{"id":21450,"date":"2016-12-02T12:21:07","date_gmt":"2016-12-02T12:21:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=216860"},"modified":"2016-12-02T12:21:07","modified_gmt":"2016-12-02T12:21:07","slug":"rohinyas-desamparados-entre-birmania-e-bangladesh","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/12\/ultimas-noticias\/rohinyas-desamparados-entre-birmania-e-bangladesh\/","title":{"rendered":"Rohiny\u00e1s desamparados entre Birm\u00e2nia e Bangladesh"},"content":{"rendered":"<p><em>Por\u00a0Mahfuzur Rahman, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Daca, Bangladesh, 2\/12\/2016 \u2013 A crescente persegui\u00e7\u00e3o do ex\u00e9rcito de Myanmar (Birm\u00e2nia) contra os rohiny\u00e1s mu\u00e7ulmanos obrigou milhares deles a fugirem do Estado de Rak\u00e1in, que acabaram perdidos na fronteira com Bangladesh, desamparados e sem suprimentos b\u00e1sicos. Ap\u00f3s um ataque coordenado contra tr\u00eas postos fronteiri\u00e7os no dia 9 de outubro, quando morreram nove efetivos, o ex\u00e9rcito da Birm\u00e2nia atacou os povoados onde reside a comunidade rohiny\u00e1 e expulsou seus residentes.<\/p>\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o Nacional Rohiny\u00e1 de Arakan (denomina\u00e7\u00e3o anterior do Estado de Rak\u00e1in), com sede em Londres, denunciou, em 29 de novembro, que as for\u00e7as de seguran\u00e7a da Birm\u00e2nia haviam matado mais de 500 pessoas, violado centenas de mulheres, queimado mais de 2.500 casas, destru\u00eddo mesquitas e escolas religiosas, entre outros abusos.<\/p>\n<p>O Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Refugiados (Acnur), Anistia Internacional e a Human Rights Watch (HRW), entre outras organiza\u00e7\u00f5es, expressaram preocupa\u00e7\u00e3o pela viol\u00eancia na Birm\u00e2nia e qualificaram a \u00faltima incurs\u00e3o como a mais grave desde 2012, quando morreram centenas de pessoas nos enfrentamentos ocorridos em Rak\u00e1in.<\/p>\n<p>A \u00faltima opera\u00e7\u00e3o deixou cerca de 250 mil pessoas deslocadas e afetou outros milhares. Mas o governo birman\u00eas e o ex\u00e9rcito negam as acusa\u00e7\u00f5es das organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos e da minoria deslocada. Por sua vez, o vizinho Bangladesh nega a entrada aos rohiny\u00e1s, alegando que j\u00e1 recebeu 300 mil deles desde 1977. O governo afirma que n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico que deve ser respons\u00e1vel pela situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cProcuramos administrar com efici\u00eancia nossa fronteira para que n\u00e3o haja intrus\u00f5es ilegais e evitar a entrada de homens armados e terroristas\u201d, declarou, no dia 20 de novembro, o diretor-geral da Guarda Fronteiri\u00e7a de Bangladesh, Abul Hossain. A crise dos rohiny\u00e1s \u00e9 um problema internacional e a aten\u00e7\u00e3o a tantas pessoas j\u00e1 se tornou um problema para seu pa\u00eds, acrescentou.<\/p>\n<p>As autoridades birmanesas negam a cidadania aos rohiny\u00e1s, apesar de viverem nesse pa\u00eds, de maioria budista, h\u00e1 v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es, por consider\u00e1-los imigrantes ilegais. No dia 24 de novembro, a Anistia Internacional denunciou que numerosos rohiny\u00e1s tiveram que se esconder cruzando o rio Na\u2019f, que separa Birm\u00e2nia e Bangladesh, onde ficaram em uma situa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria, sem alimentos, nem medicamentos.<\/p>\n<p>O ministro do Interior de Bangladesh, Asaduzzaman Jan, apontou que muitos rohiny\u00e1s entram neste pa\u00eds pela montanha, o que torna dif\u00edcil conter sua chegada. \u201cEsperamos que o governo de Myanmar encontre logo uma solu\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou. Por sua vez, o Acnur pediu ao governo bengali que mantenha aberta a fronteira com a Birm\u00e2nia, para permitir a passagem segura dos civis que fogem da viol\u00eancia.<\/p>\n<p>A Comiss\u00e3o de Direitos Humanos de Bangladesh informou que nove mil rohiny\u00e1s entraram no pa\u00eds levados por traficantes de pessoas, apesar de as autoridades refor\u00e7arem a guarda costeira e de fronteira desde a escalada da viol\u00eancia na Birm\u00e2nia, e que devolveram muitas pessoas. Al\u00e9m disso, cerca de tr\u00eas mil pessoas teriam fugido para a China.<\/p>\n<p>O jornal bengali <em>Prothom Alo<\/em> informou que 1.100 rohiny\u00e1s entraram em Bangladesh no dia 28 de novembro, depois que o ex\u00e9rcito birman\u00eas queimou suas casas e fez disparos indiscriminados. No contexto da press\u00e3o internacional que essa situa\u00e7\u00e3o gera, a chancelaria de Bangladesh chamou para consulta seu embaixador na Birm\u00e2nia, no dia 23 de novembro, e expressou enorme preocupa\u00e7\u00e3o pela opera\u00e7\u00e3o militar que obriga os rohiny\u00e1s mu\u00e7ulmanos a buscarem amparo em seu pa\u00eds.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m pediu \u00e0 Birm\u00e2nia que \u201cgaranta a integridade de suas fronteiras e detenha o fluxo de pessoas do Estado de Rak\u00e1in. Apesar dos esfor\u00e7os de nossa guarda de fronteira, milhares de cidad\u00e3os birmaneses desamparados, entre eles mulheres, crian\u00e7as e idosos, continuam cruzando a fronteira para Bangladesh\u201d.<\/p>\n<p>O governo bengali n\u00e3o est\u00e1 disposto a aceitar mais rohiny\u00e1s, mas o Partido Nacionalista de Bangladesh (BNP), um dos maiores, pediu urg\u00eancia na oferta de ref\u00fagio aos deslocados por raz\u00f5es humanit\u00e1rias. A ex-primeiro-ministro e presidente do BNP, Jaleda Zia, afirmou que \u201cmuitos refugiados rohiny\u00e1s h\u00e1 tempos est\u00e3o em nosso pa\u00eds, densamente povoado e com cada vez menos terras habit\u00e1veis, o que nos causa problemas sociais. Mas pe\u00e7o \u00e0s autoridades que deem ref\u00fagio por raz\u00f5es humanit\u00e1rias para salvar suas vidas\u201d.<\/p>\n<div id=\"attachment_216861\" style=\"width: 570px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img class=\"wp-image-216861\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/rohinya-629x420.jpg\" alt=\"Um grupo de refugiados \u00e9 devolvido pela guarda fronteiri\u00e7a de Bangladesh em 2012. A viol\u00eancia contra o rohiny\u00e1s mu\u00e7ulmanos na Birm\u00e2nia j\u00e1 tem v\u00e1rios anos. Foto: Anurup Titu\/IPS\" width=\"560\" height=\"374\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/rohinya-629x420.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/rohinya-629x420-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/rohinya-629x420-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 560px) 100vw, 560px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Um grupo de refugiados \u00e9 devolvido pela guarda fronteiri\u00e7a de Bangladesh em 2012. A viol\u00eancia contra o rohiny\u00e1s mu\u00e7ulmanos na Birm\u00e2nia j\u00e1 tem v\u00e1rios anos. Foto: Anurup Titu\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por sua vez, a diretora da Anistia para a \u00c1sia Meridional, Champa Patel, denunciou que \u201cos rohiny\u00e1s est\u00e3o oprimidos por essas cru\u00e9is a\u00e7\u00f5es, tanto da Birm\u00e2nia quanto de Bangladesh. Fogem do castigo coletivo na Birm\u00e2nia e s\u00e3o devolvidos pelas autoridades de Daca. Est\u00e3o presos entre dois destinos cru\u00e9is sem que ningu\u00e9m atenda sua desesperada necessidade de alimentos, \u00e1gua e aten\u00e7\u00e3o m\u00e9dica\u201d.<\/p>\n<p>A persegui\u00e7\u00e3o aos rohiny\u00e1s mu\u00e7ulmanos fez com que milhares de pessoas protestassem, no dia 25 de novembro, em Daca, capital do pa\u00eds de Bangladesh, quando alguns queimaram uma imagem da l\u00edder birmanesa Aung San Suu Kyi e uma bandeira desse pa\u00eds. Tamb\u00e9m havia cartazes onde se ia \u201cabram a fronteira para salvar os rohiny\u00e1s\u201d.<\/p>\n<p>Suu Kyi, que foi uma grande defensora da democracia e dos direitos humanos na Birm\u00e2nia, o que a fez passar v\u00e1rios anos em pris\u00e3o domiciliar e lhe valeu o pr\u00eamio Nobel da Paz, agora \u00e9 alvo de cr\u00edticas por seu sil\u00eancio em rela\u00e7\u00e3o a essa dif\u00edcil situa\u00e7\u00e3o que vive a comunidade rohiny\u00e1 em seu pa\u00eds.<\/p>\n<p>Seu partido, a Liga Nacional para a Democracia, obteve uma vit\u00f3ria contundente nas primeiras elei\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas realizadas na Birm\u00e2nia em 25 anos, que aconteceram em novembro de 2015. Suu Kyi n\u00e3o p\u00f4de assumir a Presid\u00eancia porque a Constitui\u00e7\u00e3o impede pessoas com filhos estrangeiros de assumirem o cargo, e os dela s\u00e3o brit\u00e2nicos, mas ficou com o cargo de Conselheira de Estado.<\/p>\n<p>Em Bangladesh tamb\u00e9m acontece intensa campanha nas redes sociais para que os rohiny\u00e1s possam entrar no pa\u00eds. Por sua vez, o Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef) informou que milhares de crian\u00e7as desnutridas sofrem falta de aten\u00e7\u00e3o m\u00e9dica e est\u00e3o em perigo de passar fome.<\/p>\n<p>O diretor do Acnur em Bangladesh, John McKissick, denunciou, no dia 24 de novembro, que \u201cos rohiny\u00e1s mu\u00e7ulmanos sofrem uma limpeza \u00e9tnica. As for\u00e7as de seguran\u00e7a da Birm\u00e2nia matam homens, atiram contra as pessoas, assassinam crian\u00e7as, violam mulheres queimam e saqueiam casas, for\u00e7ando-os a cruzarem o rio para este pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<p>Mas o porta-voz da Presid\u00eancia da Birm\u00e2nia, Zaw Htay, respondeu que \u201cMcKissick deveria manter seu profissionalismo e sua \u00e9tica como funcion\u00e1rio das Na\u00e7\u00f5es Unidas porque suas declara\u00e7\u00f5es s\u00e3o apenas acusa\u00e7\u00f5es\u201d. A HRW, com sede em Nova York, divulgou, na \u00faltima semana de novembro, imagens obtidas por sat\u00e9lite que mostram mais de mil casas de rohiny\u00e1s destru\u00eddas em cinco localidades do Estado de Rak\u00e1in.<\/p>\n<p>Por sua vez, os Estados Unidos pediram uma investiga\u00e7\u00e3o completa, formal e transparente da viol\u00eancia nesse Estado birman\u00eas e destacaram a necessidade de a comunidade internacional participar da busca por uma solu\u00e7\u00e3o. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/1-1-canais\/rohinyas-desamparados-entre-birmania-e-bangladesh\/\">Rohiny\u00e1s desamparados entre Birm\u00e2nia e Bangladesh<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/\">Envolverde<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Mahfuzur Rahman, da IPS &ndash;&nbsp; Daca, Bangladesh, 2\/12\/2016 &ndash; A crescente persegui&ccedil;&atilde;o do ex&eacute;rcito de Myanmar (Birm&acirc;nia) contra os rohiny&aacute;s mu&ccedil;ulmanos obrigou milhares deles a fugirem do Estado de Rak&aacute;in, que acabaram perdidos na fronteira com Bangladesh, desamparados e sem suprimentos b&aacute;sicos. 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