{"id":21539,"date":"2017-01-19T13:08:03","date_gmt":"2017-01-19T13:08:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=218108"},"modified":"2017-01-19T13:08:03","modified_gmt":"2017-01-19T13:08:03","slug":"trump-os-bancos-e-as-bombas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2017\/01\/ultimas-noticias\/trump-os-bancos-e-as-bombas\/","title":{"rendered":"Trump, os bancos e as bombas"},"content":{"rendered":"<p><em>Por\u00a0Baher Kamal, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Roma, It\u00e1lia, 19\/1\/2017 \u2013 Os Estados membros da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) se reunir\u00e3o em mar\u00e7o para reiniciar as negocia\u00e7\u00f5es sobre \u201cum instrumento legalmente vinculante que pro\u00edba as armas nucleares a fim de avan\u00e7ar para sua total elimina\u00e7\u00e3o\u201d. As conversa\u00e7\u00f5es prosseguir\u00e3o em junho e julho. A ONU adotou, no dia 27 de outubro de 2016, uma resolu\u00e7\u00e3o que relan\u00e7a as negocia\u00e7\u00f5es para um tratado que ponha fim a duas d\u00e9cadas de paralisa\u00e7\u00e3o dos esfor\u00e7os de desarmamento.<\/p>\n<p>Em uma reuni\u00e3o do Primeiro Comit\u00ea da Assembleia Geral da ONU, dedicado ao desarmamento e \u00e0 seguran\u00e7a internacional, 123 na\u00e7\u00f5es votaram a favor da resolu\u00e7\u00e3o, 38 contra e 16 se abstiveram. A Campanha Internacional para Abolir as Armas Nucleares (Ican), com sede em Genebra e presente em 80 pa\u00edses, aplaudiu a iniciativa porque \u00e9 um grande avan\u00e7o para \u201cuma mudan\u00e7a fundamental na forma como o mundo enfrenta essa amea\u00e7a gigante\u201d.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 sede d\u00e9cadas a ONU alerta para os perigos das armas nucleares, e em todo o mundo as pessoas defendem sua aboli\u00e7\u00e3o\u201d, disse a diretora executiva da Ican, Beatrice Fihn. \u201cAtualmente, a maioria dos Estados decidiu proibi-las\u201d, destacou. A resolu\u00e7\u00e3o da ONU foi adotada, apesar da press\u00e3o dos Estados nucleares. Cerca de 57 pa\u00edses, encabe\u00e7ados por \u00c1frica do Sul, \u00c1ustria, Brasil, Irlanda, M\u00e9xico e Nig\u00e9ria, apoiaram o documento.<\/p>\n<p>A resolu\u00e7\u00e3o foi aprovada horas depois de o Parlamento Europeu adotar um documento sobre o mesmo assunto, com 415 votos a favor, 124 contra e 74 absten\u00e7\u00f5es, que convida os integrantes da Uni\u00e3o Europeia a \u201cparticiparem de forma construtiva\u201d das negocia\u00e7\u00f5es deste ano, recordou a Ican. As armas nucleares s\u00e3o as \u00fanicas de destrui\u00e7\u00e3o em massa que ainda n\u00e3o est\u00e3o proibidas de forma universal, apesar das consequ\u00eancias humanit\u00e1rias e ambientais estarem bem documentadas, segundo a organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cUm tratado contra as armas nucleares fortaleceria a norma global contra seu uso e sua posse, preenchendo um dos maiores vazios do direito internacional e exortando a adotar as demoradas medidas em mat\u00e9ria de desarmamento\u201d, destacou Fihn. As armas biol\u00f3gicas e qu\u00edmicas, as minas antipessoais e as bombas de fragmenta\u00e7\u00e3o est\u00e3o explicitamente proibidas pelo direito internacional, mas no tocante \u00e0s armas at\u00f4micas s\u00f3 existem proibi\u00e7\u00f5es parciais.<\/p>\n<div id=\"attachment_218109\" style=\"width: 570px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img class=\"wp-image-218109\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/nuclear.jpeg\" width=\"560\" height=\"294\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/nuclear.jpeg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/nuclear-300x157.jpeg 300w\" sizes=\"(max-width: 560px) 100vw, 560px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Teste com bomba at\u00f4mica no atol de Bikini em 1946. Foto: Departamento de Defesa dos Estados Unidos via Wikimedia Commons<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Ican tamb\u00e9m recordou que o desarmamento nuclear \u00e9 um tema priorit\u00e1rio para a ONU desde sua cria\u00e7\u00e3o, em 1945. \u201cOs esfor\u00e7os para concretizar esse objetivo est\u00e3o parados nos \u00faltimos anos, quando as na\u00e7\u00f5es nucleares realizaram grandes investimentos na moderniza\u00e7\u00e3o de seus arsenais\u201d, destacou a organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Outras entidades que defendem o desarmamento nuclear tamb\u00e9m aplaudiram a resolu\u00e7\u00e3o da ONU. Entre elas se destacam a PAX, uma associa\u00e7\u00e3o entre o IKV (Conselho Intereclesi\u00e1stico para a Paz) e a Pax Christi, a Soda Gakai International (SGI), organiza\u00e7\u00e3o budista em favor da paz, da cultura e da educa\u00e7\u00e3o em torno do respeito \u00e0 dignidade da vida, e a Associa\u00e7\u00e3o Internacional de M\u00e9dicos para a Preven\u00e7\u00e3o de uma Guerra Nuclear (AIMPGN).<\/p>\n<p>Quando, em outubro, as organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil aplaudiram a nova resolu\u00e7\u00e3o da ONU, que fixa para este ano o in\u00edcio das negocia\u00e7\u00f5es nucleares, n\u00e3o esperavam que pouco depois seria eleito nos Estados Unidos o empres\u00e1rio Donald Trump, que no dia 20 assumir\u00e1 como 45\u00ba presidente desse pa\u00eds. E muito menos imaginaram que anunciaria seu interesse em aumentar o poder nuclear de seu pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cOs Estados Unidos devem fortalecer muito e ampliar suas capacidades nucleares at\u00e9 que o mundo recupere a cordura em mat\u00e9ria de armas nucleares\u201d, escreveu Trump no Twitter @realDonaldTrump, no dia 22 de dezembro de 2016. Se isso se concretizar, ser\u00e1 um dos grandes desafios para o movimento a favor da aboli\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A campanha internacional para impedir que bancos e institui\u00e7\u00f5es financeiras destinem fundos \u00e0 produ\u00e7\u00e3o e moderniza\u00e7\u00e3o de armas nucleares conseguiu alguns avan\u00e7os. \u201cOs governos decidiram negociar um tratado de proibi\u00e7\u00e3o de armas nucleares em 2017, e \u00e9 hora de as seguradoras e os fundos de pens\u00e3o se disporem a acabar com sua rela\u00e7\u00e3o com empresas envolvidas na fabrica\u00e7\u00e3o de armas at\u00f4micas\u201d, ressaltou Susi Snyder, da PAX e autora do informe <em>Hall of Fame<\/em>.<\/p>\n<p>\u201cCerca de 400 bancos privados, fundos de pens\u00e3o e seguradoras continuam financiando, com dinheiro de seus clientes, a produ\u00e7\u00e3o de armas nucleares\u201d, detalhou Snyder. Segundo o estudo, 18 bancos, que controlam mais de US$ 1,82 trilh\u00e3o, est\u00e3o prontos para cortar os fundos para as bombas at\u00f4micas, com pol\u00edticas que pro\u00edbem de forma r\u00edgida todo investimento, de qualquer tipo e em qualquer forma, em companhias que fabriquem armas nucleares.<\/p>\n<p>As 18 institui\u00e7\u00f5es, descritas o <em>Hall of Fame<\/em> da edi\u00e7\u00e3o 2016 do informe <em>Don\u2019t Bank on The Bomb<\/em> (N\u00e3o Invista em Armas Nucleares), publicado pela Ican no dia 7 de dezembro, t\u00eam sede na Austr\u00e1lia, Dinamarca, Gr\u00e3-Bretanha, Holanda, It\u00e1lia, Noruega e Su\u00e9cia. O relat\u00f3rio tamb\u00e9m menciona outras 36 institui\u00e7\u00f5es financeiras que expressam especificamente sua preocupa\u00e7\u00e3o pelas armas nucleares e que, de alguma forma, restringem seus investimentos.<\/p>\n<p>\u201cMesmo que essas pol\u00edticas tenham vazios legais, ainda demonstram que h\u00e1 um estigma associado aos investimentos em armas nucleares. A PAX exorta essas institui\u00e7\u00f5es a fortalecerem suas pol\u00edticas e o informe <em>Don\u2019t Bank on the Bomb<\/em> oferece recomenda\u00e7\u00f5es personalizadas para cada institui\u00e7\u00e3o financeira\u201d, diz o documento. \u201cFinanciar e investir s\u00e3o decis\u00f5es ativas, baseadas em avalia\u00e7\u00f5es da companhia e seus planos. As institui\u00e7\u00f5es que imp\u00f5em limites aos investimentos em armas nucleares respondem ao crescente estigma em torno desse armamento, desenhado para matar de forma indiscriminada\u201d, diz o documento.<\/p>\n<p>Todos os pa\u00edses nucleares modernizam seus arsenais e o <em>Don\u2019t Bank on the Bomb<\/em> oferece detalhes das 27 empresas privadas que fabricam componentes essenciais para a produ\u00e7\u00e3o de armas, bem como dos 390 bancos, companhias de seguros e fundos de pens\u00e3o que ainda investem nelas, pontua o informe.<\/p>\n<p>\u201cNa medida em que se aproximam as negocia\u00e7\u00f5es para proibir as armas nucleares este ano, os pa\u00edses devem proibir o financiamento como incentivo para que o setor financeiro exclua de seu universo de investimento as empresas associadas \u00e0s armas nucleares e exponha o custo econ\u00f4mico de sua instala\u00e7\u00e3o, moderniza\u00e7\u00e3o e seu armazenamento\u201d, destaca o documento. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/1-1-canais\/trump-os-bancos-e-as-bombas\/\">Trump, os bancos e as bombas<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/\">Envolverde<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Baher Kamal, da IPS &ndash;&nbsp; Roma, It&aacute;lia, 19\/1\/2017 &ndash; Os Estados membros da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) se reunir&atilde;o em mar&ccedil;o para reiniciar as negocia&ccedil;&otilde;es sobre &ldquo;um instrumento legalmente vinculante que pro&iacute;ba as armas nucleares a fim de avan&ccedil;ar para sua total elimina&ccedil;&atilde;o&rdquo;. As conversa&ccedil;&otilde;es prosseguir&atilde;o em junho e julho. 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