{"id":21563,"date":"2017-01-27T16:43:50","date_gmt":"2017-01-27T16:43:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=218428"},"modified":"2017-01-27T16:43:50","modified_gmt":"2017-01-27T16:43:50","slug":"energia-envolve-genero-integracao-e-clima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2017\/01\/ultimas-noticias\/energia-envolve-genero-integracao-e-clima\/","title":{"rendered":"Energia envolve g\u00eanero, integra\u00e7\u00e3o e clima"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Por\u00a0Mario Osava, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Quito, Equador, 27\/1\/2017 \u2013 \u201cAs mulheres querem as coisas em lugares diferentes dos homens\u201d, afirmou Sissy Larrea, para enfatizar que g\u00eanero tamb\u00e9m \u00e9 uma quest\u00e3o importante em mat\u00e9ria de energia na Am\u00e9rica Latina. As mulheres s\u00e3o as mais afetadas por car\u00eancias energ\u00e9ticas no trabalho dom\u00e9stico, majoritariamente sob sua responsabilidade, e atividades como com\u00e9rcio e produ\u00e7\u00e3o alimentar, mas s\u00e3o marginalizadas nas decis\u00f5es do setor.<\/p>\n<div id=\"attachment_218429\" style=\"width: 570px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img class=\"wp-image-218429\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/paineis-1.jpg\" width=\"560\" height=\"420\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/paineis-1.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/paineis-1-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 560px) 100vw, 560px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Pain\u00e9is fotovoltaicos na sede da Organiza\u00e7\u00e3o Latino-Americana de Energia (Olade), em Quito, geram tr\u00eas quilowatts, o que reduz os custos da institui\u00e7\u00e3o e serve de unidade de demonstra\u00e7\u00e3o para estimular o uso e a gera\u00e7\u00e3o de energia solar. Foto: Mario Osava\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por se tratar \u2013 como se pensa \u2013 de \u201cuma \u00e1rea t\u00e9cnica, n\u00e3o social, os homens assumem a dire\u00e7\u00e3o e cabem \u00e0s mulheres servi\u00e7os de administra\u00e7\u00e3o\u201d, destacou Larrea, assessora para Igualdade de G\u00eanero da Organiza\u00e7\u00e3o Latino-Americana de Energia (Olade), com sede na capital do Equador. Com a sua contrata\u00e7\u00e3o dessa antrop\u00f3loga com duas d\u00e9cadas de experi\u00eancia em temas de g\u00eanero, a Olade intensificou, desde 2012, a capacita\u00e7\u00e3o e a sensibiliza\u00e7\u00e3o de governos e institui\u00e7\u00f5es para ado\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas e ferramentas para a igualdade entre homens e mulheres nos \u00f3rg\u00e3os de decis\u00e3o.<\/p>\n<p>Unidades ou comiss\u00f5es de g\u00eanero foram criadas ou fortalecidas em minist\u00e9rios e empresas de muitos pa\u00edses como Haiti, M\u00e9xico e Uruguai, com mecanismos para superar iniquidades. A capacita\u00e7\u00e3o, por meio de cursos variados e assist\u00eancia t\u00e9cnica, \u00e9 o principal instrumento da Olade para cumprir a miss\u00e3o para a qual foi criada em 1973, de contribuir para a integra\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a energ\u00e9tica regional, para o desenvolvimento sustent\u00e1vel e a coopera\u00e7\u00e3o entre seus 27 pa\u00edses membros da Am\u00e9rica Latina e do Caribe.<\/p>\n<p>\u201cA mat\u00e9ria-prima da Olade \u00e9 o conhecimento\u201d, definiu para a IPS o brasileiro Fernando Ferreira, secret\u00e1rio executivo da organiza\u00e7\u00e3o entre 2014 e 2016. Somando os chamados diplomados, cursos presenciais intensivos de seis semanas, \u00e0 capacita\u00e7\u00e3o virtual de dez horas, um total de 7.200 especialistas ampliaram seus conhecimentos em temas como planejamento, energias renov\u00e1veis, inclus\u00e3o social e efici\u00eancia energ\u00e9tica. A quantidade cresceu muito desde 2006, quando houve 263 participantes.<\/p>\n<p>O salto ocorreu com as novas ferramentas adotadas nos cursos virtuais a partir de 2012, explicou Paola Carrera, coordenadora de Gest\u00e3o da Informa\u00e7\u00e3o e Capacita\u00e7\u00e3o. Em 2016, o curso sobre Perdas El\u00e9tricas, por exemplo, teve mais de 800 participantes. Al\u00e9m da sede em Quito, sub-sedes em Honduras e Jamaica contribuem para a expans\u00e3o, atendendo interessados do Caribe e da Am\u00e9rica Central.<\/p>\n<div id=\"attachment_218430\" style=\"width: 570px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img class=\"wp-image-218430\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Sissy.jpg\" width=\"560\" height=\"420\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Sissy.jpg 640w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Sissy-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 560px) 100vw, 560px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Com a vista de Quito ao fundo, Sissy Larrea, assessora para Igualdade de G\u00eanero da Olade, autora do manual Estrat\u00e9gia de Igualdade de G\u00eanero da Olade, em 2013, dissemina a quest\u00e3o de g\u00eanero nas decis\u00f5es e atividades energ\u00e9ticas da regi\u00e3o. Foto: Mario Osava\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cOs cursos, interdisciplinares e plurinacionais, s\u00e3o enriquecedores. Vi que a situa\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica da Am\u00e9rica Central \u00e9 muito diferente da existente na Am\u00e9rica do Sul\u201d, contou Gloriana Alvarado, do estatal Instituto Costa-Riquenho de Eletricidade, recordando sua participa\u00e7\u00e3o no diplomado de 2013, em Quito. Ela se interessou pela gest\u00e3o energ\u00e9tica sul-americana, com os conflitos devidos ao uso de hidrocarbonos na gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica, em contraste com a Costa Rica, onde \u201cs\u00e3o gerados mais de 95% com fontes renov\u00e1veis\u201d, principalmente h\u00eddrica, e\u00f3lica e geot\u00e9rmica, destacou.<\/p>\n<p>\u201cA m\u00e9dia \u00e9 de 20 cursos por ano, mas promovemos outras formas de compartilhar conhecimento, como o Programa de Coopera\u00e7\u00e3o Sul-Sul\u201d, explicou Ferreira, economista e doutor em engenharia que trabalhou em uma estatal e em v\u00e1rios \u00f3rg\u00e3os de regula\u00e7\u00e3o e planejamento energ\u00e9tico do Brasil. Um exemplo \u201c\u00e9 o interc\u00e2mbio entre pa\u00edses com grande potencial em geotermia mas sem experi\u00eancia\u201d, como os andinos, e os que j\u00e1 desenvolveram essa fonte, como M\u00e9xico e centro-americanos.<\/p>\n<p>Sistemas de informa\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e publica\u00e7\u00f5es especializadas da organiza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m ajudam a melhorar a gest\u00e3o do setor nos diferentes pa\u00edses. A Olade nasceu em 2 de novembro de 1973 como organiza\u00e7\u00e3o intergovernamental, em resposta \u00e0 chamada primeira crise internacional do petr\u00f3leo, pela explos\u00e3o de seus pre\u00e7os, que desnudou a necessidade de se impulsionar pol\u00edticas energ\u00e9ticas e a coopera\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina, onde a maioria dos pa\u00edses \u00e9 importadora de hidrocarbonos.<\/p>\n<div id=\"attachment_218431\" style=\"width: 570px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img class=\"wp-image-218431\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Fernando-1.jpg\" width=\"560\" height=\"420\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Fernando-1.jpg 640w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Fernando-1-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 560px) 100vw, 560px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Fernando Ferreira, economista brasileiro que foi secret\u00e1rio executivo da Olade no \u00faltimo tri\u00eanio, pouco antes de deixar o cargo. \u201cA mat\u00e9ria-prima da Olade \u00e9 o conhecimento\u201d, afirma. Foto: Mario Osava\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A integra\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica regional, um objetivo original, se revelou complexa e n\u00e3o avan\u00e7ou no ritmo do desejo declarado pelos ministros de Energia que se re\u00fanem anualmente na organiza\u00e7\u00e3o. \u201cPara a Olade, a integra\u00e7\u00e3o n\u00e3o acaba, est\u00e1 sempre em constru\u00e7\u00e3o\u201d, pontuou Ferreira, citando, como \u201cbom exemplo regional\u201d, o Sistema de Interliga\u00e7\u00e3o El\u00e9trica dos Pa\u00edses da Am\u00e9rica Central, que j\u00e1 conta com linhas de transmiss\u00e3o nos seis pa\u00edses centro-americanos desde 2014.<\/p>\n<p>Na Am\u00e9rica do Sul, h\u00e1 acordos bilaterais que resultaram em hidrel\u00e9tricas binacionais, como Itaipu e Yaciret\u00e1, na fronteira do Paraguai com o Brasil e a Argentina, respectivamente. Mas a \u201cOlade perdeu espa\u00e7o para outras institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas\u201d, reconheceu Ferreira.<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas surgiram v\u00e1rios organismos de integra\u00e7\u00e3o e concerta\u00e7\u00e3o regional ou sub-regional, como o Mercado Comum do Sul (Mercosul), a Uni\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Sul-Americanas (Unasul) e a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), que concentram as decis\u00f5es pol\u00edticas, limitando a Olade a fun\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas. E \u00e9 como \u201cassessoria t\u00e9cnica\u201d que desenhou para a Celac, em 2015, um \u201cmapa do caminho\u201d de integra\u00e7\u00e3o e sustentabilidade energ\u00e9tica regional.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m fez para a Unasul um estudo de prioridade nos projetos energ\u00e9ticos da Iniciativa para a Integra\u00e7\u00e3o da Infraestrutura Regional Sul-Americana, aprovada em uma c\u00fapula presidencial da sub-regi\u00e3o em 2000, com 531 projetos. \u201cNecessitamos de um segundo Conv\u00eanio de Lima\u201d, opinou Ferreira, se referindo ao acordo que criou a Olade em 1973, e que precisa de atualiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No contexto atual, o desafio da integra\u00e7\u00e3o tem que contemplar a mudan\u00e7a clim\u00e1tica e a sustentabilidade ambiental como um eixo adicional, observou o ex-secret\u00e1rio da Olade. Por isso ganham import\u00e2ncia as novas fontes renov\u00e1veis de energia. A Olade decidiu estimular a energia solar. Em outubro, instalou uma pequena planta de tr\u00eas quilowatts em sua sede, para ensinar estudantes e interessados em sua opera\u00e7\u00e3o, medindo a gera\u00e7\u00e3o, seu valor e o volume evitado de gases-estufa.<\/p>\n<p>A unidade de demonstra\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 um laborat\u00f3rio da efic\u00e1cia solar nas condi\u00e7\u00f5es de Quito, a poucos quil\u00f4metros da linha equatorial. \u201cA Olade \u00e9 um local privilegiado, com o sol forte e quase perpendicular\u201d, mas a altitude superior a 2.800 metros impede o calor excessivo que reduziria a produtividade fotovoltaica, detalhou Ferreira. \u201cOs pa\u00edses pequenos s\u00e3o mais receptivos\u201d a energias renov\u00e1veis e efici\u00eancia energ\u00e9tica, comprovou Jorge Asturias, diretor de Estudos e Projetos da Olade. \u201cOs grandes, com capacidade de financiar seus pr\u00f3prios estudos, cooperam mais com ag\u00eancias internacionais\u201d, n\u00e3o regionais, lamentou.<\/p>\n<p>O futuro da Olade est\u00e1 ligado a novos mercados energ\u00e9ticos, acrescentou Ferreira. A partir de 2023, o Paraguai ter\u00e1 total liberdade para usar a eletricidade produzida por Itaipu \u00e0 qual tem direito, metade dos 14 mil megawatts gerados pela central, atualmente utilizadas quase totalmente pelo Brasil. Assim, haver\u00e1 novos neg\u00f3cios no Cone Sul.<\/p>\n<p>Uma dificuldade que a Olade enfrenta s\u00e3o os atrasos na contribui\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses membros, segundo Helena Cantizano, chefe da Assessoria de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais do Minist\u00e9rio de Minas e Energia do Brasil, que desde 2005 participa das a\u00e7\u00f5es da organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cO Brasil esteve insolvente por um longo per\u00edodo, sendo um dos pa\u00edses que mais contribuem, junto com Argentina, M\u00e9xico e Venezuela\u201d, recordou Cantizano, destacando que Bras\u00edlia aporta pouco mais de US$ 240 mil ao ano, bem menos do que destina a outras organiza\u00e7\u00f5es multilaterais. Mesmo assim, a Olade \u201caperfei\u00e7oou seu processo de sele\u00e7\u00e3o de pessoal, na contrata\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os, e elevou a qualidade de seus produtos\u201d, ressaltou. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/opiniao\/energia-envolve-genero-integracao-e-clima\/\">Energia envolve g\u00eanero, integra\u00e7\u00e3o e clima<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/\">Envolverde<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Mario Osava, da IPS &ndash;&nbsp; Quito, Equador, 27\/1\/2017 &ndash; &ldquo;As mulheres querem as coisas em lugares diferentes dos homens&rdquo;, afirmou Sissy Larrea, para enfatizar que g&ecirc;nero tamb&eacute;m &eacute; uma quest&atilde;o importante em mat&eacute;ria de energia na Am&eacute;rica Latina. 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