{"id":2181,"date":"2006-10-09T00:00:00","date_gmt":"2006-10-09T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2181"},"modified":"2006-10-09T00:00:00","modified_gmt":"2006-10-09T00:00:00","slug":"amrica-latina-novo-populismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/america-latina\/amrica-latina-novo-populismo\/","title":{"rendered":"Am&eacute;rica Latina: Novo populismo"},"content":{"rendered":"<p>Buenos Aires, 09\/10\/2006 &ndash; Governo de diferentes tend&ecirc;ncias ideol&oacute;gicas da Am&eacute;rica Latina apelam cada vez com maior freq&uuml;&ecirc;ncia para instrumentos de uma nova forma de populismo que trava o desenvolvimento ou a democracia, afirma um estudo apresentado sexta-feira na capital argentina pela Funda&ccedil;&atilde;o Konrad Adenauer, ligada &agrave; Democracia-Crist&atilde; da Alemanha. <!--more--> A advert&ecirc;ncia sobre o risco de um \u201cneopopulismo\u201d &eacute; a conclus&atilde;o central da pesquisa realizada em 18 pa&iacute;ses da regi&atilde;o pela consultoria Polilat para o \u201c&Iacute;ndice de Desenvolvimento Democr&aacute;tico da Am&eacute;rica Latina-2006\u201d, divulgado simultaneamente em Buenos Aires e Berlim.<\/p>\n<p>Os pesquisadores definem o novo populismo latino-americano como um modelo baseado em uma forte lideran&ccedil;a personalista, que sup&otilde;e ser poss&iacute;vel uma democracia sem partidos, e que avassala ou vulnerabiliza capacidades democr&aacute;ticas das institui&ccedil;&otilde;es ou dos cidad&atilde;os colocando um pressuposto interesse superior. \u201c Mesmo quando se fala de neopopulismo e pensamos num primeiro momento no presidente Hugo Ch&aacute;vez, nenhum dos governos que analisamos na regi&atilde;o escapa deste risco, pois todos apelam para instrumentos deste tipo\u201d, disse o diretor da equipe de pesquisa, Jorge Arias.<\/p>\n<p>O &iacute;ndice anual &eacute; feito desde 2002 e permite medir o desenvolvimento democr&aacute;tico na Am&eacute;rica Latina. Os pesquisadores analisam um conjunto de vari&aacute;veis e elaboram um ranking. Assim, fica vis&iacute;vel que o desempenho da democracia melhorou na regi&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o a 2005, mas somente 17% se destaca, por seu \u201calto desenvolvimento democr&aacute;tico\u201d. Essa lista &eacute; encabe&ccedil;ada por Chile, Costa Rica e Uruguai, nessa ordem. Depois aparecem Panam&aacute;, M&eacute;xico e Argentina, que marca o fim do conjunto de pa&iacute;ses cujo desempenho est&aacute; acima da m&eacute;dia, que &eacute; de cinco pontos em uma escala de zero a dez.<\/p>\n<p>Em seguida, em desempenho, aparecem El Salvador, Brasil, Honduras, Rep&uacute;blica Dominicana, Col&ocirc;mbia, Paraguai, Guatemala, Peru, Nicar&aacute;gua, Venezuela, Bol&iacute;via e, por &uacute;ltimo, Equador. Os &uacute;nicos com \u201calto desenvolvimento democr&aacute;tico\u201d s&atilde;o os tr&ecirc;s primeiros, que t&ecirc;m mais de 7,5 pontos. Panam&aacute;, M&eacute;xico, Argentina e El Salvador apresentam desenvolvimento \u201cm&eacute;dio\u201d, e o restante, do Brasil em diante, t&ecirc;m um \u201cbaixo desenvolvimento\u201d apesar dos avan&ccedil;os importantes conseguidos por alguns destes pa&iacute;ses, como Guatemala e Col&ocirc;mbia.<\/p>\n<p>Para elaborar a pontua&ccedil;&atilde;o, os pesquisadores medem quatro dimens&otilde;es do desenvolvimento democr&aacute;tico. Em primeiro lugar condi&ccedil;&otilde;es b&aacute;sicas, como elei&ccedil;&otilde;es livres, peri&oacute;dicas e sem restri&ccedil;&otilde;es; depois, respeito aos direitos pol&iacute;ticos e &agrave;s liberdades civis, e, em terceiro, a qualidade institucional e a efici&ecirc;ncia pol&iacute;tica. Por fim, observam a capacidade dos governos para gerar pol&iacute;ticas que gerem bem-estar social (resultados em sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o, pobreza, desemprego) e a capacidade para criar pol&iacute;ticas que assegurem a efici&ecirc;ncia econ&ocirc;mica (produto bruto por pessoa, diferen&ccedil;a de renda, endividamento e investimento).<\/p>\n<p>Na apresenta&ccedil;&atilde;o de sexta-feira, Arias explicou que dentro dessas dimens&otilde;es s&atilde;o medidos assuntos diversos, como absten&ccedil;&atilde;o na hora de votar, participa&ccedil;&atilde;o das mulheres na pol&iacute;tica ou os condicionamentos &agrave; liberdade e aos direitos causados por uma crescente inseguran&ccedil;a. \u201cClaramente, a inseguran&ccedil;a se transformou em problema de dimens&atilde;o regional que limita a liberdade dos cidad&atilde;os, e o Estado n&atilde;o parece ter resposta\u201d, disse o diretor da equipe de pesquisadores.<\/p>\n<p>A respeito dos fatores de desestabiliza&ccedil;&atilde;o, mencionou n&atilde;o somente os grupos armados irregulares, como os que combatem na guerra civil da col&ocirc;mbia, mas tamb&eacute;m movimentos sociais que n&atilde;o se sentem atendidos pelo sistema e limitam liberdades. Com exemplo destes &uacute;ltimos apontou o Movimento dos Sem-Terra o Brasil, bem como organiza&ccedil;&otilde;es ind&iacute;genas do Equador e da de desempregados da Argentina, conhecidos como piqueteiros por causa do tipo de protesto que fazem bloqueando ruas. \u201cReclamam seus direitos sem respeitar a democracia\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Segundo o informe, na Am&eacute;rica Latina h&aacute; problemas em todas as dimens&otilde;es analisadas e, mesmo quando existe uma tend&ecirc;ncia a importar institui&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas dos pa&iacute;ses mais avan&ccedil;ados a mudan&ccedil;a nem sempre &eacute; garantia de efici&ecirc;ncia ou cumprimento de seus objetivos. \u201cUm hist&oacute;rico d&eacute;ficit na constru&ccedil;&atilde;o da cidadania e um d&eacute;ficit institucional s&eacute;rio, produto do comportamento dos l&iacute;deres pol&iacute;ticos na regi&atilde;o, continuam sendo as principais debilidades de nossas democracias\u201d, resumiu Arias.<\/p>\n<p>O estudo acrescenta que os excepcionais excedentes econ&ocirc;micos produto do forte crescimento dos pre&ccedil;os das mat&eacute;rias-primas latino-americanas, como petr&oacute;leo, cobre, soja ou banana, enchem os cofres p&uacute;blicos e permitem a l&iacute;deres pol&iacute;ticos \u201cestender redes de clientela\u201d e \u201caprofundar a brecha no tocante &agrave; renda\u201d. Com \u201cum bom caixa, os presidentes se encontram em uma conjuntura favor&aacute;vel para avan&ccedil;ar em projetos pol&iacute;ticos hegem&ocirc;nicos e, assim, v&atilde;o se acentuando alguns sistemas bastante parecidos com regimes militares\u201d, alertou Arias. A pergunta &eacute; \u2013 segundo Arias \u2013 se \u201cexiste na regi&atilde;o uma elite pol&iacute;tica mais afeita ao totalitarismo do que &agrave; democracia\u201d.<\/p>\n<p>A IPS consultou os autores do trabalho sobre o bom desempenho do Chile no informe, apesar de ser um dos pa&iacute;ses da regi&atilde;o com maior desigualdade e tamb&eacute;m porque ainda n&atilde;o acabou com as reformas pol&iacute;ticas introduzidas pelo ex-ditador Augusto Pinochet (1973-1990) nem o condenou por seus crimes. \u201cO Chile conseguiu um desenvolvimento democr&aacute;tico, em harmonia entre seu governo e seus cidad&atilde;os, e isto se mant&eacute;m no tempo, al&eacute;m do fato de o general Pinochet ainda estar livre\u201d, explicou Arias. \u201cColocando o passado sob um guarda-chuva, pode-se dizer que o Chile consegue um funcionamento harm&ocirc;nico\u201d, conclui. Sobre a desigualdade que persiste, a coordenadora da pesquisa, Fabiana Cianfanelli, explicou &agrave; IPS que esse indicador negativo no Chile fica neutralizado em um contexto regional no qual &eacute; quase \u201cnatural\u201d a brecha entre rendas. \u201cSe o compar&aacute;ssemos com um pa&iacute;s europeu, o modelo chileno faria &aacute;gua\u201d, afirmou. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Buenos Aires, 09\/10\/2006 &ndash; Governo de diferentes tend&ecirc;ncias ideol&oacute;gicas da Am&eacute;rica Latina apelam cada vez com maior freq&uuml;&ecirc;ncia para instrumentos de uma nova forma de populismo que trava o desenvolvimento ou a democracia, afirma um estudo apresentado sexta-feira na capital argentina pela Funda&ccedil;&atilde;o Konrad Adenauer, ligada &agrave; Democracia-Crist&atilde; da Alemanha. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/america-latina\/amrica-latina-novo-populismo\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":129,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12,11],"tags":[],"class_list":["post-2181","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2181","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/129"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2181"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2181\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2181"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2181"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2181"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}