{"id":21597,"date":"2017-02-01T11:56:22","date_gmt":"2017-02-01T11:56:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=218542"},"modified":"2017-02-01T11:56:22","modified_gmt":"2017-02-01T11:56:22","slug":"familias-procuram-por-seus-desaparecidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2017\/02\/ultimas-noticias\/familias-procuram-por-seus-desaparecidos\/","title":{"rendered":"Fam\u00edlias procuram por seus desaparecidos"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Por\u00a0Daniela Pastrana, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Navolato, M\u00e9xico, 1\/2\/2017 \u2013 Ele tem oito anos e busca por sua irm\u00e3 mais nova, Zoe Zuleica Torres G\u00f3mez, desaparecida em dezembro de 2015 quando tinha cinco anos, na cidade de San Luis Potos\u00ed, capital do Estado de mesmo nome. Ele \u00e9 o mais jovem buscador por fossas clandestinas do M\u00e9xico. Com p\u00e1 e picareta, uniu-se na \u00faltima semana de janeiro \u00e0 Terceira Brigada Nacional de Buscas por Desaparecidos, que, no dia 30 de janeiro, encontrou os restos de um cad\u00e1ver em uma fosse oculta em um campo de milho e sorgo na \u00e1rea comum de Potrero de Sataya, no munic\u00edpio de Navolato, no Estado de Sinaloa.<\/p>\n<p>Trata-se do segundo achado da Brigada, formada por um punhado de mulheres e homens que buscam entre a terra pistas de seus filhos, irm\u00e3os e pais desaparecidos durante os anos da guerra contra o narcotr\u00e1fico, acompanhados de alguns ativistas defensores dos direitos humanos e sacerdotes cat\u00f3licos. \u201cUm problema que n\u00e3o \u00e9 reconhecido n\u00e3o pode ser resolvido\u201d, ressaltou Juan Carlos Trujillo Herrera, o incentivador das brigadas, \u00e0 IPS, que acompanhou seu trabalho em Sinaloa.<\/p>\n<p>\u201cTodos as promotorias do pa\u00eds est\u00e3o saturadas com esse assunto, n\u00e3o h\u00e1 uma estrutura que nos permita pensar que a institucionalidade vai funcionar. Por isso temos que sair em busca de nossos familiares\u201d, explicou Trujillo, que procura por quatro irm\u00e3os desaparecidos. Ao chegar \u00e0 Presid\u00eancia, em dezembro de 2006, o direitista Felipe Calder\u00f3n (2006-2012) militarizou a seguran\u00e7a do pa\u00eds para combater as m\u00e1fias do tr\u00e1fico de drogas e lan\u00e7ou o M\u00e9xico em uma espiral de viol\u00eancia da qual n\u00e3o consegue sair.<\/p>\n<p>Um dado dimensiona a gravidade do problema: antes desse ano, o governo mexicano identificava sete grandes cart\u00e9is do narcotr\u00e1fico. Dez anos depois, h\u00e1 cerca de 200 grupos criminosos operando no pa\u00eds, segundo informou este m\u00eas o Programa de Pol\u00edtica de Drogas do Centro de Pesquisa e Doc\u00eancia Econ\u00f4mica (Cide). A informa\u00e7\u00e3o do Cide, uma das institui\u00e7\u00f5es educacionais de maior prest\u00edgio do pa\u00eds, tamb\u00e9m registra pelo menos 68 massacres nesse per\u00edodo.<\/p>\n<p>Em dez anos, a guerra contra o narcotr\u00e1fico realizada por Calder\u00f3n deixou mais de 177 mil pessoas assassinadas, das quais 73.500 durante a gest\u00e3o de seu sucessor, o tamb\u00e9m conservador Enrique Pe\u00f1a Nieto. Tamb\u00e9m houve saldo de pelo menos 30 mil desaparecidos, embora os registros sobre desaparecimentos variem muito entre diferentes autoridades e organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil.<\/p>\n<div id=\"attachment_218543\" style=\"width: 570px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img class=\"wp-image-218543\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/desaparecidos.jpg\" width=\"560\" height=\"374\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/desaparecidos.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/desaparecidos-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/desaparecidos-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 560px) 100vw, 560px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">O menino de oito anos, irm\u00e3o de Zoe Zuleica Torres, desaparecida em dezembro de 2015 com cinco anos, na periferia da cidade de San Luis Potos\u00ed, participa junto com sua m\u00e3e da brigada de busca por desaparecidos no Estado de Sinaloa. Foto: Marcos Vizcarra\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 2011, o Movimento pela Paz com Justi\u00e7a e Dignidade, liderado pelo poeta Javier Sicilia, colocou na agenda nacional a quest\u00e3o dos desaparecidos, ao evidenciar centenas de casos em todo o pa\u00eds, que conta com 122 milh\u00f5es de habitantes.<\/p>\n<p>Mas, s\u00f3 em outubro de 2014, com o desaparecimento for\u00e7ado de 43 estudantes de magist\u00e9rio rural em Ayotzinapa, no Estado de Guerrero, e em janeiro de 2016, quando cinco jovens foram detidos por policiais estaduais em Tierra Blanca, no Estado de Veracruz, e desapareceram, que o pa\u00eds soube que muitos dos desaparecimentos atribu\u00eddos ao crime organizado eram, na realidade, desaparecimentos dirigidos pelas autoridades\u201d. \u201cPor isso n\u00e3o procuravam\u201d, detacou Miguel Trujillo, irm\u00e3o mais novo de Juan Carlos.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, no pa\u00eds se multiplicaram grupos de familiares que, desesperados pela aus\u00eancia do Estado, come\u00e7aram suas pr\u00f3prias buscas. Para isso, se preparam: fazem cursos de antropologia forense, arqueologia, direito, compram equipamentos de espeleologia, conseguem bateias para encontrar ossos pequenos, organizam grupos e se convertem em especialistas em identificar fossas e ossos.<\/p>\n<p>As primeiras brigadas foram organizadas em mar\u00e7o de 2016 em Veracruz, estado em que foram descobertos v\u00e1rios cemit\u00e9rios clandestinos e onde at\u00e9 agora foram localizados 160 restos mortais. Agora, no pa\u00eds h\u00e1 entre 13 e 15 grupos de buscas. E, desde 24 de janeiro, sa\u00edram a campo diferentes grupos em Tamaulipas, Veracruz e Sinaloa, onde chegaram brigadistas de cinco Estados, para uma busca coletiva de 12 dias.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o duas l\u00f3gicas distintas de buscas, em vida e em morte. Creio que isso \u00e9 o que nos falta, porque tamb\u00e9m temos que procurar pelos vivos, mas \u00e9 que isso ningu\u00e9m estava fazendo\u201d, disse Juan Carlos Trujillo. Os grupos t\u00eam apoio de organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, como a brigada de Paz Marabunta, um coletivo de jovens da Cidade do M\u00e9xico que integra a equipe de seguran\u00e7a das fam\u00edlias.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 muito dif\u00edcil tratar essas realidades com os jovens, para que n\u00e3o fiquem desiludidos com a humanidade, mas o acompanhamento lhes d\u00e1 esperan\u00e7a. Porque, quando se d\u00e3o conta de que puderam ajudar a construir esperan\u00e7a, eles se reafirmam como construtores de paz\u201d, explicou \u00e0 IPS o diretor da Marabunta, Miguel Barrera. Sinaloa \u00e9 a terra do cartel criado pelo poderoso chefe do narcotr\u00e1fico Joaqu\u00edn Guzm\u00e1n Loera, conhecido como El Capo Guzm\u00e3n, extraditado em janeiro para os Estados Unidos.<\/p>\n<p>A brigada fez duas descobertas: a de Potrero Sataya, e outra no munic\u00edpio de El Quelite, a dez quil\u00f4metros do porto de Mazatl\u00e1n. At\u00e9 aqui chegou com sua m\u00e3e o menino de San Luis Potos\u00ed, para ajudar na localiza\u00e7\u00e3o de restos mortais.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 algo que temos de fazer porque o Estado n\u00e3o est\u00e1 fazendo e n\u00e3o vai fazer nunca\u201d, destacou Mario Vergara, que iniciou o grupo Los Otros Desaparecidos de Iguala, munic\u00edpio onde desapareceram os estudantes de Ayotzinapa, e agora ajuda brigadistas em todo o pa\u00eds. \u201cEstamos avan\u00e7ando na organiza\u00e7\u00e3o e vamos continuar. Os que ficam em cada Estado sabem se coordenar para fazer melhores buscas. Precisamos replicar o modelo em cada Estado e comprometer os governos para que ajudem os grupos de busca\u201d, enfatizou Miguel Trujillo. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/1-1-canais\/familias-procuram-por-seus-desaparecidos\/\">Fam\u00edlias procuram por seus desaparecidos<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/\">Envolverde<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Daniela Pastrana, da IPS &ndash;&nbsp;&nbsp; Navolato, M&eacute;xico, 1\/2\/2017 &ndash; Ele tem oito anos e busca por sua irm&atilde; mais nova, Zoe Zuleica Torres G&oacute;mez, desaparecida em dezembro de 2015 quando tinha cinco anos, na cidade de San Luis Potos&iacute;, capital do Estado de mesmo nome. 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