{"id":21628,"date":"2017-02-14T12:12:15","date_gmt":"2017-02-14T12:12:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=218915"},"modified":"2017-02-14T12:12:15","modified_gmt":"2017-02-14T12:12:15","slug":"vencendo-barreiras-ate-fundos-estrangeiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2017\/02\/ultimas-noticias\/vencendo-barreiras-ate-fundos-estrangeiros\/","title":{"rendered":"Vencendo barreiras at\u00e9 fundos estrangeiros"},"content":{"rendered":"<p><em>Por\u00a0Lyndal Rowlands, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Nova York, Estados Unidos, 14\/2\/2017 \u2013 Apenas 0,2% dos fundos destinados \u00e0 ajuda humanit\u00e1ria \u00e9 entregue diretamente a organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais locais e nacionais, segundo um estudo da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU). Essa an\u00e1lise foi publicada antes da C\u00fapula Humanit\u00e1ria Mundial, realizada em maio de 2016, mas pouco mudou, quase nove meses depois desse encontro. Os doadores internacionais continuam ignorando as ONGs com ra\u00edzes e conhecimentos locais, apesar de seus custos operacionais serem, geralmente, muito menores.<\/p>\n<p>O informe, que o Grupo de Alto N\u00edvel sobre Financiamento Humanit\u00e1rio entregou ao secret\u00e1rio-geral da ONU, diz que a responsabilidade das respostas \u00e0s crises deveria ser dada \u00e0s pessoas mais afetadas. Seus integrantes destacaram que as organiza\u00e7\u00f5es locais apresentaram uma queixa comum, de que as ONGs s\u00e3o \u201ctratadas como subcontratados, e n\u00e3o como verdadeiros s\u00f3cios\u201d.<\/p>\n<p>Para saber qual \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es locais que trabalham nos entornos da ajuda humanit\u00e1ria, a IPS conversou com Fadi Hallisso, cofundador da Basmeh e Zeitooneh, uma organiza\u00e7\u00e3o s\u00edria que apoia os refugiados da S\u00edria no L\u00edbano e na Turquia. Ele afirmou que alguns dos programas de sua organiza\u00e7\u00e3o tiveram \u00eaxito apesar da desconfian\u00e7a dos grandes doadores internacionais. Um exemplo \u00e9 uma oficina que a ONG come\u00e7ou em Beirute em que os refugiados bordam sapatos e produzem outros artesanatos.<\/p>\n<p>\u201cNos aproximamos de diferentes organiza\u00e7\u00f5es internacionais e todas nos diziam que n\u00e3o era fact\u00edvel. Fizemos o estudo de mercado e n\u00e3o h\u00e1 mercado para essas coisas, afirmavam\u201d, contou Hallisso. Por isso, a Basmeh e Zeitooneh solicitou os fundos para o projeto a empres\u00e1rios locais. A oficina prosperou e os produtos confeccionados pelos refugiados agora s\u00e3o exportados para Estados Unidos e Europa. S\u00f3 quando a ideia teve sucesso, os doadores internacionais mostraram interesse, destacou.<\/p>\n<p>Entretanto, apesar dessa falta de apoio, afirmou que tamb\u00e9m \u00e9 testemunha de programas internacionais que lutam para ganhar o apoio dos moradores locais. Em um dos casos, uma ONG internacional que instalou centros recreativos n\u00e3o sabia o motivo de as pessoas n\u00e3o us\u00e1-los. Por isso \u201cpediram nossa ajuda para recrutar pessoas e encontrar crian\u00e7as que quisessem frequent\u00e1-los\u201d, disse o ativista.<\/p>\n<div id=\"attachment_218916\" style=\"width: 570px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img class=\"wp-image-218916\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/hallisso-629x459.jpg\" width=\"560\" height=\"409\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/hallisso-629x459.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/hallisso-629x459-300x219.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 560px) 100vw, 560px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Fadi Hallisso \u00e9 cofundador da ONG s\u00edria Basmeh e Zeitooneh. Foto: L. Rowlands\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os refugiados \u201cchegavam da S\u00edria apenas com a roupa do corpo. Tinham muitas necessidades b\u00e1sicas al\u00e9m das que esses espa\u00e7os ofereciam e n\u00e3o conheciam o mundo das ONGs, n\u00e3o sabiam quem eram as pessoas e n\u00e3o confiavam nelas. Por que enviar seus filhos?\u201d, explicou Hallisso. Esse exemplo revela a import\u00e2ncia que tem se solidarizar com outros mostrando que \u201cconhece suas necessidades e est\u00e1 respondendo a elas\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Embora nem todas as organiza\u00e7\u00f5es locais tenham \u00eaxito, a Basmeh e Zeitooneh agora conta com mais de 500 funcion\u00e1rios, apontou o ativista. \u201cNunca imaginei que nos converter\u00edamos em uma organiza\u00e7\u00e3o com 500 empregados em v\u00e1rios pa\u00edses. S\u00f3 est\u00e1vamos fazendo o que ach\u00e1vamos ser nosso dever, ajudar nosso povo, nossos cidad\u00e3os, demonstrar-lhes humanidade, o que resultou ser a resposta correta porque compreendemos o que necessitavam\u201d, enfatizou.<\/p>\n<p>No entanto, apesar de a Basmeh e Zeitooneh ter crescido, ainda encontra obst\u00e1culos quando tem que lidar com doadores internacionais, inclusive a demora na realiza\u00e7\u00e3o das avalia\u00e7\u00f5es de necessidades e falta de interesse em financiar projetos menores. Como indicou Hallisso, os doadores se preocupam com que as ONGs locais n\u00e3o tenham \u201csistemas financeiros funcionando, pol\u00edticas e procedimentos que impe\u00e7am a corrup\u00e7\u00e3o e o roubo de dinheiro\u201d.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, as organiza\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m t\u00eam dificuldade em encontrar apoio para desenvolver essas capacidades. \u201cTivemos capacita\u00e7\u00e3o em como escrever propostas, mas isso n\u00e3o \u00e9 tudo. Precis\u00e1vamos apoio para comprar software de contabilidade. Nenhum dos doadores estava disposto a nos dar o dinheiro necess\u00e1rio para a compra\u201d, afirmou Hallisso.<\/p>\n<p>E n\u00e3o apenas os doadores internacionais t\u00eam d\u00favidas na hora de financiar ONGs locais. Os doadores individuais tampouco sabem como apoiar as organiza\u00e7\u00f5es diretamente desde o estrangeiro. \u201cFrequentemente encontro pessoas que me dizem que querem ajudar mas n\u00e3o sabem como, n\u00e3o sabem para quem dar o dinheiro, por medo de que v\u00e1 para m\u00e3os erradas ou grupos terroristas\u201d, contou o ativista. Ele prop\u00f5e que uma maneira de abordar o problema seja pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cCreio que o problema que t\u00eam os meios de comunica\u00e7\u00e3o em geral com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 S\u00edria \u00e9 que fazem muita cobertura da a\u00e7\u00e3o militar, do terrorismo e do grupo radical Estado Isl\u00e2mico. Vemos muito pouco sobre os bons exemplos s\u00edrios que tentam ajudar e fazer o bem\u201d, queixou-se Hallisso. O ativista se encontrava em Nova York para participar de encontros preparados pela organiza\u00e7\u00e3o internacional Oxfam, que se associou \u00e0 Basmeh e Zeitooneh antes da proibi\u00e7\u00e3o que o governo de Donald Trump imp\u00f4s aos cidad\u00e3os s\u00edrios, e de outras nacionalidades, de viajarem para os Estados Unidos. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/1-1-canais\/vencendo-barreiras-ate-fundos-estrangeiros\/\">Vencendo barreiras at\u00e9 fundos estrangeiros<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/\">Envolverde<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Lyndal Rowlands, da IPS &ndash;&nbsp; Nova York, Estados Unidos, 14\/2\/2017 &ndash; Apenas 0,2% dos fundos destinados &agrave; ajuda humanit&aacute;ria &eacute; entregue diretamente a organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais locais e nacionais, segundo um estudo da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU). 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