{"id":2147,"date":"2006-10-09T00:00:00","date_gmt":"2006-10-09T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2147"},"modified":"2006-10-09T00:00:00","modified_gmt":"2006-10-09T00:00:00","slug":"finanas-maquiagem-no-fmi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/mundo\/finanas-maquiagem-no-fmi\/","title":{"rendered":"Finan&ccedil;as: Maquiagem no FMI"},"content":{"rendered":"<p>Cingapura, 09\/10\/2006 &ndash; O Fundo Monet&aacute;rio Internacional aumentou nesta segunda-feira o peso de China, Cor&eacute;ia do Sul, M&eacute;xico e Turquia na tomada de decis&otilde;es da institui&ccedil;&atilde;o, a maior reforma na hist&oacute;ria desta organiza&ccedil;&atilde;o multilateral, embora ativistas a considerem apenas uma maquiagem. <!--more--> A resolu&ccedil;&atilde;o foi adotada em Cingapura por 90% dos votos da Junta de Governadores do FMI, &agrave;s v&eacute;speras da reuni&atilde;o conjunta desta institui&ccedil;&atilde;o e do Banco Mundial. Organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil advertiram que a decis&atilde;o parece uma tentativa por parte do Fundo para se recriar, diante das fortes cr&iacute;ticas da sociedade civil e da crescente crise or&ccedil;ament&aacute;ria interna.<\/p>\n<p>Pouco antes, 13 ativistas credenciados para assistir a confer&ecirc;ncia protestaram dentro do Centro de Conven&ccedil;&otilde;es Suntec contra as condi&ccedil;&otilde;es impostas pelo FMI &agrave; concess&atilde;o de cr&eacute;ditos aos pa&iacute;ses pobres. Eles vestiam camisetas com a inscri&ccedil;&atilde;o \u201cacabem com as condi&ccedil;&otilde;es\u201d, estavam algemados e tinham candelas presas. Tamb&eacute;m gritavam \u201cFMI, n&atilde;o prejudique mais os pobres\u201d e portavam cartazes que diziam \u201cas condi&ccedil;&otilde;es prejudicam a democracia\u201d. O Comit&ecirc; Monet&aacute;rio e Financeiro da Junta de Governadores do Fundo destacou a import&acirc;ncia de suas \u201creformas de vozes e cotas\u201d de vota&ccedil;&atilde;o em um comunicado divulgado ap&oacute;s sua reuni&atilde;o de domingo.<\/p>\n<p>Em uma primeira etapa, &eacute; dado a quatro pa&iacute;ses (China, Cor&eacute;ia do Sul, M&eacute;xico e Turquia) um pequeno aumento em seu poder de voto, apesar da oposi&ccedil;&atilde;o de 23 na&ccedil;&otilde;es em desenvolvimento preocupadas com a poss&iacute;vel dissolu&ccedil;&atilde;o de suas j&aacute; inaud&iacute;veis vozes. Na segunda etapa, no come&ccedil;o de 2008, haver&aacute; pequenos ajustes na propor&ccedil;&atilde;o de votos de outras economias emergentes e de pa&iacute;ses pobres. A medida, segundo o Comit&ecirc;, implica um importante avan&ccedil;o quanto a \u201cadequar a cotas de vota&ccedil;&atilde;o com a posi&ccedil;&atilde;o relativa dos membros da economia mundial\u201d e no sentido de \u201cfortalecer a participa&ccedil;&atilde;o dos pa&iacute;ses de baixa renda no FMI\u201d. Por&eacute;m, nas na&ccedil;&otilde;es ricas manter&atilde;o seu controle sobre o Fundo, pois o poder de voto destes quatro pa&iacute;ses aumentar&aacute; apenas 1,8%.<\/p>\n<p>Ministros do Grupo dos 24, representante de um grupo de na&ccedil;&otilde;es em desenvolvimento nas institui&ccedil;&otilde;es multilaterais de credito, propuseram triplicar o quanto antes seus \u201cvotos b&aacute;sicos\u201d (os 250 que t&ecirc;m todos os pa&iacute;ses para refletir, de certo modo, a igualdade dos Estados) e estabelecer uma nova f&oacute;rmula de cotas que reflita adequadamente o tamanho relativo de suas economias. A f&oacute;rmula aprovada \u201cserve de maquiagem\u201d para a s&eacute;ria crise que enfrentam tanto o FMI quanto o Banco Mundial, segundo diversos ativistas e especialistas. O Fundo sofre questionamentos quanto &agrave; sua legitimidade depois das crises financeiras do sudeste asi&aacute;tico no final dos anos 90.<\/p>\n<p>&Agrave;s pol&iacute;ticas, recomenda&ccedil;&otilde;es e condicionamentos da institui&ccedil;&atilde;o, que inclu&iacute;am a liberaliza&ccedil;&atilde;o dos controles de capital, &eacute; atribu&iacute;da a facilidade com que o \u201cdinheiro quente\u201d fluiu para a regi&atilde;o somente para fugir dela quando apareceram algumas not&iacute;cias ruins. Os pacotes de resgate do FMI estiveram condicionados ao corte de gastos governamentais e remo&ccedil;&atilde;o de subs&iacute;dios-chave, o, que levou a uma letargia no crescimento econ&ocirc;mico e a diversos preju&iacute;zos para os setores mais pobres da popula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Com o colapso da economia da R&uacute;ssia em 1998 e a desintegra&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica da Argentina (a vitrine para os &ecirc;xitos do FMI) em 2002 a crise de legitimidade se agravou. Pa&iacute;ses credores como Tail&acirc;ndia e Indon&eacute;sia se apressaram a pagar suas d&iacute;vidas e puseram fim aos seus acordos dom o Fundo ou declararam sua independ&ecirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; institui&ccedil;&atilde;o. Outras na&ccedil;&otilde;es evitaram contrair novos empr&eacute;stimos por medo das condi&ccedil;&otilde;es que trariam. O Banco Mundial tamb&eacute;m enfrenta uma crise or&ccedil;ament&aacute;ria depois da grave queda em sua renda com pagamento de juros e por seus investimentos banc&aacute;rios.<\/p>\n<p>Agora, o FMI procura se reinventar como organiza&ccedil;&atilde;o capaz de por fim ao \u201cdesequil&iacute;brio\u201d comercial do mundo. \u201cA tarefa do Fundo no futuro n&atilde;o ser&aacute; a simples resolu&ccedil;&atilde;o de crise, mas, tamb&eacute;m a preven&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s de mecanismos multilaterais de vigil&acirc;ncia\u201d, disse o presidente do Comit&ecirc;, Gordon Brown, que tamb&eacute;m &eacute; secret&aacute;rio de Finan&ccedil;as do governo brit&acirc;nico. Brown afirmou que o Comit&ecirc; expressou sem discrep&acirc;ncias seu profundo descontentamento com a suspens&atilde;o das negocia&ccedil;&otilde;es da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Com&eacute;rcio e continuou \u201cpedindo urg&ecirc;ncia a todas as na&ccedil;&otilde;es no sentido de resistir aos chamados protecionistas\u201d. Mas, foram as magras \u201creformas\u201d que causou mal-estar nos ativistas.<\/p>\n<p>As decis&otilde;es no FMI requerem maioria de 85% dos votos. Mas, de todo modo, os Estados Unidos conservem 17% do poder, o que lhe d&aacute; uma esp&eacute;cie de poder de veto. \u201c&Eacute; como ajeitar as cadeiras de escrit&oacute;rio do Titanic\u201d, ironizou Stephen Mandel, da Funda&ccedil;&atilde;o Nova Economia (NEF), com sede em Londres. Segundo c&aacute;lculos desta institui&ccedil;&atilde;o, a &Aacute;frica, que conta com apenas dois assentos entre os 24 da Junta de Governadores do FMI, tem apenas 4,4% do poder de voto. Uma dessas cadeiras representa 24 pa&iacute;ses africanos e concentra apenas 1,4% dos votos na institui&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Por outro lado, os pa&iacute;ses industrializados, que s&atilde;o apenas um quinto das na&ccedil;&otilde;es que integram o Fundo, t&ecirc;m 60,4% do poder de voto. A metade mais pobre entre os membros do FMI somam apenas 4,2%, menos do que possui a Fran&ccedil;a. O poder de voto combina, atualmente, uma destina&ccedil;&atilde;o ponderada de acordo com as contribui&ccedil;&otilde;es ao Fundo e 250 \u201cvotos b&aacute;sicos\u201d para cada pa&iacute;s, estes &uacute;ltimos para refletir a igualdade entre Estados. Com as contribui&ccedil;&otilde;es se multiplicaram por 37 desde 1944, a participa&ccedil;&atilde;o do total dos votos b&aacute;sicos caiu para 2,1% do poder total de voto. Essa porcentagem era de 15,6% em 1958 e de 11,3% em 1944, quando o fundo foi criado.<\/p>\n<p>\u201cAt&eacute; agora, nada indica que as grandes potencias reconhe&ccedil;am sua representa&ccedil;&atilde;o excessiva nem que estejam dispostas a fazer as concess&otilde;es necess&aacute;rias para resolver a crise de legitimidade\u201d, disse Jeff Powell, coordenador do Bretton Woods Project, institui&ccedil;&atilde;o com sede em Londres que acompanha as atividades do FMI e do Banco Mundial. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cingapura, 09\/10\/2006 &ndash; O Fundo Monet&aacute;rio Internacional aumentou nesta segunda-feira o peso de China, Cor&eacute;ia do Sul, M&eacute;xico e Turquia na tomada de decis&otilde;es da institui&ccedil;&atilde;o, a maior reforma na hist&oacute;ria desta organiza&ccedil;&atilde;o multilateral, embora ativistas a considerem apenas uma maquiagem. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/mundo\/finanas-maquiagem-no-fmi\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":533,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5,4,11],"tags":[],"class_list":["post-2147","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-economia","category-mundo","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2147","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/533"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2147"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2147\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2147"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2147"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2147"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}