{"id":21458,"date":"2016-12-06T13:03:18","date_gmt":"2016-12-06T13:03:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=216948"},"modified":"2016-12-06T13:03:18","modified_gmt":"2016-12-06T13:03:18","slug":"ongs-pedem-acao-contra-ataques-em-alepo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/12\/ultimas-noticias\/ongs-pedem-acao-contra-ataques-em-alepo\/","title":{"rendered":"Ongs pedem a\u00e7\u00e3o contra ataques em Alepo"},"content":{"rendered":"<p><em>Por\u00a0Tharanga Yakupitiyage, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 6\/12\/2016 \u2013 Centenas de organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil de todo o mundo uniram-se para pedir aos Estados membros da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) que intervenham e exijam o fim dos ataques contra a assediada cidade de Alepo, na S\u00edria. Uma coaliz\u00e3o de 233 organiza\u00e7\u00f5es de 45 pa\u00edses, integrada por Human Rights Watch (HRW), Anistia Internacional e M\u00e9dicos pelos Direitos Humanos, entre outras, expressou sua profunda preocupa\u00e7\u00e3o pela situa\u00e7\u00e3o atual em Alepo.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 muito dif\u00edcil ficar olhando a destrui\u00e7\u00e3o de um pa\u00eds inteiro em c\u00e2mera lenta, bem como a de sua popula\u00e7\u00e3o civil\u201d, ressaltou \u00e0 IPS o diretor da HRW, Louis Charbonneau. Em especial, apontou a destrui\u00e7\u00e3o causada pelos ataques indiscriminados da coaliz\u00e3o russo-s\u00edria em algumas zonas do pa\u00eds. A HRW concluiu que os ataques a\u00e9reos, frequentemente indiscriminados, deixaram 440 civis mortos entre setembro e outubro deste ano, entre os quais 90 crian\u00e7as.<\/p>\n<p>A esse respeito, Charbonneau citou o caso do hospital de Al Sajur, que sofreu quatro ataques deliberados em diferentes momentos. \u201cQuando atacam um hospital de forma deliberada, onde m\u00e9dicos e enfermeiras trabalham para salvar a vida das pessoas, chega-se a um n\u00edvel especial de crime de guerra\u201d, afirmou. De fato, os danos generalizados fizeram com que a institui\u00e7\u00e3o deixasse de funcionar na primeira metade deste ano.<\/p>\n<p>A M\u00e9dicos pelos Direitos Humanos informou que, nos \u00faltimos tr\u00eas anos, em Alepo, foram registrados 45 ataques contra centros de sa\u00fade, que for\u00e7aram o fechamento de dois em cada tr\u00eas hospitais. Cerca de 95% dos m\u00e9dicos tamb\u00e9m fugiram, foram detidos ou assassinados, o que piorou a crise humanit\u00e1ria na regi\u00e3o. O atual conflito tamb\u00e9m impede que chegue a t\u00e3o necess\u00e1ria assist\u00eancia humanit\u00e1ria, que \u00e9 urgente para a popula\u00e7\u00e3o civil, especialmente para as 250 mil pessoas presas no leste de Alepo.<\/p>\n<p>A diretora de pol\u00edtica internacional da M\u00e9dicos pelos Direitos Humanos, Susannag Sirkin, disse \u00e0 IPS que impedir a chegada de suprimentos humanit\u00e1rios \u00e9 uma das \u201cobstru\u00e7\u00f5es mais atrozes\u201d que j\u00e1 viu em seus 30 anos de trabalho. O chanceler russo, Sergei Lavrov, afirmou, no dia 2, em Roma, que \u201cn\u00e3o h\u00e1 problema\u201d com o acesso da assist\u00eancia ao leste de Alepo.<\/p>\n<p>A coaliz\u00e3o da sociedade civil ressaltou, em especial, a incapacidade do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU de p\u00f4r fim \u00e0s atrocidades cometidas na S\u00edria. \u201cO Conselho de Seguran\u00e7a fala com os s\u00edrios h\u00e1 seis anos\u201d, observou \u00e0 IPS a representante da Anistia na ONU, Sherine Tadros, se referindo especialmente ao uso do veto pela R\u00fassia para impedir toda medida no sentido de conter a crise.<\/p>\n<p>Em outubro, Moscou vetou uma resolu\u00e7\u00e3o que pedia o fim do bombardeio a\u00e9reo contra Alepo, e foi a quinta vez que esse pa\u00eds vetou uma iniciativa do Conselho de Seguran\u00e7a sobre a S\u00edria desde o in\u00edcio do conflito em 2011. Em resposta \u00e0 paralisa\u00e7\u00e3o das negocia\u00e7\u00f5es, a sociedade civil pediu \u00e0 Assembleia Geral que tome medidas. \u201cSe o Conselho de Seguran\u00e7a n\u00e3o age, a Assembleia Geral deve faz\u00ea-lo\u201d, afirmou Tadros.<\/p>\n<p>Charbonneau concordou, apontando que \u201cos Estados membros simplesmente n\u00e3o t\u00eam desculpa para ficar \u00e0 margem, n\u00e3o podem se esconder atr\u00e1s da R\u00fassia, que veta resolu\u00e7\u00e3o ap\u00f3s resolu\u00e7\u00e3o. T\u00eam a responsabilidade de fazer algo\u201d. A sociedade civil pediu que a Assembleia Geral realize uma sess\u00e3o especial de emerg\u00eancia e ative a resolu\u00e7\u00e3o Uni\u00e3o Pela Paz, e que pe\u00e7a o fim das hostilidades e o acesso irrestrito da ajuda humanit\u00e1ria.<\/p>\n<div id=\"attachment_216949\" style=\"width: 570px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img class=\"wp-image-216949\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/alepo2.jpg\" alt=\"Rua de Alepo, em poder da insurg\u00eancia, em agosto. Foto: Shelly Kittleson\/IPS\" width=\"560\" height=\"339\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/alepo2.jpg 620w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/alepo2-300x181.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 560px) 100vw, 560px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Rua de Alepo, em poder da insurg\u00eancia, em agosto. Foto: Shelly Kittleson\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A resolu\u00e7\u00e3o Uni\u00e3o Pela Paz foi criada pela primeira vez em 1950, depois dos reiterados vetos da hoje extinta Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, no contexto do ponto morto em que se encontrava a guerra da Coreia no Conselho de Seguran\u00e7a. A Assembleia Geral recorreu \u00e0 essa resolu\u00e7\u00e3o dez vezes, precisamente quando se prolongou a falta de unanimidade no Conselho.<\/p>\n<p>O cap\u00edtulo sobre as fun\u00e7\u00f5es e faculdades da Assembleia Geral diz que a \u201cAssembleia Geral pode examinar imediatamente o assunto com vistas a recomendar aos membros a ado\u00e7\u00e3o de medidas coletivas para manter ou restabelecer a paz e a seguran\u00e7a internacionais\u201d. E destaca: \u201cembora a Assembleia Geral tenha faculdade somente para formular recomenda\u00e7\u00f5es n\u00e3o vinculantes aos Estados a prop\u00f3sito de quest\u00f5es de car\u00e1ter internacional que correspondam ao seu \u00e2mbito de compet\u00eancia, tem adotado medidas \u2013 pol\u00edticas, econ\u00f4micas, humanit\u00e1rias, sociais e jur\u00eddicas \u2013 que influenciam a vida de milh\u00f5es de pessoas de todo o mundo\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA Uni\u00e3o Pela paz \u00e9 uma ferramenta nos momentos de crises mais graves na hist\u00f3ria da ONU, e definitivamente a situa\u00e7\u00e3o na S\u00edria \u00e9 uma crise grave, definitivamente merece a 11\u00aa sess\u00e3o especial. Isto n\u00e3o pode continuar\u201d, insistiu Charbonneau. Os Estados membros j\u00e1 deram sinais de frustra\u00e7\u00e3o pela falta de medidas do Conselho de Seguran\u00e7a, como reflete a decis\u00e3o do Canad\u00e1, com apoio de 73 pa\u00edses, de solicitar uma reuni\u00e3o para pressionar as partes em confronto na S\u00edria.<\/p>\n<p>Entretanto, Tadros reconheceu que esse tipo de resolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 vinculante, mas pontuou que \u00e9 uma ferramenta diplom\u00e1tica das mais fortes para que a mensagem chegue at\u00e9 o Conselho de Seguran\u00e7a e \u00e0s partes em conflito. \u201cN\u00e3o acreditamos que algo como a resolu\u00e7\u00e3o Uni\u00e3o Pela Paz seja o final. \u00c9 necess\u00e1ria vontade pol\u00edtica. Mas \u00e9 uma mensagem muito forte, quando a maior parte do mundo diz que isso \u00e9 o que deve e tem de acontecer\u201d, enfatizou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Por sua vez, Sirkin afirmou que uma resolu\u00e7\u00e3o como essa mostraria que h\u00e1 na\u00e7\u00f5es \u201cque n\u00e3o ficar\u00e3o de bra\u00e7os cruzados enquanto a popula\u00e7\u00e3o s\u00edria \u00e9 devastada\u201d, o que ajudaria a envergonhar o Conselho de Seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de mostrar que a Assembleia Geral pode intervir e ocupar o vazio deixado pelo Conselho, Charbonneau espera que a resolu\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m preveja a cria\u00e7\u00e3o de um mecanismo para reunir evid\u00eancias para que os envolvidos assumam suas responsabilidades. \u201cA coleta e a evid\u00eancia criminal \u00e9 uma tarefa especial para que, em algum momento no futuro, quando algu\u00e9m for pego, seja levado \u00e0 justi\u00e7a. Os atores no conflito da S\u00edria devem saber que isso pode acontecer\u201d, acrescentou Charbonneau.<\/p>\n<p>Para convocar uma sess\u00e3o especial, metade dos 193 Estados membros deve solicit\u00e1-la, e ela pode ser convocada no prazo de 24 horas. Depois, \u00e9 necess\u00e1ria maioria de dois ter\u00e7os para aprovar a resolu\u00e7\u00e3o. A coaliz\u00e3o da sociedade civil afirmou que continuar\u00e1 pressionando, pois n\u00e3o fazer nada deixou de ser uma op\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o para n\u00e3o agir imediatamente. J\u00e1 se passaram seis anos, creio que j\u00e1 houve lentid\u00e3o em demasia\u201d, ressaltou Tadros. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/1-1-canais\/ongs-pedem-acao-contra-ataques-em-alepo\/\">Ongs pedem a\u00e7\u00e3o contra ataques em Alepo<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/\">Envolverde<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Tharanga Yakupitiyage, da IPS &ndash;&nbsp; Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 6\/12\/2016 &ndash; Centenas de organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil de todo o mundo uniram-se para pedir aos Estados membros da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) que intervenham e exijam o fim dos ataques contra a assediada cidade de Alepo, na S&iacute;ria. 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