{"id":21559,"date":"2017-01-26T12:48:58","date_gmt":"2017-01-26T12:48:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=218328"},"modified":"2017-01-26T12:48:58","modified_gmt":"2017-01-26T12:48:58","slug":"desigualdade-subemprego-e-menos-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2017\/01\/ultimas-noticias\/desigualdade-subemprego-e-menos-trabalho\/","title":{"rendered":"Desigualdade, subemprego e menos trabalho"},"content":{"rendered":"<p><em>Por\u00a0Bahel Kamal, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Roma, It\u00e1lia 26\/1\/2017 \u2013 Os progn\u00f3sticos para este ano apresentam um futuro desanimador com o aumento do desemprego e um n\u00famero maior de trabalhos prec\u00e1rios, al\u00e9m de maior desigualdade social, com 1,4 bilh\u00e3o de pessoas em alguma forma de emprego vulner\u00e1vel. O desemprego poder\u00e1 afetar 3,4 bilh\u00f5es de pessoas este ano devido \u00e0 deteriora\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es do mercado profissional em pa\u00edses emergentes, particularmente na Am\u00e9rica Latina e no Caribe, alerta um novo informe da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT).<\/p>\n<div id=\"attachment_218330\" style=\"width: 570px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img class=\"wp-image-218330\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/desigualdad11-629x420.jpg\" width=\"560\" height=\"374\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/desigualdad11-629x420.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/desigualdad11-629x420-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/desigualdad11-629x420-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 560px) 100vw, 560px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Um prato de feij\u00e3o na Su\u00ed\u00e7a custa 0,4% da renda di\u00e1ria m\u00e9dia. J\u00e1 no Malawi, esse mesmo prato representa quase 41%, segundo um relat\u00f3rio divulgado este m\u00eas pelo Programa Mundial de Alimentos. Foto: PMA \u00c1frica ocidental<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por outro lado, nos pa\u00edses ricos, o progn\u00f3stico \u00e9 de que o desemprego diminuir\u00e1, especialmente no norte, sul e oeste da Europa, bem como nos Estados Unidos e no Canad\u00e1, de acordo com o documento <em>World Employment and Social Outlook: Trends 2017<\/em> (Emprego no Mundo e Perspectiva Social: Tend\u00eancias 2017). Os 1,4 bilh\u00e3o de pessoas que trabalham em empregos vulner\u00e1veis representam 42% dos empregados em 2017, alerta o documento divulgado pela OIT no dia 12 deste m\u00eas.<\/p>\n<p>\u201cNos pa\u00edses emergentes quase um em cada dois trabalhadores ocupa um emprego vulner\u00e1vel e, nos pa\u00edses em desenvolvimento, esse n\u00edvel sobe para mais de quatro em cada cinco trabalhadores\u201d, destacou Steven Tobin, economista principal da OIT e principal autor do informe. \u201cEstamos diante de um duplo desafio: reparar os danos causados pelas crises econ\u00f4mica e social mundiais e gerar empregos de qualidade para as dezenas de milh\u00f5es de pessoas que a cada ano se incorporam ao mercado de trabalho\u201d, afirmou o diretor-geral da OIT, Guy Ryder.<\/p>\n<p>O crescimento do produto interno bruto registrou em 2016 seu menor n\u00edvel dos \u00faltimos seis anos, e bem abaixo das proje\u00e7\u00f5es de 2015, aponta o documento. \u201cOs analistas ainda ajustam suas estimativas para baixa referentes a 2017, e persiste a incerteza pela situa\u00e7\u00e3o da economia global, por isso os especialistas se preocupam com a possibilidade de a economia n\u00e3o conseguir empregar um n\u00famero suficiente de pessoas e que o crescimento n\u00e3o gere benef\u00edcios inclusivos e compartilhados\u201d, pontua o informe.<\/p>\n<p>Segundo o documento, desde 2009 aumenta em todas as regi\u00f5es do mundo a propor\u00e7\u00e3o de pessoas ativas dispostas a emigrar em busca de trabalho. A tend\u00eancia \u00e9 mais forte na Am\u00e9rica Latina, Caribe e pa\u00edses \u00e1rabes. A OIT tamb\u00e9m aponta numerosas desigualdades sociais que criam barreiras para o crescimento e a prosperidade.<\/p>\n<p>Em particular, a brecha de g\u00eanero incide no mercado de trabalho. Por exemplo, no norte da \u00c1frica as mulheres t\u00eam o dobro de probabilidade do que os homens de n\u00e3o ter emprego. \u201cA brecha se amplia muito mais nos pa\u00edses \u00e1rabes\u201d, detalha o documento. As v\u00e1rias desigualdades registradas nos diferentes setores de popula\u00e7\u00e3o sugerem, segundo a OIT, um aumento do risco de descontentamento e mal-estar social em todas as regi\u00f5es.<\/p>\n<div id=\"attachment_218332\" style=\"width: 650px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img class=\"size-full wp-image-218332\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/desigualdad21.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"165\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/desigualdad21.jpg 640w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/desigualdad21-300x77.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Jovens albaneses regressam ao seu pa\u00eds, ap\u00f3s ficarem sem trabalho no estrangeiro devido \u00e0 crise econ\u00f4mica mundial. Para muitos deles, reingressar no mercado profissional local \u00e9 uma \u00e1rdua tarefa. Um projeto conjunto da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho e do Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento os ajuda a enfrentar o desafio. Foto: ONU<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cO crescimento econ\u00f4mico continua decepcionando e \u00e9 inferior ao esperado, tanto em seu n\u00edvel como em seu grau de inclus\u00e3o. Isso desenha um quadro preocupante para a economia mundial e sua capacidade de criar empregos suficientes, muito menos empregos de qualidade\u201d, observou Ryder. \u201cA perspectiva de um alto n\u00edvel de empregos vulner\u00e1veis, associada a uma evidente falta de progresso na qualidade dos empregos, mesmo em pa\u00edses onde os n\u00fameros agregados melhoram, \u00e9 alarmante\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A OIT pediu coopera\u00e7\u00e3o internacional e coordena\u00e7\u00e3o de esfor\u00e7os para oferecer est\u00edmulo fiscal e investimentos p\u00fablicos para impulsionar de imediato a economia global e evitar o aumento previsto de desemprego, o que afetaria dois milh\u00f5es\u00a0 de pessoas. Essa situa\u00e7\u00e3o aumentar\u00e1 mais a desigualdade, uma tend\u00eancia j\u00e1 caracterizada no informe <em>Uma economia para 99%<\/em>, divulgado pela Oxfam Internacional no dia 16 deste m\u00eas. No tocante ao mercado de trabalho, a organiza\u00e7\u00e3o alerta que no mundo \u201cas pessoas ficam para tr\u00e1s\u201d.<\/p>\n<p>Esse documento enfatiza que \u201cseus sal\u00e1rios ficam estagnados, apesar de os empres\u00e1rios levarem para casa b\u00f4nus de US$ 1 milh\u00e3o. S\u00e3o reduzidos seus servi\u00e7os de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, enquanto as corpora\u00e7\u00f5es e os super-ricos deixam de pagar impostos; suas vozes s\u00e3o ignoradas, enquanto os governos cantam no ritmo das grandes empresas e da elite endinheirada\u201d.<\/p>\n<div id=\"attachment_218335\" style=\"width: 570px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img class=\"wp-image-218335\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/desigualdad3.jpg\" width=\"560\" height=\"281\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/desigualdad3.jpg 640w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/desigualdad3-300x150.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/desigualdad3-630x315.jpg 630w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/desigualdad3-315x157.jpg 315w\" sizes=\"(max-width: 560px) 100vw, 560px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Desde que jovens, homens e mulheres, protestaram em 2011 pela falta de emprego e pelo baixo n\u00edvel de vida, a Tun\u00edsia impulsionou uma s\u00e9rie de mudan\u00e7as pol\u00edticas e sociais. Mas o mercado de trabalho s\u00f3 piorou, dificultando suas possibilidades de encontrar uma coloca\u00e7\u00e3o formal. Foto: ONU<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cOs benef\u00edcios do crescimento econ\u00f4mico n\u00e3o s\u00e3o distribu\u00eddos de forma equitativa em nossas sociedades\u201d, disse Anna Ratcliff, respons\u00e1vel de m\u00eddia e pela campanha Acabemos Com a Desigualdade Extrema, da Oxfam. \u201cGrande parte da renda gerada nos \u00faltimos 30 anos foi acumulada pelos donos do capital e pelos que est\u00e3o no alto da pir\u00e2mide. Os trabalhadores de muitos pa\u00edses viram seus sal\u00e1rios estagnados e como n\u00e3o aumentaram, nem perto nem t\u00e3o r\u00e1pido como os ganhos dos capitalistas\u201d.<\/p>\n<p>Para maximizar os lucros de seus acionistas, as grandes corpora\u00e7\u00f5es burlam o pagamento de impostos e assim reduzem os sal\u00e1rios dos trabalhadores e o que pagam aos produtores, e investem menos em seus neg\u00f3cios, gastando milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares em <em>lobbies<\/em> para que as regras estejam a seu favor, explicou Ratcliff. Essa situa\u00e7\u00e3o afeta as pens\u00f5es, os direitos trabalhistas e a seguran\u00e7a no trabalho em todo o mundo, al\u00e9m de atingir mais duramente mulheres e jovens, que est\u00e3o concentrados nos empregos prec\u00e1rios e t\u00eam sal\u00e1rios menores, acrescentou.<\/p>\n<p>\u201cSe n\u00e3o enfrentarmos a desigualdade, os trabalhadores de todo o mundo pagar\u00e3o o pre\u00e7o com maior inseguran\u00e7a e sal\u00e1rios menores\u201d, alertou a representante da Oxfam.<\/p>\n<p>Um estudo do Programa Mundial de Alimentos (PMA) revela que um simples prato de comida no Malawi \u00e9 muito mais caro do que na cidade su\u00ed\u00e7a de Davos, quando se compara uma renda m\u00e9dia di\u00e1ria. A an\u00e1lise faz parte de uma nova iniciativa do PMA, chamada Hot Dinner Data (Dados de Uma Comida Quente), lan\u00e7ada no dia 13 deste m\u00eas, bem antes da abertura, no dia 17, do F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial, a c\u00fapula que re\u00fane governantes, dirigentes pol\u00edticos e autoridades econ\u00f4micas nessa cidade da Su\u00ed\u00e7a.<\/p>\n<p>O estudo \u201creflete as distor\u00e7\u00f5es no poder aquisitivo entre ricos e pobres na tentativa de atenderem suas necessidades b\u00e1sicas\u201d, disse Arif Husain, chefe de economia do PMA. Os dados revelam que nos pa\u00edses em desenvolvimento as pessoas chegam a pagar cem vezes mais do que nas na\u00e7\u00f5es ricas por uma refei\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. E em condi\u00e7\u00f5es mais extremas, por exemplo, nas regi\u00f5es em conflito, esse custo pode ser 300 vezes maior.<\/p>\n<p>Se pegarmos o exemplo de um prato de feij\u00e3o, alimento padr\u00e3o em muitos pa\u00edses e para muitas culturas, observa-se que na Su\u00ed\u00e7a custa 0,88 francos su\u00ed\u00e7os (cerca de US$ 0,87), o que representa 0,41% de uma renda m\u00e9dia di\u00e1ria. \u201cEsse valor \u00e9 cem vezes superior no Malawi, onde uma pessoa precisa gastar 41% de sua renda di\u00e1ria para comprar o mesmo prato. Na \u00cdndia e na Nicar\u00e1gua seria preciso pagar entre 10 e 15 vezes mais do que na Su\u00ed\u00e7a\u201d, detalhou Husain. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><em>* Este \u00e9 o \u00faltimo artigo da s\u00e9rie sobre o alarmante aprofundamento da desigualdade no mundo.<\/em><\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/1-1-canais\/desigualdade-subemprego-e-menos-trabalho\/\">Desigualdade, subemprego e menos trabalho<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/\">Envolverde<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Bahel Kamal, da IPS &ndash;&nbsp; Roma, It&aacute;lia 26\/1\/2017 &ndash; Os progn&oacute;sticos para este ano apresentam um futuro desanimador com o aumento do desemprego e um n&uacute;mero maior de trabalhos prec&aacute;rios, al&eacute;m de maior desigualdade social, com 1,4 bilh&atilde;o de pessoas em alguma forma de emprego vulner&aacute;vel. 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