{"id":21648,"date":"2017-02-21T13:40:31","date_gmt":"2017-02-21T13:40:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=219162"},"modified":"2017-02-21T13:40:31","modified_gmt":"2017-02-21T13:40:31","slug":"somalilandia-aposta-no-porto-de-berbera-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2017\/02\/ultimas-noticias\/somalilandia-aposta-no-porto-de-berbera-2\/","title":{"rendered":"Somalil\u00e2ndia aposta no Porto de Berbera"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Por\u00a0James Jeffrey, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Hargeisa, Somalil\u00e2ndia, 21\/2\/2017 \u2013 O cruzamento de fronteiras pode ser uma experi\u00eancia intimidadora na \u00c1frica, embora agora isso tamb\u00e9m ocorra na Europa e nos Estados Unidos, e inclusive nos aeroportos. Por\u00e9m, ir da Eti\u00f3pia \u00e0 Somalil\u00e2ndia e atravessar o povoado fronteiri\u00e7o de Togo-Wuchale \u00e9 gratamente surrealista. Em lugar de submeter as pessoas a um severo controle fronteiri\u00e7o, os funcion\u00e1rios de imigra\u00e7\u00e3o da Somalil\u00e2ndia as recebem com largos sorrisos e mant\u00eam conversa\u00e7\u00e3o amig\u00e1vel enquanto carimbam o selo de entrada sobre o visto no passaporte.<\/p>\n<div id=\"attachment_219163\" style=\"width: 570px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img class=\"wp-image-219163\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/somalilandia-629x420.jpg\" width=\"560\" height=\"374\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/somalilandia-629x420.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/somalilandia-629x420-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/somalilandia-629x420-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 560px) 100vw, 560px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Na capital da Somalil\u00e2ndia os visitantes encontram uma mescla de apaixonantes mercados tradicionais em sintonia com modernos edif\u00edcios e centros comerciais com faixadas de vidro, caf\u00e9s com wi-fi e gin\u00e1sios com ar-condicionado, tudo financiado pela di\u00e1spora e salpicado pelo t\u00edpico dinamismo somaliano. Foto: James Jeffrey\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sempre se alegram com a chegada de estrangeiros, que interpretam como uma esp\u00e9cie de reconhecimento a esse pa\u00eds, que legalmente n\u00e3o existe para a comunidade internacional, apesar de ter se proclamado independente da Som\u00e1lia em 1991, ap\u00f3s uma guerra civil que deixou cerca de 50 mil mortos.<\/p>\n<p>Protetorado brit\u00e2nico de 1886 a 1960, que depois se uniu \u00e0 Som\u00e1lia italiana para criar o moderno Estado de Som\u00e1lia, a Somalil\u00e2ndia tem governo aut\u00f4nomo desde 1991 e conta com todos os componentes de um Estado funcional, como moeda pr\u00f3pria, autoridades, pol\u00edcia e ex\u00e9rcito, al\u00e9m de uma ordem legal na rua. Al\u00e9m disso, desde 2003 a Somalil\u00e2ndia realizou v\u00e1rias elei\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas que permitiram passagens de poder ordenadas.<\/p>\n<p>A vontade de existir \u00e9 clara nesta capital, deixada em ru\u00ednas pela guerra civil que terminou em 1991 e com sua popula\u00e7\u00e3o em acampamentos de refugiados na vizinha Eti\u00f3pia. Um epis\u00f3dio infame gravado na mem\u00f3ria coletiva \u00e9 a decolagem de avi\u00f5es do regime ditatorial encabe\u00e7ado por Mohammed Siad Barre, que depois regressaram para bombardear a cidade.<\/p>\n<div id=\"attachment_219164\" style=\"width: 570px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img class=\"wp-image-219164\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/somalilandia2.jpg\" width=\"560\" height=\"374\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/somalilandia2.jpg 640w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/somalilandia2-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/somalilandia2-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 560px) 100vw, 560px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Esses integrantes do sindicato de marinheiros da Somalil\u00e2ndia, no Porto de Berbera, se queixam que a falta de investimento estrangeiro se traduz no fato de n\u00e3o ganharem o mesmo \u2013 ganham cerca de 220 por m\u00eas \u2013 que os trabalhadores estrangeiros, porque n\u00e3o pertencem a uma organiza\u00e7\u00e3o internacional reconhecida. Foto: James Jeffrey\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas os visitantes desta ensolarada capital de 800 mil habitantes encontram uma mescla de apaixonantes mercados tradicionais em sintonia com modernos edif\u00edcios e centros comerciais com fachadas de vidro, caf\u00e9s com wi-fi e gin\u00e1sios com ar-condicionado, tudo financiado pela di\u00e1spora e salpicado com o t\u00edpico dinamismo somaliano.<\/p>\n<p>\u201cFazemos todas as coisas corretas que o Ocidente pede, mas continuamos sem obter nada por isso\u201d, afirmou o ministro de Informa\u00e7\u00e3o, Cultura e Orienta\u00e7\u00e3o Nacional, Osman Abdillahi Sahardeed. \u201cEste \u00e9 um pa\u00eds resiliente que depende de si mesmo, n\u00e3o buscamos esmolas, mas que nos deem uma ajuda\u201d, acrescentou. A crescente exaspera\u00e7\u00e3o do governo e da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o surpreende, pois apesar de seus \u00eaxitos este continua sendo um pa\u00eds muito vulner\u00e1vel.<\/p>\n<p>A fragilidade da economia \u00e9 perigosa, e a falta de reconhecimento impede que receba apoio internacional e tenha acesso a organismos como Banco Mundial e Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI). O governo conta com um diminuto or\u00e7amento de US$ 250 milh\u00f5es, 60% dos quais destinados \u00e0s for\u00e7as policiais e de seguran\u00e7a, para manter o que o pa\u00eds considera um de seus maiores \u00eaxitos e argumentos em favor de seu reconhecimento: a paz e a estabilidade.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, tem uma grande depend\u00eancia dos idosos do cl\u00e3 local, mas \u00e9 dif\u00edcil para qualquer governo provar sua legitimidade quando precisa da ajuda de organiza\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias internacionais, de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais locais e do setor privado para prestar os servi\u00e7os essenciais. De fato, a Somalil\u00e2ndia sobrevive gra\u00e7as \u00e0s remessas enviadas pela di\u00e1spora, estimadas entre US$ 400 milh\u00f5es e pelo menos o dobro dessa quantia por ano, e da venda de grande quantidade de gado aos pa\u00edses \u00e1rabes.<\/p>\n<p>A pobreza generalizada e os v\u00e1rios grupos de homens que se v\u00ea diariamente nas ruas bebendo ch\u00e1 doce e mascando <em>jat<\/em>, uma planta estimulante, revelam o grande desemprego cr\u00f4nico que afeta o pa\u00eds. \u201cCerca de 70% da popula\u00e7\u00e3o tem menos de 30 anos, e n\u00e3o ter\u00e3o futuro sem o reconhecimento\u201d internacional, destacou Jama Musse, professor de matem\u00e1tica que voltou da It\u00e1lia para trabalhar em um centro da Funda\u00e7\u00e3o Cultural do Mar Vermelho, que d\u00e1 oportunidades art\u00edsticas para os jovens de Hargeisa. \u201cO mundo n\u00e3o pode fechar os olhos, \u00e9 preciso atender a quest\u00e3o da Somalil\u00e2ndia\u201d, ressaltou.<\/p>\n<div id=\"attachment_219165\" style=\"width: 570px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img class=\"wp-image-219165\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/somali3.jpg\" width=\"560\" height=\"374\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/somali3.jpg 640w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/somali3-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/somali3-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 560px) 100vw, 560px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Abdi Mohamad, um veterano da guerra civil da Som\u00e1lia, explica claramente seus sentimentos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Somalil\u00e2ndia. Foto: James Jeffrey\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Numerosos observadores apontam o risco da intrus\u00e3o do wahabismo, uma vers\u00e3o mais fundamental do Isl\u00e3 do que a conservadora, mas relativamente moderada, que \u00e9 praticado na Somalil\u00e2ndia, um motivo de preocupa\u00e7\u00e3o particular nessa regi\u00e3o do mundo. \u201cOs homens jovens s\u00e3o um grupo j\u00e1 preparado de pessoas sem rumo e pass\u00edveis de recrutamento por combatentes extremistas com uma agenda precisa\u201d, alertou Rakiya Omaar, advogado e presidente do Instituto Horizonte, uma consultoria local que ajuda as comunidades a superarem a falta de desenvolvimento e a conseguir a estabilidade.<\/p>\n<p>A chave da recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da Somalil\u00e2ndia, segundo numerosos analistas, est\u00e1 em aproveitar a forte situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da Eti\u00f3pia, o segundo pa\u00eds mais povoado e com a economia de maior crescimento da \u00c1frica, de acordo como FMI. E para isso \u00e9 fundamental Berbera, um antigo centro comercial mar\u00edtimo, ofuscado h\u00e1 tempos pelos portos de Djibuti, mais ao norte. No momento, o porto de Berbera est\u00e1 em expans\u00e3o, o que pode transform\u00e1-lo e devolver seu <em>status<\/em> de grande centro regional, ajudando a financiar o sonho de construir a na\u00e7\u00e3o de Somalil\u00e2ndia.<\/p>\n<p>Em maio de 2016, a empresa DP World, com sede em Dubai, ganhou uma licita\u00e7\u00e3o para administrar por 30 anos e ampliar Berbera, um projeto avaliado em US$ 442 milh\u00f5es, que inclui a amplia\u00e7\u00e3o do porto e a reconstru\u00e7\u00e3o de 268 quil\u00f4metros de estrada dali at\u00e9 a fronteira com a Eti\u00f3pia. Sem sa\u00edda para o mar, a Eti\u00f3pia busca h\u00e1 tempos diversificar seu acesso ao mar, assunto de grande interesse estrat\u00e9gico. Atualmente, 90% do seu com\u00e9rcio passa por Djibuti, um pequeno pa\u00eds com crescente rede de portos que arrecada US$ 1 bilh\u00e3o por ano s\u00f3 da Eti\u00f3pia.<\/p>\n<p>\u00c0 Somalil\u00e2ndia interessa que cerca de 30% desse interc\u00e2mbio comercial passe por Berbera, e a Eti\u00f3pia est\u00e1 mais do que de acordo com a ideia, pois j\u00e1 incorporou essa propor\u00e7\u00e3o na \u00faltima vers\u00e3o do Plano de Transforma\u00e7\u00e3o e Crescimento, que define a pol\u00edtica econ\u00f4mica desse pa\u00eds at\u00e9 2020. Os dois Estados assinaram um memorando de entendimento sobre com\u00e9rcio, seguran\u00e7a, sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o em 2014, antes do acordo assinado em mar\u00e7o de 2016 para uso do Porto de Berbera. E a Eti\u00f3pia poderia ser o in\u00edcio de uma pol\u00edtica comercial rent\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u201cPoderia ser uma porta de entrada para a \u00c1frica, n\u00e3o s\u00f3 para a Eti\u00f3pia\u201d, afirmou Sharmarke Jama, assessor econ\u00f4mico do governo local durante as negocia\u00e7\u00f5es para outorgar a concess\u00e3o do porto. \u201cNa medida em que nossos interesses est\u00e3o em sintonia com os da regi\u00e3o e nos integrarmos \u00e0 economia, s\u00f3 poder\u00e1 servir para conseguir o reconhecimento da comunidade internacional\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Mas o reconhecimento n\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil, porque poderia chegar a prejudicar os esfor\u00e7os internacionais de d\u00e9cadas para acertar a situa\u00e7\u00e3o na Som\u00e1lia, al\u00e9m de abrir uma caixa de Pandora com reclama\u00e7\u00f5es separatistas na regi\u00e3o e em outras zonas da \u00c1frica. No dia 13 de abril do ano passado, mais de 500 migrantes morreram em um barco que naufragou no Mar Mediterr\u00e2neo. A maioria dos meios de comunica\u00e7\u00e3o informou que muitos dos mortos eram somalianos. Mas em Hargeisa sabem que muitos eram residentes da Somalil\u00e2ndia.<\/p>\n<p>\u201cPor que partem? Desemprego\u201d, disse o ex-ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, Abdillahi Duhe, que agora trabalha como consultor na capital da Eti\u00f3pia. \u201cEste \u00e9 um momento muito importante, superamos a etapa de recupera\u00e7\u00e3o e temos paz, mas restam muitos obst\u00e1culos pela frente\u201d, acrescentou. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/1-1-canais\/somalilandia-aposta-no-porto-de-berbera\/\">Somalil\u00e2ndia aposta no Porto de Berbera<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/\">Envolverde<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;James Jeffrey, da IPS &ndash;&nbsp; Hargeisa, Somalil&acirc;ndia, 21\/2\/2017 &ndash; O cruzamento de fronteiras pode ser uma experi&ecirc;ncia intimidadora na &Aacute;frica, embora agora isso tamb&eacute;m ocorra na Europa e nos Estados Unidos, e inclusive nos aeroportos. Por&eacute;m, ir da Eti&oacute;pia &agrave; Somalil&acirc;ndia e atravessar o povoado fronteiri&ccedil;o de Togo-Wuchale &eacute; gratamente surrealista. 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