{"id":21445,"date":"2016-11-29T17:16:59","date_gmt":"2016-11-29T17:16:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=216800"},"modified":"2016-11-29T17:16:59","modified_gmt":"2016-11-29T17:16:59","slug":"dissidentes-e-denunciantes-sob-pressao-na-australia-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/11\/ultimas-noticias\/dissidentes-e-denunciantes-sob-pressao-na-australia-2\/","title":{"rendered":"Dissidentes e denunciantes sob press\u00e3o na Austr\u00e1lia"},"content":{"rendered":"<p><em>Por\u00a0Stephen de Tarczynski, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Melbourne, Austr\u00e1lia 29\/11\/2016 \u2013 O v\u00ednculo da australiana Samantha Castro com a organiza\u00e7\u00e3o de m\u00eddia sem fins lucrativos Wikileaks lhe causou problemas com a Pol\u00edcia Federal Australiana. Ela acredita que os policiais tamb\u00e9m invadiram sua conta de e-mail e seu computador, al\u00e9m de apagar os contatos de seu telefone.<\/p>\n<p>\u201cInvestem todo esse tempo e esfor\u00e7o para me perturbar psicologicamente com a esperan\u00e7a de que deixe de fazer o que estou fazendo\u201d, afirmou Samantha, uma coordenadora de opera\u00e7\u00f5es da organiza\u00e7\u00e3o Amigos da Terra que em 2010 foi cofundadora da Alian\u00e7a de Cidad\u00e3os Australianos da Wikileaks, atualmente conhecida como Alian\u00e7a de Denunciantes, Ativistas e Cidad\u00e3os (Waca).<\/p>\n<p>A Wikileaks divulga documentos e arquivos oficiais e censurados relacionados com guerra, espionagem e corrup\u00e7\u00e3o. Apesar de ter ganho v\u00e1rios pr\u00eamios destinados \u00e0 liberdade dos meios de comunica\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m provocou a ira de diferentes governos, incluindo o da Austr\u00e1lia.<\/p>\n<p>A ativista explicou que trabalhar com o fundador da Wikileaks, o australiano Julian Assange (que permanece refugiado desde 2012 na embaixada do Equador em Londres, a fim de evitar sua extradi\u00e7\u00e3o para os Estados Unidos), chamou a aten\u00e7\u00e3o das autoridades sobre ela.<\/p>\n<p>Samantha acredita que foi seu v\u00ednculo com a organiza\u00e7\u00e3o de Assange que provocou a invas\u00e3o de sua casa em 2014, a\u00e7\u00e3o que atribui \u00e0 pol\u00edcia. \u201cA raz\u00e3o foi a informa\u00e7\u00e3o e o conhecimento (que tinha) quando estava com a Wikileaks\u201d, disse \u00e0 IPS. Embora n\u00e3o faltasse nada da casa, suas chaves estavam alinhadas na mesa da cozinha junto a um telefone que havia sido aberto. Samantha considerou o caso como um ind\u00edcio de que estava sendo vigiada, mas n\u00e3o denunciou o caso \u00e0s autoridades policiais.<\/p>\n<p>\u201cSoube imediatamente. Foi um sinal muito claro de que queriam que eu soubesse que sabiam\u201d, destacou a ativista, acrescentando que passou \u201cmuito tempo\u201d procurando por microfones em sua casa. Embora a pol\u00edcia n\u00e3o fa\u00e7a coment\u00e1rios sobre suas opera\u00e7\u00f5es em curso, \u00e9 necess\u00e1ria uma ordem judicial para vigiar uma pessoa. A IPS entende que tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1ria a aprova\u00e7\u00e3o de um juiz para entrar em uma resid\u00eancia e colocar de maneira encoberta um aparelho de escuta.<\/p>\n<p>\u201cSenti a ira do estado de vigil\u00e2ncia desde que fundamos a Waca\u201d, contou Samantha. N\u00e3o s\u00f3 os ativistas de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais como a Waca se sentem pressionados. Existe a sensa\u00e7\u00e3o de que est\u00e1 diminuindo o espa\u00e7o para que a sociedade civil em geral expresse sua discord\u00e2ncia ou denuncie abusos. Aqueles que o fazem se arriscam ao vilip\u00eandio p\u00fablico, \u00e0 perda econ\u00f4mica e \u00e0 pris\u00e3o.<\/p>\n<p>Em sua visita \u00e0 Austr\u00e1lia, em outubro, o relator especial da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), Michel Forst, expressou sua surpresa diante da situa\u00e7\u00e3o. \u201cMe assusta ver a crescente evid\u00eancia de uma s\u00e9rie de medidas cumulativas que geram simultaneamente uma enorme press\u00e3o sobre a sociedade civil australiana\u201d, disse naquela oportunidade.<\/p>\n<div id=\"attachment_216801\" style=\"width: 570px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img class=\"wp-image-216801\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/internet.jpg\" alt=\" Sob as leis de seguran\u00e7a nacional da Austr\u00e1lia, as empresas de telecomunica\u00e7\u00f5es devem guardar os metadados dos australianos durante dois anos. Foto: Stephen de Tarczynski\/IPS\" width=\"560\" height=\"394\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/internet.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/internet-300x211.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 560px) 100vw, 560px\" \/><p class=\"wp-caption-text\"><br \/> Sob as leis de seguran\u00e7a nacional da Austr\u00e1lia, as empresas de telecomunica\u00e7\u00f5es devem guardar os metadados dos australianos durante dois anos. Foto: Stephen de Tarczynski\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Entre as quest\u00f5es \u00e0s quais se referiu, destacam-se a retirada de fundos de organiza\u00e7\u00f5es ambientais e ind\u00edgenas e as leis contra os protestos e a favor do segredo, \u201cparticularmente nas \u00e1reas de imigra\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a nacional\u201d. Em 2015, o procurador-geral George Brandis qualificou os ambientalistas que recorrem \u00e0s a\u00e7\u00f5es legais para promover sua causa de \u201cativistas verdes radicais que se envolvem em demandas para paralisar importantes projetos econ\u00f4micos\u201d.<\/p>\n<p>O Estado da Tasm\u00e2nia, segundo Forst, \u201cpriorizou os interesses empresariais e governamentais sobre os direitos democr\u00e1ticos dos indiv\u00edduos protestarem pacificamente\u201d. Do mesmo modo, uma lei aprovada em mar\u00e7o no Estado de Nova Gales do Sul prev\u00ea que os manifestantes correm risco de passarem at\u00e9 sete anos na pris\u00e3o por interferir com atividades de minera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 pouco mais de um ano foram aprovadas leis de reten\u00e7\u00e3o da dados, supostamente por raz\u00f5es de seguran\u00e7a nacional, que obrigam as empresas provedoras de servi\u00e7os a guardarem os metadados das atividades de telecomunica\u00e7\u00f5es realizadas pelos australianos durante dois anos. Vinte e um organismos estatais podem ter acesso aos dados e solicitar uma ordem de informa\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica para identificar a fonte confidencial de um rep\u00f3rter.<\/p>\n<p>Paul Murphy, diretor-geral da Alian\u00e7a de Meios de Comunica\u00e7\u00e3o, Artes e Entretenimento, um sindicato de jornalistas, diz que a \u00e9tica da profiss\u00e3o requer que esses profissionais protejam a identidade de suas fontes. \u201cOs jornalistas devem trabalhar de maneira mais inteligente para garantir que as pessoas corajosas possam contar suas hist\u00f3rias com confian\u00e7a e o jornalismo de interesse p\u00fablico continue desempenhando seu papel vital em uma democracia sadia e funcional\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Tampouco se salvaram aqueles em cargos superiores. A professora Gillian Triggs, presidente da independente Comiss\u00e3o de Direitos Humanos da Austr\u00e1lia, recebeu cr\u00edticas de v\u00e1rios ministros do governo desde a publica\u00e7\u00e3o, em 2015, de seu informe sobre a sa\u00fade mental e f\u00edsica de crian\u00e7as detidas.<\/p>\n<p>O ent\u00e3o primeiro-ministro, Tony Abbott, declarou que o documento tinha motiva\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e que a comiss\u00e3o \u201cdeveria estar envergonhada de si mesma\u201d, enquanto o ministro da Imigra\u00e7\u00e3o, Peter Dutton, afirmou que grande parte do conte\u00fado era \u201cobsoleto ou question\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p>Em outubro, outro ministro exortou Triggs a \u201cse manter fora da pol\u00edtica e apegar-se aos direitos humanos\u201d, enquanto o atual primeiro-ministro, Malcolm Turnbull, confirmou, no dia 16 deste m\u00eas, que o contrato da professora n\u00e3o ser\u00e1 renovado quando terminar, em meados do pr\u00f3ximo ano.<\/p>\n<p>Apesar de tudo, Triggs se defendeu, um fato que o professor e ativista Brian Martin considera que pode inspirar outros \u201cque queiram resistir\u201d. Mas tamb\u00e9m tem uma contraparte: \u201cpode-se dizer que os ataques claros, como aquele contra Triggs, s\u00e3o uma advert\u00eancia aos demais para que tenham mais cuidado\u201d, pontuou. Em 2015 tamb\u00e9m foi aplicada a pol\u00eamica Lei da For\u00e7a Fronteiri\u00e7a, que Forst descreve como \u201csufocante\u201d.<\/p>\n<p>Em junho foi cancelado o contrato com um psic\u00f3logo com grande experi\u00eancia nos centros de processamento de imigra\u00e7\u00e3o extraterritoriais da ilha Manus, em Papua-Nova Guin\u00e9, e de Nauru, depois que falou sobre as atrozes condi\u00e7\u00f5es nos acampamentos destinados aos solicitantes de asilo. As disposi\u00e7\u00f5es da lei em mat\u00e9ria de confidencialidade preveem pena de pris\u00e3o de dois anos para o funcion\u00e1rio de imigra\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o fronteiri\u00e7a que divulgar \u201cinforma\u00e7\u00e3o protegida\u201d, obtida no transcurso de seu emprego. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/1-1-canais\/dissidentes-e-denunciantes-sob-pressao-na-australia\/\">Dissidentes e denunciantes sob press\u00e3o na Austr\u00e1lia<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/\">Envolverde<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Stephen de Tarczynski, da IPS &ndash;&nbsp; Melbourne, Austr&aacute;lia 29\/11\/2016 &ndash; O v&iacute;nculo da australiana Samantha Castro com a organiza&ccedil;&atilde;o de m&iacute;dia sem fins lucrativos Wikileaks lhe causou problemas com a Pol&iacute;cia Federal Australiana. Ela acredita que os policiais tamb&eacute;m invadiram sua conta de e-mail e seu computador, al&eacute;m de apagar os contatos de seu telefone. 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