{"id":21456,"date":"2016-12-06T12:56:40","date_gmt":"2016-12-06T12:56:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=216942"},"modified":"2016-12-06T12:56:40","modified_gmt":"2016-12-06T12:56:40","slug":"incendios-deixam-milhares-sem-escola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/12\/ultimas-noticias\/incendios-deixam-milhares-sem-escola\/","title":{"rendered":"Inc\u00eandios deixam milhares sem escola"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Por\u00a0Stella Paul, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Kulgam, \u00cdndia, 6\/12\/2016 \u2013 Mariya Sareer, de 12 anos, tenta ler o mais que pode antes de escurecer. J\u00e1 se passaram quase cinco meses desde que esta aluna da s\u00e9tima s\u00e9rie de Shurat, um povoado que fica 70 quil\u00f4metros ao sul da cidade de Srinagar, foi \u00e0 escola pela \u00faltima vez, por causa do violento conflito pol\u00edtico que atinge o Estado de Jammu e Caxemira, na \u00cdndia.<\/p>\n<p>\u201cEstudar assim \u00e9 dif\u00edcil. N\u00e3o sei em que me concentrar. Meus resultados n\u00e3o ser\u00e3o t\u00e3o bons como antes\u201d, contou a jovem, que sempre foi a melhor aluna de sua classe. Seus irm\u00e3os, Arjumand, de nove anos, e Fazl, de seis, que frequentam a mesma escola, concordam com movimentos de cabe\u00e7a.<\/p>\n<div id=\"attachment_216945\" style=\"width: 570px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img class=\"wp-image-216945\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/kashmir-school-629x420-629x420.jpg\" alt=\"Shugufta Barkat e seu irm\u00e3o Rasikh Barkat, ex-professora e aluno, respectivamente, da escola secund\u00e1ria p\u00fablica de Kulgam, um dos centros de ensino da Caxemira que foram incendiados recentemente. Foto: Stella Paul\/IPS\" width=\"560\" height=\"374\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/kashmir-school-629x420-629x420.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/kashmir-school-629x420-629x420-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/kashmir-school-629x420-629x420-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 560px) 100vw, 560px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Shugufta Barkat e seu irm\u00e3o Rasikh Barkat, ex-professora e aluno, respectivamente, da escola secund\u00e1ria p\u00fablica de Kulgam, um dos centros de ensino da Caxemira que foram incendiados recentemente. Foto: Stella Paul\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mariya continua sendo mais afortunada do que muitos de seus amigos. Embora sua escola \u2013 o Instituto Taleem-Ul-Islam Ahamadiyya \u2013 esteja fechada h\u00e1 mais de quatro meses, o pr\u00e9dio continua em p\u00e9. Mas milhares de estudantes j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam aula porque suas escolas foram destru\u00eddas por inc\u00eandios intencionais.<\/p>\n<p>As escolas da Caxemira fecharam no dia 6 de julho para o Eid ul Fitr, um dia festivo mu\u00e7ulmano, e estava previsto reabrirem pouco depois. Mas a viol\u00eancia come\u00e7ou em todo o vale quando Burhan Wani, um jovem guerrilheiro, foi morto pelas for\u00e7as de seguran\u00e7a, no dia 8. Em meio a manifesta\u00e7\u00f5es de rua, pedras atiradas e pedidos de \u201cliberta\u00e7\u00e3o\u201d do dom\u00ednio da \u00cdndia, os partidos separatistas convocaram greve geral na regi\u00e3o. Isso impediu que 1,4 milh\u00e3o de estudantes voltassem \u00e0s aulas.<\/p>\n<p>Algumas semanas mais tarde, em 6 de setembro, foi informado o primeiro inc\u00eandio em uma escola, na localidade de Mirhama, no distrito de Kulgam. Logo surgiram den\u00fancias semelhantes por todo o vale. O fogo j\u00e1 destruiu mais de 30 escolas p\u00fablicas e privadas, a maioria na Caxemira do Sul, onde Wani foi morto.<\/p>\n<p>Uma delas \u00e9 a escola secund\u00e1ria p\u00fablica Nasirabad, em Kulgam, incendiada em 16 de outubro. Embora a popula\u00e7\u00e3o local e a pol\u00edcia tentassem apagar as chamas, estas destru\u00edram a biblioteca, o gin\u00e1sio, os computadores, o laborat\u00f3rio e os escrit\u00f3rios. Os moradores da regi\u00e3o afirmam que os incendi\u00e1rios queriam impedir a reabertura da escola, por isso queimaram o andar superior e n\u00e3o o t\u00e9rreo, que tinha poucos equipamentos.<\/p>\n<p>A professora Shugufta Barkat afirma que a escola era uma das melhores do distrito. \u201cEst\u00e3o queimando o futuro das crian\u00e7as\u201d, lamentou \u00e0 IPS, visivelmente emocionada. Ao contr\u00e1rio de outros ataques extremistas, os inc\u00eandios continuam sendo um mist\u00e9rio, sem ningu\u00e9m ter assumido a responsabilidade.<\/p>\n<p>Os separatistas e o governo se culpam mutuamente, e alguns dizem que s\u00e3o obra de \u201celementos marginais\u201d da sociedade, que s\u00f3 querem causar transtornos. A pol\u00edcia fez algumas pris\u00f5es, mas em cada caso o acusado foi identificado como \u201cseparatista\u201d sem v\u00ednculos claros com grupos guerrilheiros.<\/p>\n<div id=\"attachment_216946\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img class=\"wp-image-216946\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/kashmir-kids.jpg\" alt=\"Mariya Arjumand e Fazl Sareer estudam em sua casa na aldeia de Shurat, j\u00e1 que as escolas foram fechadas em julho devido \u00e0 instabilidade pol\u00edtica na Caxemira. Foto: Stella Paul\/IPS\" width=\"340\" height=\"227\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/kashmir-kids.jpg 640w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/kashmir-kids-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/kashmir-kids-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Mariya Arjumand e Fazl Sareer estudam em sua casa na aldeia de Shurat, j\u00e1 que as escolas foram fechadas em julho devido \u00e0 instabilidade pol\u00edtica na Caxemira. Foto: Stella Paul\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com o aumento dos casos de inc\u00eandio, o governo pediu aos professores que protejam suas escolas durante a noite, e para isso as institui\u00e7\u00f5es adotaram turnos noturnos que eles devem cumprir.<\/p>\n<p>Basharat Ahmed Dar \u00e9 chefe de Asnorr, uma aldeia da minorit\u00e1ria comunidade mu\u00e7ulmana ahmadiyya, em Kulgam. Em um Estado de turbul\u00eancia pol\u00edtica, viol\u00eancia, assassinatos e torturas, essa comunidade defende o amor, a paz e a harmonia. Seus princ\u00edpios lhes granjearam respeito mundial bem como o desprezo de muitos, especialmente dos radicais.<\/p>\n<p>A comunidade fomenta a educa\u00e7\u00e3o como um caminho para o progresso e tamb\u00e9m dirige cinco escolas na Caxemira do Sul. As escolas \u2013 que aceitam todo tipo de aluno, n\u00e3o s\u00f3 ahmadiyyas \u2013 s\u00e3o conhecidas por seu alto n\u00edvel de ensino e infraestrutura superior.<\/p>\n<p>Desde que come\u00e7ou a greve geral, os jovens ahmadiyyas, inclu\u00eddos alguns dos professores, fazem guarda diante de suas escolas para repelir poss\u00edveis ataques e inc\u00eandios. Esse patrulhamento continuar\u00e1 at\u00e9 que comece a nevar, explicou Dar. \u201cN\u00e3o chove h\u00e1 meses, por isso tudo est\u00e1 muito seco e propenso a pegar fogo. Mas uma vez que comece a nevar, n\u00e3o ser\u00e1 t\u00e3o f\u00e1cil o fogo se propagar\u201d, ponderou.<\/p>\n<p>O ano letivo come\u00e7a em abril e termina em novembro na Caxemira, bem antes de come\u00e7arem os tr\u00eas meses de f\u00e9rias de inverno. Os exames anuais acontecem no final de outubro. Mas esse ano nenhuma das escolas p\u00f4de realizar suas provas finais. Diante da situa\u00e7\u00e3o, o governo declarou a promo\u00e7\u00e3o de todos os estudantes da primeira \u00e0 nona s\u00e9rie. As escolas particulares decidiram fazer exames, mas s\u00f3 completaram cerca de 40% do programa curricular.<\/p>\n<p>Farooq Ahmed Nengroo, professor de uma escola privada, qualificoy as promo\u00e7\u00f5es coletivas de \u201cerro perigoso\u201d. E pontuou que, \u201ctamb\u00e9m em 2014, depois de uma inunda\u00e7\u00e3o no vale, os estudantes foram aprovados em massa, embora somente tenham sido afetados de 2% a 3% das escolas. No futuro, definitivamente haver\u00e1 um vazio de conhecimentos e habilidades na for\u00e7a de trabalho do Estado\u201d.<\/p>\n<p>Enquanto isso, a jovem Mariya Sareer reza para que acabem a greve geral e os inc\u00eandios para poder recuperar sua vida. \u201cS\u00f3 quero voltar \u00e0 escola, estudar e jogar cr\u00edquete\u201d, afirmou. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/1-1-canais\/ips-rede\/incendios-deixam-milhares-sem-escola\/\">Inc\u00eandios deixam milhares sem escola<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/\">Envolverde<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Stella Paul, da IPS &ndash;&nbsp; Kulgam, &Iacute;ndia, 6\/12\/2016 &ndash; Mariya Sareer, de 12 anos, tenta ler o mais que pode antes de escurecer. 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