{"id":21519,"date":"2017-01-12T12:12:23","date_gmt":"2017-01-12T12:12:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=217736"},"modified":"2017-01-12T12:12:23","modified_gmt":"2017-01-12T12:12:23","slug":"imigrantes-no-marrocos-sonham-com-europa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2017\/01\/ultimas-noticias\/imigrantes-no-marrocos-sonham-com-europa\/","title":{"rendered":"Imigrantes no Marrocos sonham com Europa"},"content":{"rendered":"<p><em>Por\u00a0Fab\u00edola Ortiz, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Nador, Marrocos, 12\/1\/2017 \u2013 Com economia est\u00e1vel e ambiente pol\u00edtico em paz, o Marrocos \u2013 que sempre foi um pa\u00eds de tr\u00e2nsito para os migrantes africanos \u2013 est\u00e1 se convertendo em um novo destino potencial para os rec\u00e9m-chegados. Por\u00e9m, a terra sonhada pela maioria dos que cruzam o Saara continua sendo a Europa. Apenas 15 quil\u00f4metros separam o enclave espanhol de Melilla da cidade marroquina de Nador. A cidade espanhola de 70 mil habitantes se converteu em um importante ponto de passagem para aqueles que buscam asilo na Europa.<\/p>\n<div id=\"attachment_217737\" style=\"width: 570px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img class=\"wp-image-217737\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/rabat-629x354-1-629x354.jpg\" width=\"560\" height=\"315\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/rabat-629x354-1-629x354.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/rabat-629x354-1-629x354-300x169.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 560px) 100vw, 560px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Cidade de Rabat, Marrocos. Foto: Fab\u00edola Ortiz\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Melilla, junto com Ceuta, s\u00e3o os dois territ\u00f3rios espanh\u00f3is no continente africano e a \u00fanica fronteira terrestre com a Uni\u00e3o Europeia. Precisamente por isso, muitos africanos subsaarianos e um n\u00famero cada vez maior de s\u00edrios sonham em chegar \u00e0 terra prometida europeia e, dessa forma, a uma vida melhor. As duas cidades ergueram fronteiras fortificadas na medida em que aumentava a press\u00e3o dos migrantes. A cada ano, centenas de subsaarianos \u2013 muitos dos ilegais no Marrocos \u2013 tentam cruzar as cercas ou empreender a perigosa viagem de barco pelo Mar Mediterr\u00e2neo.<\/p>\n<p>Em novembro, os navios de resgate salvaram cerca de 60 imigrantes que estavam \u00e0 deriva ainda perto de Melilla. No come\u00e7o de dezembro, pelo menos 400 pessoas romperam a cerca fronteiri\u00e7a de Ceuta. Em 1\u00ba deste m\u00eas, outra onda de 1.100 imigrantes africanos tentou atacar a mesma barreira. Mohamed Diaradsouba, de 24 anos, partiu da Costa do Marfim. Viajou quase cinco mil quil\u00f4metros de Abidj\u00e3 at\u00e9 Nador, passando por Mali e Arg\u00e9lia. Deixou sua esposa e seu filho de um ano com a esperan\u00e7a de um dia voltar.<\/p>\n<p>\u201cOnde eu vivia, n\u00e3o havia emprego, n\u00e3o podia conseguir dinheiro para sobreviver. Vim para o Marrocos porque quero passar para a Espanha, e aqui tampouco h\u00e1 trabalho. Estou certo de que encontrarei emprego na Espanha, Fran\u00e7a, B\u00e9lgica ou Alemanha e poderei ganhar a vida\u201d, disse Diaradsouba \u00e0 IPS. Ele e quatro companheiros vivem de pequenas doa\u00e7\u00f5es de ativistas e da Igreja Cat\u00f3lica em Nador. Os imigrantes ilegais n\u00e3o s\u00e3o tolerados pela pol\u00edcia, que com frequ\u00eancia realiza opera\u00e7\u00f5es nas ruas e prende os que n\u00e3o possuem documentos.<\/p>\n<p>Quando a IPS conversou com Diaradsouba em uma fria noite de novembro, o imigrante vivia em uma comunidade rural chamada Khamis-akdim, a 15 minutos de carro de Nador. Havia transcorrido tr\u00eas meses desde que ele e cerca de 300 pessoas da \u00c1frica subsaariana improvisaram um acampamento na floresta vizinha, por medo de entrar na cidade.<\/p>\n<p>\u201cEstamos acampados na floresta de uma colina. A vida aqui n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Temos que caminhar todos os dias para conseguir \u00e1gua e comida. Dormimos em barracas de pl\u00e1stico, ent\u00e3o, quando chove, molha tudo. N\u00e3o trouxe nenhuma maleta comigo, s\u00f3 tenho a roupa do corpo\u201d, contou o jovem, acrescentando que pessoas de outras nacionalidades (como camaronenses, guineanos e maleses) compartilham o mesmo acampamento.<\/p>\n<div id=\"attachment_217738\" style=\"width: 570px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img class=\"wp-image-217738\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Nador-Morocco.jpg\" width=\"560\" height=\"341\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Nador-Morocco.jpg 640w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Nador-Morocco-300x183.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 560px) 100vw, 560px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Acampamento onde os imigrantes subsaarianos vivem, perto de Nador, no Marrocos. Foto: Mohamed Diaradsouba<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cTemos medo dos policiais, que n\u00e3o sabem o que s\u00e3o direitos humanos. \u00c9 melhor ficarmos na floresta\u201d, explicou Diaradsouba. Este jovem n\u00e3o tinha nenhum documento ou permiss\u00e3o de resid\u00eancia. Teria que viajar at\u00e9 a capital, Rabat, a dez horas de trem, para fazer uma solicita\u00e7\u00e3o. Estou esperando minha sorte, que um dia chegar\u00e1\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Em novembro, Diaradsouba n\u00e3o tinha ideia de quanto tempo deveria esperar para tentar sua travessia rumo \u00e0 Europa. Ainda n\u00e3o sabia se correria o risco de atravessar as cercas de Melilla, se iria de autom\u00f3vel ou se esconderia no banco de tr\u00e1s de um carro. \u201cN\u00e3o tem um pre\u00e7o fixo para pegar um barco. Tentamos reunir fundos entre 30 ou 40 pessoas. Tudo depender\u00e1 de quanto dinheiro tivermos que pagar\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Aziz Kattouf, ativista da Associa\u00e7\u00e3o Marroquina de Direitos Humanos, confirma que h\u00e1 quatro grandes acampamentos na floresta onde os migrantes sem documentos armaram suas barracas. A cada duas ou tr\u00eas semanas, a pol\u00edcia realiza opera\u00e7\u00f5es nos campos. \u201cDet\u00eam homens e \u00e0s vezes meninos, destroem suas barracas e tomam seus telefones. Muitos s\u00e3o enviados de \u00f4nibus para outras \u00e1reas do sul do Marrocos. Mas sempre voltam\u201d, observou.<\/p>\n<p>A conviv\u00eancia com os estrangeiros alterou a vida cotidiana dos residentes em Khamis-akdim, mas n\u00e3o h\u00e1 den\u00fancias de casos de maus-tratos ou racismo. De fato, os agricultores berberes da regi\u00e3o manifestaram sua solidariedade, segundo Alwali Abdilhate, cuja casa fica bem ao lado do caminho que os imigrantes usam para chegar ao acampamento. \u201cTemos boas rela\u00e7\u00f5es com os que est\u00e3o acampados. Logo cedo v\u00e3o aos riachos ou po\u00e7os parar lavar sua roupa e comprar comida em nosso mercado local. H\u00e1 um bar onde podem recarregar seus celulares\u201d, contou.<\/p>\n<p>Poucas semanas depois da entrevista inicial, Diaradsouba se comunicou com a IPS dizendo que havia chegado \u00e0 Espanha de barco, entrando por Almer\u00eda. Teve que pagar 2.500 euros pela travessia, de 12 horas. A Organiza\u00e7\u00e3o Internacional para as Migra\u00e7\u00f5es informou que, entre janeiro e dezembro de 2016, chegaram \u00e0 Espanha por mar 8.162 imigrantes, e que 69 pessoas morreram durante as tentativas de chegar \u00e0 Europa.<\/p>\n<p>A maioria dos migrantes no Marrocos \u00e9 formada por homens da \u00c1frica subsaariana entre 18 e 59 anos, informou Miguel Hern\u00e1ndez Garc\u00eda, coordenador de um programa da Associa\u00e7\u00e3o Direito e Justi\u00e7a, que d\u00e1 assist\u00eancia jur\u00eddica aos refugiados e solicitantes de asilo. \u201cAlguns est\u00e3o em contato com membros de suas comunidades que chegaram \u00e0 Europa e dizem que as condi\u00e7\u00f5es de vida n\u00e3o s\u00e3o a que costumavam ser no passado. A imagem de viver na Europa est\u00e1 mudando e alguns deles preferem ficar no Marrocos enquanto podem ter acesso aos direitos. N\u00e3o \u00e9 um pa\u00eds superdesenvolvido, mas tampouco \u00e9 um pa\u00eds extremamente pobre\u201d, disse \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>O Marrocos se converteu no primeiro pa\u00eds \u00e1rabe a aplicar uma pol\u00edtica que oferece aos imigrantes ilegais a possibilidade de obter a resid\u00eancia permanente. Em 2013, o rei Mohammed VI apoiou a nova pol\u00edtica migrat\u00f3ria, ap\u00f3s receber recomenda\u00e7\u00f5es do Conselho Nacional de Direitos Humanos. \u201cO Marrocos ratificou conven\u00e7\u00f5es internacionais e teve que implantar pol\u00edticas. Queria mostrar uma boa imagem ao mundo como um pa\u00eds de acolhida. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m \u00e9 uma coisa boa para a economia\u201d, destacou Garc\u00eda. Mais de 90% dos 27 mil migrantes que solicitaram resid\u00eancia no Marrocos foram documentados ap\u00f3s um ano de campanha pela sua regulariza\u00e7\u00e3o. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/1-1-canais\/imigrantes-no-marrocos-sonham-com-europa\/\">Imigrantes no Marrocos sonham com Europa<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/\">Envolverde<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Fab&iacute;ola Ortiz, da IPS &ndash;&nbsp; Nador, Marrocos, 12\/1\/2017 &ndash; Com economia est&aacute;vel e ambiente pol&iacute;tico em paz, o Marrocos &ndash; que sempre foi um pa&iacute;s de tr&acirc;nsito para os migrantes africanos &ndash; est&aacute; se convertendo em um novo destino potencial para os rec&eacute;m-chegados. 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