{"id":2172,"date":"2006-10-09T00:00:00","date_gmt":"2006-10-09T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2172"},"modified":"2006-10-09T00:00:00","modified_gmt":"2006-10-09T00:00:00","slug":"energia-portugal-a-eletricidade-chega-do-mar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/economia\/energia-portugal-a-eletricidade-chega-do-mar\/","title":{"rendered":"Energia-Portugal: A eletricidade chega do mar"},"content":{"rendered":"<p>Lisboa, 09\/10\/2006 &ndash; As casas de 1,5 mil fam&iacute;lias do Norte de Portugal ser&atilde;o iluminados pelas ondas do Atl&acirc;ntico. <!--more--> Os primeiros 2,25 megawatts de energia el&eacute;trica produzidos pela for&ccedil;a do oceano chegar&atilde;o a partir de outubro em Agu&ccedil;adoura, na costa setentrional do pa&iacute;s. A energia chegar&aacute; por meio de um cabo submarino que entrar&aacute; diretamente na rede nacional de distribui&ccedil;&atilde;o da estatal Eletricidade de Portugal (EDP). &Eacute; uma quantidade modesta, mas &eacute; a etapa inaugural da \u201cprimeira central energ&eacute;tica do mundo a usar as ondas como fonte de energia renov&aacute;vel\u201d, explicou &agrave; IPS o engenheiro Rui Barros, diretor e respons&aacute;vel do setor de novas atividades da Enersis, a firma ib&eacute;rica l&iacute;der no setor de energia renov&aacute;veis, com vasta experi&ecirc;ncia no uso de fontes hidr&aacute;ulicas, fotovoltaicas, e&oacute;licas geot&eacute;rmicas e de biomassa.<\/p>\n<p>Ap&oacute;s dez anos de &aacute;rdua pesquisa, que contou com apoio financeiro da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia e a experi&ecirc;ncia de duas d&eacute;cadas de estudos feitos pelo Instituto Superior T&eacute;cnico de Lisboa, a \u201cexecu&ccedil;&atilde;o deste projeto iniciado em 2003 agora &eacute; uma vanguarda em n&iacute;vel mundial\u201d, disse o executivo. Barros se mostra convencido de que, \u201cde todas as energias renov&aacute;veis, talvez, a gerada pelas ondas seja a &uacute;nica em que Portugal possa ter um futuro, desde que saiba antecipar-se aos pa&iacute;ses concorrentes no que atualmente &eacute; uma verdadeira guerra tecnol&oacute;gica\u201d. Seguir adiante no desenvolvimento deste setor \u201c&eacute; um dos objetivos da Enersis nos pr&oacute;ximos anos, e n&atilde;o somente no mercado nacional\u201d, disse o engenheiro.<\/p>\n<p>As estimativas da Secretaria de Estado de Ind&uacute;stria e Inova&ccedil;&atilde;o de Portugal, mostram que a produ&ccedil;&atilde;o de energia a partir das ondas oce&acirc;nicas pode adquirir nos pr&oacute;ximos 40 anos um valor correspondente a 30% do atual produto interno bruto, de 130,033 bilh&otilde;es de euros (US$ 166,450 bilh&otilde;es). Estas previs&otilde;es coincidem com as divulgadas em agosto por Antonio Sarmento, diretor do Centro de Energia das Ondas, de que Portugal poderia conquistar uma cota de 10% do mercado mundial dessa tecnologia e dos equipamentos para a constru&ccedil;&atilde;o deste tipo de central, calculada em cerca de US$ 385 bilh&otilde;es.<\/p>\n<p>O projeto de Agu&ccedil;adoura come&ccedil;ou durante a &uacute;ltima primavera boreal, com o an&uacute;ncio de uma primeira fase da produ&ccedil;&atilde;o comercial do uso das ondas do oceano como fonte renov&aacute;vel, uma data que coincide com o come&ccedil;o das atividades da Empresa Nacional de Eletricidade (Enel) italiana, que tamb&eacute;m passou a usar o mar para captar energia. Mas enquanto os portugueses aproveitam as ondas do Oceano Atl&acirc;ntico, mais altas e potentes do que as do Mar Mediterr&acirc;neo, o projeto italiano capta a energia das fortes correntes marinhas do Estreito de Messina, que separa a ilha de Sic&iacute;lia do resto da pen&iacute;nsula dos Apeninos.<\/p>\n<p>Por encomenda da Enersis, a central energ&eacute;tica portuguesa foi projetada e constru&iacute;da a oito quil&ocirc;metros da costa de Agu&ccedil;adoura pela Ocean Power Delivery (OPD), porque, segundo explicou Barros, essa empresa escocesa \u201copera desde 1997 neste mercado, onde alcan&ccedil;ou um n&iacute;vel de know-how sem rivais no mundo\u201d. A primeira fase de montagem das estruturas aconteceu nos estaleiros navais portugueses de Peniche, 120 quil&ocirc;metros ao norte de Lisboa, onde foram constru&iacute;dos dois enormes tubos, chamados de \u201cPelamos\u201d, com 142 metros de comprimento por 3,5 metros de di&acirc;metro. Esses cilindros foram colocados a oito quil&ocirc;metros do litoral para captar a energia das ondas, que depois segue para terra firme por meio de cabos submarinos.<\/p>\n<p>As estruturas tubulares flutuam e balan&ccedil;am semi-submersas, divididas em tr&ecirc;s se&ccedil;&otilde;es e unidas entre si por dois an&eacute;is com juntas com buracos de entrada, em um conjunto chamado m&oacute;dulo de convers&atilde;o energ&eacute;tica. No interior deste m&oacute;dulo existe um sistema de bombas hidr&aacute;ulicas de alta press&atilde;o, que s&atilde;o ativadas pelo movimento transmitido pelas ondas &agrave; estrutura tubular. Est&aacute; a&ccedil;&atilde;o do sistema hidr&aacute;ulico faz movimentar os tr&ecirc;s geradores, que, em plena atividade, produzem 750 quilowatts de energia el&eacute;trica que, numa primeira fase, &eacute; acumulada e em seguida enviada pelos cabos submarinos at&eacute; a costa, onde entra na rede da EDP.<\/p>\n<p>As ondas fazem os \u201cpelamos\u201d balan&ccedil;arem, levando &agrave; uma varia&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua do &acirc;ngulo de abertura das juntas dos an&eacute;is, e seu movimento &eacute; usado pelos geradores para converter a energia cin&eacute;tica em eletricidade. Os argumentos a favor do desenvolvimento deste tipo de energia tipo de energia revelam v&aacute;rias vantagens adicionais ao sofisticado desenvolvimento tecnol&oacute;gico de Portugal neste setor, derivadas da situa&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica do pa&iacute;s. As intensas ondas do Atl&acirc;ntico e a possibilidade de prever a for&ccedil;a e o tamanho das ondas com at&eacute; seis dias de antecipa&ccedil;&atilde;o fazem com que seja pouco complicado programar os n&iacute;veis de produ&ccedil;&atilde;o de energia. Essa &eacute; a maior vantagem apontada pelos defensores do desenvolvimento desta fonte alternativa.<\/p>\n<p>Especialistas em fontes renov&aacute;veis calculam que, devido a estas caracter&iacute;sticas, uma central energ&eacute;tica de ondas mar&iacute;timas em Portugal pode produzir uma quantidade de eletricidade tr&ecirc;s vezes maior do que a de um parque e&oacute;lico equivalente em investimento. Apesar de ser um pa&iacute;s com abund&acirc;ncia de sol e vento, as energias solar e e&oacute;lica eram usadas em n&iacute;veis muito modestos, de 1,6 megawatts (unidade de pot&ecirc;ncia equivalente a um milh&atilde;o de watts) usados quase que exclusivamente na produ&ccedil;&atilde;o de eletricidade para consumo dom&eacute;stico e de pequenas empresas. Mas em abril de 2004, Portugal deu os primeiros passos no sentido de mudar radicalmente a situa&ccedil;&atilde;o, iniciando a constru&ccedil;&atilde;o de cem hectares de pain&eacute;is solares com capacidade de produzir 64 megawatts.<\/p>\n<p>Ao converter raios solares em 64 milh&otilde;es de watts, o projeto portugu&ecirc;s ter&aacute; uma dimens&atilde;o 12 vezes superior &agrave; maior central solar existente no mundo, localizada na Alemanha e que produz cinco megawatts. Em energia e&oacute;lica, at&eacute; 2004 Portugal estava entre os &uacute;ltimos pa&iacute;ses da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia, com produ&ccedil;&atilde;o quase simb&oacute;lica. Mas entre 2004 e 2006 foram constru&iacute;dos v&aacute;rios parques e&oacute;licos em seu territ&oacute;rio, com dez milh&otilde;es de habitantes. Atualmente, produz 500 megawatts, colocando-se em terceiro lugar, atr&aacute;s de Alemanha com 1.808 megawatts e Espanha com 1.764 megawatts. Mas superando a It&aacute;lia, que produz 452 megawatts.<\/p>\n<p>Ap&oacute;s a decis&atilde;o de colocar os pain&eacute;is solares h&aacute; dois anos e o not&oacute;rio incremento dos parques e&oacute;licos, agora surge como parte de uma nova pol&iacute;tica energ&eacute;tica o projeto-piloto desta primeira central oce&acirc;nica. \u201cSe o governo n&atilde;o atrasar as licen&ccedil;as, prevemos continuar com a instala&ccedil;&atilde;o de outras 28 estruturas tubulares no prazo de um ano, para, assim, chegar &agrave; pot&ecirc;ncia de 22,5 megawatts\u201d, explica Barros. Para completar o projeto com as demais centrais, estima-se que ser&aacute; necess&aacute;rio investimento entre US$ 90 milh&otilde;es e US$ 98 milh&otilde;es, 15% dos quais oriundos de fundos p&uacute;blicos e o restante obtido atrav&eacute;s de financiamentos banc&aacute;rios e pela sociedade estabelecida entre a brit&acirc;nica OPD e a portuguesa Enersis.<\/p>\n<p>Cumprida essa meta, ser&aacute; poss&iacute;vel atender o consumo de 15 mil fam&iacute;lias, com uma conseq&uuml;ente \u201ceconomia de emiss&otilde;es de di&oacute;xido de carbono na atmosfera equivalentes a 60 mil toneladas por ano\u201d, revelou o engenheiro. Para este tipo de energia, a autoridade portuguesa do setor estabeleceu que a EDP apoiar&aacute; os produtores da Enersis como compensa&ccedil;&atilde;o pelos esfor&ccedil;os financeiros dedicados a um investimento considerado de alto risco, porque, segundo Barros, \u201cat&eacute; agora nunca ningu&eacute;m conseguiu vender energia produzida pelas ondas\u201d. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lisboa, 09\/10\/2006 &ndash; As casas de 1,5 mil fam&iacute;lias do Norte de Portugal ser&atilde;o iluminados pelas ondas do Atl&acirc;ntico. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/economia\/energia-portugal-a-eletricidade-chega-do-mar\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":256,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5,10],"tags":[18],"class_list":["post-2172","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-economia","category-energia","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2172","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/256"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2172"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2172\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2172"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2172"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2172"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}