{"id":21712,"date":"2017-03-14T14:45:03","date_gmt":"2017-03-14T14:45:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=219943"},"modified":"2017-03-14T14:45:03","modified_gmt":"2017-03-14T14:45:03","slug":"a-argentina-e-sua-longa-crise-energetica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2017\/03\/ultimas-noticias\/a-argentina-e-sua-longa-crise-energetica\/","title":{"rendered":"A Argentina e sua longa crise energ\u00e9tica"},"content":{"rendered":"<p><strong><em><img class=\"alignleft wp-image-219318\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/ODS7.png\" width=\"140\" height=\"140\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/ODS7.png 466w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/ODS7-150x150.png 150w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/ODS7-300x300.png 300w\" sizes=\"(max-width: 140px) 100vw, 140px\" \/>Por\u00a0Daniel Gutman, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Buenos Aires, Argentina, 14\/3\/2017 \u2013 Buscar petr\u00f3leo e g\u00e1s no mar, ativar as jazidas n\u00e3o convencionais, desenvolver, por fim, as energias renov\u00e1veis, construir centrais hidrel\u00e9tricas. Todas as receitas que levam a uma produ\u00e7\u00e3o maior de energia parecem bem-vindas hoje na Argentina, que nos \u00faltimos anos tem suas contas em vermelho nesse setor.<\/p>\n<p>O governo do presidente Mauricio Macri tenta reverter uma crise energ\u00e9tica que \u00e9 produto de muito tempo sem investimentos, e que se fez vis\u00edvel a partir de 2010, quando o pa\u00eds perdeu o autoabastecimento de petr\u00f3leo e g\u00e1s pela primeira vez em 17 anos. Os hidrocarbonos constituem 87% da matriz energ\u00e9tica nacional e tamb\u00e9m s\u00e3o o insumo fundamental que abastece o sistema el\u00e9trico em particular, ao alimentar as centrais t\u00e9rmicas que respondem por 64% da capacidade instalada, segundo dados oficiais.<\/p>\n<p>Macri responsabilizou sua antecessora, Cristina Fern\u00e1ndez (2007-2015) pela situa\u00e7\u00e3o, no dia 1\u00ba deste m\u00eas, quando abriu o per\u00edodo de sess\u00f5es ordin\u00e1rias do Congresso e anunciou: \u201cDepois de uma d\u00e9cada de desperd\u00edcio e corrup\u00e7\u00e3o, come\u00e7amos a normalizar o setor energ\u00e9tico\u201d.<\/p>\n<p>Fern\u00e1ndez havia admitido a crise energ\u00e9tica j\u00e1 em 2012, quando, ao fim de um processo de grave queda na produ\u00e7\u00e3o e nas reservas de hidrocarbonos, que levou o pa\u00eds a gastar milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares em importa\u00e7\u00f5es, impulsionou a nacionaliza\u00e7\u00e3o da petroleira Yacimientos Petrol\u00edferos Fiscales (YPF), privatizada 19 anos antes por Carlos Menem (1989-1999). \u201cSe continuarmos assim, seremos um pa\u00eds invi\u00e1vel\u201d, advertiu a ex-presidente ao enviar ao Congresso o projeto de expropria\u00e7\u00e3o de 51% das a\u00e7\u00f5es da YPF que estavam nas m\u00e3os da companhia espanhola Repsol.<\/p>\n<p>Embora a iniciativa tenha sido aprovada rapidamente, desde ent\u00e3o a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o mudou de maneira substancial. Em fevereiro, em pleno ver\u00e3o austral e em meio a uma onda de calor na cidade de Buenos Aires e em outras partes do pa\u00eds, que levou o consumo de eletricidade para al\u00e9m dos 25 mil megawatts (MW), no limite da capacidade do sistema, o governo importou essa energia de Brasil, Uruguai, Paraguai e Chile, para evitar cortes maci\u00e7os de luz que fizeram disparar o mau humor social.<\/p>\n<p>Trata-se de um tema muito sens\u00edvel para o governo de Macri, porque uma de suas primeiras medidas ap\u00f3s tomar posse, em dezembro de 2015, foi aumentar as tarifas de eletricidade e g\u00e1s, que estiveram congeladas durante anos, com o argumento de que foi a energia barata que provocou a falta de investimentos e a deteriora\u00e7\u00e3o do sistema energ\u00e9tico. Esses aumentos tiveram que ser moderados por causa dos questionamentos da opini\u00e3o p\u00fablica e, inclusive, por uma s\u00e9rie de decis\u00f5es judiciais.<\/p>\n<p>\u201cO sistema est\u00e1 no limite tamb\u00e9m para o inverno, porque o g\u00e1s natural \u00e9 utilizado para calefa\u00e7\u00e3o, provocando escassez de combust\u00edveis para as centrais t\u00e9rmicas, que deve ser coberta com a importa\u00e7\u00e3o de diesel e \u00f3leo combust\u00edvel a pre\u00e7os elevados\u201d, explicou Juan Bosch, advogado especialista em energia e presidente da empresa Saesa. \u201cH\u00e1 consenso de que a Argentina n\u00e3o tem outra alternativa a n\u00e3o ser ampliar sua oferta energ\u00e9tica, como demonstra, por exemplo, o amplo acordo pol\u00edtico com que foi aprovada a nova lei de energias renov\u00e1veis\u201d, apontou \u00e0 IPS.<\/p>\n<div id=\"attachment_219944\" style=\"width: 570px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img class=\"wp-image-219944\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/macrirenovable629x411-629x411.jpg\" width=\"560\" height=\"366\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/macrirenovable629x411-629x411.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/macrirenovable629x411-629x411-300x196.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 560px) 100vw, 560px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">O presidente Mauricio Macri, segundo \u00e0 esquerda, ao apresentar projetos de energia solar junto a outras autoridades. O mandat\u00e1rio anunciou investimentos de US$ 4 bilh\u00f5es em energias renov\u00e1veis, como parte do esfor\u00e7o para aumentar a oferta el\u00e9trica. Foto: Presid\u00eancia da Na\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio de outros pa\u00edses da regi\u00e3o, e apesar de ter um not\u00e1vel potencial, especialmente para energia e\u00f3lica, gra\u00e7as aos fortes ventos na regi\u00e3o da Patag\u00f4nia, a Argentina n\u00e3o desenvolveu at\u00e9 agora as fontes renov\u00e1veis, cujo peso na matriz el\u00e9trica nacional \u00e9 insignificante. Depois da san\u00e7\u00e3o de duas leis de promo\u00e7\u00e3o desse tipo de energia, em 1998 e 2006, que fracassaram rotundamente, o Congresso sancionou, em 2015, uma nova lei que, dessa vez, abre expectativas em setores empresariais e ambientalistas.<\/p>\n<p>Essa norma, que exige que as energias renov\u00e1veis cubram 20% da demanda el\u00e9trica nacional at\u00e9 2025, foi aprovada nos meses finais do governo de Fern\u00e1ndez, com apoio de todos os setores pol\u00edticos, e foi rapidamente implantada pelo novo governo. \u201cJ\u00e1 entregamos 59 projetos (de energias renov\u00e1veis) com os quais captaremos a energia em 17 prov\u00edncias, com investimento privado de aproximadamente US$ 4 bilh\u00f5es\u201d, afirmou Macri no Congresso.<\/p>\n<p>No entanto, a aposta nas energias renov\u00e1veis n\u00e3o exclui, mas complementa, a busca por combust\u00edveis f\u00f3sseis. O governo procura desenvolver o potencial de Vaca Muerta, uma jazida de 30 mil quil\u00f4metros quadrados que se estende por quatro prov\u00edncias, com dep\u00f3sitos de g\u00e1s e petr\u00f3leo de xisto, descoberta em 2011 pela YPF. Sua explora\u00e7\u00e3o teve in\u00edcio em 2013, depois que a norte-americana Administra\u00e7\u00e3o de Informa\u00e7\u00e3o e Energia (EIA) colocou a Argentina como o terceiro pa\u00eds com maiores reservas de hidrocarbonos de xisto, superada apenas pelos Estados Unidos e pela China.<\/p>\n<p>Mas justamente essa jazida, onde petr\u00f3leo e g\u00e1s est\u00e3o presos em rochas a grandes profundidades e s\u00e3o recuper\u00e1veis com a pol\u00eamica tecnologia da fratura hidr\u00e1ulica, exige investimentos muito elevados, com a desvantagem adicional de nos \u00faltimos anos ter ocorrido uma baixa significativa nos pre\u00e7os dos hidrocarbonos. Depois de anunciar, no fim de 2015, um acordo com o sindicato petroleiro para baixar os custos trabalhistas e incentivar a chegada de investimentos a Vaca Muerta, o govenro garantiu este m\u00eas, por decreto, um pre\u00e7o m\u00e1ximo para o g\u00e1s extra\u00eddo de reservas n\u00e3o convencionais, que est\u00e1 acima dos valores de mercado.<\/p>\n<p>\u201cJunto com os trabalhadores do setor petroleiro, estamos gerando as condi\u00e7\u00f5es para que a explora\u00e7\u00e3o da bacia de petr\u00f3leo e g\u00e1s n\u00e3o convencional de Vaca Muerta deixe de ser um potencial e se transforme em uma realidade\u201d, declarou o ministro de Energia, Juan Jos\u00e9 Aranguren. A busca por hidrocarbonos tamb\u00e9m inclui a plataforma marinha. Em janeiro, o ministro assinou uma resolu\u00e7\u00e3o autorizando a YPF a estudar uma \u00e1rea de 360 quil\u00f4metros quadrados diante da costa nas prov\u00edncias de Buenos Aires, Rio Negro e Chubut, no Atl\u00e2ntico.<\/p>\n<p>J\u00e1 em dezembro, o governo havia encomendado um estudo para medir o interesse de empresas internacionais para explorar o Mar Argentino, como se chama localmente a plataforma continental da oriental costa atl\u00e2ntica do pa\u00eds. O governo tamb\u00e9m garante que este ano ser\u00e1 iniciada a constru\u00e7\u00e3o de duas gigantescas represas no rio Santa Cruz, na Patag\u00f4nia, cuja constru\u00e7\u00e3o, ao custo aproximado de US$ 5 bilh\u00f5es, foi acordada pela administra\u00e7\u00e3o anterior e ter\u00e1 financiamento de tr\u00eas bancos estatais chineses.<\/p>\n<p>O projeto foi questionado desde o come\u00e7o por organiza\u00e7\u00f5es ambientais, porque o rio Santa Cruz nasce no Lago Argentino, o maior e mais austral da Patag\u00f4nia, dentro do espetacular Parque Nacional Los Glaciares, uma das principais atra\u00e7\u00f5es tur\u00edsticas do pa\u00eds. No final do ano passado, a Suprema Corte de Justi\u00e7a considerou que o estudo de impacto ambiental n\u00e3o foi realizado de maneira adequada e ordenou que a obra n\u00e3o come\u00e7asse, embora o governo prometa uma nova avalia\u00e7\u00e3o para poder iniciar o trabalho. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/1-1-canais\/argentina-e-sua-longa-crise-energetica\/\">A Argentina e sua longa crise energ\u00e9tica<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/\">Envolverde<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Daniel Gutman, da IPS &ndash;&nbsp; Buenos Aires, Argentina, 14\/3\/2017 &ndash; Buscar petr&oacute;leo e g&aacute;s no mar, ativar as jazidas n&atilde;o convencionais, desenvolver, por fim, as energias renov&aacute;veis, construir centrais hidrel&eacute;tricas. 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