{"id":21523,"date":"2017-01-13T12:31:54","date_gmt":"2017-01-13T12:31:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=217805"},"modified":"2017-01-13T12:31:54","modified_gmt":"2017-01-13T12:31:54","slug":"o-que-cura-tambem-pode-matar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2017\/01\/ultimas-noticias\/o-que-cura-tambem-pode-matar\/","title":{"rendered":"O que cura tamb\u00e9m pode matar"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Por\u00a0Baher Kamal, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Roma, It\u00e1lia, 13\/1\/2017 \u2013 Uma grande amea\u00e7a silenciosa, mas n\u00e3o menos daninha, coloca em risco tanto a sa\u00fade humana como a animal, e tem consequ\u00eancias para a seguran\u00e7a alimentar e o bem-estar econ\u00f4mico de milh\u00f5es de fam\u00edlias rurais: a resist\u00eancia aos antimicrobianos. O uso indiscriminado e excessivo de produtos sint\u00e9ticos para combater enfermidades nos sistemas alimentares e agr\u00edcolas gera resist\u00eancia aos antimicrobianos (AMR), o que causa a morte de aproximadamente 700 mil pessoas por ano, n\u00famero que pode subir para dez milh\u00f5es.<\/p>\n<div id=\"attachment_217806\" style=\"width: 639px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img class=\"size-full wp-image-217806\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/saudeanimal.jpg\" alt=\"\" width=\"629\" height=\"170\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/saudeanimal.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/saudeanimal-300x81.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 629px) 100vw, 629px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Desde a introdu\u00e7\u00e3o da penicilina, em 1928, os tratamentos antimicrobianos s\u00e3o usados n\u00e3o apenas na medicina humana, mas tamb\u00e9m em veterin\u00e1ria. Mas seu uso excessivo na produ\u00e7\u00e3o animal contamina o ambiente e contribui para o aumento de microrganismos resistentes, o que \u00e9 uma amea\u00e7a para a sa\u00fade humana, animal e para a seguran\u00e7a alimentar e o sustento das pessoas. Foto: FAO<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A AMR \u00e9 um fen\u00f4meno natural de microrganismos como bact\u00e9rias, v\u00edrus, parasitas e fungos, que deixam de ser sens\u00edveis aos efeitos de medicamentos, como antibi\u00f3ticos, que costumam ser efetivos no combate a infec\u00e7\u00f5es. Mas as pr\u00e1ticas comerciais destinadas a aumentar os benef\u00edcios fazem com que, na pr\u00e1tica, esses medicamentos sejam usados cada vez mais somente para promover o crescimento dos animais.<\/p>\n<p>\u201cO mundo est\u00e1 diante de um tipo diferente de emerg\u00eancia em sa\u00fade p\u00fablica, que \u00e9 t\u00e3o dram\u00e1tico quanto pouco vis\u00edvel\u201d, alertam em um artigo conjunto os diretores de tr\u00eas organiza\u00e7\u00f5es internacionais dedicadas a proteger a sa\u00fade humana e a animal, publicado pelo jornal <em>The Huffington Post<\/em>. \u201c\u00c0 exce\u00e7\u00e3o das superbact\u00e9rias, as AMR n\u00e3o causam grande alarme p\u00fablico\u201d, explicam Monique Elolt, diretora-geral da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade Animal (OIE), Margareth Chan, diretora-geral da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), e Jos\u00e9 Graziano da Silva, diretor-geral da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO).<\/p>\n<p>\u201cA AMR poderia matar cerca de dez milh\u00f5es de pessoas ao ano e, segundo uma an\u00e1lise realizada no Reino Unido, com o custo para a economia mundial podendo chegar a US$ 100 trilh\u00f5es anuais\u201d, afirmam os diretores dos tr\u00eas organismos. Se o problema n\u00e3o for atendido, a AMR poder\u00e1 representar um risco at\u00e9 para a quimioterapia e as interven\u00e7\u00f5es dent\u00e1rias e cir\u00fargicas comuns, pois seria dif\u00edcil ou imposs\u00edvel tratar as infec\u00e7\u00f5es. As melhorias em sa\u00fade p\u00fablica e o prolongamento da vida alcan\u00e7ados no s\u00e9culo 20 poder\u00e3o estar em risco, acrescentaram.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do n\u00famero crescente de mortes atribu\u00eddas \u00e0s infec\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0 AMR, esta tamb\u00e9m sup\u00f5e um risco para a seguran\u00e7a alimentar, os modos de vida, a sa\u00fade animal e o desenvolvimento agr\u00edcola e econ\u00f4mico mundiais, segundo as tr\u00eas ag\u00eancias especializadas das Na\u00e7\u00f5es Unidas. O uso global de produtos sint\u00e9ticos para matar bact\u00e9rias, v\u00edrus, parasitas e fungos nos sistemas de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e alimentar requer um esfor\u00e7o concertado para mapear, compreender e mitigar os riscos da AMR, ressalta a FAO.<\/p>\n<p>A resist\u00eancia aos antimicrobianos foi descrita pela primeira vez em 1940, mas a compress\u00e3o dos diferentes caminhos pelos quais essa resist\u00eancia aparece e se propaga est\u00e1 engatinhando, indica o estudo <em>Drivers, Dynamics and Epidemiology of Antimicrobial Resistance in Animal Production<\/em> (Fatores, Din\u00e2micas e Epidemiologia da Resist\u00eancia aos Antimicrobianos na Produ\u00e7\u00e3o Animal).<\/p>\n<div id=\"attachment_217807\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img class=\"size-full wp-image-217807\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/granja.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/granja.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/granja-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Granja de aves do Egito. Manter uma boa higiene nesses locais evitaria depender tanto dos antimicrobianos e ajudaria a frear o aumento de microrganismos resistentes. Foto: FAO<\/p><\/div>\n<p>\u201cComo \u00e9 frequente encontrar no mundo alimentos contaminados com bact\u00e9rias resistentes, como a <em>E. Coli<\/em> e a <em>Salmonella<\/em>, \u00e9 muito prov\u00e1vel que as medidas que promovam um uso prudente dos antimicrobianos sejam extremamente \u00fateis para reduzir a emerg\u00eancia e a propaga\u00e7\u00e3o da AMR\u201d, destaca o documento da FAO. Diante desse grande desafio, FAO, OMS e OIE lan\u00e7aram, em novembro de 2016, a Semana Mundial de Conscientiza\u00e7\u00e3o sobre os Antibi\u00f3ticos.<\/p>\n<p>O estudo resume a magnitude da AMR nos alimentos e, em especial, na produ\u00e7\u00e3o pecu\u00e1ria, que, se prev\u00ea, representar\u00e1 dois ter\u00e7os do futuro aumento no uso de antimicrobianos, e recomenda apoiar e fomentar mais pesquisas, como a sequ\u00eancia molecular e a an\u00e1lise epidemiol\u00f3gica, para determinar os fatores que incidem em como e por que um agente resistente se incorpora nos microbiomas intestinais de humanos e animais, e tamb\u00e9m aponta a necessidade de se criar protocolos e bases de dados para construir modelos de avalia\u00e7\u00e3o de riscos.<\/p>\n<p>O uso de antimicrobianos com a \u00fanica finalidade de fomentar o crescimento animal deveria ser proibido de forma paulatina, destaca a FAO. E se deveria insistir em alternativas que garantam a sa\u00fade animal, como melhores programas de vacina\u00e7\u00e3o. Os res\u00edduos antimicrobianos no ambiente, em especial nas fontes de \u00e1gua, deveriam ser rastreados do mesmo modo como se busca por subst\u00e2ncias perigosas, acrescenta.<\/p>\n<p>\u201cDevido ao nosso limitado conhecimento sobre os modos de transmiss\u00e3o, as formas de mitigar a propaga\u00e7\u00e3o global da AMR inclui controlar sua emerg\u00eancia em v\u00e1rios ambientes e minimizar as oportunidades de sua propaga\u00e7\u00e3o no que poderiam ser as vias mais importantes\u201d, diz o informe. Os autores do estudo, especialistas do Col\u00e9gio Veterin\u00e1rio de Londres e da FAO, dirigidos por Juan Lubroth, s\u00e3o cautelosos em rela\u00e7\u00e3o ao que falta conhecer, mas destacam que a evid\u00eancia sobre a dimens\u00e3o do perigo \u00e9 convincente.<\/p>\n<p>Por exemplo, as abelhas norte-americanas possuem bact\u00e9rias intestinais diferentes das que se encontram em outros lugares, o que reflete o uso dos antibi\u00f3ticos tetraciclina nas colmeias desde a d\u00e9cada de 1950. As fazendas pisc\u00edcolas do Mar B\u00e1ltico t\u00eam menos genes resistentes do que as dos sistemas aqu\u00edcolas da China, que agora s\u00e3o reservat\u00f3rios de genes resistentes \u00e0s quinolonas, um grupo de medicamentos muito importantes para os humanos, cujo uso aumentou pela crescente resist\u00eancia a antimicrobianos anteriores, como a tetraciclina.<\/p>\n<p>A \u00faltima descoberta em muitos pa\u00edses de resist\u00eancia \u00e0 colistina, considerado o \u00faltimo antibi\u00f3tico em medicina humana, tamb\u00e9m destaca a necessidade de se controlar a produ\u00e7\u00e3o de animais, pois \u00e9 usado h\u00e1 d\u00e9cadas na cria\u00e7\u00e3o de porcos, aves, ovelhas, vacas e peixes. O informe da FAO se concentra no gado porque se especula que a demanda por prote\u00ednas animais vai acelerar a produ\u00e7\u00e3o intensiva, e o maior contato em lugares fechados aumenta a incid\u00eancia de pat\u00f3genos resistentes.<\/p>\n<p>As aves, principal fonte de prote\u00edna animal, seguidas do porco, s\u00e3o importantes ve\u00edculos para a transmiss\u00e3o da resist\u00eancia aos humanos. Os \u00faltimos casos detectados na Tanz\u00e2nia e no Paquist\u00e3o tamb\u00e9m demonstram o risco da AMR nos sistemas aqu\u00edcolas que usam dejetos da cria\u00e7\u00e3o de animais para a produ\u00e7\u00e3o de peixes. Como os animais s\u00f3 metabolizam uma pequena propor\u00e7\u00e3o dos agentes antimicrobianos que ingerem, a propaga\u00e7\u00e3o destes a partir dos dejetos animais se tornou um importante motivo de preocupa\u00e7\u00e3o, segundo o documento.<\/p>\n<p>Por outro lado, os pequenos produtores poderiam usar menos antimicrobianos, mas costumam comprar medicamentos de venda livre sem consultar um veterin\u00e1rio, e o uso inadequado de doses subletais gera uma variabilidade gen\u00e9tica e fenot\u00edpica nas bact\u00e9rias que sobrevivem. Por \u00faltimo, o informe enfatiza que a colabora\u00e7\u00e3o entre todos os setores e sobre todos os aspectos da produ\u00e7\u00e3o de alimentos, do campo at\u00e9 \u00e0 mesa, permitir\u00e1 uma contribui\u00e7\u00e3o fundamental para se conseguir um enfoque efetivo contra a AMR. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/1-1-canais\/o-que-cura-tambem-pode-matar\/\">O que cura tamb\u00e9m pode matar<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/\">Envolverde<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Baher Kamal, da IPS &ndash;&nbsp; Roma, It&aacute;lia, 13\/1\/2017 &ndash; Uma grande amea&ccedil;a silenciosa, mas n&atilde;o menos daninha, coloca em risco tanto a sa&uacute;de humana como a animal, e tem consequ&ecirc;ncias para a seguran&ccedil;a alimentar e o bem-estar econ&ocirc;mico de milh&otilde;es de fam&iacute;lias rurais: a resist&ecirc;ncia aos antimicrobianos. 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