{"id":216,"date":"2005-01-23T00:00:00","date_gmt":"2005-01-23T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=216"},"modified":"2005-01-23T00:00:00","modified_gmt":"2005-01-23T00:00:00","slug":"mundo-dor-une-parentes-de-vtimas-da-guerra-iraquiana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/mundo-dor-une-parentes-de-vtimas-da-guerra-iraquiana\/","title":{"rendered":"Mundo: Dor une parentes de v&iacute;timas da guerra iraquiana"},"content":{"rendered":"<p>Am&atilde;, 23\/01\/2005 &ndash; Passaram-se quase dois anos desde que Jes&uacute;s Su&aacute;rez del Solar, cabo do corpo de fuzileiros da Marinha dos Estados Unidos, morreu na invas&atilde;o do Iraque. Seu pai, Fernando, ainda mant&eacute;m o luto, mas n&atilde;o se deixa dominar pelo desejo de vingan&ccedil;a. Optou por ajudar as crian&ccedil;as iraquianas e por se manifestar contra o que acredita que foi uma guerra injusta e mal concebida. Mas tem o direito de estar furioso. As autoridades norte-americanas haviam informado que seu filho, uma das primeiras baixas da invas&atilde;o, morreu com um tiro na cabe&ccedil;a no dia 27 de mar&ccedil;o de 2003. Depois, corrigiram essa vers&atilde;o: Jes&uacute;s, de 20 anos, havia morrido, supostamente, por causa de uma mina. Finalmente, gra&ccedil;as a dados confirmados por um jornalista da rede de televis&atilde;o norte-americana ABC, que cobriu a guerra a partir da unidade em que Jes&uacute;s servia, soube a verdade: o jovem morreu ao pisar em uma bomba estilha&ccedil;ada que n&atilde;o havia detonado.<br \/> <!--more--> <br \/> Muitos especialistas consideram que o uso dessas armas, muito utilizadas pelas for&ccedil;as dos Estados Unidos, viola as Conven&ccedil;&otilde;es de Genebra. Os ferimentos ou mortes que ocasionam esse explosivo sem detonar persistem depois de terminadas as guerras. &quot;Isto me ensinou que podemos trabalhar juntos, sem importar se somos &aacute;rabes, mexicanos ou norte-americanos&quot;, disse Fernando em uma reuni&atilde;o da Associa&ccedil;&atilde;o &Aacute;rabe de Direitos Humanos, em Am&atilde;. &quot;O sangue de nossos soldados mortos deveria servir para nos unirmos contra o governo corrupto dos Estados Unidos. Pe&ccedil;o perd&atilde;o em nome do meu povo, mas isso n&atilde;o &eacute; suficiente. Devemos fazer alguma coisa para acabar com isto&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p> Carregando tr&ecirc;s malas cheias de medicamentos reunidos no Estado da Calif&oacute;rnia, Fernando e sua mulher chegaram &agrave; Jord&acirc;nia com o objetivo de ajudar os iraquianos, especialmente as crian&ccedil;as que sofrem e morrem em meio &agrave; ocupa&ccedil;&atilde;o norte-americana. Patrocinada pela organiza&ccedil;&atilde;o de direitos humanos Global Exchange e a pacifista Code Pink, na delega&ccedil;&atilde;o em que estavam os pais de Jes&uacute;s tamb&eacute;m figuravam parente de outros soldados que morreram no Iraque, e a m&atilde;e de uma v&iacute;tima dos atentados de 11 de setembro de 2001 em Nova York. A reuni&atilde;o em Am&atilde; foi dominada pela emo&ccedil;&atilde;o entre os norte-americanos e uma delega&ccedil;&atilde;o de iraquianos, que perderam familiares na guerra e na viol&ecirc;ncia que n&atilde;o cessou quando o conflito foi formalmente finalizado, em 1&ordm; de maio de 2003.<\/p>\n<p> Fernando, natural do M&eacute;xico que emigrou para os Estados Unidos quando seu filho era adolescente, foi um dos que caiu em pranto. &quot;Nossos filhos n&atilde;o queriam ir para o Iraque. Foram obrigados. O desejo de sobreviver n&atilde;o justifica o fato de n&atilde;o ajudar as pessoas ou o abuso contra prisioneiros. Talvez os rem&eacute;dios que trazemos ajudem cem crian&ccedil;as a sobreviverem. Mas trabalhamos para colaborar com a sobreviv&ecirc;ncia de todo o pa&iacute;s&quot;, afirmou. Na capital jordaniana, Fernando ouviu um xeque (l&iacute;der comunit&aacute;rio e religioso) de Faluja cujo genro foi executado por soldados norte-americanos apenas uma semana antes desse encontro, realizado no final de dezembro.<\/p>\n<p> O xeque, que pediu para n&atilde;o ser identificado por raz&otilde;es de seguran&ccedil;a, disse ter arriscado sua vida ao viajar para Am&atilde;. Seu genro foi assassinado durante uma revista na casa em que viviam. A filha do xeque estava no quarto ao lado. Depois, as autoridades militares norte-americanas informaram que mataram o homem errado. &quot;Esse homem foi assassinado no final da semana passada. Estas duas meninas n&atilde;o ver&atilde;o novamente o pai&quot;, disse o xeque, mostrando uma foto de ambas. &quot;Isto deveria ser uma li&ccedil;&atilde;o para todos n&oacute;s. Digamos a verdade a todos os povos, a todos os povos que s&atilde;o objeto da mentira de seus presidentes, com a ajuda dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p> Depois de uma pausa para secar as l&aacute;grimas, Fernando disse: &quot;Estamos unidos em nosso luto, na dor de termos perdido parte de nossas vidas. N&atilde;o importa o que se diga, seu sofrimento n&atilde;o mudar&aacute;. Mas podemos evitar que outros povos sofram o que sofremos. Obrigado, irm&atilde;o, por estar hoje junto de n&oacute;s. Voc&ecirc;s s&atilde;o parte de minha fam&iacute;lia&quot;, afirmou. &quot;Obrigado por essas palavras que saem de seu cora&ccedil;&atilde;o&quot;, respondeu o xeque. &quot;Procurarei continuar com a campanha de levar rem&eacute;dios para o Iraque&quot;, disse Fernando &agrave; IPS no final de sua viagem ao Oriente M&eacute;dio, no come&ccedil;o deste m&ecirc;s. &quot;Isto &eacute; importante porque a guerra n&atilde;o acabar&aacute; hoje. As v&iacute;timas aumentam a cada dia que passa. As crian&ccedil;as iraquianas precisam de ajuda&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p> Calcula-se que a ajuda e os US$ 600 mil levados da Calif&oacute;rnia para o Iraque pela delega&ccedil;&atilde;o da qual Fernando fazia parte chegar&aacute; &aacute; pelo menos 10 mil iraquianos, na maioria mulheres e crian&ccedil;as em campos de refugiados na fronteira com a Jord&acirc;nia. Este morador dos Estados Unidos nascido no M&eacute;xico sabe que o la&ccedil;o de dor que o une com o xeque de Faluja e outros iraquianos &eacute; chave para qualquer medida que implique uma a&ccedil;&atilde;o &uacute;nica. &quot;Quando as fam&iacute;lias iraquianas ouvem minha hist&oacute;ria e sabem como meu filho morreu, seus cora&ccedil;&otilde;es se abrem e me d&atilde;o calorosas boas-vindas. Eles v&ecirc;em que os norte-americanos tamb&eacute;m choram, tamb&eacute;m sentem dor, tamb&eacute;m s&atilde;o humanos. N&atilde;o importa de onde somos&quot;, ressaltou. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Am&atilde;, 23\/01\/2005 &ndash; Passaram-se quase dois anos desde que Jes&uacute;s Su&aacute;rez del Solar, cabo do corpo de fuzileiros da Marinha dos Estados Unidos, morreu na invas&atilde;o do Iraque. Seu pai, Fernando, ainda mant&eacute;m o luto, mas n&atilde;o se deixa dominar pelo desejo de vingan&ccedil;a. Optou por ajudar as crian&ccedil;as iraquianas e por se manifestar contra o que acredita que foi uma guerra injusta e mal concebida. Mas tem o direito de estar furioso. As autoridades norte-americanas haviam informado que seu filho, uma das primeiras baixas da invas&atilde;o, morreu com um tiro na cabe&ccedil;a no dia 27 de mar&ccedil;o de 2003. Depois, corrigiram essa vers&atilde;o: Jes&uacute;s, de 20 anos, havia morrido, supostamente, por causa de uma mina. Finalmente, gra&ccedil;as a dados confirmados por um jornalista da rede de televis&atilde;o norte-americana ABC, que cobriu a guerra a partir da unidade em que Jes&uacute;s servia, soube a verdade: o jovem morreu ao pisar em uma bomba estilha&ccedil;ada que n&atilde;o havia detonado.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/mundo-dor-une-parentes-de-vtimas-da-guerra-iraquiana\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":46,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-216","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/216","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/46"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=216"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/216\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=216"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=216"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=216"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}