{"id":21771,"date":"2017-05-09T13:42:39","date_gmt":"2017-05-09T13:42:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=220864"},"modified":"2017-05-09T13:42:39","modified_gmt":"2017-05-09T13:42:39","slug":"as-verdadeiras-origens-da-uniao-europeia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2017\/05\/ultimas-noticias\/as-verdadeiras-origens-da-uniao-europeia\/","title":{"rendered":"As verdadeiras origens da Uni\u00e3o Europeia"},"content":{"rendered":"<p><strong><em><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/17.png\"><img class=\"alignleft wp-image-219288 size-thumbnail\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/17-150x150.png\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" srcset=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/17-150x150.png 150w, http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/17-300x300.png 300w, http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/17.png 466w\" sizes=\"(max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><\/a>Por\u00a0<\/em><em>Joaqu\u00edn Roy*, especial para a IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>MIAMI, maio 2017 (IPS)\u00a0<\/strong>\u2013 Algumas semanas atr\u00e1s (25 de mar\u00e7o) celebrou-se o tratado de Roma (1957). Foram comemorados ent\u00e3o sessenta anos de vida do que foi conhecido como a Comunidade Econ\u00f3mica Europeia (CEE). Uma esp\u00e9cie de parto duplo que deu vida a Comunidade Europeia de Energia At\u00f3mica (Euroatom).<\/p>\n<p>A CEE foi referida como o \u201cMercado Comum\u201d devido \u00e0 sua regulamenta\u00e7\u00e3o com base no sistema econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, em cada anivers\u00e1rio da CEE me surge um incomodo porque esquecemos que o nascimento de uma Europa unida volta atr\u00e1s com o andamento da Comunidade Europeia de Carv\u00e3o e A\u00e7o (CECA).<\/p>\n<p>Juridicamente se consolidou com o Tratado de Paris em 1952, mas foi anunciada no dia 9 de maio de 1950, pela Declara\u00e7\u00e3o Schuman, proclamada tamb\u00e9m na capital francesa.<\/p>\n<p>Robert Schuman, ministro de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores da Fran\u00e7a, basicamente se dedicou a ler o roteiro preparado pelo verdadeiro \u201cpai da Europa\u201d, Jean Monnet.<\/p>\n<p>O herdeiro de um neg\u00f3cio de bebidas, foi enviado pelo seu pai para percorrer o mundo e expandir sua empresa, foi l\u00e1 que ele refletiu durante anos sobre o fracasso das tentativas anteriores de alcan\u00e7ar a paz na Europa e conseguir a colabora\u00e7\u00e3o dos governos.<\/p>\n<p>O desastre da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), que quase destruiu a civiliza\u00e7\u00e3o europeia, convenceu aos sobreviventes que deviam procurar outra alternativa. As grandes coalis\u00f5es n\u00e3o podiam acontecer novamente nem os esquemas intergovernamentais tais como a Sociedade das Na\u00e7\u00f5es, onde Monet j\u00e1 tinha cuidado do subsecretariado no passado.<\/p>\n<p>Era preciso encontrar outros caminhos mais pr\u00e1ticos e eficazes, ao inv\u00e9s de tentar abordar todas as dimens\u00f5es da fun\u00e7\u00e3o governamental. Monnet experimentou com a sele\u00e7\u00e3o de poucas atividades que foram cruciais para a coopera\u00e7\u00e3o. Ao mesmo tempo deviam conseguir moldar o poder dos Estados, culpados pela destrui\u00e7\u00e3o m\u00fatua.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar era preciso reconhecer a culpa e a necessidade de reconcilia\u00e7\u00e3o. Monnet observou que alguns dos l\u00edderes dos pa\u00edses eram aliados a Democracia Crist\u00e3. O pr\u00f3prio Robert Schuman compartilhava esta ideologia com Konrad Adenauer na Alemanha e com Alcide de Gasperi na It\u00e1lia.<\/p>\n<p>Foram selecionados dois setores estrat\u00e9gicos, carv\u00e3o e a\u00e7o. Produtos necess\u00e1rios para a constru\u00e7\u00e3o de armas, ve\u00edculos que favoreceram o suic\u00eddio dos contendores em v\u00e1rias guerras europeias. A proposta era que as ind\u00fastrias se tornassem propriedade comum e que seu uso e comercializa\u00e7\u00e3o fossem controlados n\u00e3o pelos governos e sim por entidades inovadoras.<\/p>\n<p>Monnet, que n\u00e3o era um intelectual, era guiado por pensamentos do filosofo su\u00ed\u00e7o Henry-Fr\u00e9deric Amiel. Segundo os ensinamentos de um dos seus livros, que seria a leitura predileta de Monnet, a aten\u00e7\u00e3o principal era o papel das institui\u00e7\u00f5es. Amiel considerava imprescind\u00edvel o protagonismo, pois era base para a civiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tudo era poss\u00edvel em fun\u00e7\u00e3o do trabalho dos homens, mas nada podia ser duradouro sem as institui\u00e7\u00f5es. Mas as institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o poderiam ter a fragilidade das que dominaram tragicamente o cen\u00e1rio europeu da primeira guerra franco-prussiana, n\u00e3o poderiam ser protegidas pela omnipot\u00eancia pol\u00edtica e sim reconhecidas pelas suas qualidades.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, as institui\u00e7\u00f5es devem ser independentes, livres dos ligames estatais. Em segundo lugar, devem ter um pressuposto para exercer de forma eficaz suas fun\u00e7\u00f5es. As institui\u00e7\u00f5es que n\u00e3o forem independentes e sem meios seriam simplesmente burocracias est\u00e9reis.<\/p>\n<p>Assim nasceu a ideia de que por meio da localiza\u00e7\u00e3o as ind\u00fastrias de carv\u00e3o e a\u00e7o, sob sistemas de produ\u00e7\u00e3o e administra\u00e7\u00e3o comuns das institui\u00e7\u00f5es, conseguiriam o milagre de garantir que a guerra fosse impens\u00e1vel e al\u00e9m disso materialmente imposs\u00edvel (definem as palavras explicadas na Declara\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>Monnet e Schuman conseguiram dominar o panorama durante um tempo devido ao papel da institui\u00e7\u00e3o central, chamada de \u201cAlta Autoridade\u201d que logo se transformou na Comiss\u00e3o Europeia, bra\u00e7o executivo da Uni\u00e3o Europeia (EU).<\/p>\n<p>Monnet recomendou a continuidade do m\u00e9todo setorial e a explora\u00e7\u00e3o da Energia At\u00f4mica, mas n\u00e3o alcan\u00e7ou os planos mais ambiciosos e complexos como a amplia\u00e7\u00e3o horizontal de toda a produ\u00e7\u00e3o e o nascimento do Mercado Comum.\u00a0 Isso com base na livre circula\u00e7\u00e3o de bens e tamb\u00e9m de capitais, servi\u00e7os e pessoas.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da Uni\u00e3o Europeia \u00e9 uma sucess\u00e3o de tentativas globais e da persist\u00eancia nos setores concretos (euro ou liberdade de movimenta\u00e7\u00e3o do Acordo de Schengen). Em todo momento \u00e9 preciso lembrar da d\u00edvida de Jean Monnet e Schuman.<\/p>\n<p><strong><em>*Joaquim Roy \u00e9 catedr\u00e1tico Jean Monnet e Diretor do Centro da Uni\u00e3o Europeia da Universidade de Miami jroy@miami.edu<\/em><\/strong><\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/verdadeiras-origens-da-uniao-europeia\/\">As verdadeiras origens da Uni\u00e3o Europeia<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/\">Envolverde - Revista Digital<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Joaqu&iacute;n Roy*, especial para a IPS &ndash;&nbsp; MIAMI, maio 2017 (IPS)&nbsp;&ndash; Algumas semanas atr&aacute;s (25 de mar&ccedil;o) celebrou-se o tratado de Roma (1957). Foram comemorados ent&atilde;o sessenta anos de vida do que foi conhecido como a Comunidade Econ&oacute;mica Europeia (CEE). Uma esp&eacute;cie de parto duplo que deu vida a Comunidade Europeia de Energia At&oacute;mica (Euroatom). A CEE foi referida como o &ldquo;Mercado Comum&rdquo; devido &agrave; sua regulamenta&ccedil;&atilde;o com base no sistema econ&ocirc;mico. Por&eacute;m, em cada anivers&aacute;rio da CEE me surge um incomodo porque esquecemos que o nascimento de uma Europa unida volta atr&aacute;s com o andamento da Comunidade Europeia de Carv&atilde;o e A&ccedil;o (CECA). Juridicamente se consolidou com o Tratado de Paris em 1952, mas foi anunciada no dia 9 de maio de 1950, pela Declara&ccedil;&atilde;o Schuman, proclamada tamb&eacute;m na capital francesa. Robert Schuman, ministro de Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores da Fran&ccedil;a, basicamente se dedicou a ler o roteiro preparado pelo verdadeiro &ldquo;pai da Europa&rdquo;, Jean Monnet. 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Ao mesmo tempo deviam conseguir moldar o poder dos Estados, culpados pela destrui&ccedil;&atilde;o m&uacute;tua. Em primeiro lugar era preciso reconhecer a culpa e a necessidade de reconcilia&ccedil;&atilde;o. Monnet observou que alguns dos l&iacute;deres dos pa&iacute;ses eram aliados a Democracia Crist&atilde;. O pr&oacute;prio Robert Schuman compartilhava esta ideologia com Konrad Adenauer na Alemanha e com Alcide de Gasperi na It&aacute;lia. Foram selecionados dois setores estrat&eacute;gicos, carv&atilde;o e a&ccedil;o. Produtos necess&aacute;rios para a constru&ccedil;&atilde;o de armas, ve&iacute;culos que favoreceram o suic&iacute;dio dos contendores em v&aacute;rias guerras europeias. A proposta era que as ind&uacute;strias se tornassem propriedade comum e que seu uso e comercializa&ccedil;&atilde;o fossem controlados n&atilde;o pelos governos e sim por entidades inovadoras. Monnet, que n&atilde;o era um intelectual, era guiado por pensamentos do filosofo su&iacute;&ccedil;o Henry-Fr&eacute;deric Amiel. Segundo os ensinamentos de um dos seus livros, que seria a leitura predileta de Monnet, a aten&ccedil;&atilde;o principal era o papel das institui&ccedil;&otilde;es. Amiel considerava imprescind&iacute;vel o protagonismo, pois era base para a civiliza&ccedil;&atilde;o. Tudo era poss&iacute;vel em fun&ccedil;&atilde;o do trabalho dos homens, mas nada podia ser duradouro sem as institui&ccedil;&otilde;es. Mas as institui&ccedil;&otilde;es n&atilde;o poderiam ter a fragilidade das que dominaram tragicamente o cen&aacute;rio europeu da primeira guerra franco-prussiana, n&atilde;o poderiam ser protegidas pela omnipot&ecirc;ncia pol&iacute;tica e sim reconhecidas pelas suas qualidades. 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