{"id":21709,"date":"2017-03-10T13:32:24","date_gmt":"2017-03-10T13:32:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=219817"},"modified":"2017-03-10T13:32:24","modified_gmt":"2017-03-10T13:32:24","slug":"poucas-mulheres-em-altos-cargos-da-onu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2017\/03\/ultimas-noticias\/poucas-mulheres-em-altos-cargos-da-onu\/","title":{"rendered":"Poucas mulheres em altos cargos da ONU"},"content":{"rendered":"<p><strong><em><img class=\"alignleft wp-image-219289\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/ODS5.png\" width=\"140\" height=\"140\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/ODS5.png 466w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/ODS5-150x150.png 150w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/ODS5-300x300.png 300w\" sizes=\"(max-width: 140px) 100vw, 140px\" \/>Por\u00a0Thalif Deen, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 10\/3\/2017 \u2013 A Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) \u00e9 questionada por defender de capa e espada o empoderamento feminino e os direitos das mulheres, e de ser incapaz de coloc\u00e1-lo em pr\u00e1tica dentro de sua pr\u00f3pria estrutura. Seguran\u00e7a, o mais poderoso, com poder de veto, se inclinam de forma esmagadora pelos homens, em detrimento das mulheres, em seus 71 anos de exist\u00eancia.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a Secretaria da ONU e suas 35 ag\u00eancias trabalham, sem muito \u00eaxito, para implantar uma velha resolu\u00e7\u00e3o que defende a paridade entre homens e mulheres, especialmente em altos cargos e de decis\u00e3o. Por ocasi\u00e3o do Dia Internacional da Mulher a ONU publicou o estudo <em>O Status das Mulheres no Sistema das Na\u00e7\u00f5es Unidas<\/em>, de 36 p\u00e1ginas, que atualiza a situa\u00e7\u00e3o em mat\u00e9ria de igualdade dentro do f\u00f3rum mundial e assinala a falta de progressos e os desafios que h\u00e1 pela frente.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 alguns avan\u00e7os animadores para a paridade de g\u00eanero em todo o sistema das Na\u00e7\u00f5es Unidas, embora n\u00e3o seja uniforme e avance em velocidade insuficiente. A mudan\u00e7a que precisamos n\u00e3o ocorrer\u00e1 sem um enfoque m\u00faltiplo e comprometido\u201d, destacou a diretora da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka. \u201cA igualdade n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de estat\u00edstica. \u00c9 de mentalidade, mesmo quando a ONU lan\u00e7ou uma campanha mundial em favor da paridade de g\u00eanero 50:50 em todos os setores da vida at\u00e9 2030\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A ONU conta atualmente com 94 mil funcion\u00e1rios e funcion\u00e1rias e 78 mil consultores e consultoras no mundo. Segundo o estudo, apenas cinco dos 35 organismos da ONU conseguiram ou superaram a paridade 50:50: ONU Mulheres, com 78,9% de funcion\u00e1rias, Tribunal Internacional de Justi\u00e7a, com 57,1%, Onusida com 50,8%, Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o a Ci\u00eancia e a Cultura (Unesco), com 50,6%, e Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Turismo, com 50%.<\/p>\n<p>A seguir figuram outras 17 entidades da ONU com rela\u00e7\u00e3o de 40% a 49%, inclu\u00edda sua Secretaria, e 13 com paridade em torno dos 40%. \u201cEnquanto maior entidade dentro do sistema da ONU, a Secretaria (com sede em Nova York) tem possibilidades de gerar um impacto em toda a organiza\u00e7\u00e3o para o equil\u00edbrio de g\u00eanero. Por\u00e9m, tem a menor representa\u00e7\u00e3o feminina em todos os n\u00edveis do sistema\u201d, diz o estudo.<\/p>\n<p>\u201cExiste uma correla\u00e7\u00e3o negativa entre a representa\u00e7\u00e3o feminina e os cargos mais altos; maiores cargos, menor propor\u00e7\u00e3o de mulheres\u201d, acrescenta o documento, que tamb\u00e9m afirma que \u201ca maior defasagem ocorre entre os (cargos profissionais) P-2 e P-3, e P-4 e P-5, com 12,2% e 5,9%, respectivamente. Essa redu\u00e7\u00e3o indica que h\u00e1 obst\u00e1culos que freiam a carreira das mulheres dentro das Na\u00e7\u00f5es Unidas.<\/p>\n<p>Mavic Cabrera-Balleza, coordenadora internacional da Rede Global de Mulheres Construtoras de Paz, observou que \u201co secret\u00e1rio-geral Kofi Annan em sua \u00e9poca promoveu com for\u00e7a os direitos das mulheres e Ban Ki-moon, seu sucessor, defendeu a igualdade de g\u00eanero\u201d. E acrescentou que, \u201ccomo disse o atual secret\u00e1rio-geral, Ant\u00f3nio Guterres, o objetivo inicial para uma representa\u00e7\u00e3o equitativa na ONU foi fixada em 2000\u201d. Ele ter\u00e1 um papel fundamental, mas \u201cn\u00e3o podemos depender s\u00f3 dele\u201d, alertou.<\/p>\n<div id=\"attachment_219818\" style=\"width: 570px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img class=\"wp-image-219818\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/planeta5050-629x420.jpg\" width=\"560\" height=\"374\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/planeta5050-629x420.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/planeta5050-629x420-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/planeta5050-629x420-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 560px) 100vw, 560px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Campanha da ONU por um planeta 50-50 at\u00e9 2030.<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos pa\u00edses membros, a sociedade civil tamb\u00e9m tem que desempenhar um papel fundamental na escolha ou recomendar pessoas com experi\u00eancia e antecedentes em mat\u00e9ria de empoderamento feminino, direitos das mulheres e igualdade de g\u00eanero, apontou Cabrera-Balleza.<\/p>\n<p>Sanam Naraghi-Anderlini, uma das fundadoras e diretora executiva da Rede Internacional de A\u00e7\u00e3o da Sociedade Civil (Ican), pontuou \u00e0 IPS que, em um mundo com crescente n\u00famero de mulheres com educa\u00e7\u00e3o terci\u00e1ria e trabalhando, \u00e9 inconceb\u00edvel que a ONU n\u00e3o tenha, ou n\u00e3o possa conseguir, a igualdade entre homens e mulheres em todos os n\u00edveis de sua estrutura.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 um problema de demanda. Ser\u00e1 de fornecimento? N\u00e3o precisamente, se olharmos os dados duros, para conseguir a paridade para os subsecret\u00e1rios-gerais, o secret\u00e1rio-geral teria que contratar 67,5 mulheres, outras 109 para os de D-2 (diretores), e, para os D-1, 848,5\u201d, afirmou Naraghi-Anderlini. E acrescentou que \u201cpode parecer muito, mas, se olharmos a sociedade civil, o setor privado e muitos governos, as mulheres est\u00e3o presentes, prontas e dispostas\u201d.<\/p>\n<p>Para conseguir a paridade, muitos dos homens que s\u00e3o profissionais P-4 e P-5 e diretores D-1 e D-2 ter\u00e3o que pagar o pre\u00e7o pelas muitas gera\u00e7\u00f5es masculinas que ocuparam esses cargos, frequentemente independente de suas capacidades, observou Naraghi-Anderlini, especialista em quest\u00f5es de g\u00eanero e inclus\u00e3o da equipe de reserva de especialistas da ONU.<\/p>\n<p>Por sua vez, Ian Richards, presidente do comit\u00ea coordenador de Associa\u00e7\u00f5es e Sindicatos Internacionais, disse que \u201ca organiza\u00e7\u00e3o est\u00e1 na \u00e9poca das trevas no tocante a acordos trabalhistas flex\u00edveis, com poucas depend\u00eancias que ofere\u00e7am ou desejem oferecer assist\u00eancia para o cuidado infantil, e o sistema de promo\u00e7\u00e3o carece de objetividade, o que faz com que se enra\u00edzem de forma inconsciente prefer\u00eancias e tend\u00eancias.<\/p>\n<p>Uma das quest\u00f5es que o informe n\u00e3o analisa, mas deveria, \u00e9 que 30% de seus funcion\u00e1rios s\u00e3o consultores. Seus honor\u00e1rios s\u00e3o negociados individualmente com seus superiores, em lugar de estarem sujeitos a uma escala salarial, e n\u00e3o h\u00e1 pesquisas sobre as diferen\u00e7as em mat\u00e9ria de remunera\u00e7\u00e3o entre homens e mulheres pelo mesmo trabalho.<\/p>\n<p>Cabrera-Balleza se mostrou de acordo com a designa\u00e7\u00e3o por Guterres de v\u00e1rias mulheres em altos cargos. \u201cMas me decepciona que as qualifica\u00e7\u00f5es para tais cargos n\u00e3o incluam experi\u00eancia em igualdade de g\u00eanero. O chamado s\u00f3 menciona \u2018grande compromisso com os valores e princ\u00edpios reitores da ONU e familiaridade com o sistema das Na\u00e7\u00f5es Unidas\u2019\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>\u201cOs antecedentes em igualdade de g\u00eanero deveriam estar expl\u00edcitos na hora de fazer uma chamada e de contratar algu\u00e9m, e tamb\u00e9m nos termos de refer\u00eancia para todos os funcion\u00e1rios da ONU. N\u00e3o se pode e n\u00e3o se deve assumir que existem\u201d, pontuou Cabrera-Balleza.<\/p>\n<p>\u201cDevemos ter presente que promover o <em>status<\/em> das mulheres e conseguir a igualdade de g\u00eanero no sistema da ONU n\u00e3o \u00e9 um jogo de n\u00fameros. Precisamos de mulheres e homens que representem os interesses das mulheres, que lutem pelos direitos das mulheres\u201d, explicou Cabrera-Balleza. E ressaltou que \u201cnecessitamos ter um hist\u00f3rico, n\u00e3o apenas um compromisso. Qualquer um pode declarar seu compromisso com os direitos das mulheres e a igualdade de g\u00eanero, mas s\u00f3 uns poucos t\u00eam antecedentes\u201d.<\/p>\n<p>Em um mundo ideal, segundo Naraghi-Anderlini, o secret\u00e1rio-geral deveria assumir este desafio e se concentrar em que apenas os melhores homens e mulheres ingressem, permane\u00e7am e progridam no sistema da ONU. \u201cTodas e todos devem aderir aos valores centrais das Na\u00e7\u00f5es Unidas, de direitos humanos iguais, pluralismo e paz. Mas as capacidades e os conhecimentos necess\u00e1rios devem ser t\u00e3o variados e diversos como as sociedades nas quais busca estar presente e ser efetiva\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p><strong>Nove a zero e 68 a tr\u00eas<\/strong><\/p>\n<p>O primeiro alvo das cr\u00edticas pela desigualdade de g\u00eanero dentro da ONU \u00e9 a Assembleia Geral, de 193 membros, que s\u00f3 elegeu tr\u00eas mulheres para presidir o plen\u00e1rio: Vijaya Lakshmi Pandit, da \u00cdndia (1953), Angie Brooks, da Lib\u00e9ria (1969) e a xequesa Haya Rashed Al-Jalifa, do Bahrein (2006), contra 68 homens que ocuparam o cargo.<\/p>\n<p>Mas, provavelmente, o pior seja o Conselho de Seguran\u00e7a, de 15 membros, que continua elegendo homens para o cargo m\u00e1ximo dentro da ONU, de secret\u00e1rio-geral, com aprova\u00e7\u00e3o da Assembleia Geral. E o ano passado talvez tenha sido o pior de todos pelo grande n\u00famero de candidatas qualificadas.<\/p>\n<p>No caso desse \u00f3rg\u00e3o, a disparidade \u00e9 de zero mulheres contra nove homens que ocuparam o cargo de secret\u00e1rio-geral ao longo da hist\u00f3ria: Trygve Lie, da Noruega, Dag Hammarskjold, da Su\u00e9cia, U. Thant, da Birm\u00e2nia (atualmente Myanmar), Kurt Waldheim, da \u00c1ustria, Javier P\u00e9rez de Cuellar, do Peru, Boutros Boutros-Ghali, do Egito, Kofi Annan, de Gana, Ban Ki-moon, da Coreia do Sul, e, atualmente, Ant\u00f3nio Guterres, de Portugal. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/1-1-canais\/poucas-mulheres-em-altos-cargos-da-onu\/\">Poucas mulheres em altos cargos da ONU<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/\">Envolverde<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Thalif Deen, da IPS &ndash;&nbsp; Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 10\/3\/2017 &ndash; A Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) &eacute; questionada por defender de capa e espada o empoderamento feminino e os direitos das mulheres, e de ser incapaz de coloc&aacute;-lo em pr&aacute;tica dentro de sua pr&oacute;pria estrutura. 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