{"id":21642,"date":"2017-02-20T13:33:45","date_gmt":"2017-02-20T13:33:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=219125"},"modified":"2017-02-20T13:33:45","modified_gmt":"2017-02-20T13:33:45","slug":"mais-obstaculos-para-exportadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2017\/02\/ultimas-noticias\/mais-obstaculos-para-exportadores\/","title":{"rendered":"Mais obst\u00e1culos para exportadores"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Por\u00a0Jewel Fraser, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Porto Espanha, Trinidad e Tobago, 20\/2\/2017 \u2013 Os pa\u00edses da Comunidade do Caribe (Caricom) encontram cada vez mais dificuldades para entrar nos mercados dos Estados Unidos e da Uni\u00e3o Europeia (UE) com suas exporta\u00e7\u00f5es de alimentos. As tarifas j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o os principais obst\u00e1culos para o acesso a esses mercados, segundo um documento do programa Supera\u00e7\u00e3o de Obst\u00e1culos T\u00e9cnicos ao Com\u00e9rcio, aplicado em conjunto pelo Grupo de Estados da \u00c1frica, do Caribe e do Pac\u00edfico (ACP) e a UE.<\/p>\n<p>A alian\u00e7a ACP-UE considera que \u201cos obst\u00e1culos n\u00e3o tarif\u00e1rios se converter\u00e3o no principal desafio do futuro sistema comercial multilateral\u201d. Especificamente, se refere aos obst\u00e1culos t\u00e9cnicos relacionados com o cumprimento das normas sanit\u00e1rias e fitossanit\u00e1rias nos mercados de exporta\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m de outras disposi\u00e7\u00f5es, inclu\u00eddas as relacionadas com a rotulagem e embalagem dos produtos.<\/p>\n<p>A UE considera que, para seus s\u00f3cios da ACP, tais obst\u00e1culos t\u00e9cnicos e n\u00e3o alfandeg\u00e1rios s\u00e3o t\u00e3o problem\u00e1ticos que aportou 15 milh\u00f5es de euros, a partir de 2013, para ajudar esses pa\u00edses em desenvolvimento a melhorarem seus processos e poder cumpri-los. A Associa\u00e7\u00e3o Caribenha de Agroneg\u00f3cios (Caba) teve acesso a fundos para ajudar seus membros a avan\u00e7arem na certifica\u00e7\u00e3o de An\u00e1lises de Riscos e Pontos Cr\u00edticos de Controle (HACCP), um passo que Estados Unidos e Uni\u00e3o Europeia exigem desde o come\u00e7o deste s\u00e9culo para todos os alimentos que entram em seus mercados<\/p>\n<p>Dez dos membros da Caba estiveram presentes em uma confer\u00eancia regional, realizada em Porto Espanha em janeiro, para informar sobre os benef\u00edcios que receberam do treinamento na certifica\u00e7\u00e3o HACCP. Andre Gordon, diretor executivo da empresa TSL Technical Services Limited, disse aos delegados presentes na capital de Trinidad e Tobago que anualmente a Gr\u00e3-Bretanha registra cerca de um milh\u00e3o de pessoas que contraem doen\u00e7as transmitidas pelos alimentos, das quais 500 morrem e cerca de 20 mil exigem hospitaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Lidar com essa situa\u00e7\u00e3o custa a esse pa\u00eds US$ 1,75 bilh\u00e3o por ano, afirmou Gordon, acrescentando que nos Estados Unidos s\u00e3o registrados aproximadamente 48 milh\u00f5es de casos de enfermidades transmitidas por alimentos, o que resulta em 128 mil interna\u00e7\u00f5es e tr\u00eas mil mortes. O custo chega a, aproximadamente, US$ 77,7 bilh\u00f5es anuais.<\/p>\n<p>Um informe de 2016 intitulado <em>Combatendo as perdas de alimentos por descumprimento dos requisitos de qualidade e seguran\u00e7a nos mercados de exporta\u00e7\u00e3o: o caso de frutas e hortali\u00e7as da regi\u00e3o da Am\u00e9rica Latina e do Caribe<\/em>, redigido por dois especialistas da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO), destaca tudo o que est\u00e1 em jogo para os exportadores caribenhos.<\/p>\n<p>Segundo o documento, Am\u00e9rica Latina e Caribe fornecem mais de 90% das frutas e quase 80% das verduras importadas pelos Estados Unidos. Por\u00e9m, alguns pa\u00edses da regi\u00e3o t\u00eam \u201ctaxas de rejei\u00e7\u00e3o muito altas\u201d, como Bol\u00edvia, Rep\u00fablica Dominicana e Jamaica. \u201cEmbora muitos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e do Caribe tenham um bom \u00edndice de aceita\u00e7\u00e3o em compara\u00e7\u00e3o com outros que exportam para os Estados Unidos e a UE, alguns apresentam um desempenho muito ruim, o que revela uma grande disparidade na prepara\u00e7\u00e3o para o com\u00e9rcio de exporta\u00e7\u00e3o dentro da regi\u00e3o\u201d, ressalta o documento.<\/p>\n<div id=\"attachment_219126\" style=\"width: 570px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img class=\"wp-image-219126\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/antigua-farm-629x418-1-629x418.jpg\" width=\"560\" height=\"372\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/antigua-farm-629x418-1-629x418.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/antigua-farm-629x418-1-629x418-300x199.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/antigua-farm-629x418-1-629x418-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 560px) 100vw, 560px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Oraine Halstead (esquerda) e Rhys Actie examinam tomates em uma estufa na fazenda Colesome, em Antiga. Foto: Desmond Brown\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo o informe da FAO, \u201cas in\u00fameras falhas na manipula\u00e7\u00e3o ao longo da cadeia s\u00e3o, provavelmente, a causa das queixas dos compradores internacionais\u201d. Gordon \u2013 que no come\u00e7o deste s\u00e9culo supervisionou a transforma\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria jamaicana de ackee (<em>Blighia sapida<\/em>) para que cumprisse as normas da Administra\u00e7\u00e3o de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos e tivesse acesso ao mercado desse pa\u00eds \u2013 explicou \u00e0 IPS os obst\u00e1culos que os exportadores caribenhos devem vencer.<\/p>\n<p>\u201cO problema, em geral, com as empresas agroindustriais do Caribe \u00e9 a falta de capacidade t\u00e9cnica e o desconhecimento dos requisitos, bem como falta de recursos para implantar os sistemas necess\u00e1rios\u201d, afirmou Gordon. \u201cA mudan\u00e7a cultural necess\u00e1ria provavelmente seja a maior limita\u00e7\u00e3o para aplicar e manter os sistemas de certifica\u00e7\u00e3o. Se as empresas n\u00e3o t\u00eam a vis\u00e3o de se converterem em atores globais, ent\u00e3o o esfor\u00e7o e os recursos necess\u00e1rios parecer\u00e3o inalcan\u00e7\u00e1veis e sem uma boa rela\u00e7\u00e3o qualidade-pre\u00e7o\u201d.<\/p>\n<p>O informe <em>As medidas sanit\u00e1rias e fitossanit\u00e1rias geram altos custos e perdas para os pa\u00edses em desenvolvimento<\/em>, publicado em 2007, pouco depois de a UE ordenar a certifica\u00e7\u00e3o HACCP para todos os que exportam para o bloco, aponta que, \u201ccomo o n\u00edvel de renda dos pa\u00edses em desenvolvimento \u00e9 muito menor, o custo do cumprimento \u00e9 relativamente superior ao dos exportadores dos pa\u00edses industrializados\u201d.<\/p>\n<p>E prossegue pontuando que \u201ca r\u00e1pida mudan\u00e7a nas medidas sanit\u00e1rias e fitossanit\u00e1rias, os regulamentos e as notifica\u00e7\u00f5es de novas regulamenta\u00e7\u00f5es \u00e9 outro problema enfrentado pelos pa\u00edses em desenvolvimento ao prepararem seu cumprimento. Tamb\u00e9m imp\u00f5e custos adicionais aos investidores e exportadores e cria incertezas\u201d. No entanto, concluiu Mehdi Shafaeddin, autor desse documento, \u201cembora o custo do cumprimento seja alto, o custo do n\u00e3o cumprimento \u00e9 ainda maior\u201d, devido \u00e0 perda de cota de mercado ou \u00e0 redu\u00e7\u00e3o do acesso.<\/p>\n<p>Gordon revelou que, em 2010, o Caribe foi a segunda regi\u00e3o com maior n\u00famero de rejei\u00e7\u00f5es de alimentos nos portos de entrada dos Estados Unidos. Um informe da FAO, de mar\u00e7o de 2016, revela outros problemas que as agroind\u00fastrias caribenhas enfrentam na hora de exportar.<\/p>\n<p>A diversifica\u00e7\u00e3o e a competitividade da agricultura do Caribe sofrem \u201ca pequenez e a fragmenta\u00e7\u00e3o da maioria das unidades agr\u00edcolas, aus\u00eancia de fortes organiza\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas de base, custo da m\u00e3o de obra agr\u00edcola, envelhecimento demogr\u00e1fico dos agricultores, um sistema educacional que n\u00e3o prepara os jovens para buscar oportunidades de emprego no setor agr\u00edcola\u201d, alerta a FAO.<\/p>\n<p>O presidente da Caba, Vassel Stewart, afirmou que o problema das pequenas unidades agr\u00edcolas est\u00e1 sendo abordado plenamente com a forma\u00e7\u00e3o da Cabexco, uma organiza\u00e7\u00e3o que re\u00fane as pequenas e m\u00e9dias empresas do setor agroindustrial do Caricom para adquirir de forma conjunta mat\u00e9rias-primas e servi\u00e7os, e comercializar os produtos de seus s\u00f3cios. E enfatizou que as economias de escala resultantes tamb\u00e9m permitir\u00e3o que seja mais f\u00e1cil suportar o custo do cumprimento das normas impostas por Estados Unidos e Uni\u00e3o Europeia aos exportadores de alimentos. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/1-1-canais\/mais-obstaculos-para-exportadores\/\">Mais obst\u00e1culos para exportadores<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/\">Envolverde<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Jewel Fraser, da IPS &ndash;&nbsp; Porto Espanha, Trinidad e Tobago, 20\/2\/2017 &ndash; Os pa&iacute;ses da Comunidade do Caribe (Caricom) encontram cada vez mais dificuldades para entrar nos mercados dos Estados Unidos e da Uni&atilde;o Europeia (UE) com suas exporta&ccedil;&otilde;es de alimentos. 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