{"id":21542,"date":"2017-01-20T12:46:11","date_gmt":"2017-01-20T12:46:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=218140"},"modified":"2017-01-20T12:46:11","modified_gmt":"2017-01-20T12:46:11","slug":"um-ano-de-energia-limpa-na-costa-rica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2017\/01\/ultimas-noticias\/um-ano-de-energia-limpa-na-costa-rica\/","title":{"rendered":"Um ano de energia limpa na Costa Rica"},"content":{"rendered":"<p><em>Por\u00a0Diego Arguedas Ortiz, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>S\u00e3o Jos\u00e9, Costa Rica, 20\/1\/2017 \u2013 Na vertente caribenha da Costa Rica, 100 quil\u00f4metros a nordeste da capital do pa\u00eds, a cinza silhueta de uma grande barragem corta o rio Reventaz\u00f3n e forma a represa que alimenta a maior usina hidrel\u00e9trica da Am\u00e9rica Central. O Projeto Hidrel\u00e9trico Reventaz\u00f3n, que custou US$ 1,4 bilh\u00e3o e entrou em opera\u00e7\u00e3o em setembro de 2016, representa, com sua capacidade instalada de 305,5 megawatts, o novo padr\u00e3o de uma meta da qual se orgulham as autoridades do setor e do pa\u00eds: eletricidade verde para todos.<\/p>\n<div id=\"attachment_218141\" style=\"width: 570px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img class=\"wp-image-218141\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/usina-1.jpg\" width=\"560\" height=\"315\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/usina-1.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/usina-1-300x169.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 560px) 100vw, 560px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">A maior usina da Am\u00e9rica Central, o Projeto Hidrel\u00e9trico Reventaz\u00f3n, com capacidade de 305,5 megawatts, contribuiu, desde sua inaugura\u00e7\u00e3o, em setembro, para que em 2016 a Costa Rica ficasse 250 dias sem queimar hidrocarbonos para gerar eletricidade. Foto: Diego Arguedas Ortiz\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Embora tenha diminu\u00eddo em 49 dias em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior, em 2016 a Costa Rica registrou 250 dias sem queimar hidrocarbonos para gerar eletricidade, valendo-se para isso dessa grande central e de outras represas, usinas geot\u00e9rmicas e uma crescente flotilha e\u00f3lica. Por\u00e9m, h\u00e1 setores n\u00e3o muito claros na meta para que esse pa\u00eds de 4,7 milh\u00f5es de pessoas seja majoritariamente verde.<\/p>\n<p>\u201cDuzentos dias de eletricidade limpa nos mostram bem que temos muito a resolver a respeito\u201d, afirmou \u00e0 IPS o engenheiro costarriquenho, Jos\u00e9 Daniel Lara. O especialista dispara perguntas a t\u00edtulo de reflex\u00e3o, inclusive para si mesmo: quais ser\u00e3o as fontes de energia do futuro? O pa\u00eds empregar\u00e1 biomassa, sol, g\u00e1s natural local ou petr\u00f3leo importado? Como vamos consumir essa energia nos domic\u00edlios e para nos mover?<\/p>\n<p>Gra\u00e7as precisamente ao transporte, tr\u00eas quartos do consumo de energia prov\u00eam de derivados de petr\u00f3leo, que o pa\u00eds tem que importar em sua totalidade. Mas, pelas ruas e estradas do pa\u00eds, circulam quase 1,5 milh\u00e3o de ve\u00edculos. Tampouco \u00e9 perfeita a matriz el\u00e9trica: a instala\u00e7\u00e3o solar chega a apenas 1% do total geral, e h\u00e1 uma depend\u00eancia quase total do comportamento dos rios e das chuvas<\/p>\n<p>Apesar disso, o marco costarriquenho n\u00e3o \u00e9 pouca coisa, reconhece Lara. Menos de um quarto da eletricidade do planeta procede de fontes renov\u00e1veis, mas, na Costa Rica, esse \u00edndice, h\u00e1 dois anos seguidos, est\u00e1 acima dos 98%. Entretanto, nem sempre o verde foi o argumento atraente que \u00e9 agora nesse pa\u00eds de 51.100 quil\u00f4metros quadrados.<\/p>\n<div id=\"attachment_218142\" style=\"width: 570px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img class=\"wp-image-218142\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Crica_cuadro_2.jpg\" width=\"560\" height=\"235\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Crica_cuadro_2.jpg 640w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Crica_cuadro_2-300x126.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 560px) 100vw, 560px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Participa\u00e7\u00e3o mundial das fontes renov\u00e1veis na gera\u00e7\u00e3o de eletricidade no final de 2015. Foto: REN21 2015<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na segunda metade do s\u00e9culo 20, a Costa Rica compreendeu que tinha um enorme recurso h\u00eddrico e apostou na gera\u00e7\u00e3o hidrel\u00e9trica como um assunto de seguran\u00e7a energ\u00e9tica, amparado na dire\u00e7\u00e3o de uma grande empresa estatal, o Instituto Costarriquenho de Eletricidade (ICE). Assim, o sistema do pa\u00eds est\u00e1 dominado por meia centena de centrais hidrel\u00e9tricas, entre p\u00fablicas e privadas, que fornecem 70% da gera\u00e7\u00e3o e t\u00eam por desvantagem exigir longas linhas de transmiss\u00e3o para levar a energia el\u00e9trica \u00e0s cidades.<\/p>\n<p>Em 2016, a Costa Rica gerou 10.778 gigawatts\/hora (GWh), segundo dados preliminares do ICE. Cursando doutorado na Universidade da Calif\u00f3rnia-Berkeley, nos Estados Unidos, Lara estuda como podem ser integradas novas e melhores pr\u00e1ticas de energia renov\u00e1vel em redes el\u00e9tricas, e aponta que a Costa Rica mudou pouco o seu modelo nas \u00faltimas d\u00e9cadas. \u201cO fizemos muito bem no passado, e ainda estamos obtendo vantagens nessa hist\u00f3ria, mas n\u00e3o sabemos o que acontecer\u00e1 no futuro\u201d, pontuou.<\/p>\n<p>O desafio que a Costa Rica enfrenta \u00e9 manter sua lideran\u00e7a em gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica, buscar novas fontes e modelos de consumo, e estender o manto verde para o transporte, explicou o engenheiro. Embora a h\u00eddrica domine, n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica fonte limpa presente. A primeira usina e\u00f3lica da Am\u00e9rica Latina foi constru\u00edda em solo costarriquenho e novas plantas, a maioria em m\u00e3os de operadores privados que vendem sua energia ao ICE, elevam a participa\u00e7\u00e3o dessa fonte para 10% da gera\u00e7\u00e3o interna total.<\/p>\n<p>Por sua vez, a geot\u00e9rmica h\u00e1 d\u00e9cadas fornece entre 10% e 15% da produ\u00e7\u00e3o el\u00e9trica. Mas a falta de novos po\u00e7os de vapor quente para instalar usinas geot\u00e9rmicas e com represas na maioria dos rios \u201cvi\u00e1veis\u201d para a gera\u00e7\u00e3o, novas op\u00e7\u00f5es para gerar eletricidade s\u00e3o urgentes. O pr\u00f3prio presidente, Luis Guillermo Sol\u00eds, destacou a necessidade de se diversificar a matriz el\u00e9trica do pa\u00eds durante sua visita aos Emirados \u00c1rabes Unidos, nos dias 16 e 17 deste m\u00eas, para participar como orador principal do Encontro Mundial de Energia do Futuro.<\/p>\n<p>\u201cProcuramos diversificar a matriz e incluir mais usinas geot\u00e9rmicas, solares, e\u00f3licas e de biomassa, para, se perdermos \u00e1gua no futuro, ser poss\u00edvel manejar da melhor forma\u201d, declarou ao jornal emiratense <em>The National<\/em>. Uma depend\u00eancia maior de usinas de combust\u00edveis f\u00f3sseis parece fora da equa\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que a Costa Rica instaurou uma morat\u00f3ria para a explora\u00e7\u00e3o petroleira at\u00e9 2021. Uma alternativa pode vir do setor agr\u00edcola, que historicamente teve papel dominante na economia local e agora poderia dar uma ajuda \u00e0 matriz energ\u00e9tica.<\/p>\n<p>O engenheiro Esteban Berm\u00fadez h\u00e1 anos estuda as op\u00e7\u00f5es para gerar eletricidade a partir de res\u00edduos de propriedades produtoras de abacaxi. Ele disse \u00e0 IPS estar convencido de que os res\u00edduos dessa ind\u00fastria podem seguir o caminho do baga\u00e7o da cana, que atualmente \u00e9 o insumo para gerar eletricidade em duas usinas em engenhos de a\u00e7\u00facar.<\/p>\n<p>Entretanto, tanto como as fontes do futuro, os especialistas consultados se intrigam com o outro lado da moeda: as pr\u00e1ticas dos consumidores de energia no futuro. \u201cO problema \u00e9 que s\u00f3 pensamos na oferta e deixamos a demanda de lado\u201d, destacou Berm\u00fadez, s\u00f3cio da empresa Escoia, dedicada \u00e0 assessoria na \u00e1rea da energia, e consultor no campo. Para ele, esse \u00e9 um tema que exige espa\u00e7os para novos atores que possam revitalizar o campo.<\/p>\n<p>Berm\u00fadez d\u00e1 como exemplo o <em>boom<\/em> de empresas privadas dedicadas a instalar pain\u00e9is solares, que se valeram de uma \u201cregulamenta\u00e7\u00e3o-piloto\u201d que o ICE desenhou para estudar o impacto da gera\u00e7\u00e3o distribu\u00edda no pa\u00eds. Esse modelo de gera\u00e7\u00e3o distribu\u00edda tenta vencer as dist\u00e2ncias entre as usinas geradoras e os consumidores ao junt\u00e1-los: f\u00e1bricas que coloquem pequenas turbinas e\u00f3licas ou resid\u00eancias que instalem pain\u00e9is solares para aquecer \u00e1gua ou alimentar os eletrodom\u00e9sticos.<\/p>\n<p>Precisamente esses atores erguem agora a voz para exigir que o Estado abra espa\u00e7o no modelo el\u00e9trico, onde o ICE ainda \u00e9 o grande protagonista. \u201cN\u00e3o muitas vezes s\u00e3o os consumidores que causam alvoro\u00e7o\u201d, indicou Berm\u00fadez. O engenheiro afirma que durante anos o ICE planejou seus investimentos futuros projetando aumento anual de 5% a 6% na demanda el\u00e9trica, e assim justificou o estabelecimento de centrais hidrel\u00e9tricas, mas, nos \u00faltimos anos, o aumento da demanda foi de 3%.<\/p>\n<p>Um elemento para a demanda de eletricidade ser\u00e1 o futuro do transporte. V\u00e1rios projetos de lei, para reduzir o consumo de hidrocarbonos por parte do parque automotivo, navegam as \u00e1guas da Assembleia Legislativa costarriquenha, incluindo um que proibiria importar ve\u00edculos que utilizem derivados de petr\u00f3leo, a partir de 2030. Este tem apoio de 27 dos 57 deputados. Dados da Refinadora Costarriquenha de Petr\u00f3leo indicam que o pa\u00eds importou 20,2 milh\u00f5es de barris em 2016, dos quais cerca de 80% foram destinados ao transporte. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/1-1-canais\/um-ano-de-energia-limpa-na-costa-rica\/\">Um ano de energia limpa na Costa Rica<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/\">Envolverde<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Diego Arguedas Ortiz, da IPS &ndash;&nbsp; S&atilde;o Jos&eacute;, Costa Rica, 20\/1\/2017 &ndash; Na vertente caribenha da Costa Rica, 100 quil&ocirc;metros a nordeste da capital do pa&iacute;s, a cinza silhueta de uma grande barragem corta o rio Reventaz&oacute;n e forma a represa que alimenta a maior usina hidrel&eacute;trica da Am&eacute;rica Central. 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