{"id":21636,"date":"2017-02-17T14:32:30","date_gmt":"2017-02-17T14:32:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=219068"},"modified":"2017-02-17T14:32:30","modified_gmt":"2017-02-17T14:32:30","slug":"expansao-de-energias-limpas-faz-vitimas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2017\/02\/ultimas-noticias\/expansao-de-energias-limpas-faz-vitimas\/","title":{"rendered":"Expans\u00e3o de energias limpas faz v\u00edtimas"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Por\u00a0Emilio Godoy, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Kimbil\u00e1, M\u00e9xico, 17\/2\/2017 \u2013 Os crescentes projetos de gera\u00e7\u00e3o e\u00f3lica e solar no Estado de Yucat\u00e1n s\u00e3o parte de uma mudan\u00e7a positiva na matriz energ\u00e9tica do M\u00e9xico. Mas nas comunidades afetadas essa expans\u00e3o n\u00e3o \u00e9 percebida de maneira igual, devido \u00e0 falta de informa\u00e7\u00e3o e consulta e pela altera\u00e7\u00e3o que causa em suas vidas. \u201cN\u00e3o temos informa\u00e7\u00e3o. Temos algumas d\u00favidas, h\u00e1 quem diga que \u00e9 bom, outros afirmam que \u00e9 ruim. Temos ouvido o que dizem em outros Estados\u201d, contou \u00e0 IPS o campon\u00eas Lu\u00eds Miguel.<\/p>\n<div id=\"attachment_219069\" style=\"width: 570px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img class=\"wp-image-219069\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Mexico-1.jpg\" width=\"560\" height=\"420\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Mexico-1.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Mexico-1-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 560px) 100vw, 560px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">No M\u00e9xico, os campos e\u00f3licos causam pol\u00eamica devido a den\u00fancias de tratamentos injustos, despojos de terras, falta de consulta pr\u00e9via, livre e informada, e exclus\u00e3o da eletricidade gerada. Na foto, os aerogeradores marcam o horizonte na cidade de Zacatecas, norte do pa\u00eds. Foto: Emilio Godoy\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esse ind\u00edgena maia reside em Kimbil\u00e1, localidade do munic\u00edpio de Izamal, que \u00e9 a sede de um at\u00e9 agora falido empreendimento privado de energia e\u00f3lica, detido pela oposi\u00e7\u00e3o de seus 3.600 habitantes e, em particular, de um <em>ejido<\/em> (terra p\u00fablica destinada para explora\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria), em cujas terras seria instalado o parque e\u00f3lico. \u201cTememos que prejudique nossos cultivos\u201d, afirmou Miguel, cujo pai \u00e9 um dos 573 integrantes do Ejido de Kimbil\u00e1, que fica no norte da pen\u00ednsula de Yucat\u00e1n, 1.350 quil\u00f4metros a sudeste da Cidade do M\u00e9xico.<\/p>\n<p>A obra em quest\u00e3o, a cargo da empresa espanhola Elecnor, inclui a instala\u00e7\u00e3o de 50 aerogeradores para a obten\u00e7\u00e3o de 159 megawatts\/hora por ano. A companhia instalou uma torre anemom\u00e9trica em 2014, mas a popula\u00e7\u00e3o local, que vive do cultivo de milho e hortali\u00e7as, pequena pecu\u00e1ria e colheita de mel, soube do projeto somente em janeiro de 2016. Desde ent\u00e3o, no <em>ejido<\/em> foram organizadas assembleias, sem chegar a um acordo para dar seu aval ao arrendamento, por 25 anos, das terras necess\u00e1rias para o projeto.<\/p>\n<p>Entretanto, em fevereiro deste ano os usu\u00e1rios do <em>ejido<\/em> apresentaram uma queixa contra a Procuradoria Agr\u00e1ria por seu apoio aos interesses da empresa, incentivando assembleias contr\u00e1rias \u00e0 legalidade para estes instrumentos comunit\u00e1rios. O parque teria vida \u00fatil de 30 anos, inclu\u00eddas as fases de prepara\u00e7\u00e3o, constru\u00e7\u00e3o e opera\u00e7\u00e3o, para as quais necessita de 77 hectares dos cinco mil do <em>ejido<\/em>.<\/p>\n<p>A companhia ofereceu entre US$ 5 e US$ 970 anuais por hectare segundo a utiliza\u00e7\u00e3o da terra para a fazenda e\u00f3lica, uma proposta que causou descontentamento entre os usu\u00e1rios. Al\u00e9m disso, lhes daria 1,3% do faturamento obtido pela energia gerada. Mas a eletricidade n\u00e3o atenderia a demanda local. \u201cN\u00e3o temos informa\u00e7\u00e3o. Para quem trabalha a terra, n\u00e3o \u00e9 conveniente. V\u00e3o destro\u00e7ar o monte e 30 anos \u00e9 muito tempo\u201d, explicou \u00e0 IPS o apicultor Victoriano Canmex.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m maia, Canmex expressou seu temor pelo poss\u00edvel dano \u00e0s abelhas, \u201cporque seriam abertos caminhos com m\u00e1quinas pesadas. Disseram que poderiam reassentar os api\u00e1rios e n\u00e3o sabem nada de apicultura. N\u00e3o \u00e9 justo, ficaremos sem nada\u201d. Ele que possui oito api\u00e1rios e fiscaliza as colmeias duas vezes por semana, junto com quatro de seus filhos. Coleta anualmente cerca de 25 tambores de 30 quilos, que terminam nas mesas europeias. O mel de Yucat\u00e1n \u00e9 altamente apreciado mundialmente por sua qualidade e natureza org\u00e2nica.<\/p>\n<div id=\"attachment_219070\" style=\"width: 570px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img class=\"wp-image-219070\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Luis-2.jpg\" width=\"560\" height=\"420\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Luis-2.jpg 640w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Luis-2-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 560px) 100vw, 560px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Lu\u00eds Miguel, um campon\u00eas maia de Kimbil\u00e1, no Estado mexicano de Yucat\u00e1n, teme que a instala\u00e7\u00e3o de um parque e\u00f3lico em sua comunidade prejudique seus cultivos de milho e vegetais. Foto: Emilio Godoy\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Yucat\u00e1n, antigo entreposto maia que mant\u00e9m alta porcentagem de popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena, se converteu em uma nova fronteira energ\u00e9tica no M\u00e9xico, por seu grande potencial e\u00f3lico e solar. Este Estado adotou a meta de uso de energias renov\u00e1veis e n\u00e3o convencionais de 9,3% at\u00e9 2018. Em Yucat\u00e1n, a incorpora\u00e7\u00e3o anual de nova capacidade de gera\u00e7\u00e3o totalizar\u00e1 1.408 megawatts (MW) at\u00e9 2030. Excluindo as grandes centrais hidrel\u00e9tricas, as fontes renov\u00e1veis fornecem escassos 8% da matriz el\u00e9trica do M\u00e9xico.<\/p>\n<p>Segundo dados oficiais, em dezembro de 2016, a hidroeletricidade teve capacidade instalada de 12.092 MW, a geotermia, 873 MW, a e\u00f3lica, 699 MW, e a solar fotovoltaica, 6 MW. De acordo com a empresarial Associa\u00e7\u00e3o Mexicana de Energia E\u00f3lica, existem no M\u00e9xico pelo menos 31 parques em nove Estados, com capacidade total instalada de 3.527 MW de energia limpa para as regi\u00f5es nordeste, oeste, sul e sudeste desse pa\u00eds de 122 milh\u00f5es de habitantes.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da falta de informa\u00e7\u00e3o, consulta livre, pr\u00e9via e informada, como obrigam a lei e conv\u00eanios internacionais, os ind\u00edgenas denunciam impactos sobre as aves migrat\u00f3rias, aumento de temperatura em zonas com pain\u00e9is solares e contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua por vazamentos das torres e\u00f3licas. Para Romel Gonz\u00e1lez, membro do n\u00e3o governamental Conselho Regional Ind\u00edgena e Popular de Xpujil, que fica no vizinho Estado de Campeche, o processo de desenvolvimento energ\u00e9tico sofre de lacunas jur\u00eddicas, relacionadas com modelos de contrato e estudos de impacto ambiental superficiais.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 falta de informa\u00e7\u00e3o para as comunidades, que n\u00e3o conhecem o alcance dos contratos, e n\u00e3o \u00e9 explicado a elas os problemas que v\u00e3o surgir. Gera-se uma s\u00e9rie de conflitos bastante fortes e condi\u00e7\u00f5es de manipula\u00e7\u00e3o para obter as licen\u00e7as. Aplica-se engenharia social e divide-se a comunidade\u201d, apontou Gonz\u00e1lez \u00e0 IPS. Na regi\u00e3o, a seu ver, h\u00e1 recursos naturais que \u201cn\u00e3o foram tocados e agora querem aproveit\u00e1-los\u201d, cujo manejo se torna \u201catraente para despojar as comunidades\u201d.<\/p>\n<p>O Estado vive uma festa energ\u00e9tica porque em seu territ\u00f3rio s\u00e3o projetadas cinco centrais solares, com 536 MW de capacidade total e outros cinco parques e\u00f3licos, com capacidade de 256 MW, que funcionariam at\u00e9 2030 e j\u00e1 foram destinados a empresas locais e estrangeiras. No primeiro leil\u00e3o nacional de gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica organizada pelo governo, em mar\u00e7o de 2016, venceram quatro projetos e\u00f3licos e cinco solares, enquanto no segundo, em setembro, foram selecionados dois novos projetos e\u00f3licos.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a da matriz el\u00e9trica tem base na reforma energ\u00e9tica do M\u00e9xico, vigente plenamente desde agosto de 2014, que abre os setores privado, nacional e estrangeiro, \u00e0 explora\u00e7\u00e3o, ao refino, \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o e ao com\u00e9rcio de hidrocarbonos, bem como a gera\u00e7\u00e3o e venda de eletricidade. As autoridades locais projetam para 2018 que a gera\u00e7\u00e3o e\u00f3lica seja de 6.099 MW, 478 deles provenientes de Yucat\u00e1n, para, dois anos depois, subir para 12.823 MW, dos quais 2.227 fornecidos por este Estado. Para isso esse Estado captaria US$ 52 milh\u00f5es neste ano e outros US$ 1,584 bilh\u00e3o em 2018.<\/p>\n<p>A Lei da Ind\u00fastria El\u00e9trica, vigente desde 2014, estipula que cada projeto requer uma avalia\u00e7\u00e3o de impacto social, mas os cr\u00edticos dos projetos e\u00f3licos n\u00e3o t\u00eam registro de sua realiza\u00e7\u00e3o no Estado, enquanto s\u00f3 h\u00e1 evid\u00eancias de duas consultas p\u00fablicas nas comunidades afetadas, no caso de dois parques. \u201cA eletricidade n\u00e3o ser\u00e1 para n\u00f3s e n\u00e3o sabemos o que acontecer\u00e1 mais adiante (com o projeto instalado), por isso nossas d\u00favidas\u201d, explicou Miguel.<\/p>\n<p>Para a popula\u00e7\u00e3o local, o \u201cmodelo Oaxaca\u201d \u00e9 a invoca\u00e7\u00e3o de maus press\u00e1gios, pois esse Estado do sul do M\u00e9xico abriga a maior quantidade de fazendas e\u00f3licas, envolvidas em den\u00fancias por tratamentos injustos, despojos territoriais e falta de consulta livre, pr\u00e9via e informada. Ningu\u00e9m quer replicar esse modelo.<\/p>\n<p>\u201cAs autoridades querem fazer isso por todos os meios, querem apenas que os projetos sejam aprovados\u201d, destacou Canmex. Gonz\u00e1lez criticou que o governo n\u00e3o tenha exigido as avalia\u00e7\u00f5es. \u201cPedimos e nos respondem que n\u00e3o existem. As respostas das comunidades aos projetos depender\u00e3o do grau de consci\u00eancia e organiza\u00e7\u00e3o social. Algumas comunidades reagir\u00e3o tarde, quando o projeto estiver em constru\u00e7\u00e3o\u201d, ressaltou. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/1-1-canais\/expansao-de-energias-limpas-faz-vitimas\/\">Expans\u00e3o de energias limpas faz v\u00edtimas<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/\">Envolverde<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Emilio Godoy, da IPS &ndash;&nbsp; Kimbil&aacute;, M&eacute;xico, 17\/2\/2017 &ndash; Os crescentes projetos de gera&ccedil;&atilde;o e&oacute;lica e solar no Estado de Yucat&aacute;n s&atilde;o parte de uma mudan&ccedil;a positiva na matriz energ&eacute;tica do M&eacute;xico. Mas nas comunidades afetadas essa expans&atilde;o n&atilde;o &eacute; percebida de maneira igual, devido &agrave; falta de informa&ccedil;&atilde;o e consulta e pela altera&ccedil;&atilde;o que [&hellip;]<\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/1-1-canais\/expansao-de-energias-limpas-faz-vitimas\/\">Expans&atilde;o de energias limpas faz v&iacute;timas<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/\">Envolverde<\/a>.<\/p>\n<p> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2017\/02\/ultimas-noticias\/expansao-de-energias-limpas-faz-vitimas\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1109,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[2830,2781,3043],"class_list":["post-21636","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ultimas-noticias","tag-1-1-canais","tag-featured","tag-mundo-inter-press-service"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21636","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1109"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21636"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21636\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21637,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21636\/revisions\/21637"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21636"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21636"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21636"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}