{"id":21479,"date":"2016-12-13T12:33:25","date_gmt":"2016-12-13T12:33:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=217239"},"modified":"2016-12-13T12:33:25","modified_gmt":"2016-12-13T12:33:25","slug":"agroecologia-abre-caminho-na-argentina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/12\/ultimas-noticias\/agroecologia-abre-caminho-na-argentina\/","title":{"rendered":"Agroecologia abre caminho na Argentina"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Por\u00a0Fabiana Frayssinet, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Buenos Aires, Argentina, 13\/12\/2016 \u2013 A agricultura org\u00e2nica abre crescente espa\u00e7o na Argentina, pa\u00eds l\u00edder no setor e o segundo do mundo depois da Austr\u00e1lia, como parte da rea\u00e7\u00e3o a um modelo que desiludiu os produtores e come\u00e7a a assustar os consumidores. Segundo a intergovernamental Comiss\u00e3o Interamericana de Agricultura Org\u00e2nica (Ciao), existem no continente americano 9,9 milh\u00f5es de hectares de produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica certificada, 22% da superf\u00edcie mundial destinada a esses cultivos.<\/p>\n<p>Desse total, 6,8 milh\u00f5es est\u00e3o na Am\u00e9rica Latina e no Caribe, e tr\u00eas milh\u00f5es destes ficam na Argentina. Segundo o argentino Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade e Qualidade Agroalimentar (Senasa), a superf\u00edcie org\u00e2nica colhida cresceu 10%, com cultivos de arom\u00e1ticas, hortali\u00e7as, legumes, frutas, cereais e oleaginosas. Os legumes e as hortali\u00e7as tiveram o maior aumento (200%). Na Argentina, h\u00e1 1.074 produtores org\u00e2nicos, majoritariamente pequenas e m\u00e9dias empresas e cooperativas.<\/p>\n<p>\u201cO mercado org\u00e2nico est\u00e1 come\u00e7ando a se mover. Somos produtores h\u00e1 20 anos, quando esse mercado n\u00e3o existia na Argentina e tudo era exportado. Agora vendemos para fora uma parte, mas cerca de 50% fica aqui\u201d, disse Jorge Pierrestegui, diretor da companhia agroecol\u00f3gica Olivares e Vi\u00f1edos San Nicol\u00e1s, produtora de azeitonas e \u00f3leo de oliva em cerca de mil hectares na prov\u00edncia de C\u00f3rdoba. \u201cOptar pelo org\u00e2nico foi uma pol\u00edtica da empresa, principalmente por uma vis\u00e3o ecol\u00f3gica, de longo prazo, de n\u00e3o jogar veneno nas planta\u00e7\u00f5es\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>O engenheiro agr\u00f4nomo Eduardo Cerd\u00e1, assessor em agroecologia, diferencia essa pr\u00e1tica da chamada org\u00e2nica. Tampouco usa agroqu\u00edmicos mas n\u00e3o busca \u201ccertificar\u201d uma produ\u00e7\u00e3o que est\u00e1 \u201cconcentrada em quatro ou cinco empresas\u201d e que tem \u201cum custo para os produtores\u201d, explicou \u00e0 IPS. \u201cBasicamente, trabalhamos para gerar experi\u00eancias, acompanhar produtos, formar estudantes, com um olhar da agronomia com princ\u00edpios ecol\u00f3gicos\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Cerd\u00e1, vice-presidente do Centro de Graduados da Faculdade de Agronomia da Universidade Nacional de La Plata (UNLP), destacou que h\u00e1 um interesse crescente na agroecologia. Em dez anos, aumentaram de 600 para 12.500 hectares as \u00e1reas assessoradas. Ele e seus poucos colegas especializados n\u00e3o conseguem atender tanta demanda. O especialista atribui isso \u00e0 decep\u00e7\u00e3o com o \u201cmodelo atual\u201d baseado em agroqu\u00edmicos, que considera \u201cesgotado\u201d.<\/p>\n<p>Para ele, a agroecologia \u201cn\u00e3o \u00e9 uma alternativa, mas uma agronomia dos pr\u00f3ximos anos, e os produtores est\u00e3o vendo que aquilo que lhes prometeram h\u00e1 20 anos, que iriam resolver essa tecnologia, n\u00e3o foi cumprido. Nem quanto a grandes rendimentos, nem a custos. Veem que t\u00eam um custo impressionante pela quantidade de insumos que utilizam\u201d.<\/p>\n<p>Enquanto na d\u00e9cada de 1990 um hectare de trigo custava US$ 100, em 2015 chegou a US$ 400. Mas o rendimento n\u00e3o quadriplicou. Antes um hectare produzia tr\u00eas mil quilos e hoje, \u201ccom sorte, estaremos entre seis mil ou sete mil\u201d, comparou Cerd\u00e1. E ressaltou que \u201c\u00e9 uma tecnologia car\u00edssima para um resultado superineficiente. Comparamos campos agroecol\u00f3gicos que utilizam o esquema misto de agricultura e pecu\u00e1ria contra campos empresariais. Podemos at\u00e9 dizer que s\u00e3o mais eficientes\u201d.<\/p>\n<p>A Ciao atribui o crescimento agr\u00edcola org\u00e2nico na Argentina \u00e0 demanda internacional, principalmente na Europa e nos Estados Unidos. Mas destaca que os cultivos org\u00e2nicos ainda representam apenas 0,5% da superf\u00edcie total semeada. Na Argentina, com 43 milh\u00f5es de habitantes, o setor agropecu\u00e1rio representa um dos destaques de sua economia, respondendo por 13% do produto interno bruto (PIB), 55,8% de suas exporta\u00e7\u00f5es e 35,6% de seus empregos direto e indireto.<\/p>\n<p>\u201cO que mais se planta na Argentina \u00e9 soja, milho ou algod\u00e3o transg\u00eanico. Os produtores org\u00e2nicos s\u00e3o pouqu\u00edssimos ainda, e est\u00e3o, sobretudo, nas hortas. Podemos contar nos dedos os que produzem gr\u00e3os agroecol\u00f3gicos, porque n\u00e3o existe uma pol\u00edtica de Estado que os promova\u201d, pontuou Graciela Draguicevich, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Mutual Sentimiento.<\/p>\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o administra El Galpon, no bairro de Chacarita, em Buenos Aires, que h\u00e1 14 anos funciona como um mercado de abastecimento agroecol\u00f3gico e de economia social. \u201cDescobrimos que o principal problema era a intermedia\u00e7\u00e3o ociosa e contatamos produtores, mas quer\u00edamos fazer mais, porque nos parecia que nada seria bom se continu\u00e1ssemos consumindo t\u00f3xicos e adoecendo com a comida. Por isso come\u00e7amos a buscar produtores sem agrot\u00f3xicos\u201d, contou Graciela \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Os integrantes da Associa\u00e7\u00e3o estabeleceram outro conceito do org\u00e2nico. Segundo a presidente da entidade, \u00e9 \u201cquando n\u00e3o tem venenos sociais e econ\u00f4micos, n\u00e3o pratica explora\u00e7\u00e3o, nem h\u00e1 diferen\u00e7a de sal\u00e1rio por g\u00eanero, nem trabalho infantil, nem depreda\u00e7\u00e3o do que se comercializa. Tudo tem que conservar seu equil\u00edbrio\u201d. Graciela comemora cada vez que h\u00e1 mais feiras como El Galp\u00f3n, embora ainda n\u00e3o seja \u201cuma por bairro\u201d, como considera necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>Alicia Della Ceca, que vende frutas e hortali\u00e7as nesse mercado solid\u00e1rio, cultiva, junto com seus dois filhos, 3,5 hectares a cerca de 20 quil\u00f4metros da capital. Ali deixaram de usar qu\u00edmicos h\u00e1 dez anos, quando o governo ofereceu assessoria t\u00e9cnica. \u201cComo meus filhos s\u00e3o jovens e t\u00eam a mente aberta, se interessaram\u201d, disse Alicia \u00e0 IPS. \u201c\u00c9 muito bom para a sa\u00fade, para o produto, para a terra. Meu marido h\u00e1 40 anos usava pesticidas porque era o normal, pensava-se que de outra forma n\u00e3o cresceria. Mas meus filhos s\u00e3o testemunhas de que se pode trabalhar dessa maneira. A terra d\u00e1, n\u00e3o \u00e9 preciso castig\u00e1-la com qu\u00edmicos\u201d, destacou.<\/p>\n<div id=\"attachment_217240\" style=\"width: 570px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img class=\"wp-image-217240\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/produtora.jpg\" width=\"560\" height=\"420\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/produtora.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/produtora-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 560px) 100vw, 560px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">A produtora agroecol\u00f3gica Alicia Della Ceca, em seu ponto de venda em El Galp\u00f3n, no bairro de Chacarita, na capital da Argentina. Nesse mercado de produtos org\u00e2nicos, baseado na economia social, ela vende diretamente os produtos que cultiva com seus dois filhos, em um terreno de 3,5 hectares. Foto: Fabiana Frayssinet\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A produtora acrescentou que \u201cas pessoas que trabalham com qu\u00edmicos querem as coisas r\u00e1pidas, em quantidade, grandes e brilhantes. Isso \u00e9 algo que impulsionou o mercado. Quando o neg\u00f3cio era de bairro, n\u00e3o era assim. Mas eles impuseram as sacolinhas e muitas coisas que v\u00e3o contra a natureza. Agora entre os consumidores cresce essa nova consci\u00eancia, diante do abuso dos agroqu\u00edmicos\u201d. O estudo <em>Pesticidas. Os Condimentos n\u00e3o Declarados<\/em>, publicado em 2015 pela UNLP, revela que, nas 60 amostras analisadas, oito em cada dez verduras e frutas continham agroqu\u00edmicos.<\/p>\n<p>\u201cO n\u00edvel de contamina\u00e7\u00e3o \u00e9 enorme. Quando se analisa, aparecem restos de agroqu\u00edmicos nos alimentos, no solo, na \u00e1gua, no ar. E, por mais que cuidemos, nossos produtos, nossos gr\u00e3os, t\u00eam agroqu\u00edmicos dos vizinhos. \u00c9 um modelo muito perverso\u201d, alertou Cerd\u00e1. Ele apontou que \u201cestamos nessa tarefa h\u00e1 20 anos, com 20 milh\u00f5es de hectares de soja (na Argentina). Falamos de mais de 200 milh\u00f5es de litros de herbicida todos os anos, mais outros produtos que s\u00e3o aplicados, o que est\u00e1 causando uma explos\u00e3o ambiental muito perigosa. O que nos espera \u00e9 uma grande perda de fertilidade\u201d.<\/p>\n<p>Pierrestegui considera que esse pa\u00eds tem especial potencial para o org\u00e2nico, e afirmou que \u201ca Argentina n\u00e3o \u00e9 um grande produtor mundial de \u00f3leo de oliva, mas dos poucos que podem produzi-lo de modo org\u00e2nico. A Espanha, por exemplo, um dos principais produtores mundiais, trabalha com terras muito \u00e1ridas, nas quais \u00e9 necess\u00e1rio utilizar muitos agroqu\u00edmicos e fertilizantes artificiais. A Argentina tem a vantagem da terra boa\u201d.<\/p>\n<p>O informe <em>Os Mercados Mundiais de Frutas e Verduras Org\u00e2nicas<\/em>, da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO), diz que \u201cna Argentina a passagem da agricultura convencional para a produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica n\u00e3o costuma apresentar dificuldades gra\u00e7as \u00e0s suas condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA extens\u00e3o e fertilidade natural dos solos, a abund\u00e2ncia de terras virgens e o escasso emprego de insumos qu\u00edmicos nas pr\u00e1ticas agr\u00edcolas convencionais permitem que os agricultores passem para a produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica sem necessidade de introduzir importantes ajustes em seus m\u00e9todos de explora\u00e7\u00e3o. Os diferentes climas imperantes e a baixa press\u00e3o de pragas tornam poss\u00edvel a produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica em quase todo o pa\u00eds\u201d, destaca o documento.<\/p>\n<p>\u201cCom tudo o que se investiga, com tudo o que gastam os produtores, a natureza lhes diz: rapazes, as ervas daninhas funcionam de outra maneira, n\u00e3o basta aumentar as doses, os coquet\u00e9is, porque no longo prazo acabaremos todos envenenados. As l\u00f3gicas na natureza s\u00e3o diferentes, procurem entend\u00ea-las\u201d, ressaltou Cerd\u00e1. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/1-1-canais\/agroecologia-abre-caminho-na-argentina\/\">Agroecologia abre caminho na Argentina<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/\">Envolverde<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Fabiana Frayssinet, da IPS &ndash;&nbsp; Buenos Aires, Argentina, 13\/12\/2016 &ndash; A agricultura org&acirc;nica abre crescente espa&ccedil;o na Argentina, pa&iacute;s l&iacute;der no setor e o segundo do mundo depois da Austr&aacute;lia, como parte da rea&ccedil;&atilde;o a um modelo que desiludiu os produtores e come&ccedil;a a assustar os consumidores. Segundo a intergovernamental Comiss&atilde;o Interamericana de Agricultura Org&acirc;nica [&hellip;]<\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/1-1-canais\/agroecologia-abre-caminho-na-argentina\/\">Agroecologia abre caminho na Argentina<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/\">Envolverde<\/a>.<\/p>\n<p> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/12\/ultimas-noticias\/agroecologia-abre-caminho-na-argentina\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1109,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[2830,2501,979,3043,2783],"class_list":["post-21479","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ultimas-noticias","tag-1-1-canais","tag-agroecologia","tag-argentina","tag-mundo-inter-press-service","tag-news3"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21479","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1109"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21479"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21479\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21480,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21479\/revisions\/21480"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21479"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21479"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21479"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}