{"id":21595,"date":"2017-02-01T11:59:27","date_gmt":"2017-02-01T11:59:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=218546"},"modified":"2017-02-01T11:59:27","modified_gmt":"2017-02-01T11:59:27","slug":"escolas-de-campo-capacitam-mulheres-e-homens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2017\/02\/ultimas-noticias\/escolas-de-campo-capacitam-mulheres-e-homens\/","title":{"rendered":"Escolas de campo capacitam mulheres e homens"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Por\u00a0Sally Nyakanyanga, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Kampala, Uganda, 1\/2\/2017 \u2013 O debate em torno da mudan\u00e7a clim\u00e1tica ignora a forma como esse fen\u00f4meno afeta de forma diferente mulheres e homens, concentrando-se em destacar a extrema variabilidade do clima e o fato de que \u00e9 imprevis\u00edvel, bem como a redu\u00e7\u00e3o da produtividade agr\u00edcola.<\/p>\n<p>As mulheres representam 56% dos agricultores ugandenses e s\u00e3o respons\u00e1veis por mais de 70% da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, bem como pela seguran\u00e7a alimentar e nutricional em suas fam\u00edlias, segundo a Rede de Mulheres de Uganda (Wougnet). Mas s\u00e3o propriet\u00e1rias de apenas 16% das terras cultiv\u00e1veis do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Stella Tereka, respons\u00e1vel de g\u00eanero e mudan\u00e7a clim\u00e1tica da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO), explicou que as pr\u00e1ticas culturais, discriminat\u00f3rias, que tendem a favorecer os homens, limitam o controle das mulheres sobre os principais recursos produtivos, o que exacerba sua vulnerabilidade \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>\u201cO trabalho intensivo recai sobre as mulheres, especialmente as tarefas n\u00e3o remuneradas de cuidados, o que faz com que n\u00e3o tenham tempo para praticar o que aprendem, o conhecimento e as capacidades obtidas em grupo em suas atividades agr\u00edcolas\u201d, apontou Tereka \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Por sua vez, Winnie Masiko, negociadora de g\u00eanero e mudan\u00e7a clim\u00e1tica que representa Uganda na Conven\u00e7\u00e3o Marco das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica (CMNUCC), criticou a falta de pautas claras para incorporar a dimens\u00e3o de g\u00eanero nos projetos de mudan\u00e7a clim\u00e1tica. A Pol\u00edtica de Terras ugandesa, de 2013, garante \u00e0s mulheres o mesmo direito que aos homens, quanto a serem propriet\u00e1rias e copropriet\u00e1rias da terra, mas isso nem sempre se reflete na pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Masiko destaca a necessidade de iniciativas concentradas em atender os desequil\u00edbrios estruturais para reduzir a brecha de g\u00eanero, compreender as diferentes necessidades de homens e mulheres, e preparar o caminho para uma efetiva adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>Edidah Ampaire, coordenadora do projeto A\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica para a Adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica, pontuou que as contribui\u00e7\u00f5es e os direitos das mulheres est\u00e3o extremamente restringidos, especialmente em zonas rurais, e que o governo faz muito pouco para atender os desequil\u00edbrios. \u201cA desigualdade de g\u00eanero est\u00e1 generalizada nas comunidades agr\u00edcolas e deixa as mulheres em desvantagem\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Tereka destacou que a promo\u00e7\u00e3o da igualdade de g\u00eanero est\u00e1 no centro dos programas da FAO e que a ag\u00eancia realiza esfor\u00e7os deliberados para garantir a inclus\u00e3o feminina em todos os seus programas. Segundo afirmou, \u201c\u00e9 fundamental que as mulheres ganhem poder e fa\u00e7am parte da tomada de decis\u00f5es em todos os n\u00edveis, para que possamos ver sua contribui\u00e7\u00e3o efetiva ao desenvolvimento de suas fam\u00edlias e suas na\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Por meio da metodologia de Escolas de Campo para Agricultores (ECA), \u201cconhecidas como escolas sem muro\u201d, a FAO permite que homens e mulheres com um objetivo comum recebam capacita\u00e7\u00e3o, compartilhem ideias, e aprendam entre si mediante a observa\u00e7\u00e3o e a experimenta\u00e7\u00e3o em seu pr\u00f3prio contexto. Em m\u00e9dia, as ECA contam com 60% de mulheres.<\/p>\n<div id=\"attachment_218547\" style=\"width: 570px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img class=\"wp-image-218547\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/mercy-629x420.jpg\" width=\"560\" height=\"374\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/mercy-629x420.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/mercy-629x420-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/mercy-629x420-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 560px) 100vw, 560px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Mercy Ssekide, do distrito de Mabende, em Uganda, trabalha com seu marido no terreno familiar. Foto: FAO<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Proscovia\u00a0 Nakibuye, que cria gado no distrito de Nakasongola, em Uganda, disse que as ECA lhe ensinaram estrat\u00e9gias efetivas para enfrentar a mudan\u00e7a clim\u00e1tica. \u201cEnsinaram boas pr\u00e1ticas para manter o gado e plantar pastagens\u201d, contou. E Tereka afirmou que \u201cas ECA oferecem um espa\u00e7o para aprender em grupo de forma pr\u00e1tica, melhorar a capacidade de realizar an\u00e1lises cr\u00edticas e incentivar o processo de decis\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es locais. As atividades se baseiam no campo e incluem a experimenta\u00e7\u00e3o para resolver problemas, ao refletir um contexto local espec\u00edfico\u201d.<\/p>\n<p>\u201cOs participantes aprendem a melhorar suas habilidades agr\u00e1rias mediante experimento, observa\u00e7\u00e3o, an\u00e1lise e aplica\u00e7\u00e3o em seu pr\u00f3prio terreno, o que ajuda a obter melhor produ\u00e7\u00e3o e sustento. O processo das ECA melhora o empoderamento individual, dom\u00e9stico e comunit\u00e1rio, bem como a coes\u00e3o social\u201d, enfatizou Tereka. De fato, Nakibuye e seu marido veem grandes mudan\u00e7as tanto em sua fam\u00edlia como nas atividades agr\u00edcolas. \u201cAntes, meus filhos n\u00e3o iam \u00e0 escola, mas agora, gra\u00e7as \u00e0 maior venda de leite, posso pagar uma educa\u00e7\u00e3o decente para eles\u201d, comemorou.<\/p>\n<p>A FAO tamb\u00e9m utilizou os Sistemas de Aprendizagem A\u00e7\u00e3o de G\u00eanero, uma ferramenta comunit\u00e1ria que permite a homens e mulheres planejar o futuro que querem e atuar contra as barreiras, inclu\u00eddas as normas sociais que inibem a igualdade de g\u00eanero e a justi\u00e7a. Por sua vez, Mercy Ssekide, uma agricultora do distrito de Mubende que se uniu \u00e0 ECA de Balyejjusa, afirmou que, \u201cse voc\u00ea n\u00e3o colabora com sua pr\u00f3pria fam\u00edlia, os cultivos n\u00e3o prosperam, por isso incentivei meu marido a unir-se \u00e0s ECA, para trabalharmos como equipe\u201d.<\/p>\n<p>\u201cNos capacitam e nos incentivam a trabalhar duro para enfrentar a mudan\u00e7a clim\u00e1tica e cobrirmos nossas necessidades. Fora de temporada, cultivamos tomates e ganhamos dinheiro porque a popula\u00e7\u00e3o local ou os comerciantes compram a produ\u00e7\u00e3o\u201d, contou o marido de Mercy. Assim, a fam\u00edlia conseguiu diversificar suas atividades e se aventurar na avicultura, na cria\u00e7\u00e3o de cabras e porcos e em manter uma horta. E agora os Sskide decidem em conjunto o uso do dinheiro e podem pagar a educa\u00e7\u00e3o dos filhos.<\/p>\n<p>A FAO, com fundos fornecidos pela Uni\u00e3o Europeia, implanta o Projeto Global de Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica nos distritos centrais pecu\u00e1rios de Luwero, Nakasangola, Nakaseke, Mubende, Sembabule e Kiboga. Considerando a falta de tempo e o peso das tarefas que recaem sobre as mulheres, a FAO procura fazer com que as atividades de seus projetos fomentem a participa\u00e7\u00e3o feminina, em particular ajustando o hor\u00e1rio das reuni\u00f5es e da capacita\u00e7\u00e3o para que elas possam participar e se beneficiar dos conhecimentos sobre agricultura clim\u00e1tica inteligente.<\/p>\n<p>Tereka acredita que com um clima cada vez mais imprevis\u00edvel \u00e9 fundamental o desenvolvimento de capacidades relacionadas com a agricultura climaticamente inteligente. Inclusive, exortou o governo de Uganda a renovar o sistema de extens\u00e3o agr\u00edcola para oferecer melhor resposta de g\u00eanero para que os agricultores, especialmente as mulheres, usem de forma correta os insumos distribu\u00eddos pelo Estado no contexto da Opera\u00e7\u00e3o Gera\u00e7\u00e3o de Riqueza.<\/p>\n<p>A metodologia das ECA \u00e9 implantada atualmente em 90 pa\u00edses, com quatro milh\u00f5es\u00a0 de agricultores no mundo que conseguiram melhorar suas capacidades e se ajustaram bem aos efeitos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/1-1-canais\/escolas-de-campo-capacitam-mulheres-e-homens\/\">Escolas de campo capacitam mulheres e homens<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/\">Envolverde<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Sally Nyakanyanga, da IPS &ndash;&nbsp; Kampala, Uganda, 1\/2\/2017 &ndash; O debate em torno da mudan&ccedil;a clim&aacute;tica ignora a forma como esse fen&ocirc;meno afeta de forma diferente mulheres e homens, concentrando-se em destacar a extrema variabilidade do clima e o fato de que &eacute; imprevis&iacute;vel, bem como a redu&ccedil;&atilde;o da produtividade agr&iacute;cola. 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