{"id":21487,"date":"2016-12-15T11:52:05","date_gmt":"2016-12-15T11:52:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=217321"},"modified":"2016-12-15T11:52:05","modified_gmt":"2016-12-15T11:52:05","slug":"migrantes-climaticos-sao-invisiveis-na-asia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2016\/12\/ultimas-noticias\/migrantes-climaticos-sao-invisiveis-na-asia\/","title":{"rendered":"Migrantes clim\u00e1ticos s\u00e3o invis\u00edveis na \u00c1sia"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Por\u00a0Manipadma Jena, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Nova D\u00e9lhi, \u00cdndia, 15\/12\/2016 \u2013 Tasura Begum lembra o dia em que ela e seu marido viram como o poderoso rio Padma levou sua casa de palha e sua pequena granja, na aldeia de Beparikandi, em Bangladesh, e com elas suas esperan\u00e7as e seus sonhos. Seu marido teve que ir para a Ar\u00e1bia Saudita trabalhar na constru\u00e7\u00e3o para poder pagar o empr\u00e9stimo feito para comprar comida e construir outra cho\u00e7a mais afastada do rio. Seu filho mais velho foi para Daca e deixou-a com outro filho de quatro anos e uma filha adolescente, que sonha em ser m\u00e9dica para curar o problema renal de sua m\u00e3e.<\/p>\n<p>As m\u00e1s colheitas, o aumento do n\u00edvel do mar e as inunda\u00e7\u00f5es causadas pela mudan\u00e7a clim\u00e1tica geram mais emigra\u00e7\u00e3o do que nunca no sul da \u00c1sia, segundo o estudo <em>A Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica N\u00e3o Tem Fronteiras<\/em>, divulgado no dia 8 deste m\u00eas em conjunto por ActionAid, Climate Action Network-South Asia e P\u00e3o para o Mundo.<\/p>\n<div id=\"attachment_217322\" style=\"width: 570px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img class=\"wp-image-217322\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/inundacoes.jpg\" width=\"560\" height=\"374\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/inundacoes.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/inundacoes-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/inundacoes-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 560px) 100vw, 560px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">V\u00edtimas das inunda\u00e7\u00f5es recebem comida de emerg\u00eancia em uma aldeia costeira no Estado de Odisha, na \u00cdndia. Foto: Manipadma Jena\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As tr\u00eas organiza\u00e7\u00f5es internacionais alertam para as consequ\u00eancias da mudan\u00e7a clim\u00e1tica, em particular em Bangladesh, \u00cdndia, Nepal e Sri Lanka, e pedem aos governos que reconhe\u00e7am e remedeiem as car\u00eancias em pol\u00edticas estatais antes que explodam e se convertam em emigra\u00e7\u00e3o em massa, descontentamento e conflitos pelos recursos.<\/p>\n<p>Desastres repentinos, como ciclones e inunda\u00e7\u00f5es, podem provocar deslocamentos tempor\u00e1rios. Mas, se esses fatos ocorrerem reiteradamente, as pessoas podem perder suas economias e seus bens at\u00e9 serem obrigadas a partir para outras cidades ou pa\u00edses, inclusive ilegalmente, para encontrar trabalho, segundo v\u00e1rios estudos. A saliniza\u00e7\u00e3o pela eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar e a perda de terra pela eros\u00e3o, entre outros fatores, tamb\u00e9m obriga as pessoas a abandonarem suas casas no sul da \u00c1sia, onde a depend\u00eancia dos recursos naturais e a pobreza s\u00e3o altas.<\/p>\n<p>O ciclone Roanu passou por Bangladesh, \u00cdndia e Sri Lanka em maio, causando danos generalizados, com custos de reconstru\u00e7\u00e3o estimados em US$ 1,7 bilh\u00e3o. O impacto da seca e a falta de cultivos este ano se estendeu por Bangladesh, \u00cdndia, Nepal e Sri Lanka, afetando 330 milh\u00f5es\u00a0 de pessoas somente na \u00cdndia.<\/p>\n<p>Em 2015, a \u00c1sia meridional \u2013 que teve 52 desastres e 14.650 mortos, ou 64% das v\u00edtimas do planeta por esse motivo \u2013 foi a sub-regi\u00e3o mais propensa aos desastres dentro da regi\u00e3o \u00c1sia-Pac\u00edfico, que por sua vez \u00e9 a mais propensa aos desastres em todo o mundo, segundo a Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica e Social das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a \u00c1sia e o Pac\u00edfico (Unescap).<\/p>\n<p>Entre 2008 e 2013, os desastres naturais deslocaram mais de 46 milh\u00f5es de pessoas no sul da \u00c1sia. A \u00cdndia ficou em primeiro lugar, com 26 milh\u00f5es de deslocados, de acordo com o Centro de Monitoramento de Deslocamento Interno, com sede em Genebra. O estudo <em>Perspectivas do Meio Ambiente Mundial (GEO-6)<\/em>, do Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), alerta que 40 milh\u00f5es de pessoas na \u00cdndia e 25 milh\u00f5es\u00a0 em Bangladesh \u2013 cerca de 3% e 16% das respectivas popula\u00e7\u00f5es \u2013 correr\u00e3o risco em raz\u00e3o da eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar at\u00e9 2050.<\/p>\n<p>\u201cApesar dos sinais claros, a magnitude da mudan\u00e7a clim\u00e1tica como fator adicional de expuls\u00e3o continua sendo majoritariamente invis\u00edvel no discurso sobre a migra\u00e7\u00e3o\u201d, apontou \u00e0 IPS Harjeet Singh, da ActionAid sobre a mudan\u00e7a clim\u00e1tica. \u201cA invisibilidade dos que s\u00e3o obrigados a deixar suas casas devido \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica implica que possivelmente n\u00e3o recebam a mesma prote\u00e7\u00e7\u00e3o e os mesmos direitos concedidos aos demais deslocados internos ou refugiados\u201d, destacou.<\/p>\n<div id=\"attachment_217323\" style=\"width: 570px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img class=\"wp-image-217323\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/sa2.jpg\" width=\"560\" height=\"374\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/sa2.jpg 640w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/sa2-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/sa2-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 560px) 100vw, 560px\" \/><p class=\"wp-caption-text\"><br \/> Uma semana depois de a \u00e1gua ter arrasado sua casa, esta fam\u00edlia de Odisha continua vivendo na rua. O pai teve que ir trabalhar no vizinho Estado de Andhra Pradesh. Foto: Manipadma Jena\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cAs popula\u00e7\u00f5es for\u00e7adas a emigrar, levadas pelo desespero e pela falta de op\u00e7\u00f5es, s\u00e3o menos seguras quando abandonam sua terra por outras desconhecidas. T\u00eam que optar por empregos com remunera\u00e7\u00e3o menor, frequentemente s\u00e3o explorados e sofrem hostilidades\u201d, explicou Sanjay Vashist, diretor para o sul da \u00c1sia da organiza\u00e7\u00e3o Climate Action Network.<\/p>\n<p>O informe cita tamb\u00e9m o crescente tr\u00e1fico de mulheres e meninas com fins de explora\u00e7\u00e3o sexual como resultado da migra\u00e7\u00e3o, bem como a carga que sofrem as mulheres que ficam para tr\u00e1s quando seus maridos s\u00e3o obrigados a emigrar, como \u00e9 o caso de Tasura Begum.<\/p>\n<p>As mulheres que emigram sozinhas s\u00e3o as mais vulner\u00e1veis \u00e0 explora\u00e7\u00e3o e ao abuso. As jovens nepalesas e bengalis que buscam trabalho na \u00cdndia n\u00e3o t\u00eam outro contato al\u00e9m dos \u201cagentes\u201d locais que lhes prometem emprego, sobretudo como empregadas dom\u00e9sticas. Mas, em muitos casos, esses agentes s\u00e3o, na realidade, traficantes. Quando as migrantes chegam \u00e0s cidades, s\u00e3o obrigadas a trabalhar em bord\u00e9is, contra sua vontade.<\/p>\n<p>Embora esse fen\u00f4meno ocorra h\u00e1 anos e seja reconhecido, o informe ainda n\u00e3o compreende totalmente o grau em que a mudan\u00e7a clim\u00e1tica contribui para o problema. De acordo com o Banco Mundial, 12,5% das fam\u00edlias de Bangladesh, 14% da \u00cdndia e at\u00e9 28% do Nepal s\u00e3o chefiadas por mulheres, muitas vezes como consequ\u00eancia da migra\u00e7\u00e3o masculina.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o necess\u00e1rias defini\u00e7\u00f5es mais claras para a migra\u00e7\u00e3o e o deslocamento clim\u00e1tico, e estas devem proporcionar a base para a recopila\u00e7\u00e3o e an\u00e1lise de dados, al\u00e9m de pol\u00edticas claras baseadas nos direitos humanos\u201d, ressaltou Singh \u00e0 IPS, do F\u00f3rum Mundial sobre Migra\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento, realizado entre os dias 8 e 12 deste m\u00eas, em Bangladesh.<\/p>\n<p>\u201cO Mecanismo Internacional das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Perdas e Danos (aprovado em Vars\u00f3via em 2013) deve garantir a prote\u00e7\u00e3o legal das pessoas for\u00e7adas a emigrar ou que foram deslocadas pela mudan\u00e7a clim\u00e1tica\u201d, afirmou Singh. Os recursos h\u00eddricos transfronteiri\u00e7os, que em grande parte s\u00e3o processos pol\u00edticos muito complexos, tamb\u00e9m exacerbam a vulnerabilidade das comunidades diante da mudan\u00e7a clim\u00e1tica, acrescenta o informe.<\/p>\n<p>\u201cOs governos da \u00c1sia meridional devem reconhecer que a mudan\u00e7a clim\u00e1tica n\u00e3o conhece fronteiras, e que t\u00eam a responsabilidade de usar nossos ecossistemas compartilhados, rios, montanhas, hist\u00f3ria e culturas para buscar solu\u00e7\u00f5es comuns para as secas, o aumento do n\u00edvel do mar e a escassez de \u00e1gua\u201d, enfatizou Vashist. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/1-1-canais\/migrantes-climaticos-sao-invisiveis-na-asia\/\">Migrantes clim\u00e1ticos s\u00e3o invis\u00edveis na \u00c1sia<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/\">Envolverde<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Manipadma Jena, da IPS &ndash;&nbsp; Nova D&eacute;lhi, &Iacute;ndia, 15\/12\/2016 &ndash; Tasura Begum lembra o dia em que ela e seu marido viram como o poderoso rio Padma levou sua casa de palha e sua pequena granja, na aldeia de Beparikandi, em Bangladesh, e com elas suas esperan&ccedil;as e seus sonhos. 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