{"id":21613,"date":"2017-02-09T12:12:14","date_gmt":"2017-02-09T12:12:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=218744"},"modified":"2017-02-09T12:12:14","modified_gmt":"2017-02-09T12:12:14","slug":"estados-unidos-ameacam-aliados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2017\/02\/ultimas-noticias\/estados-unidos-ameacam-aliados\/","title":{"rendered":"Estados Unidos amea\u00e7am aliados"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Por\u00a0Thalif Deen, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 8\/2\/2017 \u2013 \u201cSe n\u00e3o jogarem conosco, reduziremos ou cortaremos a assist\u00eancia\u201d, essa \u00e9 a regra n\u00e3o escrita com que a maioria dos doadores ocidentais amea\u00e7am as na\u00e7\u00f5es em desenvolvimento quando n\u00e3o fazem o que eles querem na Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU). Em 1990, o I\u00eamen, ent\u00e3o membro n\u00e3o permanente do Conselho de Seguran\u00e7a, se negou a votar a favor de uma resolu\u00e7\u00e3o proposta pelos Estados Unidos para expulsar o Iraque do Kuwait, um golpe que ficar\u00e1 para sempre na mem\u00f3ria institucional das Na\u00e7\u00f5es Unidas.<\/p>\n<p>Quanto emitiu seu voto, o embaixador norte-americano se voltou para o do I\u00eamen e lhe disse a famosa frase: \u201cEste ser\u00e1 o n\u00e3o voto mais caro que jamais far\u00e1\u201d. Quase no dia seguinte, Washington decidiu cortar cerca de US$ 70 milh\u00f5es da assist\u00eancia ao desenvolvimento e militar que dava ao I\u00eamen, ent\u00e3o um estreito aliado. Em sua entrevista coletiva inaugural, a nova embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Nikki Haley, amea\u00e7ou de forma impl\u00edcita os Estados membros que desafiarem Washington votando contra as resolu\u00e7\u00f5es que propuser e provavelmente tamb\u00e9m se votarem a favor das que forem contra Israel.<\/p>\n<p>\u201cNosso objetivo \u00e9 demonstrar valor na ONU e a forma de demonstrar valor \u00e9 mostrando nossa fortaleza, nossa voz, e apoiar nossos aliados, e assegurarmos que, em troca, eles nos apoiem\u201d, afirmou Haley. \u201cAnotaremos os nomes dos que n\u00e3o nos apoiam e faremos observa\u00e7\u00f5es para uma resposta de acordo\u201d, alertou. O editorial do jornal <em>The New York Times<\/em>, intitulado <em>Trump insulta a diplomacia ao acaso<\/em>, publicado no dia 5 deste m\u00eas, descreve os coment\u00e1rios de Haley como \u201cabrasivos\u201d.<\/p>\n<p>No jarg\u00e3o diplom\u00e1tico, \u201canotar os nomes\u201d \u00e9 uma amea\u00e7a impl\u00edcita que significa fazer uma lista negra de pa\u00edses que desafiam os Estados Unidos, especialmente nas vota\u00e7\u00f5es. Quando o presidente Barack Obama desagradou o presidente eleito Donald Trump, ao rejeitar seu pedido para vetar uma resolu\u00e7\u00e3o do Conselho de Seguran\u00e7a que declarava ilegais os assentamentos israelenses nos territ\u00f3rios palestinos ocupados, o novo mandat\u00e1rio questionou a efetividade da ONU, qualificando-a de \u201cclube onde as pessoas se re\u00fanem para falar e passar um bom tempo\u201d.<\/p>\n<div id=\"attachment_218745\" style=\"width: 570px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img class=\"wp-image-218745\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/ONU-3.jpg\" width=\"560\" height=\"347\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/ONU-3.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/ONU-3-300x186.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 560px) 100vw, 560px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Assembleia Geral da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) em Nova York. Foto: Patrick Gruban<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No dia 23 de dezembro, quando foi aprovada a resolu\u00e7\u00e3o 2334, com 14 votos a favor e nenhum contra, gra\u00e7as \u00e0 absten\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos, Trump lan\u00e7ou sua amea\u00e7a: \u201cNo que diz respeito \u00e0 ONU, as coisas ser\u00e3o diferentes a partir de 20 de janeiro\u201d, quando assumiria oficialmente a Presid\u00eancia.<\/p>\n<p>Por sua vez, Haley declarou na audi\u00eancia para confirma\u00e7\u00e3o de seu nome no cargo perante o Comit\u00ea de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores do Senado, em janeiro: \u201cO que aconteceu com a resolu\u00e7\u00e3o 2334 significa basicamente que ser aliado dos Estados Unidos n\u00e3o significa nada, e, se somos bons aliados e sempre os apoiamos, mais pa\u00edses v\u00e3o querer ser nossos aliados, e os que nos desafiarem v\u00e3o pensar duas vezes\u201d.<\/p>\n<p>A press\u00e3o pol\u00edtica costuma ser feita nos bastidores da ONU ou nas capitais dos pa\u00edses, mas a regra poderia mudar com Trump. Tem sido comum os Estados Unidos fazerem sentir seu peso nas Na\u00e7\u00f5es Unidas, especialmente desde o governo de Ronald Reagan (1981-1989), amea\u00e7ando tanto advers\u00e1rios como aliados que n\u00e3o se ajustem \u00e0s suas prioridades no f\u00f3rum mundial, recordou Stephen Zunes, professor de pol\u00edtica e estudos internacionais na Universidade de S\u00e3o Francisco.<\/p>\n<p>Somente durante o governo de Obama (2009-2016), os Estados Unidos praticaram um estilo diplom\u00e1tico menos contencioso, apesar de ser um caso \u00e0 parte em quest\u00f5es fundamentais como controle de armas, direito humanit\u00e1rio internacional e o conflito palestino-israelense, pontuou Zunes, analista pol\u00edtico para o projeto Pol\u00edtica Exterior em Foco, do Instituto de Estudos Pol\u00edticos de Washington.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que, tanto em termos ideol\u00f3gicos como em seu estilo de participa\u00e7\u00e3o, a era Trump provavelmente seja a menos diplom\u00e1tica e a que mais despreze a ONU, em compara\u00e7\u00e3o com os governos anteriores e possivelmente com nenhum outro membro na hist\u00f3ria do Conselho de Seguran\u00e7a\u201d, observou Zunes. O \u00fanico ponto positivo \u00e9 essa atitude fazer alguns aliados agora decidirem defender sua posi\u00e7\u00e3o com maior firmeza, fomentando um maior pluralismo na ONU, acrescentou.<\/p>\n<p>Por sua vez, Mouin Rabbani, do Instituto de Estudos Palestinos e assessor pol\u00edtico da Al-Shabaka: a Rede de Pol\u00edtica Palestina, concordou e disse \u00e0 IPS que n\u00e3o \u00e9 nada novo os Estados Unidos usarem seu poder para coagir tanto amigos como inimigos para marcar a linha de Washington na ONU.<\/p>\n<p>Um dos primeiros exemplos dessa forma de proceder \u00e9 o das Filipinas, cujo embaixador na ONU fez um apaixonado discurso em 1948 contra a Resolu\u00e7\u00e3o 181 da Assembleia Geral, que recomendava a divis\u00e3o da Palestina, mas que, depois, votou a favor de tr\u00eas gest\u00f5es realizadas pelo ent\u00e3o presidente dos Estados Unidos, Harry S. Truman (1945-1953), perante seus superiores.<\/p>\n<p>\u201cEssas t\u00e1ticas foram usadas de forma consistente para promover os interesses norte-americanos no f\u00f3rum mundial e frequentemente tamb\u00e9m os israelenses\u201d, recordou Rabbani. Tampouco \u00e9 novo que os Estados Unidos se retirem das ag\u00eancias da ONU. O governo de Jimmy Carter (1977-1981), por exemplo, se retirou da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho, e o de Reagan da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura (Unesco).<\/p>\n<p>H\u00e1 pouco, foi aprovada uma lei nos Estados Unidos que obriga o governo a cortar fundos para qualquer ag\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas que aceitar a Palestina como membro da mesma, o que representa uma retirada, nos fatos, segundo Rabbani. Washington se retira de forma volunt\u00e1ria das ag\u00eancias da ONU que s\u00e3o importantes para seus interesses, a fim de servir aos de Israel e atentar contra os direitos palestinos, apontou.<\/p>\n<p>\u201cA diferen\u00e7a de enfoque do governo Trump \u00e9 sua total vulgaridade, como reflete o discurso inaugural de Haley, no qual amea\u00e7ou anotar os nomes dos que n\u00e3o fizerem o que ela disse e apont\u00e1-los para repres\u00e1lias\u201d, enfatizou. \u201cMas, para ser justo com ela, o representante do ex-presidente George W. Bush (2005-2008), John Bolton, se comportou, no geral, como um rato, e ao fim de seu mandato foi amplamente aplaudido\u201d.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m se teme que Trump considere seriamente se retirar totalmente da ONU. \u201cSem d\u00favida, est\u00e1 na lista de desejos de seu principal estrategista, Steve Bannon, mas \u00e9 pouco prov\u00e1vel que o fa\u00e7a\u201d, opinou Rabbani. \u201cProvavelmente, castigue duramente n\u00e3o s\u00f3 os Estados membros, mas tamb\u00e9m a ONU e suas ag\u00eancias quando n\u00e3o conseguir o que quer, ou o que Israel quer. Ao anunciar sua inten\u00e7\u00e3o de realizar grandes cortes de fundos desde o come\u00e7o, sua influ\u00eancia provavelmente diminua\u201d, acrescentou. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/1-1-canais\/estados-unidos-ameacam-aliados\/\">Estados Unidos amea\u00e7am aliados<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/\">Envolverde<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Thalif Deen, da IPS &ndash;&nbsp; Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 8\/2\/2017 &ndash; &ldquo;Se n&atilde;o jogarem conosco, reduziremos ou cortaremos a assist&ecirc;ncia&rdquo;, essa &eacute; a regra n&atilde;o escrita com que a maioria dos doadores ocidentais amea&ccedil;am as na&ccedil;&otilde;es em desenvolvimento quando n&atilde;o fazem o que eles querem na Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU). 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