{"id":2194,"date":"2006-10-09T00:00:00","date_gmt":"2006-10-09T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2194"},"modified":"2006-10-09T00:00:00","modified_gmt":"2006-10-09T00:00:00","slug":"clima-el-nio-amea-novamente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/mundo\/clima-el-nio-amea-novamente\/","title":{"rendered":"Clima: El Ni&ntilde;o ame&ccedil;a novamente"},"content":{"rendered":"<p>Bogot&aacute;, 09\/10\/2006 &ndash; Havana e Nova Orleans podem viver tranq&uuml;ilas est&aacute; temporada de tempestades. <!--more--> Quando El Ni&ntilde;o se manifesta, como agora, diminuem a intensidade e a freq&uuml;&ecirc;ncia dos furac&otilde;es no Caribe e aumenta o risco de aparecerem no Oceano Pac&iacute;fico. La Ni&ntilde;a, contraparte do El Ni&ntilde;o, incide em mudan&ccedil;a fazendo com que os furac&otilde;es na bacia do Caribe sejam mais fortes e mais freq&uuml;entes. Essa &eacute; uma das rela&ccedil;&otilde;es tra&ccedil;adas pelos cientistas que estudam os impactos globais do El Ni&ntilde;o &#8211; Oscila&ccedil;&atilde;o do Sul (ENOS), ou ENSO, siglas de El Ni&ntilde;o-Southern Oscillation. Este fen&ocirc;meno est&aacute; de volta, com 60% de probabilidades de que continue se desenvolvendo nos pr&oacute;ximos meses, segundo o Instituto Internacional de Pesquisa sobre o Clima e a Sociedade, com sede na Universidade de Columbia, nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>\u201cA comunidade cientifica redefiniu o ENOS v&aacute;rias vezes. Hoje se considera que esse fen&ocirc;meno se manifesta quando a temperatura superficial da &aacute;gua varia em mais de meio grau acima do normal durante pelo menos cinco meses seguidos\u201d no Pac&iacute;fico ocidental, central ou oriental, disse &agrave; IPS Max Henr&iacute;quez, subdiretor de Meteorologia do Instituto de Hidrologia, Meteorologia e Estudos Ambientais da Col&ocirc;mbia (Ideam). Desta vez, a anomalia come&ccedil;ou a ser observada em abril e com tend&ecirc;ncia a se confirmar em julho, segundo um relat&oacute;rio do Centro de Previs&atilde;o Clim&aacute;tica norte-americano ao qual a IPS teve acesso, mas as camadas superiores do oceano come&ccedil;aram a aquecer levemente em toda a bacia desde fevereiro.<\/p>\n<p>A temperatura superficial das &aacute;guas oce&acirc;nicas aumentou desde in&iacute;cio de agosto a uma m&eacute;dia de 1,5 graus na costa ocidental da Am&eacute;rica do Sul. Com aumento de mais de tr&ecirc;s graus j&aacute; se considera que se est&aacute; diante de um Ni&ntilde;o \u201cforte\u201d, e entre um e dois graus &eacute; qualificado de \u201cmoderado\u201d. Existe a hip&oacute;tese de as grandes erup&ccedil;&otilde;es vulc&acirc;nicas serem a origem do fen&ocirc;meno. \u201cDe fato, os epis&oacute;dios de El Ni&ntilde;o mais fortes est&atilde;o precedidos\u201d destas explos&otilde;es, recordou Henr&iacute;quez. \u201cPor exemplo, na temporada 1982-1983 foi registrado um dos \u201cNi&ntilde;os\u201d mais fortes, antecipado por uma erup&ccedil;&atilde;o do Vulc&atilde;o El Chich&oacute;n, no sul do M&eacute;xico\u201d, afirmou<\/p>\n<p>\u201cO Monte Pinatubo, nas Filipinas, teve em 1991 uma das maiores erup&ccedil;&otilde;es da hist&oacute;ria, e tamb&eacute;m se registrou o fen&ocirc;meno El Ni&ntilde;o imediatamente depois\u201d, acrescentou. O especialista tamb&eacute;m contou que outro ENOS de intensidade \u201cmuito forte\u201d foi verificado depois que o Vulc&atilde;o Soufriere Hill, na ilha de Montserrat (territ&oacute;rio de ultramar brit&acirc;nico no Caribe), e o Popocat&eacute;petl, perto da capital do M&eacute;xico, registraram em 1997 \u201cerup&ccedil;&otilde;es estratosf&eacute;ricas, ou sejam, expeliram part&iacute;culas a mais de dez quil&ocirc;metros de altura\u201d. Assim, entre 1997 e 1998, a costa do Pac&iacute;fico do M&eacute;xico at&eacute; o sul do Peru foi afetada pelo El Ni&ntilde;o.<\/p>\n<p>Segundo a Organiza&ccedil;&atilde;o Meteorol&oacute;gica Mundial, a temperatura superficial da &aacute;gua aumentou at&eacute; cinco graus acima do normal desde ent&atilde;o. El Ni&ntilde;o faz parte da din&acirc;mica da natureza e n&atilde;o &eacute; um efeito da mudan&ccedil;a clim&aacute;tica provocada pela atividade humana. Apesar de acelerar temporariamente o derretimento da camada superficial das geleiras da Cordilheira dos Andes e favorece os inc&ecirc;ndios florestais, afirmam especialistas. Trata-se de um fen&ocirc;meno c&iacute;clico, mas aleat&oacute;rio (pode ocorrer a cada dois ou sete anos), de intensidade vari&aacute;vel, ainda imprevis&iacute;vel e, em todo caso, de origem e impacto globais, conforme se reconhece atualmente.<\/p>\n<p>Surge quando muda a press&atilde;o atmosf&eacute;rica no Pac&iacute;fico ocidental em uma faixa de quatro graus de latitude norte e quatro graus ao sul da linha do Equador, diante da Nova Guin&eacute; e Indon&eacute;sia, o que provoca altera&ccedil;&otilde;es na dire&ccedil;&atilde;o e for&ccedil;a habituais dos ventos al&iacute;sios, que sopram de sudeste para noroeste no hemisf&eacute;rio sul, e nas correntes marinhas desse oceano. Em condi&ccedil;&otilde;es \u201cneutras\u201d, quando n&atilde;o h&aacute; ENOS, os ventos al&iacute;sios mant&ecirc;m uma esp&eacute;cie de \u201cempilhamento\u201d de enormes massas de &aacute;gua quente do oceano na costa ocidental do Pac&iacute;fico. Por isso o n&iacute;vel do mar nessa &aacute;rea costuma ser 50 cent&iacute;metros mais alto do que na costa sul-americana e a temperatura superficial das &aacute;guas cerca de oito graus mais alta.<\/p>\n<p>O El Ni&ntilde;o faz com que essas massas de &aacute;gua \u201cempilhadas\u201d a oeste se mudem lentamente para leste, na altura dos litorais peruano, equatoriano e colombiano, alterando, assim, o n&iacute;vel do mar e sua temperatura, com efeitos na temperatura atmosf&eacute;rica, causando marejadas na costa do Pac&iacute;fico desses pa&iacute;ses e mudan&ccedil;as radicais no regime de chuvas nos dois lados do maior oceano do planeta. O efeito contr&aacute;rio, quando as &aacute;guas do Pac&iacute;fico esfriam abaixo do normal na costa sul-americana, &eacute; identificado como La Ni&ntilde;a, embora para os cientistas est&aacute; fase e o El Ni&ntilde;o sejam duas faces do mesmo ENOS. A hip&oacute;tese sobre as grandes erup&ccedil;&otilde;es vulc&acirc;nicas pretende compreender o que freia os ventos al&iacute;sios.<\/p>\n<p>Quando h&aacute; erup&ccedil;&otilde;es estratosf&eacute;ricas, isto &eacute;, que expulsam cinzas vulc&acirc;nicas acima dos dez ou 12 quil&ocirc;metros de altitude, para cima da troposfera que habitamos, essas part&iacute;culas se expandem ao redor de todo o planeta e refratam, refletem e difratam a luz solar, diminuindo a quantidade de energia que chega &agrave; superf&iacute;cie terrestre. Como os ventos dependem da energia solar e da rota&ccedil;&atilde;o da Terra sobre seu eixo, essa altera&ccedil;&atilde;o faz com que \u201cos al&iacute;sios enfraque&ccedil;am\u201d, explicou Henr&iacute;quez. Desta vez, El Ni&ntilde;o foi precedido pela erup&ccedil;&atilde;o estratosf&eacute;rica no dia 12 de julho do Vulc&atilde;o Galeras, nas proximidades da cidade colombiana de Pasto, que lan&ccedil;ou cinzas a mais de 12 quil&ocirc;metros de altura, e da erup&ccedil;&atilde;o dias 16 e 17 de agosto do Tungurahua, no Equador, ativo desde 1999 e que expeliu part&iacute;culas a cerca de 15 quil&ocirc;metros de altura.<\/p>\n<p>\u201cNo dia 15 de agosto havia no mundo 17 vulc&otilde;es em diferentes fases de erup&ccedil;&atilde;o e em condi&ccedil;&atilde;o de alerta amarelo ou vermelho\u201d, disse &agrave; IPS o ecologista colombiano e especialista em desastres Gustavo Wilches-Chaux. Mas ressaltou que a rela&ccedil;&atilde;o entre erup&ccedil;&otilde;es estratosf&eacute;ricas e El Ni&ntilde;o ainda se mant&eacute;m como uma pergunta. Quando aparece o ENOS, fase El Nino, algumas coisas acontecem ao contr&aacute;rio durante sete e 28 meses, segundo medi&ccedil;&otilde;es. A temperatura marinha no sudeste asi&aacute;tico esfria e na costa sul-americana esquenta. Assim, surge o fantasma da seca em lugares onde habitualmente chove muito, ou o suficiente, como &eacute; o caso da costa colombiana do Pac&iacute;fico.<\/p>\n<p>Mas em regi&otilde;es secas, como a ribeira peruana, os Estados norte-americanos da Calif&oacute;rnia (oeste) e da Florida (sudeste) e em Cuba ocorrem tempestades. Tamb&eacute;m s&atilde;o registradas tempestades de areia com as terras f&eacute;rteis da Austr&aacute;lia ou se produz um tuf&atilde;o no Taiti. A fome na &Aacute;frica oriental, causada por secas fora do comum, s&atilde;o, em parte, atribu&iacute;das ao El Ni&ntilde;o. O ENOS tamb&eacute;m faz v&aacute;rias esp&eacute;cies mudarem seus h&aacute;bitos migrat&oacute;rios, com risco de extin&ccedil;&atilde;o para algumas. O aumento da temperatura da superf&iacute;cie da &aacute;gua diminui o pl&acirc;ncton, habitualmente trazido pela Corrente de Humboldt, que &eacute; fria e flui em &aacute;guas profundas procedente do Oceano Glacial Ant&aacute;rtico.<\/p>\n<p>Isso \u201cprovoca a migra&ccedil;&atilde;o ou a morte em massa de aves e peixes e o conseq&uuml;ente desastre para as ind&uacute;strias pesqueira e guaneira\u201d, disse Wilches-Chaux. \u201cO Peru sofreu conseq&uuml;&ecirc;ncias catastr&oacute;ficas com El Ni&ntilde;o entre 1972 e 1973 e entre 1982 e 1983\u201d, afirma o especialista em seu livro intitulado \u201cQu-ENOS passa?\u201d, atualmente em fase de publica&ccedil;&atilde;o. Esse trabalho se baseia em um estudo feito pela Rede de Estudos Sociais sobre Desastres com financiamento do Inter American Institute (IAI), sofre os efeitos do ENOS em v&aacute;rios pa&iacute;ses americanos, desde a Fl&oacute;rida at&eacute; a Argentina.<\/p>\n<p>O El Ni&ntilde;o de 1982-1983 foi que abriu os olhos da comunidade cient&iacute;fica mundial, enquanto o de 1997-1998 mostrou que se tratava de um fen&ocirc;meno global. \u201cH&aacute; 20 anos que El Ni&ntilde;o foi identificado como principal respons&aacute;vel pela varia&ccedil;&atilde;o do clima em n&iacute;vel mundial\u201d, segundo o meteorologista Henr&iacute;quez. Gra&ccedil;as a uma coopera&ccedil;&atilde;o internacional horizontal e solid&aacute;ria, hoje \u201cse sabe quase tudo\u201d a respeito, afirmou. Mas ainda n&atilde;o se conhece perfeitamente suas din&acirc;micas. \u201cH&aacute; muito conhecimento sobre a rela&ccedil;&atilde;o oceano-atmosfera, mas, n&atilde;o est&aacute; totalmente definida\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>No inverno boreal, El Ni&ntilde;o produz chuvas mais fortes no sudeste e sudoeste dos Estados Unidos e, ao mesmo tempo, seca no habitualmente chuvoso noroeste costeiro do Pac&iacute;fico. Por ocasi&atilde;o da El Nin&otilde; de 1997-1998, na Fl&oacute;rida choveu 200% mais do que o normal entre outubro e dezembro, mas em abril e junho, quando em seguida surgiu La Ni&ntilde;a, foi registrada a pior seca e a mais alta temperatura atmosf&eacute;rica em 104 anos, pode-se ler no \u201cQu-ENOS passa?\u201d.<\/p>\n<p>Segundo Wilches-Chaux resumiu para a IPS, El Ni&ntilde;o na Col&ocirc;mbia costuma provocar seca, mas La Ni&ntilde;a, por outro lado, costuma causar chuva. Mas tamb&eacute;m durante El Ni&ntilde;o h&aacute; precipita&ccedil;&otilde;es abundantes em algumas regi&otilde;es isoladas, com o conseq&uuml;ente risco de inunda&ccedil;&otilde;es, acrescentou. \u201cNa costa norte do Peru e na equatoriana (Piura e Guayaquil, respectivamente), El Ni&ntilde;o significa tremendas e prolongadas chuvas\u201d, ressaltou. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p>Legenda: Furac&atilde;o Stan, Mexico (2005)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bogot&aacute;, 09\/10\/2006 &ndash; Havana e Nova Orleans podem viver tranq&uuml;ilas est&aacute; temporada de tempestades. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/mundo\/clima-el-nio-amea-novamente\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":44,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,4],"tags":[],"class_list":["post-2194","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2194","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/44"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2194"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2194\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2194"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2194"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2194"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}