{"id":21510,"date":"2017-01-10T11:55:29","date_gmt":"2017-01-10T11:55:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=217599"},"modified":"2017-01-10T11:55:29","modified_gmt":"2017-01-10T11:55:29","slug":"cidadania-adere-a-energia-solar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2017\/01\/ultimas-noticias\/cidadania-adere-a-energia-solar\/","title":{"rendered":"Cidadania adere \u00e0 energia solar"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Por\u00a0Orlando Milesi, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Santiago, Chile, 10\/1\/2017 \u2013 O Chile come\u00e7a 2017 dando um passo inovador no desenvolvimento da energia solar, em que ostenta a primazia na Am\u00e9rica Latina, com a entrada em funcionamento de sua primeira central da cidadania. Esse pa\u00eds, com quase 18 milh\u00f5es de habitantes, tem projetos de US$ 9 bilh\u00f5es no setor de energias renov\u00e1veis n\u00e3o convencionais (ERNC) durante os pr\u00f3ximos quatro anos, em um esfor\u00e7o para romper sua alta depend\u00eancia dos combust\u00edveis f\u00f3sseis, que ainda geram mais de 55% da eletricidade.<\/p>\n<div id=\"attachment_217600\" style=\"width: 570px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img class=\"wp-image-217600\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/solar-2.jpg\" width=\"560\" height=\"418\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/solar-2.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/solar-2-300x224.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 560px) 100vw, 560px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Parte dos pain\u00e9is da Central Solar Buin 1, a primeira financiada no Chile com a\u00e7\u00f5es vendidas \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, que est\u00e1 pronta para gerar, a partir de agora, 10 quilowatts, dos quais 75% ser\u00e3o dedicados ao autoconsumo e o restante ser\u00e1 injetado na rede de distribui\u00e7\u00e3o nacional. Foto: Orlando Milesi\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Agenda de Energia, estabelecida em 2014 pela presidente socialista Michelle Bachelet, conta com participa\u00e7\u00e3o de investidores internacionais, grandes companhias el\u00e9tricas, os determinantes setores da minera\u00e7\u00e3o e agricultura, e da comunidade acad\u00eamica. Agora somam-se os ecologistas, com o primeiro projeto para incorporar os cidad\u00e3os na produ\u00e7\u00e3o e nos lucros que as ERNC geram, em particular a energia solar.<\/p>\n<p>Trata-se de uma pequena usina fotovoltaica de 10 quilowatts, que usar\u00e1 a energia solar para gerar eletricidade de autoconsumo e injetar o restante na rede de distribui\u00e7\u00e3o geral. Isso permitir\u00e1 aos \u201ccidad\u00e3os acionistas\u201d que participam da iniciativa receber uma rentabilidade estimada na infla\u00e7\u00e3o anual mais 2%. \u201cA inten\u00e7\u00e3o \u00e9 criar uma forma pela qual os cidad\u00e3os possam participar dos benef\u00edcios da energia solar e tamb\u00e9m do processo de democratiza\u00e7\u00e3o da energia\u201d, explixou Manuel Baquedano, diretor do Instituto de Ecologia Pol\u00edtica, que impulsionou essa iniciativa.<\/p>\n<p>A Central Solar Buin 1 vai funcionar comercialmente a partir de meados deste m\u00eas, no munic\u00edpio de Buin, na periferia sul de Santiago, e seu cliente principal ser\u00e1 o Centro Tecnol\u00f3gico para a Sustentabilidade, que a partir de agora se abastece com a energia el\u00e9trica produzida pela Central. \u201cPresenciamos no Chile um desenvolvimento muito importante da energia solar, fruto da press\u00e3o da sociedade que n\u00e3o quis mais represas. Abriu-se ent\u00e3o um espa\u00e7o muito grande para desenvolver as ERNC\u201d, ressaltou Baquedano \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Entretanto, Baquedano acrescentou que o setor \u201cest\u00e1 concentrado em grandes empreendimentos, como usinas solares que fundamentalmente abastecem o setor da minera\u00e7\u00e3o. E ficou pendente a possibilidade de todos os cidad\u00e3os poderem desfrutar de uma energia que \u00e9 direta\u201d. O ecologista contou que \u201cdecidimos nos organizar em um modelo de neg\u00f3cio que permita juntar investimentos da sociedade para instalar usinas solares comunit\u00e1rias, n\u00e3o havendo est\u00edmulo do Estado e tampouco das empresas privadas\u201d.<\/p>\n<div id=\"attachment_217601\" style=\"width: 570px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img class=\"wp-image-217601\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/cts-buin-planta.jpg\" width=\"560\" height=\"433\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/cts-buin-planta.jpg 640w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/cts-buin-planta-300x232.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 560px) 100vw, 560px\" \/><p class=\"wp-caption-text\"><br \/> Plano geral da localiza\u00e7\u00e3o do Centro Tecnol\u00f3gico para a Sustentabilidade, onde estudam os futuros t\u00e9cnicos em energias n\u00e3o convencionais e que \u00e9 o principal cliente da Central Solar Buin 1, a primeira no Chile de iniciativa popular. Foto: Cortesia de Camino Solar<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O modelo consiste em estabelecer a central onde haja um cliente que queira comprar 75% da energia, e o restante \u00e9 vendido \u00e0 rede. A Central Solar Buin 1 exigiu investimento equivalente a US$ 18,5 mil, que foram divididos em 240 a\u00e7\u00f5es de aproximadamente US$ 77 cada uma, e ser\u00e1 seguida por outras semelhantes, possivelmente em San Pedro de Atacama, no norte do pa\u00eds, ou Curic\u00f3 e Coyhaique, no sul da Patag\u00f4nia chilena.<\/p>\n<p>Entre os s\u00f3cios h\u00e1 engenheiros, jornalistas, psic\u00f3logos, agricultores, pequenos empres\u00e1rios, e inclusive comunidades ind\u00edgenas, de diversas localidades e todos interessados em replicar a iniciativa. Dionisio Antiquera, agricultor de origem diaguita que vive em Cerrillos de Tamaya, em Ovalle, 400 quil\u00f4metros ao norte de Santiago, comprou uma a\u00e7\u00e3o porque \u201cgosto da energia renov\u00e1vel e por ser uma participa\u00e7\u00e3o de cidad\u00e3os, das pessoas de baixa renda. S\u00e3o muitas as formas de participa\u00e7\u00e3o em uma cooperativa\u201d, contou \u00e0 IPS por telefone.<\/p>\n<p>A subsecret\u00e1ria do Minist\u00e9rio de Energia, Jimena Jara, falou \u00e0 IPS sobre os avan\u00e7os no desenvolvimento das ERNC e estimou que \u201co investimento nesse setor poderia rondar os US$ 9 bilh\u00f5es entre 2017 e 2020. \u201cConsiderando os projetos que hoje est\u00e3o em fase de testes em nossos sistemas el\u00e9tricos, mais de 60% da capacidade de gera\u00e7\u00e3o adicionada entre 2014 e 2016 ser\u00e1 de energias renov\u00e1veis n\u00e3o convencionais\u201d, destacou.<\/p>\n<p>A funcion\u00e1ria disse que \u201co Chile se prop\u00f4s o objetivo de que 70% da gera\u00e7\u00e3o de eletricidade at\u00e9 2050 seja com energias renov\u00e1veis e que at\u00e9 2035 j\u00e1 esteja em 60%. Este <em>boom<\/em> das ERNC no Chile, especialmente solar e e\u00f3lica, se sustenta em n\u00fameros fundamentais, como a baixa do custo da eletricidade. At\u00e9 novembro de 2016, o custo marginal m\u00e9dio anual da energia no Sistema Interligado Central (SIC), que cobre a maior parte do territ\u00f3rio chileno, foi de US$ 61 por megawatt\/hora (MWh), queda superior a 60% em rela\u00e7\u00e3o aos pre\u00e7os de 2013.<\/p>\n<p>O Centro de Despacho de Cargas do SIC destacou que esse custo marginal, que define o valor das transfer\u00eancias entre empresas geradoras, \u00e9 o menor em dez anos, e ficou abaixo dos US$ 91,3 por MWh de 2015, e dos quase US$ 200 por MWh dos anos 2011 e 2012, provocados pelo intensivo uso do diesel.<\/p>\n<p>David Watts, professor do Departamento de Engenharia El\u00e9trica da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica, apontou \u00e0 IPS que \u201cas energias e\u00f3lica e solar h\u00e1 muito tempo oferecem custos bem competitivos\u201d e por isso mudaram definitivamente a matriz energ\u00e9tica chilena. \u201cAntes o Chile n\u00e3o figurava nos <em>rankings<\/em> de energia renov\u00e1vel, e agora \u00e9 o n\u00famero um do setor na Am\u00e9rica Latina, e o segundo em energia e\u00f3lica.<\/p>\n<p>Segundo o especialista, \u201cessa energia est\u00e1 penetrando fortemente e esperamos que em poucos anos fa\u00e7a muito mais quando entrar em servi\u00e7o a bateria de projetos contratados na \u00faltima licita\u00e7\u00e3o de clientes regulados\u201d, aqueles que consomem menos de 500 quilowatts. Quando a economia recuperar seu dinamismo, ap\u00f3s seu fraco crescimento atual, \u201cesperamos que grande parte dos novos contratos de fornecimento a clientes livres (com pot\u00eancia conectada de pelo menos 500 quilowatts) tamb\u00e9m seja feita com projetos solares e e\u00f3licos competitivos\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 uma mudan\u00e7a sem volta. A partir de agora, provavelmente somente de vez em quando se instalar\u00e1 um ou outro projeto convencional, se tiver custos realmente competitivos\u201d, acrescentou Watts, que tamb\u00e9m \u00e9 consultor em energia renov\u00e1vel do Minist\u00e9rio de Energia. Ele destacou que o crescimento das energias solar e e\u00f3lica se deveu \u00e0s mudan\u00e7as na legisla\u00e7\u00e3o, que facilitaram a oferta de energia por blocos e tamb\u00e9m a conex\u00e3o simult\u00e2nea das ERNC ao sistema de transmiss\u00e3o.<\/p>\n<p>O informe do New Energy Finance Climatescope, elaborado pela Bloomberg junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), situou o Chile como o pa\u00eds que mais investe em energias limpas na Am\u00e9rica Latina, superado apenas pela China no \u00edndice que avalia as principais economias emergentes do mundo.<\/p>\n<p>Ao comentar o informe, divulgado no m\u00eas passado, Bachelet declarou que \u201cinvestimos US$ 3,2 bilh\u00f5es em 2015, com \u00eanfase na energia solar, especialmente nas instala\u00e7\u00f5es solares convencionais. Dissemos h\u00e1 tr\u00eas anos que o Chile ia mudar sua matriz energ\u00e9tica e digo, com orgulho, que avan\u00e7amos em ter energias mais limpas e sustent\u00e1veis\u201d.<\/p>\n<p><strong>O metr\u00f4, outro exemplo<\/strong><\/p>\n<p>Uma mostra simb\u00f3lica dos avan\u00e7os da energia solar encontra-se no metr\u00f4 de Santiago, que anunciou que 42% da energia que utilizar\u00e1 a partir de 2017 vir\u00e1 do projeto de energia fotovoltaica El Pel\u00edcano. Essa usina, da empresa SunPower, fica na comunidade de La Higuera, 400 quil\u00f4metros ao norte de Santiago, e seu custo foi de US$ 250 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cO metr\u00f4 \u00e9 um meio de transporte limpo, queremos ser uma empresa sustent\u00e1vel e o que ocorre hoje \u00e9 um salto muito importante, j\u00e1 que para 2018 queremos estar funcionando com 60% de ERNC\u201d, afirmou Fernando Rivas, subgerente de Meio Ambiente da companhia.<\/p>\n<p>El Pel\u00edcano, com gera\u00e7\u00e3o prevista de 100 megawatts, \u201cutilizar\u00e1 254 mil pain\u00e9is solares, que permitir\u00e3o o fornecimento de 300 gigawatts\/hora por ano, ou o equivalente ao consumo de 125 mil domic\u00edlios chilenos\u201d, enfatizou Manuel Tagle, gerente-geral da SunPower. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/1-1-canais\/cidadania-adere-energia-solar\/\">Cidadania adere \u00e0 energia solar<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/\">Envolverde<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Orlando Milesi, da IPS &ndash;&nbsp; Santiago, Chile, 10\/1\/2017 &ndash; O Chile come&ccedil;a 2017 dando um passo inovador no desenvolvimento da energia solar, em que ostenta a primazia na Am&eacute;rica Latina, com a entrada em funcionamento de sua primeira central da cidadania. 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