{"id":2191,"date":"2006-10-09T00:00:00","date_gmt":"2006-10-09T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2191"},"modified":"2006-10-09T00:00:00","modified_gmt":"2006-10-09T00:00:00","slug":"amrica-latina-agricultura-familiar-persistente-e-frgil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/america-latina\/amrica-latina-agricultura-familiar-persistente-e-frgil\/","title":{"rendered":"Am&eacute;rica Latina: Agricultura familiar persistente e fr&aacute;gil"},"content":{"rendered":"<p>Santiago, 09\/10\/2006 &ndash; A agricultura familiar n&atilde;o est&aacute; desaparecendo na Am&eacute;rica Latina, mas est&aacute; mais vulner&aacute;vel e exige dos governos pol&iacute;ticas para sua inclus&atilde;o econ&ocirc;mica e social, afirmaram especialistas e agricultores durante semin&aacute;rio organizado pela Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Alimenta&ccedil;&atilde;o e a Agricultura (FAO) na capital chilena. <!--more--> A renda gerada pelos agricultores que trabalham por conta pr&oacute;pria se deteriorara ostensivamente entre 1990 e 2003 na maioria dos pa&iacute;ses da regi&atilde;o, com exce&ccedil;&atilde;o do Chile, que apresentou leve progresso, afirmou Martine Dirven, especialista da Comiss&atilde;o Econ&ocirc;mica para a Am&eacute;rica Latina e o Caribe (Cepal).<\/p>\n<p>Dirven, chefe de Desenvolvimento Agr&iacute;cola da Cepal, foi uma das principais expositoras do semin&aacute;rio internacional \u201cDesafios para enfrentar o presente e o futuro da agricultura familiar camponesa\u201d, organizado pelo Escrit&oacute;rio Regional da FAO e patrocinada pelo Grupo Interag&ecirc;ncias de Desenvolvimento Rural, que termina hoje. \u201cNo Chile, em m&eacute;dia, um agricultor por contra pr&oacute;pria ganha, mais ou menos cinco vezes acima da linha de pobreza, enquanto em outros pa&iacute;ses muitos est&atilde;o em torno da linha de pobreza\u201d, disse &agrave; IPS.<\/p>\n<p>Apesar de n&atilde;o existir no mundo consenso sobre a defini&ccedil;&atilde;o de agricultura familiar camponesa, predomina o enfoque do Banco Mundial, que em 2003 determinou que se tratava de pequenas explora&ccedil;&otilde;es de menos de dois hectares cultivados e escassa base de ativos. A Cepal acrescenta a este conceito a exist&ecirc;ncia de trabalho por conta pr&oacute;pria e de familiares n&atilde;o remunerados. No plano mundial, h&aacute; 525 milh&otilde;es de explora&ccedil;&otilde;es agr&iacute;colas, 85% correspondendo a terrenos com menos de dois hectares. Na Am&eacute;rica Latina, a agricultura familiar camponesa representa, em m&eacute;dia, 63% do total das explora&ccedil;&otilde;es agr&iacute;colas. No Equador, 91% das 843 mil propriedades agropecu&aacute;rias correspondem a este setor, e no peru chega a 80% de um total de 1,6 milh&atilde;o.<\/p>\n<p>\u201cA agricultura familiar camponesa n&atilde;o est&aacute; desaparecendo, mas muitos jovens est&atilde;o migrando para as cidades. Temos uma agricultura por conta pr&oacute;pria envelhecida, o que tamb&eacute;m ocorre no Chile\u201d, afirmou Dirven. Este cen&aacute;rio obriga os pa&iacute;ses a trabalharem diretamente com os produtores e suas organiza&ccedil;&otilde;es. A especialista sugere incentivar os \u201cfilhos, netos e sobrinhos\u201d dos agricultores a continuarem trabalhando, evitando que \u201ca propriedade seja abandonada ou herdada aos 60 anos, especialmente se queremos ver um desenvolvimento din&acirc;mico da agricultura familiar e uma manuten&ccedil;&atilde;o dos valores do campo\u201d.<\/p>\n<p>Rigoberto Turra, representante da Corpora&ccedil;&atilde;o Movimento Unit&aacute;rio Campon&ecirc;s e Etnias do Chile (Muchech), disse em sua apresenta&ccedil;&atilde;o que em um congresso internacional realizado por organiza&ccedil;&otilde;es camponesas e ind&iacute;genas h&aacute; um m&ecirc;s chegou-se &agrave; conclus&atilde;o de que os &uacute;nicos pa&iacute;ses que desenvolvem pol&iacute;ticas para este setor s&atilde;o Brasil e Chile. Por&eacute;m, Turra criticou o impacto que tem nos pequenos produtores agr&iacute;colas os Tratados de Livre Com&eacute;rcio (TLC) assinados at&eacute; agora pelo Chile, e lembrou que n&atilde;o tem sido f&aacute;cil para eles \u201cenfrentar a globaliza&ccedil;&atilde;o dos mercados. &Eacute; necess&aacute;rio um novo tratamento, uma pol&iacute;tica diferenciada\u2019, que ative \u201co potencial econ&ocirc;mico, social, cultural e territorial desse setor t&atilde;o relevante para o desenvolvimento do pa&iacute;s\u201d, afirmou o representante do Mucech.<\/p>\n<p>\u201cHoje &eacute; muito mais dif&iacute;cil fazer pol&iacute;ticas diferenciadas, programas de subs&iacute;dios credit&iacute;cios e de apoio ou assist&ecirc;ncia t&eacute;cnica, porque os pequenos camponeses j&aacute; n&atilde;o requerem acesso a sementes ou fertilizantes, mas a computadores, Internet. A demanda se tornou mais complexa e muito mais distante das capacidades dos Estados nacionais\u201d, disse &agrave; IPS Jose Graziano da Silva, representante regional da FAO. O semin&aacute;rio centrou sua aten&ccedil;&atilde;o no caso chileno, j&aacute; que a Pol&iacute;tica Agroalimentar e Florestal do Chile at&eacute; 2010 contempla \u201capoiar decididamente um desenvolvimento inclusive da agricultura familiar camponesa e sua articula&ccedil;&atilde;o produtiva e de gest&atilde;o com as cadeias agro-exportadoras e os mercados nacionais\u201d.<\/p>\n<p>Entretanto, a &ecirc;nfase n&atilde;o est&aacute; somente no contexto econ&ocirc;mico e produtivo, mas tamb&eacute;m no desenvolvimento social e cultura deste setor, pensando na preserva&ccedil;&atilde;o da identidade nacional. O ministro da Agricultura do Chile, &Aacute;lvaro Rojas, recordou em sua apresenta&ccedil;&atilde;o que a presidente Michelle Bachelet divulgou em agosto o Programa de Desenvolvimento para a Competitividade da Agricultura Familiar Camponesa 2006-2010. Os eixos desta iniciativa s&atilde;o melhoria na articula&ccedil;&atilde;o dos mercados, alian&ccedil;as estrat&eacute;gicas e encadeamentos produtivos, qualidade e diferencia&ccedil;&atilde;o de produtos e servi&ccedil;os camponeses, e renova&ccedil;&atilde;o, aperfei&ccedil;oamento e especializa&ccedil;&atilde;o de compet&ecirc;ncias e habilidades.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, se contempla uma nova plataforma de financiamento (reprograma&ccedil;&atilde;o de d&iacute;vidas), empreendimento e inova&ccedil;&atilde;o em grupos e territ&oacute;rios especiais; melhoria da base de recursos produtivos e moderniza&ccedil;&atilde;o institucional e simplifica&ccedil;&atilde;o de procedimentos. \u201cAs medidas tomadas pelo governo de Bachelet podem ser um bom modelo para os demais pa&iacute;ses\u201d, disse &agrave; IPS Marta Mauras, secret&aacute;ria da Cepal. O principal problema da agricultura familiar chilena &eacute; o endividamento, o que se resolver&aacute; com medidas anunciadas pela presidente, disse Rojas &agrave; IPS. Tanto no Chile quanto nos demais pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina, os custos de transa&ccedil;&atilde;o s&atilde;o uma das maiores dificuldades dos pequenos agricultores.<\/p>\n<p>\u201cO que cabe agora &eacute; fazer um plano em cada regi&atilde;o do pa&iacute;s para ir somando novos agricultores aos encadeamentos produtivos regionais (milho, leite, carne, vinhos) e progressivamente ir somando sua capacidade produtiva ao que &eacute; a estrat&eacute;gia nacional\u201d, afirmou Rojas. Al&eacute;m disso, o ministro disse &agrave; IPS que Bachelet anunciar&aacute; nesta quarta-feira a cria&ccedil;&atilde;o de uma comiss&atilde;o p&uacute;blico-privada, de car&aacute;ter permanente, com a miss&atilde;o de \u201ccriar espa&ccedil;os de reflex&atilde;o, supervis&atilde;o e monitoramento do avan&ccedil;o de nosso grande objetivo que &eacute; converter o Chile em uma potencia agroalimentar\u201d. Por outro lado, Rojas afirmou que \u201c&eacute; poss&iacute;vel que os pequenos agricultores (especialmente de milho e de raps, ou colza) tenham um espa&ccedil;o produtivo relevante no desenvolvimento de biocombust&iacute;vel com o etanol ou biodiesel\u201d.<\/p>\n<p>Nesse aspecto, Graziano afirmou que \u201ccanalizar os excedentes presentes em muitos cultivos como, soja e beterraba a&ccedil;ucareira, para a produ&ccedil;&atilde;o de biocombust&iacute;veis, seria uma sa&iacute;da importante (para as produ&ccedil;&otilde;es dos agricultores familiares) da regi&atilde;o\u201d. O especialista garantiu &agrave; IPS que o futuro da agricultura familiar depende de tr&ecirc;s fatores: o papel do Estado, a capacidade das organiza&ccedil;&otilde;es camponesas de atuar e intervir nas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e a concretiza&ccedil;&atilde;o dos Objetivos de Desenvolvimento do Mil&ecirc;nio, especialmente o de abater pela metade a popula&ccedil;&atilde;o que passa fome no mundo. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Santiago, 09\/10\/2006 &ndash; A agricultura familiar n&atilde;o est&aacute; desaparecendo na Am&eacute;rica Latina, mas est&aacute; mais vulner&aacute;vel e exige dos governos pol&iacute;ticas para sua inclus&atilde;o econ&ocirc;mica e social, afirmaram especialistas e agricultores durante semin&aacute;rio organizado pela Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Alimenta&ccedil;&atilde;o e a Agricultura (FAO) na capital chilena. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/america-latina\/amrica-latina-agricultura-familiar-persistente-e-frgil\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":50,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12,5,11],"tags":[],"class_list":["post-2191","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2191","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/50"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2191"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2191\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2191"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2191"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2191"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}