{"id":21714,"date":"2017-03-14T14:36:53","date_gmt":"2017-03-14T14:36:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=219939"},"modified":"2017-03-14T14:36:53","modified_gmt":"2017-03-14T14:36:53","slug":"o-dia-tem-mais-horas-para-as-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2017\/03\/ultimas-noticias\/o-dia-tem-mais-horas-para-as-mulheres\/","title":{"rendered":"O dia tem mais horas para as mulheres"},"content":{"rendered":"<p><strong><em><img class=\"alignleft wp-image-219289\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/ODS5.png\" width=\"140\" height=\"140\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/ODS5.png 466w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/ODS5-150x150.png 150w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/ODS5-300x300.png 300w\" sizes=\"(max-width: 140px) 100vw, 140px\" \/>Por\u00a0Sally Nyakanyanga, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Harare, Zimb\u00e1bue, 14\/3\/2017 \u2013 O canto do galo desperta Tambudzai Zimbudzana, de 32 anos, que rapidamente dobra suas cobertas e sai de sua casa, com teto de zinco e tr\u00eas c\u00f4modos, em Masvingo, uma localidade rural do sudeste do Zimb\u00e1bue. Ela colhe alguma lenha de uma enorme pilha e prepara fogo para ferver \u00e1gua e fazer a comida para que seu marido se banhe e coma antes de ir para o trabalho de bicicleta.<\/p>\n<p>Zimbudzana chama \u201cShorai!\u201d Shorai!\u201d Shorai!\u201d, sua filha de 14 anos que ainda dorme e deve ajud\u00e1-la com as tarefas di\u00e1rias. \u201cMeu dia termina normalmente \u00e0s dez da noite, j\u00e1 que preciso ver se todo o trabalho dom\u00e9stico est\u00e1 feito, inclusive atender meus seis filhos, antes de poder descansar\u201d, contou \u00e0 IPS essa mulher que raramente tem tempo para participar de atividades comunit\u00e1rias.<\/p>\n<p>Muitas mulheres e meninas fazem o trabalho \u2013 pesado, desigual e aparentemente natural \u2013 de cuidar da fam\u00edlia, algo que poucas vezes \u00e9 reconhecido, n\u00e3o \u00e9 financeiramente ben\u00e9fico e est\u00e1 profundamente arraigado na cultura desse pa\u00eds do sul da \u00c1frica.<\/p>\n<div id=\"attachment_219940\" style=\"width: 570px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img class=\"wp-image-219940\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/zim1-629x420-629x420.jpg\" width=\"560\" height=\"374\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/zim1-629x420-629x420.jpg 629w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/zim1-629x420-629x420-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/zim1-629x420-629x420-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 560px) 100vw, 560px\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Constance Huku transporta lenha, na localidade rural de Masvingo, no sudeste do Zimb\u00e1bue. Foto: Sally Nyakanyanga\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cNos \u00faltimos anos, consider\u00e1veis evid\u00eancias e resultados de pesquisas mostram que o investimento no trabalho do cuidado n\u00e3o remunerado \u2013 pelos governos, pela sociedade civil e por empregadores \u2013 melhora o bem-estar, o gozo dos direitos das mulheres, o desenvolvimento econ\u00f4mico e reduz a desigualdade\u201d, afirmou Anna Giolitto, da organiza\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria Oxfam.<\/p>\n<p>Desde 2014, essa entidade trabalha no Zimb\u00e1bue para fortalecer os direitos econ\u00f4micos das mulheres, mediante coleta de dados sobre o trabalho de cuidados n\u00e3o remunerado, a inova\u00e7\u00e3o nas interven\u00e7\u00f5es e a influ\u00eancia em pol\u00edticas e pr\u00e1ticas para abordar a aten\u00e7\u00e3o como parte do empoderamento feminino.<\/p>\n<p>A Oxfam realizou tr\u00eas programas em tr\u00eas distritos desde 2014, e desenvolveu duas ferramentas para avaliar o trabalho dom\u00e9stico n\u00e3o remunerado e o cuidado das pessoas nas comunidades, a An\u00e1lise de Aten\u00e7\u00e3o R\u00e1pida e a Pesquisa sobre o Cuidado no Lar.<\/p>\n<p>\u201cO objetivo principal \u00e9 reduzir o tempo ou o trabalho necess\u00e1rios para as tarefas dom\u00e9sticas di\u00e1rias e o cuidado das pessoas, e assim aumentar a participa\u00e7\u00e3o das mulheres, seu empoderamento, sua lideran\u00e7a e representa\u00e7\u00e3o nas esferas p\u00fablicas e privadas\u201d, explicou Giolitto. Os resultados da pesquisa mostraram que as mulheres fazem de tr\u00eas a seis vezes mais horas de trabalho de cuidados do que os homens.<\/p>\n<p>Segundo a ONU Mulheres, o mundo do trabalho est\u00e1 evoluindo, com importantes consequ\u00eancias e oportunidades para as mulheres devido \u00e0 globaliza\u00e7\u00e3o e \u00e0s revolu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gica e digital. Entretanto, a crescente informalidade do trabalho, a instabilidade dos meios de subsist\u00eancia e da renda, as novas pol\u00edticas fiscais e comerciais e os impactos ambientais t\u00eam um efeito negativo no bem-estar de muitas mulheres em todo o mundo.<\/p>\n<p>Por isso, devem ser abordados no contexto de seu empoderamento econ\u00f4mico. As mulheres que trabalham na economia informal do Zimb\u00e1bue enfrentam diariamente a hostilidade do contexto econ\u00f4mico e dos funcion\u00e1rios de seguran\u00e7a, inclusive nas aduanas.<\/p>\n<div id=\"attachment_219941\" style=\"width: 570px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img class=\"wp-image-219941\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/zim2-1.jpg\" width=\"560\" height=\"374\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/zim2-1.jpg 640w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/zim2-1-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/zim2-1-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 560px) 100vw, 560px\" \/><p class=\"wp-caption-text\"><br \/> Charity Ncube carrega seu filho e um balde de 20 litros de \u00e1gua, na localidade rural de Masvingo, no sudeste do Zimb\u00e1bue. Foto: Sally Nyakanyanga\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cEles confiscam nossos bens nos postos de fronteira devido \u00e0 quantidade limitada de mercadorias que pode entrar no pa\u00eds. Acabamos pagando mais aos transportadores para passar uma quantidade razo\u00e1vel pela fronteira\u201d, detalhou Lorraine Sibanda, a presidente da C\u00e2mara de Associa\u00e7\u00f5es da Economia Informal do Zimb\u00e1bue (ZCIEA). Cerca de 65% de seus integrantes s\u00e3o mulheres, acrescentou.<\/p>\n<p>Segundo Sibanda, as tarifas dos transportadores n\u00e3o s\u00e3o uniformes, por isso pode-se pagar v\u00e1rias vezes pela mesma mercadoria. Al\u00e9m disso, as mulheres envolvidas no com\u00e9rcio transfronteiri\u00e7o t\u00eam de carregar grande peso durante muito tempo, o\u00a0 que pode ter consequ\u00eancias nocivas para sua sa\u00fade. \u201cPouco ou nulo conhecimento dos tr\u00e2mites aduaneiros, como a declara\u00e7\u00e3o de bens, tamb\u00e9m colabora para que as comerciantes sejam v\u00edtimas dos transportadores desonestos, do pessoal de imigra\u00e7\u00e3o e de outros elementos que rondam os postos de fronteira para ganhar a vida\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>O Escrit\u00f3rio Nacional de Estat\u00edsticas do Zimb\u00e1bue informou que 84% da classe trabalhadora do pa\u00eds pertence ao setor informal e apenas 11% tem emprego formal. A Oxfam n\u00e3o trabalha com mulheres do com\u00e9rcio transfronteiri\u00e7o no Zimb\u00e1bue, mas aplica a estrat\u00e9gia dos \u201cquatro erres\u201d para a mudan\u00e7a em seu empoderamento:<\/p>\n<ul>\n<li>reconhecer o trabalho de cuidados nas pol\u00edticas, na comunidade e no lar, para torn\u00e1-lo vis\u00edvel e valorizado; mudar a ideia de que se trata apenas de uma atividade natural das mulheres, \u00e9 trabalho;<\/li>\n<li>reduzir o trabalho dos cuidados mediante o uso de tecnologias e servi\u00e7os que economizem tempo;<\/li>\n<li>redistribuir a responsabilidade do cuidado de maneira mais equitativa \u2013 de mulheres para homens e de fam\u00edlias para o Estado e empregadores;<\/li>\n<li>representar as cuidadoras na tomada de decis\u00f5es.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u201cAs mulheres ser\u00e3o capazes de fazer mais quando houver homens que compartilhem a responsabilidade dentro da fam\u00edlia, bem como quando desempenharem um papel importante nas decis\u00f5es em seu lar\u201d, destacou Giolitto.<\/p>\n<p>Kelvin Hazangwi, do Padare (F\u00f3rum de Homens sobre G\u00eanero), tamb\u00e9m enfatizou a necessidade de compartilhar o trabalho de cuidados n\u00e3o remunerados, e afirmou que \u201cos homens devem tomar a iniciativa para reduzir o peso do trabalho de cuidados que fazem as mulheres, j\u00e1 que isso tem efeito positivo na fam\u00edlia, na comunidade e no pa\u00eds em geral\u201d. O Padare \u00e9 um f\u00f3rum de homens que defende a igualdade de g\u00eanero no Zimb\u00e1bue.<\/p>\n<p>A ZCIEA acredita que o setor informal \u00e9 o futuro, e que pol\u00edticas econ\u00f4micas de inclus\u00e3o de g\u00eanero, a formaliza\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio informal, a infraestrutura digna, a prote\u00e7\u00e3o social, os servi\u00e7os de sa\u00fade, o reconhecimento dos comerciantes informais como atores econ\u00f4micos essenciais dar\u00e3o lugar a um crescimento sustent\u00e1vel e inclusivo. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/1-1-canais\/o-dia-tem-mais-horas-para-mulheres\/\">O dia tem mais horas para as mulheres<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/\">Envolverde<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Sally Nyakanyanga, da IPS &ndash;&nbsp; Harare, Zimb&aacute;bue, 14\/3\/2017 &ndash; O canto do galo desperta Tambudzai Zimbudzana, de 32 anos, que rapidamente dobra suas cobertas e sai de sua casa, com teto de zinco e tr&ecirc;s c&ocirc;modos, em Masvingo, uma localidade rural do sudeste do Zimb&aacute;bue. 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