{"id":21589,"date":"2017-02-02T10:51:09","date_gmt":"2017-02-02T10:51:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=218527"},"modified":"2017-02-02T10:51:09","modified_gmt":"2017-02-02T10:51:09","slug":"jornalistas-entre-se-calar-ou-morrer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2017\/02\/ultimas-noticias\/jornalistas-entre-se-calar-ou-morrer\/","title":{"rendered":"Jornalistas entre se calar ou morrer"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Por\u00a0Ashfaq Yusufzai, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Peshawar, Paquist\u00e3o, 2\/2\/2017 \u2013 O jornalismo est\u00e1 no fio da navalha no Paquist\u00e3o, com as \u00c1reas Tribais sob Administra\u00e7\u00e3o Federal (Fata) continuando a ser um dos lugares mais perigosos do mundo para exercer a profiss\u00e3o. As Fata, na fronteira com o Afeganist\u00e3o, s\u00e3o o reduto de combatentes talib\u00e3s, desde que estes se refugiaram no Paquist\u00e3o, quando a coaliz\u00e3o encabe\u00e7ada pelos Estados Unidos derrubou o governo em Cabul, no fim de 2001.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o \u00e9 a base do Talib\u00e3, de onde aponta contra as for\u00e7as de seguran\u00e7a e outros setores da popula\u00e7\u00e3o que desaprova, como \u00e9 o caso dos jornalistas. Mohamad Anwar, representante da Uni\u00e3o Tribal de Jornalistas, com sede nas Fata, assegurou que a viol\u00eancia, as amea\u00e7as e a intimida\u00e7\u00e3o continuam como fatos cotidianos para eles nas Fata. \u201cOs jornalistas t\u00eam duas op\u00e7\u00f5es aqui: ou ficam calados sobre o que acontece ou se arriscam a morrer\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Hayatullah Jan foi o primeiro jornalista morto, em junho de 2006, ap\u00f3s ter sido sequestrado em dezembro do ano anterior no Wazirist\u00e3o. Desde ent\u00e3o, mais de 20 profissionais perderam a vida em sete ag\u00eancias das Fata, ao que parece em m\u00e3os de combatentes do grupo extremista descontentes com seu trabalho.<\/p>\n<p>\u201cCombatentes do Talib\u00e3 incendiaram uma banca de jornais quando viram not\u00edcias sobre suas atividades. Tamb\u00e9m amea\u00e7aram os jornalistas para que n\u00e3o cobrissem os castigos que aplicam na popula\u00e7\u00e3o local\u201d, contou \u00e0 IPS o jornalista Mohamad Shakur, do Wazirist\u00e3o do Norte. Atualmente morando em Peshawar, capital da vizinha prov\u00edncia Jyber Pajtunjwa, recordou que as amea\u00e7as dos talib\u00e3s fizeram muitos jornalistas fugirem para outras partes do pa\u00eds.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o no distrito de Swat, tamb\u00e9m nesta prov\u00edncia, se complicou para os jornalistas quando o Talib\u00e3 assumiu o controle da regi\u00e3o entre 2007 e 2009. \u201cOs talib\u00e3s intimidaram os profissionais locais. E pelo menos tr\u00eas deles foram assassinados porque n\u00e3o eram do agrado do Talib\u00e3 nem do ex\u00e9rcito paquistan\u00eas\u201d, disse \u00e0 IPS o jornalista Mohamad Rafiq.<\/p>\n<p>Os jornalistas temem por suas vidas e adotam todas as precau\u00e7\u00f5es quando escrevem. \u201cEstamos presos entre os insurgentes e o ex\u00e9rcito. N\u00e3o sabemos nada dos assassinos de nossos colegas que ca\u00edram cumprindo seu dever\u201d, destacou Rafiq. Pode parecer que o Talib\u00e3 desapareceu gra\u00e7as \u00e0s opera\u00e7\u00f5es do ex\u00e9rcito, mas ainda tem capacidade para atentar contra os jornalistas, lamentou.<\/p>\n<p>\u201cA maioria dos 200 jornalistas das Fata emigrou para outros distritos e faz seu trabalho a partir de lugares mais seguros. N\u00e3o temos seguran\u00e7a nem prote\u00e7\u00e3o nenhuma\u201d, pontuou Mohamad Ghaffar, que trabalha para um di\u00e1rio em urdu na Ag\u00eancia Mohmand. Ele ressaltou que, al\u00e9m dos insurgentes, \u00e9 preciso enfrentar tamb\u00e9m as amea\u00e7as de dirigentes pol\u00edticos locais que querem controlar a imprensa. \u201c\u00c9 quase imposs\u00edvel realizar uma cobertura independente devido \u00e0 falta de prote\u00e7\u00e3o. Os jornalistas est\u00e3o cercados por m\u00faltiplos problemas e precisam ser cuidadosos\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Os jornalistas do Paquist\u00e3o s\u00e3o alvo por \u201ctodos os lados\u201d, mesmo quando as condi\u00e7\u00f5es da imprensa melhoraram ligeiramente no pa\u00eds. \u201cS\u00e3o alvo de grupos extremistas, organiza\u00e7\u00f5es criminosas e de organiza\u00e7\u00f5es estatais\u201d, diz um novo informe da organiza\u00e7\u00e3o Rep\u00f3rteres Sem Fronteiras (RSF). O documento, publicado no in\u00edcio de janeiro, indica que o pa\u00eds est\u00e1 na 147\u00aa coloca\u00e7\u00e3o no \u00cdndice de Liberdade de Imprensa 2016, tendo melhorado 12 posi\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o a 2015, quando esteve na 159\u00aa.<\/p>\n<div id=\"attachment_218528\" style=\"width: 570px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img class=\"wp-image-218528\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/jornalistas-6.jpg\" width=\"560\" height=\"332\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/jornalistas-6.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/jornalistas-6-300x178.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 560px) 100vw, 560px\" \/><p class=\"wp-caption-text\"><br \/> Jornalistas paquistaneses em Peshawar, capital de Jyber Pajtunjwa, protestam pelo atentado contra o jornal Dawn News, perto do Clube da Imprensa, em novembro de 2016. Foto: Ashfaq Yusufzai\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esse pa\u00eds figura no segundo lugar do \u00edndice internacional dos locais mais perigosos para ser jornalista, porque sofrem ass\u00e9dio, sequestro e at\u00e9 morte, segundo a RSF. Nos \u00faltimos dez anos, mais de cem profissionais foram mortos no Paquist\u00e3o, 98% deles nas Fata, em Jyber Pajtnjwa e no Balochist\u00e3o, outra das quatro prov\u00edncias paquistanesas. A Uni\u00e3o Federal de Jornalistas do Paquist\u00e3o cobrou do governo que apresentasse den\u00fancias ou reabrisse velhas investiga\u00e7\u00f5es sobre o assassinato desses profissionais, mas at\u00e9 agora nada foi feito.<\/p>\n<p>A Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Jornalistas (FIP) informou, em 2015, que o Paquist\u00e3o estava entre os pa\u00edses mais perigosos do mundo para esses profissionais, com 102 jornalistas e funcion\u00e1rios dos meios de comunica\u00e7\u00e3o assassinados desde 2005. O informe da FIP diz que, desde 2010, 73 jornalistas e trabalhadores da m\u00eddia foram mortos, quase uma pessoa por m\u00eas. Inclusive, qualificou o Balochist\u00e3o de \u201ccemit\u00e9rio de jornalistas\u201d, onde 31 deles foram assassinados desde 2007.<\/p>\n<p>O documento alerta que \u201ca insurg\u00eancia armada e a viol\u00eancia sect\u00e1ria respondem por algumas dessas mortes, mas muitas delas deixam d\u00favidas sobre a participa\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es estatais\u201d.<\/p>\n<p>Os assassinos costumam ficar impunes, pois o pa\u00eds s\u00f3 registra tr\u00eas condena\u00e7\u00f5es. No dia 16 de mar\u00e7o de 2016, os jornalistas paquistaneses puderam comemorar a terceira condena\u00e7\u00e3o, quando um tribunal distrital de Jyber Pajtunjwa condenou Aminullah \u00e0 pris\u00e3o perp\u00e9tua pela morte de Ayub Jattak em 11 de outubro de 2013, que publicou sobre o envolvimento do condenado com o narcotr\u00e1fico. Nesse mesmo m\u00eas, o veterano rep\u00f3rter Hamid Mir ficou gravemente ferido ao ser agredido por desconhecidos e o respons\u00e1vel nunca foi encontrado.<\/p>\n<p>Mir, que depois receberia o pr\u00eamio de jornalista mais resistente, outorgado em novembro pela International Free Press, na Holanda, enfatizou que se salvou da tentativa de assassinato e que n\u00e3o vai abandonar seu pa\u00eds porque as pessoas o apoiaram. E dedicou o pr\u00eamio ao povo do Paquist\u00e3o por seu valor contra a insurg\u00eancia e o terrorismo. \u201cO pr\u00eamio \u00e9 um reconhecimento aos meus sacrif\u00edcios em promover o jornalismo, o que me estimula\u201d, afirmou. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/1-1-canais\/jornalistas-entre-se-calar-ou-morrer\/\">Jornalistas entre se calar ou morrer<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/\">Envolverde<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Ashfaq Yusufzai, da IPS &ndash;&nbsp; Peshawar, Paquist&atilde;o, 2\/2\/2017 &ndash; O jornalismo est&aacute; no fio da navalha no Paquist&atilde;o, com as &Aacute;reas Tribais sob Administra&ccedil;&atilde;o Federal (Fata) continuando a ser um dos lugares mais perigosos do mundo para exercer a profiss&atilde;o. 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