{"id":21553,"date":"2017-01-24T11:39:34","date_gmt":"2017-01-24T11:39:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=218245"},"modified":"2017-01-24T11:39:34","modified_gmt":"2017-01-24T11:39:34","slug":"empoderar-mulheres-contra-a-desigualdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2017\/01\/ultimas-noticias\/empoderar-mulheres-contra-a-desigualdade\/","title":{"rendered":"Empoderar mulheres contra a desigualdade"},"content":{"rendered":"<p><em>Por\u00a0Baher Kamal, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Roma, It\u00e1lia, 24\/1\/2017 \u2013 No contexto atual, em que oito homens concentram a mesma riqueza que a metade mais pobre da humanidade, observa-se que, em geral, as mulheres s\u00e3o as que est\u00e3o em pior situa\u00e7\u00e3o: seriam necess\u00e1rios 170 anos para receberem o mesmo sal\u00e1rio que os homens. A popula\u00e7\u00e3o feminina, que costuma se empregar nos setores mal remunerados, sofre grande discrimina\u00e7\u00e3o trabalhista, assume uma desproporcional carga de trabalho n\u00e3o remunerado, e costuma se encontrar na base da pir\u00e2mide, segundo a Oxfam Internacional, uma coaliz\u00e3o de 19 organiza\u00e7\u00f5es que trabalha em 90 pa\u00edses.<\/p>\n<div id=\"attachment_218246\" style=\"width: 570px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img class=\"wp-image-218246\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/desigualdad1-629x420.jpg\" width=\"560\" height=\"374\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/desigualdad1-629x420.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/desigualdad1-629x420-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/desigualdad1-629x420-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 560px) 100vw, 560px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">A infraestrutura da Lib\u00e9ria foi destru\u00edda durante a guerra civil (1989-2003). Meninas caminham no povoado de Totota, no condado de Bong, olhando as casas demolidas pelas autoridades para reconstruir as ruas. Foto: ONU Mulheres<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em seu informe <em>Uma Economia Para 99%<\/em>, apresentado no dia 16 deste m\u00eas, a Oxfam se refere a como as grandes corpora\u00e7\u00f5es e as pessoas super-ricas avivam a atual crise de desigualdade. A coalis\u00e3o entrevistou trabalhadoras de uma f\u00e1brica de roupas no Vietn\u00e3, que trabalham 12 horas por dia, seis dias na semana, e ainda assim t\u00eam de se contentar com o d\u00f3lar por hora que recebem por fabricarem roupas para as grandes marcas mundiais. Mas \u201cos gerentes-gerais dessas empresas est\u00e3o entre as pessoas mais bem pagas do mundo\u201d, destaca o documento.<\/p>\n<p>\u201cAs mulheres s\u00e3o maioria nos empregos que s\u00e3o menos seguros e pagam pior, ao mesmo tempo em que assumem grande parte da responsabilidade das tarefas de cuidado n\u00e3o remuneradas\u201d, explicou Anna Ratcliff, respons\u00e1vel de m\u00eddia e da campanha <em>Even it Up<\/em> (Acabemos com a Desigualdade Extrema) da Oxfam. \u201cN\u00e3o \u00e9 um acidente: nosso atual modelo econ\u00f4mico depende desse fornecimento de trabalho barato ou gratuito\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Ratcliff apontou \u00e0 IPS que, quando s\u00e3o cortados os servi\u00e7os p\u00fablicos porque as grandes corpora\u00e7\u00f5es e as pessoas mais ricas n\u00e3o pagam os impostos correspondentes, as mulheres costumam ser as mais prejudicadas. Por exemplo, quando a educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 gratuita, \u00e9 a popula\u00e7\u00e3o feminina que fica de fora. \u201cAs mulheres sofrem discrimina\u00e7\u00e3o em suas fam\u00edlias e tamb\u00e9m a institucional, pois as elites pol\u00edtica e econ\u00f4mica est\u00e3o dominadas por homens. As oito pessoas mais ricas s\u00e3o homens, bem como 89% das que s\u00e3o multimilion\u00e1rias\u201d, observou.<\/p>\n<p>Ratcliff opinou que \u00e9 necess\u00e1rio gerir as economias de forma que as mulheres possam ter as mesmas oportunidades que os homens. \u201cPor exemplo, assegurando um acesso equitativo a educa\u00e7\u00e3o, oferecendo melhores servi\u00e7os de cuidados infantis, al\u00e9m de mais acess\u00edveis, investindo em servi\u00e7os e infraestrutura b\u00e1sica, e combatendo normas sociais relacionadas com o papel das mulheres na sociedade\u201d, prosseguiu.<\/p>\n<p>As camponesas est\u00e3o entre os mais pobres dos pobres e, apesar de sua contribui\u00e7\u00e3o fundamental e de constitu\u00edrem metade dos trabalhadores rurais, s\u00e3o as maiores v\u00edtimas da desigualdade. \u201cSe as mulheres tivessem o mesmo acesso a recursos que os homens, haveria cerca de 150 milh\u00f5es de pessoas a menos com fome no mundo\u201d, indicou Neven Mimica, comiss\u00e1rio de Coopera\u00e7\u00e3o Internacional e Desenvolvimento da Uni\u00e3o Europeia (UE), tamb\u00e9m estimando que a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola aumentaria quase um ter\u00e7o.<\/p>\n<p>Segundo Mimica, \u201ccostuma-se dizer que educando uma mulher se educa toda uma gera\u00e7\u00e3o. O mesmo ocorre quando as empoderamos em diferentes setores, n\u00e3o s\u00f3 mediante o acesso a conhecimento, mas tamb\u00e9m a recursos, oferecendo igualdade de oportunidade e voz\u201d. \u201cEntretanto, as estat\u00edsticas atuais mostram que estamos atrasados nessa \u00e1rea\u201d, lamentou o representante da UE, por ocasi\u00e3o de uma reuni\u00e3o de alto n\u00edvel realizada em dezembro.<\/p>\n<div id=\"attachment_218247\" style=\"width: 570px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img class=\"wp-image-218247\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/desigualdad2.jpg\" width=\"560\" height=\"375\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/desigualdad2.jpg 640w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/desigualdad2-300x201.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/desigualdad2-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 560px) 100vw, 560px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">As camponesas de Uganda precisam de melhores ferramentas manuais e de tra\u00e7\u00e3o animal. Foto: Ifad<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o desse encontro ficou a cargo da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO), Comiss\u00e3o Europeia, Presid\u00eancia eslovaca do Conselho da UE, e contou com colabora\u00e7\u00e3o do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agr\u00edcola (Ifad), Programa Mundial de Alimentos (PMA) e da ONU Mulheres.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, segundo o comiss\u00e1rio, \u201csabemos que as meninas e os meninos t\u00eam melhores perspectivas de futuro se suas m\u00e3es s\u00e3o saud\u00e1veis, t\u00eam tranquilidade econ\u00f4mica e educa\u00e7\u00e3o, em especial nos primeiros mil dias de vida\u201d. Segundo a FAO, nos pa\u00edses em desenvolvimento, as mulheres representam, em m\u00e9dia, 45% dos trabalhadores rurais, sendo 20% na Am\u00e9rica Latina e at\u00e9 60% em algumas regi\u00f5es da \u00c1frica e da \u00c1sia. \u201cE s\u00e3o muito trabalhadoras. Na \u00c1frica e \u00c1sia Pac\u00edfico costumam trabalhar entre 12 e 13 horas a mais por semana do que os homens\u201d, destaca a ag\u00eancia.<\/p>\n<p>Em geral, elas t\u00eam menos probabilidades do que os homens de ter o controle da terra, e o solo de seus terrenos costuma ser de m\u00e1 qualidade: menos de 20% dos propriet\u00e1rios de terras s\u00e3o mulheres. \u201cAs camponesas geram ganhos produtivos e reinvestem at\u00e9 90% de sua renda na fam\u00edlia, dinheiro gasto em alimenta\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e atividades geradoras de renda, o que ajuda a romper o ciclo da pobreza\u201d, segundo a FAO.<\/p>\n<p>Conseguir a igualdade de g\u00eanero e empoderar as mulheres \u201cn\u00e3o \u00e9 s\u00f3 fazer o que \u00e9 correto, mas \u00e9 um elemento fundamental na luta contra a extrema pobreza, a fome e a m\u00e1 nutri\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou o diretor-geral da FAO, Jos\u00e9 Graziano da Silva, na reuni\u00e3o de alto n\u00edvel. \u201cAs mulheres s\u00e3o o pilar de nosso trabalho na agricultura\u201d e representam 45% da for\u00e7a de trabalho rural nos pa\u00edses em desenvolvimento, e at\u00e9 60% em algumas regi\u00f5es da \u00c1frica e \u00c1sia, destacou Graziano. E acrescentou que os dados ressaltam a import\u00e2ncia de as trabalhadoras rurais terem as mesmas oportunidades.<\/p>\n<p>Nessa reuni\u00e3o de alto n\u00edvel, a ministra de Agricultura e Desenvolvimento Rural da Eslov\u00e1quia, Gabriela Matecn\u00e1, que presidiu o Conselho da UE no segundo semestre de 2016, pontuou que \u201ca brecha de g\u00eanero custa caro \u00e0 sociedade em termos de produ\u00e7\u00e3o agr\u00e1ria, seguran\u00e7a alimentar e crescimento econ\u00f4mico\u201d. E apontou que, apesar de as mulheres serem quase metade dos trabalhadores rurais, s\u00e3o propriet\u00e1rias de menos de 20% das terras. Al\u00e9m disso, a popula\u00e7\u00e3o feminina representa 60% das pessoas que sofrem fome de forma cr\u00f4nica.<\/p>\n<p>\u201cQuando se investe em um homem, investe-se em uma pessoa. Quando se investe em uma mulher, investe-se em uma comunidade\u201d, enfatizou o presidente do Ifad, Kanayo F. Nwanze. \u201cUma e outra vez vemos que a igualdade de g\u00eanero abre as portas para que comunidades inteiras reforcem a seguran\u00e7a alimentar e nutricional e melhorem seu bem-estar social e econ\u00f4mico. Empoderar as mulheres \u00e9, certamente, empoderar a humanidade\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>\u201cS\u00f3 com o empoderamento das camponesas poderemos destravar a for\u00e7a do sistema de alimenta\u00e7\u00e3o global. \u00c9 fundamental dar apoio para que criem resili\u00eancia, construam empresas mais fortes e promovam a seguran\u00e7a alimentar no longo prazo\u201d, observou Denise Brown, diretora de emerg\u00eancias do PMA.<\/p>\n<p>Por sua vez, a diretora de programa da ONU Mulheres, Mar\u00eda Noel Vaeza, afirmou que \u201cfechar a brecha de g\u00eanero na agricultura vai gerar m\u00faltiplos dividendos em mat\u00e9ria de desenvolvimento, como igualdade de g\u00eanero para as mulheres rurais, seguran\u00e7a alimentar e redu\u00e7\u00e3o da pobreza, melhor gest\u00e3o clim\u00e1tica e sociedades mais pac\u00edficas\u201d. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><em>* Este \u00e9 o segundo de tr\u00eas artigos sobre o alarmante aprofundamento da desigualdade no mundo. <\/em><\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/1-1-canais\/empoderar-mulheres-contra-desigualdade\/\">Empoderar mulheres contra a desigualdade<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/\">Envolverde<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Baher Kamal, da IPS &ndash;&nbsp; Roma, It&aacute;lia, 24\/1\/2017 &ndash; No contexto atual, em que oito homens concentram a mesma riqueza que a metade mais pobre da humanidade, observa-se que, em geral, as mulheres s&atilde;o as que est&atilde;o em pior situa&ccedil;&atilde;o: seriam necess&aacute;rios 170 anos para receberem o mesmo sal&aacute;rio que os homens. 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