{"id":215,"date":"2005-01-23T00:00:00","date_gmt":"2005-01-23T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=215"},"modified":"2005-01-23T00:00:00","modified_gmt":"2005-01-23T00:00:00","slug":"direitos-humanos-chertoff-mais-represso-para-a-segurana-interna-nos-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/direitos-humanos-chertoff-mais-represso-para-a-segurana-interna-nos-eua\/","title":{"rendered":"Direitos Humanos: Chertoff, mais repress&atilde;o para a seguran&ccedil;a interna nos EUA"},"content":{"rendered":"<p>Nova York, 23\/01\/2005 &ndash; O escolhido pelo presidente George W. Bush para dirigir a seguran&ccedil;a interna dos Estados Unidos, Michael Chertoff, enfrenta dura oposi&ccedil;&atilde;o de senadores do Partido Democrata e de ativistas pelos direitos humanos. Chertoff foi respons&aacute;vel pela divis&atilde;o penal do Departamento de Justi&ccedil;a de 2001 a 2003, e depois foi juiz federal. Sua designa&ccedil;&atilde;o efetiva como secret&aacute;rio de Seguran&ccedil;a Interna, em substitui&ccedil;&atilde;o a Tom Ridge, depende da aprova&ccedil;&atilde;o do Senado. Os questionamentos referentes a ele dizem respeito &agrave; sua atua&ccedil;&atilde;o no Departamento de Justi&ccedil;a. Especialistas e legisladores o consideram um inspirador de viola&ccedil;&otilde;es das liberdades civis.<br \/> <!--more--> <br \/> &quot;Mike demonstra um profundo compromisso com a causa da justi&ccedil;a e uma grande determina&ccedil;&atilde;o para proteger o povo norte-americano. Mike tamb&eacute;m &eacute; um l&iacute;der-chave na guerra contra o terror&quot;, afirmou Bush ao anunciar sua designa&ccedil;&atilde;o, na ter&ccedil;a-feira. Entretanto, a Uni&atilde;o Americana pelas Liberdades Civis (Aclu), a mais antiga das organiza&ccedil;&otilde;es de direitos humanos dos Estados Unidos, se manifestou &quot;preocupada pelo fato de seus antecedentes sugerirem que v&ecirc; os direitos constitucionais como um obst&aacute;culo para a seguran&ccedil;a nacional&quot;. O principal especialista em mat&eacute;ria legislativa da Aclu, Gregory T. Nojeim, qualificou Chertoff de &quot;representante da cren&ccedil;a dominante de que o Poder Executivo deveria ficar livre de pesos e contrapesos que o impedem de abusar de seu imenso poder sobre nossas vidas e liberdades&quot;. <\/p>\n<p> Nojeim manifestou sua esperan&ccedil;a de que o Senado o interpele duramente para assegurar-se de sua capacidade para ocupar o cargo e da &quot;for&ccedil;a de seu compromisso&quot; com os direitos constitucionais. Os questionamentos se devem, fundamentalmente, ao seu papel de criador e supervisor das pol&iacute;ticas do Departamento de Justi&ccedil;a e do Escrit&oacute;rio Federal de Investiga&ccedil;&otilde;es (FBI) nos meses seguintes aos ataques de 11 de setembro de 2001 em Nova York e Washington, quando ocorreram os piores atentados terroristas da hist&oacute;ria contempor&acirc;nea, nos quais morreram tr&ecirc;s mil pessoas. O acontecimento derivou, entre outras decis&otilde;es, na cria&ccedil;&atilde;o do Departamento de Seguran&ccedil;a Interna, de n&iacute;vel ministerial. Depois dos atentados, o Departamento de Justi&ccedil;a e o FBI prenderam mais de mil imigrantes e estrangeiros que visitavam os Estados Unidos, na maioria &aacute;rabes e sul-asi&aacute;ticos. <\/p>\n<p> Chertoff disse ao Comit&ecirc; Judicial do Senado, em novembro de 2003, que &quot;as pris&otilde;es, os interrogat&oacute;rios e as demais t&eacute;cnicas agressivas de investiga&ccedil;&atilde;o que atualmente empregamos s&atilde;o legais sob a Constitui&ccedil;&atilde;o das leis federais. Ningu&eacute;m est&aacute; incomunic&aacute;vel. A ningu&eacute;m &eacute; negado o direito a um advogado nem o direito ao devido processo. Cada deten&ccedil;&atilde;o &eacute; completamente consistente com a autoridade constitucional estabelecida. Cada preso foi acusado de uma viola&ccedil;&atilde;o das leis migrat&oacute;rias e penais ou foi legalmente preso como testemunha material&quot;, afirmou.<\/p>\n<p> No entanto, algumas das pol&iacute;ticas estabelecidas por Chertoff depois do 11 de setembro s&atilde;o alvo de rep&uacute;dio, inclusive por parte de outros funcion&aacute;rios do governo. Entre esses questionamentos figuram os relat&oacute;rios divulgados em junho e dezembro de 2003 pelo Escrit&oacute;rio do Inspetor Geral do Departamento de Justi&ccedil;a, desde 2000 encabe&ccedil;ado por Glenn A. Fine. Nesses informes adverte-se que Chertoff apelava para viola&ccedil;&otilde;es menores ou raramente usadas antes para manter cidad&atilde;os presos a maior parte do tempo, sem direito &agrave; fian&ccedil;as, nem a advogado. A Aclu determinou que as autoridades n&atilde;o conseguiram detectar v&iacute;nculos entre nenhum desses presos e os atentados de setembro de 2001. <\/p>\n<p> Os informes do Escrit&oacute;rio do Inspetor Geral tamb&eacute;m indicam que os procedimentos do governo para descartar esse v&iacute;nculo precisaram de funcion&aacute;rios suficientes e de &quot;suficiente prioridade&quot;. Estes consumiram uma m&eacute;dia de 80 dias e, em certas ocasi&otilde;es, mais de 200. Por outro lado, a qualifica&ccedil;&atilde;o desses presos como suspeitos foi feita de maneira &quot;indiscriminada e ca&oacute;tica&quot;. Ningu&eacute;m no Departamento de Justi&ccedil;a refutou a acusa&ccedil;&atilde;o de que &quot;nas sess&otilde;es de estrat&eacute;gia do Departamento de Justi&ccedil;a Chertoff concordou que os presos suportaram longos per&iacute;odos de interrogat&oacute;rio&quot;, indicam os relat&oacute;rios.<\/p>\n<p> Mesmo quando algum preso conseguia uma audi&ecirc;ncia, acrescentou o Escrit&oacute;rio, esta &quot;n&atilde;o s&oacute; devia acontecer em segredo como, tamb&eacute;m, poderia ser adiada, e mesmo na eventualidade de que ocorresse e que conclu&iacute;sse com a deporta&ccedil;&atilde;o (normalmente por viola&ccedil;&otilde;es migrat&oacute;rias menores) n&atilde;o havia nada na lei estabelecendo que isso devia ocorrer de imediato. Podiam permanecer mais tempo ainda presos&quot;, afirmou. Chertoff sabia que os prisioneiros tinham direito a um advogado, mas as listas desses profissionais dispon&iacute;veis fornecida pela INS tinha n&uacute;meros de telefones invariavelmente fora de servi&ccedil;o&quot;, segundo o jornalista Steven Brill. O INS &eacute; o Servi&ccedil;o de Imigra&ccedil;&atilde;o e Naturaliza&ccedil;&atilde;o, hoje parte do Departamento de Seguran&ccedil;a Interna. <\/p>\n<p> &quot;Os imigrantes n&atilde;o eram o inimigo. Mas a guerra contra o terror logo se transformou em uma guerra contra os imigrantes. As descobertas do inspetor-geral confirmam nossa vis&atilde;o de que as liberdades civis e os direitos dos imigrantes foram pisoteados depois de 11 de setembro de 2001&quot;, disse o diretor-executivo da Aclu, Anthony D. Romero. Chertoff tamb&eacute;m foi um dos arquitetos da Lei Patri&oacute;tica na luta contra os terroristas, que desde sua aprova&ccedil;&atilde;o em 2001 recebeu cr&iacute;ticas tanto de conservadores quanto de progressistas. Al&eacute;m disso, tamb&eacute;m participou da revis&atilde;o das diretrizes de atua&ccedil;&atilde;o do FBI, que permitiu aos seus agentes disfar&ccedil;ados infiltrarem-se em reuni&otilde;es religiosas e pol&iacute;ticas. E ainda inspirou a anula&ccedil;&atilde;o da norma do Escrit&oacute;rio de Pris&otilde;es, que impedia os agentes de interceptar as conversas entre advogados e clientes, antes confidenciais. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova York, 23\/01\/2005 &ndash; O escolhido pelo presidente George W. Bush para dirigir a seguran&ccedil;a interna dos Estados Unidos, Michael Chertoff, enfrenta dura oposi&ccedil;&atilde;o de senadores do Partido Democrata e de ativistas pelos direitos humanos. Chertoff foi respons&aacute;vel pela divis&atilde;o penal do Departamento de Justi&ccedil;a de 2001 a 2003, e depois foi juiz federal. Sua designa&ccedil;&atilde;o efetiva como secret&aacute;rio de Seguran&ccedil;a Interna, em substitui&ccedil;&atilde;o a Tom Ridge, depende da aprova&ccedil;&atilde;o do Senado. Os questionamentos referentes a ele dizem respeito &agrave; sua atua&ccedil;&atilde;o no Departamento de Justi&ccedil;a. 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