{"id":21464,"date":"2016-12-08T16:26:53","date_gmt":"2016-12-08T16:26:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=217093"},"modified":"2016-12-08T16:26:53","modified_gmt":"2016-12-08T16:26:53","slug":"dificil-combate-a-violencia-contra-indianas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/12\/ultimas-noticias\/dificil-combate-a-violencia-contra-indianas\/","title":{"rendered":"Dif\u00edcil combate \u00e0 viol\u00eancia contra indianas"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_217084\" style=\"width: 450px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/brigada-629x472.jpg\"><img class=\" wp-image-217084\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/brigada-629x472-300x225.jpg\" alt=\"O organiza\u00e7\u00e3o feminina Brigada Vermelha ensina t\u00e9cnicas de defesa pessoal a mulheres e persegue os respons\u00e1veis por agress\u00f5es sexuais. Foto: Neeta Lal\/IPS\" width=\"440\" height=\"330\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/brigada-629x472-300x225.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/brigada-629x472.jpg 629w\" sizes=\"(max-width: 440px) 100vw, 440px\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">O organiza\u00e7\u00e3o feminina Brigada Vermelha ensina t\u00e9cnicas de defesa pessoal a mulheres e persegue os respons\u00e1veis por agress\u00f5es sexuais. Foto: Neeta Lal\/IPS<\/p><\/div>\n<p>Por Neeta Lal, da IPS &#8211;<\/p>\n<p>Nova D\u00e9lhi, \u00cdndia, 8\/12\/2016 \u2013 A pol\u00edcia de Nova D\u00e9lhi lan\u00e7ou uma iniciativa \u00fanica para deter a espiral de viol\u00eancia contra as mulheres nesta cidade, conhecida como a \u201ccapital do estupro\u201d: um esquadr\u00e3o de cidad\u00e3os que ajudam na preven\u00e7\u00e3o e detec\u00e7\u00e3o de crimes, contribuindo para manter a ordem. O grupo, chamado \u201cpoliciais <em>mitras<\/em>\u201d (amigos da pol\u00edcia), \u00e9 formado por fazendeiros, donas de casa e ex-militares.<\/p>\n<p>Por outro lado, os chefes de pol\u00edcia criaram um esquadr\u00e3o de mulheres treinadas para combater a criminalidade, agentes com quimonos brancos que sabem como dar chutes e perseguem os predadores sexuais em todo o pa\u00eds. O grupo de 40 mulheres bem treinadas em artes maciais vigia lugares \u201cvulner\u00e1veis\u201d da cidade, como escolas e esta\u00e7\u00f5es do metr\u00f4.<\/p>\n<p>A \u00cdndia, um dos piores pa\u00edses em mat\u00e9ria de seguran\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o feminina, incorporou uma s\u00e9rie de iniciativas inovadoras para preservar as mulheres dos crimes sexuais. Mas, ironicamente, apesar de leis mais duras e do fortalecimento da pol\u00edcia, a viol\u00eancia aumenta.<\/p>\n<p>Segundo um informe do Controlador e Auditor-Geral da \u00cdndia, crimes como estupro, abuso sexual e ass\u00e9dio dispararam, aumentando em 60% entre 2010 e 2011 e entre 2014 e 2015. Segundo outro informe, este do Escrit\u00f3rio Nacional de Registro de Crimes, houve 337.992 den\u00fancias de viol\u00eancia, estupro, crueldade e sequestro contras as mulheres em 2014, 9% a mais do que no ano anterior. As den\u00fancias de estupro tamb\u00e9m aumentaram 9%, sendo registradas 33.707 nesse mesmo ano, o \u00faltimo com dados dispon\u00edveis.<\/p>\n<p>Um estudo da organiza\u00e7\u00e3o ActionAid concluiu que 79% das mulheres indianas j\u00e1 sofreram ass\u00e9dio ou viol\u00eancia em espa\u00e7os p\u00fablicos. O aumento de ataques contra as mulheres fez disparar numerosos projetos volunt\u00e1rios, como a iniciativa da organiza\u00e7\u00e3o Blank Noise, cuja campanha #WalkAlone (caminhe sozinha) chamou as mulheres a quebrarem o sil\u00eancio e caminharem sozinhas para lutar contra o medo do ass\u00e9dio em p\u00fablico.<\/p>\n<div id=\"attachment_217085\" style=\"width: 473px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/brigadas2.jpg\"><img class=\" wp-image-217085\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/brigadas2-300x225.jpg\" alt=\"Pain\u00e9is de sensibiliza\u00e7\u00e3o para meninos em escolas sobre viol\u00eancia sexual, em Nova D\u00e9lhi. Foto: Neeta Lal\/IPS\" width=\"463\" height=\"347\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/brigadas2-300x225.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/brigadas2.jpg 640w\" sizes=\"(max-width: 463px) 100vw, 463px\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Pain\u00e9is de sensibiliza\u00e7\u00e3o para meninos em escolas sobre viol\u00eancia sexual, em Nova D\u00e9lhi. Foto: Neeta Lal\/IPS<\/p><\/div>\n<p>Outra campanha dessa organiza\u00e7\u00e3o pediu \u00e0s mulheres que enviassem as roupas que estavam usando quando sofreram ass\u00e9dio, que foram usadas para montar uma instala\u00e7\u00e3o p\u00fablica. E, ao envolver n\u00e3o s\u00f3 os perpetradores e as v\u00edtimas, mas tamb\u00e9m espectadores e transeuntes, conta, desde 2003, com os Her\u00f3is de A\u00e7\u00e3o, uma rede de volunt\u00e1rios de todas as idades, g\u00eaneros e orienta\u00e7\u00f5es sexuais, para divulgar a mensagem contra o ass\u00e9dio sexual em espa\u00e7os p\u00fablicos. Tamb\u00e9m d\u00e1 cursos para ajudar as mulheres a criarem espa\u00e7os seguros.<\/p>\n<p>O parlamento aprovou leis mais duras contra estupro, tr\u00e1fico de pessoas, ataques com \u00e1cido e ass\u00e9dio, mas isso tampouco se traduziu em redu\u00e7\u00e3o dos crimes. Algumas ativistas dizem que isso se deve ao fato de as mobiliza\u00e7\u00f5es terem gerado um contra-ataque por parte dos violentos.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 muita cobertura da m\u00eddia, marchas com velas e medo nas redes sociais se as mulheres se indignam, mas, na realidade, nada mudou\u201d, pontuou Pratibha Malik, da organiza\u00e7\u00e3o Aashrita. \u201cA pr\u00f3pria presen\u00e7a das mulheres em espa\u00e7os n\u00e3o tradicionais, como escrit\u00f3rios, bares, restaurantes, entre outros, em uma sociedade patriarcal com a da \u00cdndia, \u00e9 respons\u00e1vel pela resposta violenta\u201d, destacou.<\/p>\n<p>O disparador para refor\u00e7ar a legisla\u00e7\u00e3o e a a\u00e7\u00e3o policial foi a viol\u00eancia, em dezembro de 2012, contra uma estudante de medicina de 23 anos, em um \u00f4nibus em movimento quando regressava do cinema com um amigo. Um grupo de homens, entre os quais um rapaz de 14 anos, atacou o casal. A jovem foi estuprada v\u00e1rias vezes e seu amigo, atingido com uma barra de ferro. Ela morreu pouco depois e o caso, que ocupou as manchetes dos jornais de todo o mundo, motivou protestos em massa pedindo medidas contra a viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo foi criado o Comit\u00ea de Justi\u00e7a Verma, cujo informe diz que \u201ca governan\u00e7a deficiente n\u00e3o cria um ambiente seguro e digno para as mulheres da \u00cdndia, constantemente expostas \u00e0 viol\u00eancia sexual\u201d. Os tr\u00eas agressores do caso de 2012 foram condenados \u00e0 morte. Al\u00e9m disso, foi aprovada lei ampliando a defini\u00e7\u00e3o de crimes sexuais, para incluir a penetra\u00e7\u00e3o for\u00e7ada mediante qualquer objeto, o ass\u00e9dio, a viol\u00eancia com \u00e1cido e, inclusive, desnudar as mulheres.<\/p>\n<p>Mas elas n\u00e3o se sentem seguras, pois consideram que ainda correm perigo, especialmente nas grandes cidades, onde sair \u00e0 noite \u00e9 considerado uma \u201caventura\u201d. \u201cN\u00e3o me sinto nada segura em espa\u00e7os p\u00fablicos, nem no transporte p\u00fablico. Sei que ningu\u00e9m vai me defender se estiver com problemas\u201d, disse a cozinheira Rekha Kumari, de 30 anos.<\/p>\n<p>\u201cCarrego g\u00e1s pimenta e uma faca quando volto tarde do escrit\u00f3rio\u201d, contou Shashibala Mehra, uma contadora de 52 anos. \u201cNos 40 minutos que demoro para chegar em casa, falo por telefone com meu marido para que saiba se eu tiver algum problema\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Laxmi Aggarwal, que sofreu um ataque com \u00e1cido e se dedicou a lutar para proibir a venda dessa subst\u00e2ncia na \u00cdndia, apontou que o governo n\u00e3o faz muito a respeito. \u201cJovens vulner\u00e1veis sofrem ataques em diferentes zonas rurais da \u00cdndia\u201d, afirmou. A jovem, de 27 anos, trabalha com a organiza\u00e7\u00e3o Stop Acid Attacks para ajudar outras v\u00edtimas como ela a defenderem seus direitos na justi\u00e7a.<\/p>\n<p>O coletivo feminino Brigada Vermelha, por exemplo, ensina t\u00e9cnicas de autodefesa para mulheres e meninas, e persegue os homens que cometeram agress\u00e3o sexual. \u201cProcuramos fazer com que o homem que foi violento entenda o caso conversando com ele e seus pais. Se n\u00e3o ouve, vamos \u00e0 pol\u00edcia\u201d, explicou Usha Vishwakarma, ressaltando que, \u201cse ele continuar obstinado, passamos \u00e0 a\u00e7\u00e3o\u201d. Uma parte importante do apoio desse coletivo \u00e9 ajudar as v\u00edtimas a se livrarem do sentimento de culpa de que s\u00e3o respons\u00e1veis pela viol\u00eancia sofrida. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><em>* Este artigo \u00e9 parte a cobertura da IPS sobre os 16 dias de ativismo contra a viol\u00eancia contra a mulher, realizado entre 25 de novembro e 10 de dezembro.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/1-1-canais\/ips-rede\/dificil-combate-violencia-contra-indianas\/\">Dif\u00edcil combate \u00e0 viol\u00eancia contra indianas<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/\">Envolverde<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Neeta Lal, da IPS &ndash; Nova D&eacute;lhi, &Iacute;ndia, 8\/12\/2016 &ndash; A pol&iacute;cia de Nova D&eacute;lhi lan&ccedil;ou uma iniciativa &uacute;nica para deter a espiral de viol&ecirc;ncia contra as mulheres nesta cidade, conhecida como a &ldquo;capital do estupro&rdquo;: um esquadr&atilde;o de cidad&atilde;os que ajudam na preven&ccedil;&atilde;o e detec&ccedil;&atilde;o de crimes, contribuindo para manter a ordem. 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