{"id":21437,"date":"2016-11-30T12:31:10","date_gmt":"2016-11-30T12:31:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=216810"},"modified":"2016-11-30T12:31:10","modified_gmt":"2016-11-30T12:31:10","slug":"meninas-trocam-sexo-por-pescado-e-dinheiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/11\/ultimas-noticias\/meninas-trocam-sexo-por-pescado-e-dinheiro\/","title":{"rendered":"Meninas trocam sexo por pescado e dinheiro"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Por\u00a0Diana Wanyonyi, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Kwale, Qu\u00eania, 30\/11\/2016 \u2013 Hafsa Juma \u00e9 uma das muitas adolescentes que vendem seus corpos por um pouco de pescado e algumas moedas na praia de Gasi, \u00e0s margens do Oceano \u00cdndico, no Qu\u00eania. Com 15 anos, ela \u00e9 a mais velha de tr\u00eas irm\u00e3os e quem sustenta a fam\u00edlia. Vestida com o tradicional <em>dera<\/em>, vestido na l\u00edngua swahili, e um len\u00e7o no cabelo, est\u00e1 sentada do lado de fora da casa onde vive no condado de Kwale, sobre um tapete e debaixo de um sol abrasador.<\/p>\n<p>H\u00e1 mais de uma semana que tem febre e dor de cabe\u00e7a e espera que o sol alivie os arrepios, j\u00e1 que seus pais est\u00e3o desempregados e s\u00e3o muito pobres para poderem pagar um m\u00e9dico. Juma contou como eles, especialmente sua m\u00e3e, a obrigam a conseguir alimentos oferecendo favores sexuais aos pescadores.<\/p>\n<p>\u201cMeus pais n\u00e3o est\u00e3o bem e por isso n\u00e3o tem comida em casa, e eu tenho que buscar algo pequeno para levar. Por isso saio \u00e0s oito da noite e volto \u00e0 meia-noite. Tenho um cliente por noite. Quando aceita minhas condi\u00e7\u00f5es, me paga com 200 chelines (cerca de US$ 2) e meio quilo de pescado\u201d, contou, evitando o contato visual, essa jovem que terminou apenas a escola prim\u00e1ria, em 2014.<\/p>\n<p>\u201cEm geral vou \u00e0 praia de Gasi quase todos os dias\u201d, afirmou Juma, que contou ter come\u00e7ado com o trabalho sexual h\u00e1 dois anos \u201cEm um m\u00eas, se trabalho bem, consigo cinco mil chelines quenianos (aproximadamente US$ 50), e n\u00e3o tenho problemas com isso\u201d, afirmou. Sua conversa com a IPS foi interrompida pela chegada de um barco verde, com os pescadores que trazem a captura da noite, e mulheres, homens e crian\u00e7as se aproximam com cestas para comprar peixe fresco.<\/p>\n<p>A maioria dos clientes de Juma \u00e9 de pescadores da vizinha Tanz\u00e2nia, que chegam a Gasi uma vez por ano durante a temporada das mon\u00e7\u00f5es e ficam por tr\u00eas meses, de dezembro a mar\u00e7o, para pescar e vender o que capturam. Quando v\u00e3o embora, seus clientes mudam e costumam ser motociclistas que transportam passageiros, aqui conhecidos como <em>bodaboda<\/em>.<\/p>\n<p>\u201cQuando quero me afastar de casa e ir para qualquer lugar, subo em uma motocicleta. Quando estou para chegar ao meu destino, o motociclista concorda em trocar sexo por dinheiro. Me d\u00e1 100 chelines, e fa\u00e7o o mesmo com diferentes <em>bodaboda<\/em> para regressar\u201d, contou Juma.<\/p>\n<p>A esse respeito, o vice-presidente da Unidade de Administra\u00e7\u00e3o da Praia Gasi, Iddi Abdulrahman Juma, disse que v\u00ea \u201ccerca de dez meninas que v\u00eam \u00e0 praia comprar pescado, o que tamb\u00e9m \u00e9 perigoso. Algumas delas j\u00e1 est\u00e3o gr\u00e1vidas e outras infectadas com doen\u00e7as mortais\u201d. Ele tamb\u00e9m responsabilizou os pais por encarreg\u00e1-las dessa tarefa e colocar as meninas em situa\u00e7\u00f5es de vulnerabilidade.<\/p>\n<p>\u201cA idade das meninas envolvidas na explora\u00e7\u00e3o sexual comercial \u00e9 de 12 a 17 anos\u201d, acrescentou o funcion\u00e1rio, que realiza uma capacita\u00e7\u00e3o com a organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental Scope (Fortalecendo o Empoderamento e a Associa\u00e7\u00e3o Comunit\u00e1ria), voltada \u00e0 luta contra esse problema social.<\/p>\n<div id=\"attachment_216811\" style=\"width: 570px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img class=\"wp-image-216811\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/kenia-629x354.jpg\" alt=\"Na praia de Gasi, \u00e0s margens do Oceano \u00cdndico, no Qu\u00eania, as pessoas esperam a chegada dos pescadores para comprar peixe fresco. Foto: Diana Wanyonyi\/IPS\" width=\"560\" height=\"315\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/kenia-629x354.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/kenia-629x354-300x169.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 560px) 100vw, 560px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Na praia de Gasi, \u00e0s margens do Oceano \u00cdndico, no Qu\u00eania, as pessoas esperam a chegada dos pescadores para comprar peixe fresco. Foto: Diana Wanyonyi\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A 20 quil\u00f4metros dali, na zona de Karanja, tamb\u00e9m no condado de Kwale, Asumpta Pendo, de 14 anos, varre uma cho\u00e7a, que \u00e9 um <em>mangwe<\/em>, segundo contou, um lugar onde se vende um tradicional vinho de palma conhecido como <em>mnazi<\/em>. Ela tamb\u00e9m \u00e9 trabalhadora sexual para levar comida \u00e0 mesa da fam\u00edlia e deve suportar clientes que frequentemente est\u00e3o b\u00eabados. Sua m\u00e3e tamb\u00e9m a obriga a vender <em>mnazi<\/em>.<\/p>\n<p>\u201cParei de estudar no s\u00e9timo ano, porque minha m\u00e3e n\u00e3o podia me mandar \u00e0 escola e \u00e9ramos pobres. A vida \u00e9 dura. A maioria dos meus clientes \u00e9 de tomadores de vinho de palma. Em um dia, costumo ter um ou dois. Alguns preferem usar camisinha, mas outros se negam. Costumam me dar entre US$ 1 e US$ 12 pela noite\u201d, explicou a jovem. \u201cSe n\u00e3o quero vender<em> mnazi<\/em> aos clientes aqui em casa, minha m\u00e3e me bate e at\u00e9 se nega a me dar comida. Por mais que n\u00e3o goste do que fa\u00e7o, tenho que fazer porque precisamos sobreviver\u201d, contou, resignada.<\/p>\n<p>Um estudo realizado em 2009 pela rede End Child Prostitution (Acabar com a Prostitui\u00e7\u00e3o Infantil), que re\u00fane v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, concluiu que entre 10 mil e 15 mil meninas das zonas costeiras do Qu\u00eania participavam do turismo sexual. Al\u00e9m disso, a Scope se associou \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o holandesa Terre des Hommes (TDH) para implantar um programa que acabe com a explora\u00e7\u00e3o sexual infantil em tr\u00eas \u00e1reas: Matunga, Msambweni e Lunga Lunga. A iniciativa contempla conscientizar a comunidade e chamar a popula\u00e7\u00e3o local para erguer suas vozes contra esse abuso.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 grave nesse condado, popular por suas praias limpas e arenosas, pontuou Emanuel Kahaso, coordenador do programa da Scope para acabar com o com\u00e9rcio sexual. \u201cEm 2006, segundo o Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef), havia 50 mil menores v\u00edtimas de explora\u00e7\u00e3o sexual e 30 mil que vendiam seus corpos nas zonas costeiras\u201d, detalhou.<\/p>\n<p>\u201cNossa organiza\u00e7\u00e3o encontrou mais de 15 mil meninas que participam do turismo sexual na faixa costeira do sul do Qu\u00eania\u201d, observou o coordenador. E explicou que, \u201cdevido \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es e aos tabus, os pais n\u00e3o falam abertamente com seus filhos sobre sa\u00fade reprodutiva e, por esses mesmos tabus, os respons\u00e1veis n\u00e3o s\u00e3o presos\u201d.<\/p>\n<p>Alguns lugares especiais, onde s\u00e3o consumidas drogas, clubes noturnos e discotecas, bem como os <em>bodaboda<\/em>, atraem as menores para o trabalho sexual. Numerosas fontes coincidem em afirmar que os pais iniciam suas filhas no turismo sexual e na prostitui\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de obrig\u00e1-las a se casar precocemente.<\/p>\n<p>\u201cO problema se exacerba por quest\u00f5es culturais, tradicionais e tribais impregnadas de preconceitos de g\u00eanero, que favorecem a explora\u00e7\u00e3o sexual de menores. O analfabetismo \u00e9 alto, s\u00e3o muitos os problemas econ\u00f4micos e raramente s\u00e3o cumpridas as leis que protegem a inf\u00e2ncia\u201d, lamentou Kahaso.<\/p>\n<p>No hospital de refer\u00eancia de Msambweni, Saumu Ramwendo, da Scope, ajuda e informar as meninas e as adolescentes sobre quest\u00f5es de sa\u00fade sexual e explora\u00e7\u00e3o sexual. A organiza\u00e7\u00e3o trabalha com cerca de 360 v\u00edtimas e com outras 500 que est\u00e3o em risco. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/1-1-canais\/meninas-trocam-sexo-por-pescado-e-dinheiro\/\">Meninas trocam sexo por pescado e dinheiro<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/\">Envolverde<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Diana Wanyonyi, da IPS &ndash;&nbsp; Kwale, Qu&ecirc;nia, 30\/11\/2016 &ndash; Hafsa Juma &eacute; uma das muitas adolescentes que vendem seus corpos por um pouco de pescado e algumas moedas na praia de Gasi, &agrave;s margens do Oceano &Iacute;ndico, no Qu&ecirc;nia. Com 15 anos, ela &eacute; a mais velha de tr&ecirc;s irm&atilde;os e quem sustenta a fam&iacute;lia. 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