{"id":2192,"date":"2006-10-09T00:00:00","date_gmt":"2006-10-09T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2192"},"modified":"2006-10-09T00:00:00","modified_gmt":"2006-10-09T00:00:00","slug":"finanas-noruega-histrico-e-exemplar-perdo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/mundo\/finanas-noruega-histrico-e-exemplar-perdo\/","title":{"rendered":"Finan&ccedil;as-Noruega: Hist&oacute;rico e exemplar perd&atilde;o"},"content":{"rendered":"<p>Washington, 09\/10\/2006 &ndash; O hist&oacute;rico cancelamento pela Noruega de d&iacute;vidas no valor de US$ 80 milh&otilde;es de cinco pa&iacute;ses pobres foi aplaudida por ativistas que defendem o perd&atilde;o dos empr&eacute;stimos ileg&iacute;timos do Sul em desenvolvimento. <!--more--> O governo noruegu&ecirc;s tomou a decis&atilde;o depois de determinar que os empr&eacute;stimos n&atilde;o foram concedidos com a inten&ccedil;&atilde;o de fomentar o desenvolvimento. V&aacute;rias importantes organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais consideraram est&aacute; medida um modelo a ser seguido por outros grandes credores para aliviar a crise mundial da divida que afeta muitos pa&iacute;ses do Sul em desenvolvimento.<\/p>\n<p>\u201cN&atilde;o &eacute; justo que a popula&ccedil;&atilde;o das na&ccedil;&otilde;es devedoras continuem pagando por empr&eacute;stimos concedidos de maneira il&iacute;cita, negligente e motivados pela pol&iacute;tica do passado\u201d, disse a ativista Gail Hurley, da organiza&ccedil;&atilde;o internacional antid&iacute;vida Eurodad, com sede em Bruxelas. \u201cHoje foi rompido o sil&ecirc;ncio e pedimos urg&ecirc;ncia a outros pa&iacute;ses credores, especialmente da Europa, a assumirem o papel audaz da Noruega\u201d, acrescentou. Os pa&iacute;ses beneficiados s&atilde;o Equador, Egito, Jamaica, Peru e Serra Leoa, e no futuro tamb&eacute;m poder&atilde;o ser favorecidos Sud&atilde;o e Birm&acirc;nia, informou a chanceler norueguesa.<\/p>\n<p>O governo noruegu&ecirc;s, o primeiro de um pa&iacute;s rico a tomar este tipo de medida, admitiu publicamente que a concess&atilde;o de cr&eacute;ditos foi \u201cuma pol&iacute;tica falida\u201d e ajudou no \u201cendividamento ileg&iacute;timo\u201d acumulado em anos por essas na&ccedil;&otilde;es pobres e que consumiu seus or&ccedil;amentos para gastos sociais. A decis&atilde;o tamb&eacute;m &eacute; significativa porque a Noruega rompeu com o cartel de credores que, em sua maioria, negam ter concedido empr&eacute;stimo de maneira irrespons&aacute;vel ou motivados por raz&otilde;es pol&iacute;ticas.<\/p>\n<p>As na&ccedil;&otilde;es ricas, em especial as pertencentes ao Clube de Paris, e as ag&ecirc;ncias multilaterais de cr&eacute;ditos, como o Banco Mundial e o Fundo Monet&aacute;rio Internacional, negaram ter fomentado as d&iacute;vidas ileg&iacute;timas de governos corruptos, ou o fracasso de suas pol&iacute;ticas nos pa&iacute;ses em desenvolvimento. A declara&ccedil;&atilde;o norueguesa revela que a \u201cdivida ileg&iacute;tima\u201d em quest&atilde;o foi resultado de uma campanha realizada por esse pa&iacute;s entre 1976 e 1980 para solucionar os problemas de sua ind&uacute;stria naval. Isso lhe permitiu vender 156 navios e diversos equipamentos para na&ccedil;&otilde;es do Sul. Os projetos em seguida impulsionados nesses pa&iacute;ses fracassaram e o governo noruegu&ecirc;s se converteu em seu prestamista.<\/p>\n<p>\u201cEnquanto credora, a Noruega teve uma responsabilidade compartilhada nas d&iacute;vidas subseq&uuml;entes\u201d, diz o comunicado. \u201cAo cancelar essas cobran&ccedil;as, a Noruega assume a responsabilidade do fim dos pagamentos pendentes da divida destes cinco pa&iacute;ses\u201d, afirmou o ministro de Desenvolvimento Internacional, Erik Solheim. Uma investiga&ccedil;&atilde;o oficial feita no final da d&eacute;cada de 80 revelou que as concess&otilde;es careceram de an&aacute;lise adequada a respeito das necessidades reais das na&ccedil;&otilde;es em desenvolvimento, bem como de avalia&ccedil;&otilde;es de riscos. Sua principal conclus&atilde;o foi que esse tipo de empr&eacute;stimos n&atilde;o deveria se repetir.<\/p>\n<p>\u201cO governo da Noruega, de fato, admitiu que seus empr&eacute;stimos nestes casos particulares foram irrespons&aacute;veis e motivados por problemas internos, sem contar com an&aacute;lise objetiva das necessidades de desenvolvimento nos pa&iacute;ses envolvidos\u201d, disse a ativista da Eurodad. A proposta faz parte do novo or&ccedil;amento do governo para 2007 apresentado ao parlamento. Tamb&eacute;m sugere que as d&iacute;vidas devem ser canceladas de forma unilateral e sem condi&ccedil;&otilde;es e sem emendas or&ccedil;ament&aacute;rias adicionais.<\/p>\n<p>O governo deste pa&iacute;s rico em petr&oacute;leo disse que as d&iacute;vidas canceladas n&atilde;o fariam parte da ajuda oficial para o desenvolvimento calculada pela Organiza&ccedil;&atilde;o para a Coopera&ccedil;&atilde;o e o Desenvolvimento Econ&ocirc;mico (OCDE), que tem entre seus 30 membros todos os do Norte industrial. Essa medida rompe a tradi&ccedil;&atilde;o de incluir o perd&atilde;o parcial das d&iacute;vidas nas novas ajudas &agrave; assist&ecirc;ncia, pratica questionada porque infla de forma artificial as quantias emprestadas, dando a impress&atilde;o de que h&aacute; mais dinheiro dispon&iacute;vel do que existe na realidade.<\/p>\n<p>\u201cA declara&ccedil;&atilde;o da Noruega desta semana e a disposi&ccedil;&atilde;o em assumir sua responsabilidade nos empr&eacute;stimos ileg&iacute;timos estabelecem um precedente importante que outros credores internacionais deveriam ter em conta\u201d, afirmou Ann-Louise Colgan, diretora da ONG &Aacute;frica Action, com sede em Washington. Organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil pressionam h&aacute; anos para que sejam canceladas as d&iacute;vidas das na&ccedil;&otilde;es pobres. Al&eacute;m disso, condenam as d&iacute;vidas ileg&iacute;timas nas quais incorreram governos ditatoriais, acordos abusivos ou pol&iacute;ticas econ&ocirc;micas mal desenhadas que n&atilde;o beneficiaram as popula&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Os ativistas antid&iacute;vida agora dizem que a decis&atilde;o da Noruega &eacute; um exemplo a ser seguido pelas institui&ccedil;&otilde;es financeiras multilaterais, especialmente Banco Mundial e FMI, aos quais as na&ccedil;&otilde;es pobres devem milhares de milh&otilde;es de d&oacute;lares. Essas institui&ccedil;&otilde;es \u201cj&aacute; n&atilde;o podem ignorar suas pr&oacute;prias pr&aacute;ticas hist&oacute;ricas, injustas e corruptas de empr&eacute;stimos. Devem seguir o caminho da Noruega e cancelar as d&iacute;vidas ileg&iacute;timas dos pa&iacute;ses empobrecidos da &Aacute;frica e de todo o Sul em desenvolvimento que agora devem saldar\u201d, afirmou Colgan.<\/p>\n<p>Essas organiza&ccedil;&otilde;es aplaudiram o Minist&eacute;rio de Desenvolvimento Internacional pela decis&atilde;o tomada. \u201cTrata-se de um caso claro de divida ileg&iacute;tima. A Noruega rompeu suas pr&oacute;prias regras ao n&atilde;o avaliar as necessidades de desenvolvimento dos pa&iacute;ses para os quais export&aacute;vamos nossos navios\u201d, disse Kjetil G. Abildsnes, diretor da n&atilde;o-governamental Jubilee Noruega. \u201cMas agora Solheim cancela todas estas d&iacute;vidas. Est&aacute; &eacute; uma vit&oacute;ria hist&oacute;rica para n&oacute;s. &Eacute; o fim de uma hist&oacute;ria vergonhosa para a Noruega. Aplaudimos Solheim por essa atitude audaciosa\u201d, ressaltou. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, 09\/10\/2006 &ndash; O hist&oacute;rico cancelamento pela Noruega de d&iacute;vidas no valor de US$ 80 milh&otilde;es de cinco pa&iacute;ses pobres foi aplaudida por ativistas que defendem o perd&atilde;o dos empr&eacute;stimos ileg&iacute;timos do Sul em desenvolvimento. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/mundo\/finanas-noruega-histrico-e-exemplar-perdo\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":64,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,5,4,11],"tags":[18],"class_list":["post-2192","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento","category-economia","category-mundo","category-politica","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2192","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/64"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2192"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2192\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2192"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2192"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2192"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}