{"id":217,"date":"2005-01-23T00:00:00","date_gmt":"2005-01-23T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=217"},"modified":"2005-01-23T00:00:00","modified_gmt":"2005-01-23T00:00:00","slug":"mundo-palestina-nas-mos-de-israel-hamas-e-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/mundo-palestina-nas-mos-de-israel-hamas-e-eua\/","title":{"rendered":"Mundo: Palestina nas m&atilde;os de Israel, Hamas e EUA"},"content":{"rendered":"<p>Jerusal&eacute;m, 23\/01\/2005 &ndash; A capacidade do presidente eleito da Palestina, Mahmoud Abbas, de estabelecer sua autoridade e obter o reconhecimento de seu povo depender&aacute; menos de suas pr&oacute;prias a&ccedil;&otilde;es do que da generosidade do governo de Israel e de grupos radicais isl&acirc;micos, como o Hamas, e do apoio de Washington. O ex-primeiro-ministro poder&aacute; apresentar os 62,3% dos votos obtidos no domingo como prova de um mandato amplo e popular, mas definitivamente sua elei&ccedil;&atilde;o como presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), em substitui&ccedil;&atilde;o a Yasser Arafat, foi a parte mais dif&iacute;cil.<br \/> <!--more--> <br \/> Durante a campanha, Abbas reiterou sua antiga posi&ccedil;&atilde;o de que os ataques armados contra alvos israelenses prejudicam os interesses palestinos, que podem ser promovidos em um retorno &agrave; mesa de negocia&ccedil;&otilde;es com Israel. Agora que os palestinos o elegeram, querem ver se a estrat&eacute;gia proposta melhora a dif&iacute;cil situa&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o, com 60% vivendo na pobreza. Seu primeiro desafio ser&aacute; convencer grupos extremistas palestinos, como o Hamas (Movimento de Resist&ecirc;ncia Isl&acirc;mica) e o Jihad Isl&acirc;mico, a aceitarem um cessar-fogo. Abbas, tamb&eacute;m conhecido como Abu Mazen, preferiria alcan&ccedil;ar esse objetivo atrav&eacute;s do di&aacute;logo, em lugar de aceitar a exig&ecirc;ncia israelense de reprimir os radicais com as for&ccedil;as armadas, o que poderia gerar uma guerra civil.<\/p>\n<p> Representantes de todas as fac&ccedil;&otilde;es palestinas, incluindo o governante partido Fatah, se reunir&atilde;o na cidade do Cairo nas pr&oacute;ximas semanas para conversa&ccedil;&otilde;es sobre o cessar-fogo, patrocinadas pelo presidente do Egito, Hosni Mubarak. O argumento de Abbas &eacute; simples; quatro anos de intifada (insurrei&ccedil;&atilde;o contra a ocupa&ccedil;&atilde;o israelense) n&atilde;o aproximaram os palestinos de seu sonho de um Estado independente, portanto o melhor ser&aacute; seguir o caminho pol&iacute;tico. O Hamas ouvir&aacute; esse argumento, j&aacute; que boicotou as elei&ccedil;&otilde;es do &uacute;ltimo domingo? O grupo ainda est&aacute; lambendo suas feridas depois que Israel assassinou v&aacute;rios de seus mais altos l&iacute;deres no ano passado, incluindo o fundador e l&iacute;der espiritual, xeque Ahmed Yassin, e poderia estar disposto a aceitar uma tr&eacute;gua.<\/p>\n<p> O Hamas cometeu a maioria dos atentados suicidas contra alvos israelenses, e ainda n&atilde;o reconhece a exist&ecirc;ncia do Estado de Israel. Mas o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, pode ser um osso mais duro de roer. A &uacute;ltima vez que Sharon e Abbas se reuniram foi em agosto de 2003, duas semanas antes de Abbas renunciar ao cargo de primeiro-ministro, em parte por sua impossibilidade de obter concess&otilde;es do dirigente israelense. Quando, depois de muito negociar, Sharon finalmente libertou alguns palestinos presos em Israel, em um suposto gesto de confian&ccedil;a, Abbas ficou enfraquecido diante dos olhos de seu pr&oacute;prio povo, porque os prisioneiros libertados estavam cumprindo suas penas ou eram palestinos detidos por permanecerem em Israel sem permiss&atilde;o.<\/p>\n<p> Os presos com longas condena&ccedil;&otilde;es, considerados nas ruas de Gaza e da Cisjord&acirc;nia como a vanguarda da luta palestina pela liberta&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o foram soltos. Resta saber se Sharon se mostrar&aacute; mais generoso desta vez. Na ter&ccedil;a-feira, telefonou para Abbas para cumpriment&aacute;-lo, e anunciou em uma reuni&atilde;o de gabinete que logo se reunir&aacute; como o novo presidente palestino. Do lado israelense tamb&eacute;m foi sugerida uma nova liberta&ccedil;&atilde;o de presos e o fim de restri&ccedil;&otilde;es ao movimento de pessoas nos territ&oacute;rios ocupados. Mas Sharon reiterou sua advert&ecirc;ncia de sempre: &quot;Os palestinos n&atilde;o est&atilde;o combatendo o terrorismo, e apesar de as declara&ccedil;&otilde;es (de Abbas) na campanha eleitoral terem sido animadoras, dever&aacute; prov&aacute;-las combatendo o terrorismo&quot;.<\/p>\n<p> A favor de Abbas est&aacute; sua imagem de l&iacute;der moderado e pragm&aacute;tico perante os Estados Unidos. Um dia depois das elei&ccedil;&otilde;es palestinas, o presidente George W. Bush o convidou para visitar a Casa Branca, uma honra que nunca concedeu a Arafat, falecido em 11 de novembro. Sharon n&atilde;o vai querer decepcionar Washington, seu principal aliado estrat&eacute;gico, e isto pode se traduzir em medidas de constru&ccedil;&atilde;o de confian&ccedil;a mais substanciais do que as oferecidas h&aacute; 18 meses. A curto prazo, Abbas se prop&otilde;e a fazer com que Sharon volte &agrave; mesa de negocia&ccedil;&otilde;es para discutir as restri&ccedil;&otilde;es de viagem, mas n&atilde;o est&aacute; claro se o primeiro-ministro est&aacute; disposto a acompanh&aacute;-lo nessa iniciativa.<\/p>\n<p> Depois de declarar Arafat &quot;irrelevante&quot; e descart&aacute;-lo como contraparte negociadora, o l&iacute;der israelense afirmou no ano passado seu plano de retirada unilateral da faixa de Gaza e de parte do norte da Cisjord&acirc;nia. Desde a morte de Arafat, Sharon manifestou sua disposi&ccedil;&atilde;o de coordenar com os palestinos essa retirada, que implica o desmantelamento dos 21 assentamentos judeus em Gaza e quatro na Cisjord&acirc;nia. Entretanto, ainda n&atilde;o se pronunciou formalmente sobre um retorno &agrave;s negocia&ccedil;&otilde;es para por um fim no conflito. O primeiro-ministro israelense tornou-se um entusiasta da estrat&eacute;gia unilateral, que lhe permite determinar as regras do jogo, e n&atilde;o ser&aacute; f&aacute;cil persuadi-lo de voltar aos dias das negocia&ccedil;&otilde;es bilaterais. No momento, entretanto, isto pode interessar a Abbas.<\/p>\n<p> Apesar da imagem de tecnocrata do novo presidente da ANP &#8211; em contraste com a de Arafat &#8211; e a suaviza&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica de Sharon, um profundo abismo ainda separa ambos. O primeiro-ministro se op&otilde;e &agrave; forma&ccedil;&atilde;o de um Estado palestino em toda Cisjord&acirc;nia e Gaza, a que Jerusal&eacute;m oriental seja a capital desse Estado e ao direito de retorno dos refugiados palestinos aos seus antigos lares no Israel atual, todas demandas que Arafat considerava irrenunci&aacute;veis e Abbas colocar&aacute; na mesa. Mas em lugar de apresent&aacute;-las agora, o novo presidente palestino provavelmente ir&aacute; esperar que se concretize a retirada israelense de Gaza antes de pressionar Sharon a negociar as quest&otilde;es essenciais do conflito.<\/p>\n<p> Caso Sharon se mostre reticente, Abbas tem ases na manga. O veterano l&iacute;der palestino conseguiu acabar com o mantra do governo israelense de que &quot;n&atilde;o h&aacute; s&oacute;cios&quot; para negociar, e se conseguir abater a viol&ecirc;ncia, aumentar&aacute; a press&atilde;o nacional e internacional sobre o primeiro-ministro para que volte &agrave; mesa de conversa&ccedil;&otilde;es. Essa press&atilde;o aumentar&aacute; se Abbas cumprir a promessa de unir as m&uacute;ltiplas for&ccedil;as de seguran&ccedil;a palestinas sob um &uacute;nico comando. Sua estrat&eacute;gia &eacute; ganhar o apoio internacional reformando a ANP, erradicando a corrup&ccedil;&atilde;o, e pressionar Sharon, combatendo a viol&ecirc;ncia e o convidando a negociar. N&atilde;o o dir&aacute; em voz alta, mas acredita que este seja o caminho mais curto para o sonho palestino de um Estado independente. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jerusal&eacute;m, 23\/01\/2005 &ndash; A capacidade do presidente eleito da Palestina, Mahmoud Abbas, de estabelecer sua autoridade e obter o reconhecimento de seu povo depender&aacute; menos de suas pr&oacute;prias a&ccedil;&otilde;es do que da generosidade do governo de Israel e de grupos radicais isl&acirc;micos, como o Hamas, e do apoio de Washington. O ex-primeiro-ministro poder&aacute; apresentar os 62,3% dos votos obtidos no domingo como prova de um mandato amplo e popular, mas definitivamente sua elei&ccedil;&atilde;o como presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), em substitui&ccedil;&atilde;o a Yasser Arafat, foi a parte mais dif&iacute;cil.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/mundo-palestina-nas-mos-de-israel-hamas-e-eua\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1471,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-217","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/217","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1471"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=217"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/217\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=217"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=217"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=217"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}