{"id":21504,"date":"2017-01-09T12:52:06","date_gmt":"2017-01-09T12:52:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=217534"},"modified":"2017-01-09T12:52:06","modified_gmt":"2017-01-09T12:52:06","slug":"aposta-em-bioproduto-contra-aflatoxinas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2017\/01\/ultimas-noticias\/aposta-em-bioproduto-contra-aflatoxinas\/","title":{"rendered":"Aposta em bioproduto contra aflatoxinas"},"content":{"rendered":"<p><em>Por\u00a0Ini Ekott, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Abuja, Nig\u00e9ria, 9\/1\/2017 \u2013 Entre as subst\u00e2ncias que contaminam os alimentos, as aflatoxinas est\u00e3o entre as mais letais. Entre 2004 e 2007, milho contaminado deixou quase 200 mortos no Qu\u00eania, centenas de pessoas hospitalizadas e foram jogados no lixo milh\u00f5es de sacas. Aproximadamente, entre 25% e 60% do milho, um produto b\u00e1sico em muitos pa\u00edses africanos, cont\u00e9m alto grau de aflatoxinas na Nig\u00e9ria, alertou o Instituto Internacional de Agricultura Tropical (IITA).<\/p>\n<div id=\"attachment_217535\" style=\"width: 570px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img class=\"wp-image-217535\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/aflatoxina1-629x472.jpeg\" width=\"560\" height=\"420\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/aflatoxina1-629x472.jpeg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/aflatoxina1-629x472-300x225.jpeg 300w\" sizes=\"(max-width: 560px) 100vw, 560px\" \/><p class=\"wp-caption-text\"><br \/> Agricultores aplicam Aflasafe em cultivos de amendoim. Foto: Cortesia da Aflasafe.com<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Essa toxina eleva o risco de c\u00e2ncer de f\u00edgado, debilita o sistema imunol\u00f3gico, atrasa o crescimento de meninos e meninas, e pode causar a morte, sendo extremamente perigosa. Mas agora o Aflasafe, um produto de biocontrole fabricado na \u00c1frica, combate sua toxidade e leva esperan\u00e7as para milh\u00f5es de pessoas que dependem de cultivos vulner\u00e1veis como o milho.<\/p>\n<p>\u201cAs aflatoxinas est\u00e3o entre as subst\u00e2ncias mais cancer\u00edgenas. Mas, nos quatro anos que estamos trabalhando com agricultores, obtivemos grandes resultados com o Aflasafe\u201d, afirmou Adebowale Akande, encarregado do projeto do IITA que desenvolveu o bioprotudo. Um per\u00edodo de teste de quatro anos com essa subst\u00e2ncia na Nig\u00e9ria apresentou impressionante redu\u00e7\u00e3o de aflatoxinas, de 80% a 90%. \u201cConcorda que quatro anos s\u00e3o suficientes para saber se algo funciona ou n\u00e3o?\u201d, perguntou.<\/p>\n<p>A contamina\u00e7\u00e3o com aflatoxinas \u00e9 um problema mundial. Os pa\u00edses ricos analisam os cultivos e destroem os alimentos que superam o limite regular, mas a falta de controle e a pouca consci\u00eancia existente nas na\u00e7\u00f5es em desenvolvimento deixam milhares de milh\u00f5es\u00a0 de pessoas vulner\u00e1veis a esse composto t\u00f3xico. O Centro para o Controle de Enfermidades, com sede nos Estados Unidos, estima que 4,5 bilh\u00f5es de pessoas nos pa\u00edses em desenvolvimento podem estar expostas de forma cr\u00f4nica \u00e0s aflatoxinas.<\/p>\n<p>Essas toxinas contaminam os produtos b\u00e1sicos da dieta africana, como milho, amendoim e arroz, seja na terra ou na estocagem. Os pa\u00edses em latitudes entre 40 graus Norte e 40 graus Sul, que inclui todo o continente africano, s\u00e3o suscet\u00edveis a essa contamina\u00e7\u00e3o, segundo a Partnesrship for Aflatoxin Control in Africa (Paca \u2013 Associa\u00e7\u00e3o para o Controle das Aflatoxinas na \u00c1frica), \u00f3rg\u00e3o da Uni\u00e3o Africana (UA).<\/p>\n<p>\u201cO impacto econ\u00f4mico direto da contamina\u00e7\u00e3o por aflatoxinas nos cultivos se deve principalmente \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o apta para comercializa\u00e7\u00e3o, \u00e0 perda de valor dos mercados nacionais, \u00e0 inadmissibilidade ou rejei\u00e7\u00e3o de produtos no mercado internacional e ao preju\u00edzo pela perda de gado e \u00e0 consequente morbidade e mortalidade\u201d, afirma um documento elaborado pela Paca em 2015.<\/p>\n<div id=\"attachment_217536\" style=\"width: 570px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img class=\"wp-image-217536\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/aflasafe2.jpeg\" width=\"560\" height=\"420\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/aflasafe2.jpeg 640w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/aflasafe2-300x225.jpeg 300w\" sizes=\"(max-width: 560px) 100vw, 560px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Controle de qualidade na produ\u00e7\u00e3o de Aflasafe ap\u00f3s o cultivo e a secagem. Foto: Cortesia da Aflasafe.com<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Aflasafe evita o desenvolvimento do <em>Aspergillus<\/em>, o g\u00eanero de fungo que produz as aflatoxinas, ao estimular o crescimento de grandes quantidades de uma esp\u00e9cie n\u00e3o daninha. Desenvolvido durante uma d\u00e9cada gra\u00e7as \u00e0 colabora\u00e7\u00e3o entre IITA, Servi\u00e7o de Pesquisa Agr\u00edcola do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, Universidade de Bonn e Universidade de Ibad\u00e1n, da Nig\u00e9ria, o bioproduto \u00e9 aplicado no solo com as m\u00e3os, duas e tr\u00eas semanas antes da flora\u00e7\u00e3o do cultivo.<\/p>\n<p>Em dois ou tr\u00eas dias ap\u00f3s a aplica\u00e7\u00e3o, a cepa antitoxig\u00eanica do fungo se desenvolve rapidamente, coloniza a planta\u00e7\u00e3o e impede o desenvolvimento da cepa t\u00f3xica. Assim pode-se eliminar mais de 90% das aflatoxinas. No momento, funciona apenas para o milho e o amendoim, e continuam as pesquisas para aplic\u00e1-lo em outros cultivos.<\/p>\n<p>Ainda restam desafios a vencer. A falta de consci\u00eancia sobre os perigos da aflatoxina faz com que n\u00e3o se exija produtos livres de toxidade. Al\u00e9m disso, a m\u00e1 regulamenta\u00e7\u00e3o restringe os investimentos para control\u00e1-las. O IITA criou o mecanismo de inser\u00e7\u00e3o para expandir o uso de Aflasafe, mediante incentivos econ\u00f4micos e t\u00e9cnicos para pequenos agricultores, que trabalham em grupos por meio de intermedi\u00e1rios, chamados implementadores.<\/p>\n<p>O mecanismo inclui pagamentos por unidade em fun\u00e7\u00e3o da quantidade de quilos de milho tratados com o produto. Os pagamentos <em>premium<\/em>, que equivalem a US$ 18,75, s\u00e3o feitos para cada tonelada de milho com um grande conte\u00fado de Aflasafe entregue em pontos de coleta designados. Isso corresponde a uma taxa <em>premium<\/em> de 5% a 13%, dependendo do pre\u00e7o atual do milho.<\/p>\n<p>O mecanismo de inser\u00e7\u00e3o come\u00e7ou em 2012, na Nig\u00e9ria, com quatro implementadores e mil agricultores. Em 2016, o n\u00famero aumentou para 25 implementadores e 15 mil agricultores, contou Akande. Em Abaji, um dos bairros de Abuja, um dos benefici\u00e1rios \u00e9 Abubakar Yambab, um agricultor de 43 anos, tem 1,5 hectare cultivado com milho. A primeira vez que usou Aflasafe foi em 2015, e sua produ\u00e7\u00e3o melhorou em quantidade e qualidade, explicou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>\u201cElimina as part\u00edculas de cores (aflatoxinas) que not\u00e1vamos no milho colhido e n\u00e3o creio que agora possa cultivar milho sem Aflasafe\u201d, destacou Yambab, acrescentando que recebe fertilizantes subsidiados, equipamentos, tratores e produtos qu\u00edmicos do IITA. Tamb\u00e9m contou que, gra\u00e7as ao seu trabalho, pode alimentar seus seis filhos e suas duas esposas, al\u00e9m de terminar a constru\u00e7\u00e3o de um dep\u00f3sito de material.<\/p>\n<p>Receber pagamento <em>premium<\/em> pelo milho com conte\u00fado reduzido de aflatoxinas traz benef\u00edcios aos agricultores, apesar do investimento na tecnologia do Aflasafe. O IITA informou que, no primeiro ano de testes, os agricultores tiveram um pre\u00e7o de venda 13% acima do exercido no mercado, uma rentabilidade de 210%. Em 2015, o pre\u00e7o de venda m\u00e9dio foi 15% acima, ou seja, rentabilidade de 524%.<\/p>\n<p>A Nig\u00e9ria foi eleita como local de provas para o Aflasafe por ser o maior produtor e consumidor de amendoim na \u00c1frica subsaariana, e porque at\u00e9 60% de seu cultivo estavam contaminados. Agora, esse pa\u00eds \u00e9 o \u00fanico em desenvolvimento onde o Aflasafe est\u00e1 pronto para ser usado pelos produtores. H\u00e1 uma f\u00e1brica que produz cinco toneladas do produto por hora, na sede do IITA, na cidade nigeriana de Ibad\u00e1n, e est\u00e1 sendo constru\u00edda uma no Qu\u00eania e outra no Senegal.<\/p>\n<p>O Instituto tamb\u00e9m trabalha na transfer\u00eancia de tecnologia para que as empresas possam produzir e distribuir Aflasafe para milh\u00f5es de agricultores na \u00c1frica subsaariana. \u201cEst\u00e1 previsto cobrir cerca de 500 mil hectares em 11 pa\u00edses, onde logo o Aflasafe ser\u00e1 registrado\u201d, detalhou Matieyedou Konlambigue, respons\u00e1vel pelo Projeto de Comercializa\u00e7\u00e3o e Transfer\u00eancia da Tecnologia Aflasafe, na apresenta\u00e7\u00e3o da iniciativa, no dia 1\u00ba deste m\u00eas, em Ibad\u00e1n.<\/p>\n<p>Os pa\u00edses previstos s\u00e3o Burkina Faso, Gana, Qu\u00eania, Malawi, Mo\u00e7ambique, Nig\u00e9ria, Senegal, Tanz\u00e2nia, G\u00e2mbia, Uganda e Z\u00e2mbia, disse Konlambigue, segundo a Ag\u00eancia de Not\u00edcias da Nig\u00e9ria. O projeto, iniciado em 2016, se estender\u00e1 at\u00e9 2020. Yambab ressaltou que recomendar\u00e1 o Aflasafe a outros produtores. \u201cSe todos os do territ\u00f3rio da capital federal o usarem, realmente vai melhorar a qualidade dos produtos alimentares da regi\u00e3o\u201d, afirmou. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/1-1-canais\/aposta-em-bioproduto-contra-aflatoxinas\/\">Aposta em bioproduto contra aflatoxinas<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/\">Envolverde<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Ini Ekott, da IPS &ndash;&nbsp; Abuja, Nig&eacute;ria, 9\/1\/2017 &ndash; Entre as subst&acirc;ncias que contaminam os alimentos, as aflatoxinas est&atilde;o entre as mais letais. Entre 2004 e 2007, milho contaminado deixou quase 200 mortos no Qu&ecirc;nia, centenas de pessoas hospitalizadas e foram jogados no lixo milh&otilde;es de sacas. 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