{"id":2150,"date":"2006-10-09T00:00:00","date_gmt":"2006-10-09T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2150"},"modified":"2006-10-09T00:00:00","modified_gmt":"2006-10-09T00:00:00","slug":"finanas-banco-mundial-lucra-com-os-pases-pobres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/mundo\/finanas-banco-mundial-lucra-com-os-pases-pobres\/","title":{"rendered":"Finan&ccedil;as: Banco Mundial lucra com os pa&iacute;ses pobres"},"content":{"rendered":"<p>Cingapura, 09\/10\/2006 &ndash; O Banco Mundial recebe mais dinheiro dos pa&iacute;ses pobres, alertou a rede internacional Social Watch (Controle Cidad&atilde;o), durante a reuni&atilde;o em Cingapura da reuni&atilde;o anual conjunta desta institui&ccedil;&atilde;o multilateral de credito e do Fundo Monet&aacute;rio Internacional. <!--more--> O informe anual para 2006 da entidade, que defende uma profunda reforma do atual sistema financeiro internacional, foi apresentado na ter&ccedil;a-feira, ao mesmo tempo em que o Banco apresentava um controvertido plano contra a corrup&ccedil;&atilde;o nos pa&iacute;ses em desenvolvimento. As transfer&ecirc;ncias l&iacute;quidas do Banco Mundial para os pa&iacute;ses em desenvolvimento foram negativas todos os anos desde 1991, diz o documento.<\/p>\n<p>Isto significa que a soma das cotas e dos interesses pagos por esses pa&iacute;ses ao Banco Mundial &eacute; superior &agrave; dos giros destas institui&ccedil;&otilde;es aos seus governos. A &uacute;nica contribui&ccedil;&atilde;o ao desenvolvimento do Banco Internacional de Reconstru&ccedil;&atilde;o e Fomento (AIF), que oferece cr&eacute;dito sem juros e doa&ccedil;&otilde;es aos pa&iacute;ses mais pobres para estimular seu crescimento econ&ocirc;mico, &eacute; a &uacute;nica fonte de financiamento liquido do Banco Mundial. Mas, o valor desses desembolsos fica apenas entre US$ 4 bilh&otilde;es e US$ 5 bilh&otilde;es ao ano. A contribui&ccedil;&atilde;o l&iacute;quida de todo o Banco para as finan&ccedil;as do mundo em desenvolvimento &eacute; negativa em cerca de US$ 1,2 bilh&atilde;o. Portanto, a institui&ccedil;&atilde;o \u201cfracassou no cumprimento de sua miss&atilde;o\u201d, disse a Social Watch, que re&uacute;ne aproximadamente 400 organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil de 60 pa&iacute;ses que lutam pela erradica&ccedil;&atilde;o da pobreza. Enquanto isso, o Banco Mundial embarca, segundo seus cr&iacute;ticos, em uma ofensiva de rela&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas que apela para a ret&oacute;rica da governabilidade e elimina&ccedil;&atilde;o da pobreza.<\/p>\n<p>Essa campanha objetiva \u2013 asseguram \u2013 mascarar sua agenda neoliberal, que inclui desregulamenta&ccedil;&otilde;es, privatiza&ccedil;&otilde;es e a elimina&ccedil;&atilde;o dos subs&iacute;dios governamentais para servi&ccedil;os essenciais. A governabilidade n&atilde;o &eacute; um fim em si mesma, mas a base do caminho para a erradica&ccedil;&atilde;o da pobreza, disse nesta ter&ccedil;a-feira o presidente do Banco Mundial, Paul Wolfowitz, na confer&ecirc;ncia conjunta com o FMI. \u201cEla leva a acelerar e fortalecer o crescimento. Tamb&eacute;m assegura que cada d&oacute;lar &eacute; usado para combater a pobreza, a fome e as enfermidades\u201d, disse.<\/p>\n<p>Wolfowitz assegurou que a governabilidade, \u201cum conceito muito mais amplo do que o da anticorrup&ccedil;&atilde;o\u201d, est&aacute; concebida como mecanismo de redu&ccedil;&atilde;o da pobreza e n&atilde;o como uma nova condi&ccedil;&atilde;o para conceder empr&eacute;stimos. \u201cOs governos s&atilde;o os s&oacute;cios-chave do Banco nos programas de governabilidade e anticorrup&ccedil;&atilde;o. Embora, de acordo com seu mandato, a institui&ccedil;&atilde;o devesse estar aberta a outros s&oacute;cios, com institui&ccedil;&otilde;es locais, segundo as caracter&iacute;sticas de cada pais\u201d, informou na segunda-feira um comunicado do Comit&ecirc; de Desenvolvimento do FMI e do Banco Mundial. De acordo com ativistas, no passado, a corrup&ccedil;&atilde;o em alguns regimes foi incentivada pelo Banco.<\/p>\n<p>A institui&ccedil;&atilde;o colocou cerca de US$ 30 bilh&otilde;es ao longo de 30 anos nos cofres da ditadura de Al&iacute; Suharto, na Indon&eacute;sia, e tolerou seu virtual desaparecimento. Ao mesmo tempo, n&atilde;o prestou aten&ccedil;&atilde;o nas evidentes viola&ccedil;&otilde;es dos direitos humanos nesse pa&iacute;s, contribuindo para legitimar o regime. Quando Suharto finalmente foi derrubado, a credibilidade da ret&oacute;rica do Banco sobre governabilidade caiu em queda livre. Organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil consideram que a credibilidade das demandas de transpar&ecirc;ncia do Banco Mundial melhoraria a institui&ccedil;&atilde;o se ela mesma fosse transparente, atrav&eacute;s de auditorias sobre seus projetos e do apoio aos funcion&aacute;rios que denunciam pr&aacute;ticas incorretas.<\/p>\n<p>Um ex-funcion&aacute;rio do Banco, que pediu para n&atilde;o ter o nome divulgado, expressou d&uacute;vidas sobre a viabilidade das normas anticorrup&ccedil;&atilde;o apresentadas por Wolfowitz. \u201cComo criar&atilde;o as equipes anticorrup&ccedil;&atilde;o? Ser&atilde;o consultores, funcion&aacute;rios do Banco, organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil?\u201d, perguntou. Alguns ativistas consideram simplista uma excessiva aten&ccedil;&atilde;o sobre a corrup&ccedil;&atilde;o e alertam que a meta da governabilidade n&atilde;o &eacute; suficiente para incentivar o desenvolvimento. \u201cA agenda da governabilidade pode ser percebida como pr&eacute;-condi&ccedil;ao para o desenvolvimento, mais do que como um objeto importante e desej&aacute;vel. N&oacute;s questionamos isso\u201d, disse na semana passada o professor de economia Mushtaq Husain Khan em um informe ao Grupo dos 24, que representa o Sul nas institui&ccedil;&otilde;es multilaterais de cr&eacute;dito.<\/p>\n<p>As reformas do Banco deveriam incluir seus mecanismos de tomada de decis&otilde;es, que favorecem os pa&iacute;ses ricos. Os Estados Unidos, por exemplo, contam com um diretor-executivo e 17,5% do poder de voto. O Jap&atilde;o tamb&eacute;m tem um diretor e 7% dos votos na dire&ccedil;&atilde;o da institui&ccedil;&atilde;o. Por outro lado, a &Aacute;frica conta com tr&ecirc;s diretores-executivos representando 53 pa&iacute;ses, que somam 8% do poder de voto. Apesar de contar com t&atilde;o magro poder dentro do Banco e do FMI, os pa&iacute;ses pobres s&atilde;o os que financiam o grosso dos custos administrativos dessas institui&ccedil;&otilde;es, atrav&eacute;s do pagamento de juros e outros servi&ccedil;os referentes &agrave;s d&iacute;vidas, segundo o Social Watch.<\/p>\n<p>As receitas do Banco e do FMI beneficiam grandes empresas privadas, mas, n&atilde;o os pobres dos pa&iacute;ses que recebem os cr&eacute;ditos, acrescenta a ONG. Os projetos financiados com esses empr&eacute;stimos t&ecirc;m efeitos desastrosos em alguns desses pa&iacute;ses. Tais cr&eacute;ditos estiveram, em muitas ocasi&otilde;es, condicionados a privatiza&ccedil;&otilde;es, desregulamenta&ccedil;&otilde;es e abertura de mercados &agrave;s importa&ccedil;&otilde;es. No Sri Lanka, por exemplo, os bancos de desenvolvimento, como o Mundial, defenderam a redu&ccedil;&atilde;o de subs&iacute;dios para fertilizantes e sementes, a privatiza&ccedil;&atilde;o das empresas que produzem esses insumos e a venta de moinhos.<\/p>\n<p>\u201cO Banco Mundial destr&oacute;i nossos sistemas agr&iacute;colas tradicionais e nosso modo de vida\u201d, disse D. R. Jayatilake, do Movimento pela Terra Nacional e a Reforma Agr&aacute;ria. \u201cO Banco promove uma reforma agr&aacute;ria assistida pelo mercado\u201d, disse Henry Saragih, coordenador-geral do movimento internacional de agricultores da Via Camponesa. Outros projetos financiados pelo Banco derivaram no desalojamento de comunidades rurais de suas propriedades, em benef&iacute;cio de companhias multinacionais. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cingapura, 09\/10\/2006 &ndash; O Banco Mundial recebe mais dinheiro dos pa&iacute;ses pobres, alertou a rede internacional Social Watch (Controle Cidad&atilde;o), durante a reuni&atilde;o em Cingapura da reuni&atilde;o anual conjunta desta institui&ccedil;&atilde;o multilateral de credito e do Fundo Monet&aacute;rio Internacional. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/mundo\/finanas-banco-mundial-lucra-com-os-pases-pobres\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":533,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5,9,4,11],"tags":[],"class_list":["post-2150","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-economia","category-globalizacao","category-mundo","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2150","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/533"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2150"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2150\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2150"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2150"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2150"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}