{"id":21615,"date":"2017-02-10T12:33:46","date_gmt":"2017-02-10T12:33:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=218791"},"modified":"2017-02-10T12:33:46","modified_gmt":"2017-02-10T12:33:46","slug":"minoria-muculmana-sofre-atrocidades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2017\/02\/ultimas-noticias\/minoria-muculmana-sofre-atrocidades\/","title":{"rendered":"Minoria mu\u00e7ulmana sofre atrocidades"},"content":{"rendered":"<p><em>Por\u00a0Tharanga Yakupitiyage, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 10\/2\/2017 \u2013 A relatora especial da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) para a situa\u00e7\u00e3o dos direitos humanos na Birm\u00e2nia expressou sua preocupa\u00e7\u00e3o pelas atrocidades cometidas contra a minoria \u00e9tnica rohingya, bem como pela negativa do governo birman\u00eas em denunciar a viol\u00eancia e a discrimina\u00e7\u00e3o contra essa comunidade. \u201cQue o governo continue se defendendo quando h\u00e1 persistentes den\u00fancias de graves viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos, parece cada vez menos cr\u00edvel\u201d, afirmou a relatora, Yanghee Lee, em entrevista coletiva.<\/p>\n<p>A sul-coreana Lee acrescentou que essa reposta \u201cn\u00e3o s\u00f3 \u00e9 contraproducente como est\u00e1 drenando a esperan\u00e7a que percorria o pa\u00eds\u201d do sudeste asi\u00e1tico, tamb\u00e9m conhecido como Myanmar. Depois de meio s\u00e9culo de ditadura militar, o pa\u00eds celebrou suas primeiras elei\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas em 2015, quando Aung San Suu Kyi levou a Liga Nacional para a Democracia a uma vit\u00f3ria majorit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, a dirigente pol\u00edtica, que ganhou o Nobel da Paz em 1991 por sua resist\u00eancia ao regime militar, recebeu cr\u00edticas por n\u00e3o proteger os rohingyas, que seguem a f\u00e9 mu\u00e7ulmana nesse pa\u00eds majoritariamente budista. O governo nega que os rohingyas sejam cidad\u00e3os birmaneses e promulgou pol\u00edticas discriminat\u00f3rias, que incluem restri\u00e7\u00f5es \u00e0 sua circula\u00e7\u00e3o e sua exclus\u00e3o da assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade, o que nos fatos empobreceu a maioria dessa popula\u00e7\u00e3o e os converteu em ap\u00e1tridas.<\/p>\n<p>Segundo o Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Refugiados (Acnur), os rohingyas constituem uma das comunidades mais \u201cexclu\u00eddas, perseguidas e vulner\u00e1veis do mundo\u201d. A viol\u00eancia recrudesceu depois de v\u00e1rios ataques contra postos de controle fronteiri\u00e7os realizados em outubro, no Estado de Rakhine, o que provocou uma ofensiva militar, que ainda persiste.<\/p>\n<p>Um informe do Escrit\u00f3rio do Alto Comissariado para os Direitos Humanos (OACDH) denuncia casos de viol\u00eancia sexual, execu\u00e7\u00f5es extrajudiciais, tortura e desaparecimentos realizados pelas for\u00e7as militares e policiais desde ent\u00e3o. Uma testemunha ocular contou ao OACDH que os militares bateram em seus av\u00f3s, os amarraram a uma \u00e1rvore e colocaram fogo neles. O \u00f3rg\u00e3o da ONU tamb\u00e9m concluiu que mais da metade das 101 mulheres entrevistadas foram violadas ou sofreram outras formas de viol\u00eancia sexual, inclusive gr\u00e1vidas e pr\u00e9-adolescentes.<\/p>\n<p>Os ataques \u201cparecem ter sido generalizados e sistem\u00e1ticos, o que indica a execu\u00e7\u00e3o de prov\u00e1veis crimes contra a humanidade\u201d, resume o informe. Aproximadamente 90 mil pessoas fugiram da \u00e1rea desde os ataques. Acredita-se que cerca de 66 mil rohingyas cruzaram a fronteira para o vizinho Bangladesh. Lee explicou que a resposta que teve do governo sobre a ofensiva militar foi que aconteceu \u201ccomo uma resposta de seguran\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>Embora as autoridades devam responder aos ataques contra os postos fronteiri\u00e7os, a relatora acrescentou que essa a\u00e7\u00e3o deve acatar plenamente o estado de direito e os direitos humanos. \u201cVi as estruturas queimadas na aldeia atacada de Wa Peik, e \u00e9 dif\u00edcil para mim acreditar que sejam consequ\u00eancia de a\u00e7\u00f5es feitas de forma apressada ou ao acaso\u201d, testemunhou Lee.<\/p>\n<div id=\"attachment_218792\" style=\"width: 570px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img class=\"wp-image-218792\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/refugiados-5.jpg\" width=\"560\" height=\"374\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/refugiados-5.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/refugiados-5-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/refugiados-5-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 560px) 100vw, 560px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Refugiados rohingyas da Birm\u00e2nia. Foto: IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A OACDH constatou que centenas de casas, aldeias e mesquitas rohingyas foram alvo de inc\u00eandios intencionais. Uma testemunha viu que s\u00f3 as casas de budistas ficaram intactas em sua aldeia. A organiza\u00e7\u00e3o de direitos humanos Human Rights Watch (HRW) calcula que pelo menos 1.500 constru\u00e7\u00f5es foram destru\u00eddas, o que obrigou os rohingyas a abandonar suas moradias.<\/p>\n<p>O governo nega as acusa\u00e7\u00f5es e assegurou \u00e0 relatora que foram os alde\u00f5es que queimaram suas pr\u00f3prias casas a fim de que os atores internacionais os ajudassem a construir casas melhores. As autoridades tamb\u00e9m disseram que isso foi parte de uma campanha de propaganda do rohingyas para difamar os servi\u00e7os de seguran\u00e7a do pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cParece, para mim, bastante inacredit\u00e1vel que essas pessoas desesperadas estejam dispostas a queimar suas casas, ficar sem teto, potencialmente deslocadas, s\u00f3 para manchar a imagem do governo\u201d, opinou Lee. \u201cDevo recordar novamente que esses ataques tiveram lugar no contexto de d\u00e9cadas de discrimina\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica e institucionalizada contra a popula\u00e7\u00e3o rohingya\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Os que conseguiram fugir enfrentam outros problemas nas na\u00e7\u00f5es onde se encontram. Bangladesh \u00e9 um dos principais receptores, mas, devido \u00e0 press\u00e3o demogr\u00e1fica e seus problemas de seguran\u00e7a, esse pa\u00eds de 160 milh\u00f5es de habitantes tenta limitar a entrada de refugiados.<\/p>\n<p>Segundo a Anistia Internacional, as autoridades de Bangladesh negaram asilo aos refugiados rohingyas, e detiveram e repatriaram centenas deles. O governo bengal\u00eas tamb\u00e9m havia proposto trasladar os refugiados para uma ilha. \u201cN\u00e3o podemos simplesmente abrir as portas a pessoas que chegam em ondas\u201d, declarou a primeira-ministra de Bangladesh, Sheikh Hasina.<\/p>\n<p>A crise atual provocou o pedido de grupos e l\u00edderes internacionais de medidas que incluam o acesso humanit\u00e1rio sem restri\u00e7\u00f5es ao Estado de Rakhine. Embora o governo tenha anunciado a cria\u00e7\u00e3o de uma comiss\u00e3o que investigar\u00e1 a situa\u00e7\u00e3o nesse Estado, a HRW tamb\u00e9m exortou a Birm\u00e2nia a convidar a ONU para ajudar em uma investiga\u00e7\u00e3o imparcial. \u201cBloquear o acesso e um exame imparcial da situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o ajudar\u00e1 as pessoas que est\u00e3o em grave risco\u201d, ressaltou o diretor da HRW para a \u00c1sia, Brad Adams.<\/p>\n<p>Em dezembro, o primeiro-ministro da Mal\u00e1sia, Najib Razak, tamb\u00e9m pediu aos seus vizinhos asi\u00e1ticos e \u00e0 comunidade internacional que abordassem a crise. \u201cO mundo n\u00e3o pode ficar sentado e ver como acontece um genoc\u00eddio\u201d, enfatizou Razak, reclamando da viol\u00eancia contra a minoria rohingya. \u201cDevemos defend\u00ea-los, n\u00e3o s\u00f3 por serem da mesma religi\u00e3o, mas porque s\u00e3o seres humanos, suas vidas t\u00eam valor\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de aceitar a ajuda de atores internacionais, Lee exortou o governo birman\u00eas a \u201cconvocar todas as comunidades a serem mais abertas e compreensivas umas com as outras, se respeitarem mutuamente, em lugar de pegar outros como bode expiat\u00f3rio para promover seus pr\u00f3prios interesses. Estou pronta para ajudar Myanmar a seguir um caminho mais livre e democr\u00e1tico\u201d, concluiu.<\/p>\n<p>A relatora apresentar\u00e1, em mar\u00e7o, seu informe definitivo sobre sua visita \u00e0 Birm\u00e2nia ao Conselho de Direitos Humanos da ONU. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/1-1-canais\/minoria-muculmana-sofre-atrocidades\/\">Minoria mu\u00e7ulmana sofre atrocidades<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/\">Envolverde<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Tharanga Yakupitiyage, da IPS &ndash;&nbsp; Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 10\/2\/2017 &ndash; A relatora especial da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) para a situa&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos na Birm&acirc;nia expressou sua preocupa&ccedil;&atilde;o pelas atrocidades cometidas contra a minoria &eacute;tnica rohingya, bem como pela negativa do governo birman&ecirc;s em denunciar a viol&ecirc;ncia e a discrimina&ccedil;&atilde;o contra essa comunidade. &ldquo;Que [&hellip;]<\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/1-1-canais\/minoria-muculmana-sofre-atrocidades\/\">Minoria mu&ccedil;ulmana sofre atrocidades<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/\">Envolverde<\/a>.<\/p>\n<p> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2017\/02\/ultimas-noticias\/minoria-muculmana-sofre-atrocidades\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2535,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[2830,3043],"class_list":["post-21615","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ultimas-noticias","tag-1-1-canais","tag-mundo-inter-press-service"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21615","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2535"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21615"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21615\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21616,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21615\/revisions\/21616"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21615"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21615"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21615"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}