/fidel-castro-lider-num-tempo-de-guerras\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":131,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[13,1],"tags":[2843,2830,1054,2664,3179,3043,1010],"class_list":["post-21431","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-colunistas","category-ultimas-noticias","tag-1-opiniao","tag-1-1-canais","tag-cuba","tag-fidel-castro","tag-mario-osava","tag-mundo-inter-press-service","tag-sociedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21431","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/131"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21431"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21431\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21432,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21431\/revisions\/21432"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21431"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21431"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21431"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}